Notas iniciais
Oi pessoas, aposto que muitos pensaram que a fic tinha sido abandonada, me perguntaram isso e eu disse que não, eu não vou abandona-la gente, peço que também não façam isso. Obrigada a quem favoritou, quem ainda não fez sinta-se a vontade, isso me motiva, adorei os comentários e foram muitos né, muito bom! ♥ . Então, os capítulos agora serão maiores para que eu desenvolva bem a estória, já que, na trama está próximo o natal e a volta da Jane para Boston. Além da música do capítulo, vou recomendar outra para um hot que vai ter no capítulo, "Austra - Lose It" foi a música usada para escrever a cena, espero que gostem não costumo escrever hot, me deixem saber o que acharam para que eu possa melhorar nas próximas vezes. Sem mais, aproveitem o capítulo.

“Tinha que te ver, lhe dizer que preciso de você, dizer que te escolhi, conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas, oh, vamos voltar para o começo”.

Coldplay — The Scientist

( Maura)

Minha mãe estava estranha há alguns dias, mas o que esperar da Constance... Eu não me importei muito, então ela deu uma pulseira para a Jane como presente de aniversário, eu não falei nada para a minha namorada, mas aquela pulseira era bastante cara. Fiquei desconfiada, porém resolvi ignorar, se eu soubesse o que Constance estava planejando nunca teria deixado a Jane aceitar o presente...

Eu estava feliz, eu e a Jane havíamos planejado ficar juntas mesmo depois de irmos para a faculdade, mas minha felicidade foi embora durante uma conversa com a minha mãe.

Sai do meu quarto e desci as escadas, fui até a sala, estava pensando em sair com a Jane e a Lydia, minha mãe veio em minha direção, algo parecia incomoda-la, mas bem minha mãe sempre está incomodada com algo, por isso não me importei.

— Boa tarde mãe.

— Há quanto tempo está acontecendo essa perversão? _ Olhei para ela me sentindo confusa.

­_ Do que está falando?

— Não se faça de idiota Maura Dorothea, eu vi você e aquela aberração em um momento íntimo.

— Mãe eu...Eu tenho que te dizer...

— Ela tem um pênis... Como pode ser? Meu Deus isso me dá nojo!

— Você não pode falar assim da Jane! _ Antes eu estava com medo, mas depois de ouvir o discurso estúpido da minha mãe, todo o meu medo se transformou em raiva. A expressão da Constance mudou, ela foi de alterada para furiosa e me deu um tapa na cara, coloquei a mão obre o local que estava ardendo e com certeza estava vermelho.

— Eu nem quero pensar em quantas coisas ela te obrigou a fazer, porque você foi obrigada Maura, isso foi estupro.

­ _ Não, não foi mãe, eu quis! ­ _ Me deixei levar pela enorme raiva que estava sentindo e talvez com isso tenha piorado as coisas_ Eu quis fazer amor com ela, quis sentir seu gosto, quis ser dela e tê-la de várias formas!

— Por favor não me faça vomitar, isso é doentio Maura, os pais dessa...desse, sei lá, deviam levar essa criatura no médico e...

— Para mãe!

— Você está proibida de se encontrar com aquilo!

— Eu não sou uma criança! Você não pode me manipular, não pode me obrigar a nada.

— Nós veremos Maura Isles, estou dizendo você irá se afastar daquela coisa.

— O que você irá fazer? Vai me prender? Colocar uma corrente no meu tornozelo!?

— Vou dizer para todo mundo o que aquela garota é.

— Você não faria isso e mesmo se fizer eu e a Jane continuaremos juntas, eu não tenho vergonha dela e ela só precisa de mim e da sua família para ser feliz.

— E da liberdade.

— O que está dizendo?

— Eu não queria fazer isso, mas você está me obrigando Maura, eu vou denunciar a Jane Rizzoli por roubo, ela roubou uma pulseira minha, uma das joias mais caras que o seu pai me deu e de extrema importância para mim.

— Por favor mamãe não faça isso_ Comecei a chorar, mas nem isso comoveu Constance_ Mãe eu amo ela.

— Se a ama vai querer o melhor para a Jane... E o melhor para ela é que você vá para Paris comigo.

— Eu não posso, eu..._ Olhei para Constance e percebi que não havia outro jeito, minha mãe não mudaria de ideia_ Preciso de um tempo para dizer a Jane que irei embora.

— Como quiser_ Constance estava saindo da sala, eu a chamei e ela parou virando-se para mim.

— Eu espero que você saiba Constance, que se um dia eu tive algum respeito ou afeto por você acabou hoje.

Constance nada disse, simplesmente saiu, eu subi as escadas correndo, abri a porta do meu quarto e me joguei na cama chorando, eu odiava a minha mãe, hoje o que sinto por ela é indiferença.

Jane não recebeu as minhas cartas, eu não ouvi a sua voz através das suas ligações e a minha mãe conseguiu nos afastar, mas Constance não fez isso sozinha, ambas tivemos culpa, nos perdemos, nos abandonamos.

Nós duas precisamos ter uma conversa, sim sabemos disso, eu preciso esclarecer tudo com o Jack, mas por hora me sinto feliz, falei com a Jane e marcamos um almoço, por isso hoje eu dormirei com um sorriso no rosto.

Entrei no departamento e segui para o necrotério, no caminho passei pela mesa da Jane, sorri ao lembrar da...da minha morena e não estou sendo apressada ao chama-la de minha, porque sempre fomos uma da outra, desde a primeira troca de olhares, os sorrisos, as declarações...

Parei alguns segundos encarando objetos em cima da mesa desorganizada e tive uma ideia, fui até lá e peguei um post-it, escrevi algo, depois escolhi um lugar estratégico onde a Jane facilmente encontraria e sai de lá com um sorriso travesso no rosto.

***

( Cailin)

Nina me ligou cedo, logo pela manhã e me disse para encontrá-la em um café que fica perto do apartamento que ela divide com uma amiga.

“Precisamos conversar”, foi a frase que ela usou, nada bom pode vir de algo assim, comecei a criar teorias sobre o que ela iria me dizer e não consegui pensar positivo, claro que ela ia terminar o que temos, ela é uma mulher, é independente, tem experiência e eu... eu sou só uma “ menina curiosa” sem um lugar só meu, sem trabalho, eu ainda estou na faculdade, claro que ela não vai me querer do seu lado, contudo eu ...eu estou apaixonada pela Nina. Faço um esforço para não deixar transparecer as minhas preocupações e olho para o relógio mais uma vez. Alguns minutos depois ela entra, quando nossos olhares se cruzam ela acena e sorri para mim, o sorriso mais lindo que já vi, ela senta e fazemos os nossos pedidos.

Enquanto ela mordia uma torada eu só conseguia fazer o café passar pela minha garganta, Nina não parecia triste ou nervosa, talvez ela não se importasse comigo, talvez ela já tivesse outra. De repetente Nina chamou a minha atenção.

— Acho que já é hora de te dizer porque te chamei aqui.

Balancei a cabeça assentindo. Nina alcançou a minha mão em cima da mesa e entrelaçou nossos dedos, eu automaticamente desviei meus olhos do seu rosto para as nossas mãos, apesar de estar nervosa o pequeno gesto me fez sorrir, depois de algum tempo voltei a olha-la.

— Cailin, como você sabe eu recebi uma proposta de trabalho e estou indo para Boston dentro de alguns dias, eu...

Não deixei ela terminar, percebi que a Nina não queria me magoar e resolvi ajudar ela.

— Nina, pode me dizer, eu não vou chorar ou algo do tipo_ Sorri, um riso sem graça.

— Porque está me dizendo isso? Chorar? Do que você está falan...Acha que te chamei aqui para terminar o que temos?

— Você deu a entender que era algo sério.

— E é Cailin_ Ela suspirou_ Eu sei que provavelmente você só quer sexo_ O que ainda não aconteceu, Nina quer ir com calma_ Está na fase da descoberta, quer curtir a vida e...namorar pessoas da sua idade, mas eu precisava vir aqui e tentar, Cailin eu gosto muito de você e quero que seja a minha namorada.

Comecei a rir, não sei porque fiz isso, mas não me controlei, a expressão da Nina mudou de esperançosa para magoada.

— Entendi, fui uma idiota por ter vindo aqui, aproveite o café_ Nina tentou levantar, mas eu segurei seu braço.

— Ei, não estou rindo de você, estou rindo de nós. Eu pensei que você estivesse me chutando, pensei que queria uma mulher e não uma criança.

— Você não é criança, uma criança não me beija como você fez no nosso último encontro, baixei a cabeça envergonhada.

— E você achava que eu só quero me aventurar e não é isso Nina, claro que eu quero saber como é, mas vai muito além disso.

— Então...podemos tentar?

— Claro, é o que eu mais quero_ Fui até ela e beijei seu rosto.

— Vai me apresentar para a sua irmã?

Suspirei_ Eu vou falar com a Maura, uma pena que você vai para Boston antes do natal, poderia jantar com a gente, é tão chato, somos só nós duas e o namorado da Maura_ Fiz uma careta e a Nina riu.

— Eu gostaria de ficar... Te darei um presente antes de ir_ Exibi um sorriso malicioso e Nina percebeu_ Cailin! Não é nada disso, eu já te disse, quero que sua primeira vez seja algo bom_ Nina fez um carinho na minha mão.

— Estou apaixonada por você Nina, é algo muito forte e esse sentimento me faz muito bem.

— Eu sinto o mesmo, espero que vocês não se mudem para muito longe, sentirei sua falta todos os dias.

Nos beijamos ali mesmo, sem nos importarmos com as pessoas a nossa volta, o resto do mundo não importava naquele momento. Pedimos novos cafés, já que os nossos esfriaram e tomamos entre provocações e risos.

***

(Jane)

Apesar de um policial ter sido ferido durante as prisões, tudo correu bem, Martinez e eu iremos conduzir os interrogatórios, mas como são muitos os suspeitos Casey e seus “amigos” irão nos ajudar.

Logo que terminei um dos interrogatórios, fui até a minha mesa e vi o bilhete que a Maura deixou fixado na tela do meu computador, quando li o que ela escreveu um pequeno sorriso enfeitou os meus lábios. Ela me convidou para tomar um café, na verdade eu deveria pagar o nosso café, porém quando fiquei livre já era horário do almoço.

Fui até o necrotério, felizmente não havia nenhum dos assistentes da Maura por lá, só ela estava na sala, ela e dois corpos esperando a autopsia. Fui até o escritório e entrei sem fazer barulho, ela estava de costas lendo alguns papeis.

— Trabalhando na hora do almoço doutora Isles?

Maura virou-se e sorriu.

— Eu estava lendo esses relatório_ Ela olhou para mim e começou a procurar algo_ Não vejo nossos cafés.

— Eu achei melhor te levar para almoçar.

— Pensei que você estivesse bastante ocupada.

— Casey está ajudando nos interrogatórios, então eu tenho algum tempo para comer, me dá a honra da sua companhia?

— Claro Jane.

Eu não resisti a aqueles lábios rosados, aquele sorriso charmoso, me aproximei da Maura e beijei a sua boca, um beijo calmo, não era necessário pressa, precisava ser assim, ainda que eu estivesse me controlando muito, entre nós existe um amor muito forte que foi capaz de resistir todo o tempo que estivemos distantes e junto com esse amor também existe muito desejo.

Finalizei o beijo com alguns selinhos e fiquei esperando a reação dela.

— Jane! A Ana poderia ter entrado na sala agora!

— Então...Não gostou do beijo?

— Eu não estou dizendo isso_ Ela aproximou-se de mim e tocou o meu rosto fazendo um carinho_ Mas precisamos ter muito cuidado, não quero que se espalhe pelo departamento o que temos, você sabe que ainda tenho um namorado.

— É, eu sei_ Fiquei chateada com isso, ouvi-la chamando ele de namorado não era bom, mesmo eu sabendo disso, quando saiu dos lábios da Maura me machucou_ Eu vou tentar não te beijar todas as vezes que encarar os seus lábios, que te ver sorrindo, que desejar você.

Dessa vez foi a Maura que iniciou o beijo, depois ficamos próximas nos olhando_ Vamos nos ver fora do trabalho, não precisa ficar sem o meu beijo Jane, porque eu também não quero isso.

— Então só mais um_ Dei um sorriso malicioso.

— Jane Eu já disse que..._ A beijei antes que ela pudesse terminar a frase, quando nos afastamos Maura deu um tapa no meu braço.

— Ai! Maura isso é agressão_ Falei massageando o braço.

— Isso é por você ter sido atrevida_ Ela pegou a sua bolsa_ Agora vamos almoçar e se comporte_ Fui na frente para não sermos vistas saindo juntas, mas antes que eu saísse do necrotério senti uma palmada na bunda, olhei para Maura assustada e ela estava rindo.

— E isso é porque já resisti por muito tempo_ Passou por mim que ainda estava parada sem entender nada e saiu rindo.

Escolhi um restaurante simples, sabia que a Maura é toda fresca com a comida, mas naquele lugar havia a salada preferida dela, não entendo como alguém pode comer algo assim, contudo percebendo como a Maura está linda e gostosa, percebo que essa comida de coelho tem lhe feito bem.

Comecei a comer o que havia pedido, algo com bastante molho e nada saudável, olhei para frente e vi a Maura me observando.

— O que?

— É que ainda come igual à quando te conheci_ Ela riu.

— O que tem demais no meu jeito de comer?

— Bem...Você come como uma criança, uma criança que não vê comida há dias, tem molho por toda a boca me deixa limpar_ Ela trouxe o guardanapo até mim e antes que pudesse limpar a minha boca eu desviei do seu toque.

— Jane...o que foi? Não era minha intenção rir de você, eu só...

— Não estou chateada, só queria fazer isso_ Segurei a sua mão que ainda estava levantada, puxei ela para mais perto de mim e sujei seu rosto com os meus dedos sujos de molho.

— Jane Clementine Rizzoli! Eu não acredito que fez isso! Se estivéssemos em outro lugar eu iria revidar.

— Maura, olha pra mim_ Ela olhou e eu tirei uma foto dela, seu rosto de birra, fazendo um beicinho, os olhos apertados e na bochecha dois riscos de molho. Enviei a foto para a Lydia.

***

Entramos no elevador sorrindo, peguei a sua mão e entrelacei meus dedos aos dela e ficamos assim, trocando carinhos discretos.

— Eu acho que já está na hora de você saber de tudo, porque eu fui embora e... e te deixei.

Olhei para ela e percebi que aquilo a machucava muito, a mim também, mas parecia que a Maura estava carregando algo bastante pesado, não duvido que ela tenha bons motivos para ter ido embora.

— Eu não preciso saber, se quiser podemos esquecer isso.

— Não Jane, temos que começar esse relacionamento com tudo claro entre a gente, não quero que isso nos atrapalhe depois.

Concordei, ficamos um tempo caladas e eu pensei que ficaríamos assim até o elevador abrir, porém a Maura acabou com o silêncio, admito que gostei disso.

— Eu também quero entender algo que você me falou no escritório, que “ não poderia suportar outro coma alcoólico”... Venha jantar na minha casa hoje.

Eu pensei sobre o que a Maura disse, não sabia como contar algo assim para ela, certamente ela iria se sentir culpada e eu não quero isso, mas como ela disse precisamos começar de forma clara, precisamos confiar uma na outra, só assim construiremos algo sólido.

— Só se você não rir do meu jeito de comer_ Disse para descontrair.

— Eu vou tentar, não quero que suje o meu rosto outra vez, te espero ás oito.

Trocamos sorrisos, o elevador se abriu, soltamos as mãos e cada uma foi para um lado, como antes quando tínhamos que fingir sermos somente amigas.

***

Conversei com o meu “chefe”, bem ele é meu chefe enquanto eu estiver aqui, falei sobre o andamento do caso, recebi alguns elogios e continuei meu trabalho, pedi ao Martinez que ficasse até tarde no meu lugar, ele concordou, mas fiquei lhe devendo algumas cervejas.

Estou no meu quarto do hotel, olhando para todas as minhas roupas espalhadas sobre a cama, eu simplesmente não sei o que vestir, depois de algum tempo pensando decidi ir simples, uma calça jeans azul, uma camiseta cinza e por cima uma jaqueta, já que estava frio, também usei o cachecol que a Maura me deu alguns anos atrás, prendi meu cabelo e fiz uma maquiagem leve, calcei um dos meus tênis, um salto combinaria mais com a ocasião, mas eu não gosto desse tipo de coisa, Maura não irá querer me ver montada como uma personagem e nem eu iria querer isso. Peguei a caixinha com o colar da Maura e coloquei no bolso da jaqueta, eu pareço calma, mas por dentro estou morrendo, não estou segura, principalmente porque a conversa que teremos será séria e eu terei que contar a Maura o meu problema com álcool, precisava de alguém para me encorajar, liguei para a única pessoa que poderia fazer isso, nem que precisasse me xingar para tal, a Lydia.

“ _ Alô, quem é?”.

“_ Lydia, sou eu a Jane”.

“ _ Jane, porque está ligando para mim tão tarde?”.

“_ Lydia, são seis e meia. Estava dormindo?”.

“_ Sim, o TJ estava doente, não me deixou dormir ontem, levei ele no médico e agora ele está bem, mas eu...estou destruída”.

“_ Que bom que ele está melhor e o Tommy?”

“_ Está aqui do meu lado dormindo, como eu queria estar. Jane quando eu disse ‘ quero ter um filho’ você deveria ter batido na minha cara, bem no estilo ‘ acorda mulher!’, mas não você queria um sobrinho...”

“_ Lydia, em primeiro lugar você ama o TJ, só está dizendo essas coisas porque está cansada, em segundo lugar você nunca me disse que queria ter um filho, chegou no meu apartamento dizendo que estava grávida e mostrando os testes, nem mesmo sabia quem era o pai”.

“_ Isso é...verdade, mas você não precisa jogar na minha cara. Me diz, porque você ligou?”

“_ Tenho um jantar com a Maura dentro de algumas horas e...”

“ _ Está nervosa com medo do seu “amiguinho” não funcionar?_ Lydia começou a rir.”

“_ Quer parar! _ Falei sério e ela entendeu que não estava para gracinhas_ Ela quer saber sobre o meu incidente alguns anos atrás, você acha que eu devo contar?” Esperei a Lydia responder, estava tão aflita que poderia comer as minhas unhas, ela suspirou como sempre faz quando o assunto é sério e começou a falar.

“_ Sim Jane, você deve contar tudo a Maura, essa é a hora de vocês duas esclarecerem tudo, Jane será impossível vocês duas fingirem que estiveram separadas todo esse tempo, é um meio de recomeçarem, saber quem é essa nova pessoa que estará diante de vocês, quanto do que você conhece ainda existe e o que mudou. Fale com a Maura, não será fácil, mas é necessário”.

Lydia terminou de falar e eu fiquei de boca aberta, não sabia que essa maluquinha podia falar algo do tipo.

“_ Obrigada Lydia, sabia que seria bom falar com você”

“_ Você sabe que sempre estarei aqui por você e Jane...qualquer coisa não sinta vergonha de usar o comprimido azul”.

Claro que viria uma piada no final, a Lydia não é a Lydia sem uma gracinha.

“_ Vai se ferrar Lydia! Ah... boa noite”.

Falei rindo, peguei minhas chaves, minha arma e sai do hotel em direção a casa da loira. Parei em frente à casa da Maura, coloquei o carro na entrada da garagem e fui até a porta, massageei o pescoço, soprei na mão checando o meu hálito, eu estava muito nervosa, uma pilha de nervos.

Toquei a campainha e esperei ela abrir, alguns segundos depois a Maura abriu, ela estava linda como sempre, ela estava com um vestido preto de alças que valorizava todo o seu corpo e que tinha um belo decote, seu cabelo estava solto e assim como eu sua maquiagem era leve, mas o batom era de um vermelho chamativo, nunca a vi usar aquele batom no trabalho talvez ela estivesse usando apenas para essa ocasião, ou para me enlouquecer. Parei algum tempo e fiquei olhando dos lábios dela para o seu decote, até que a Maura resolveu me tirar do transe.

— Jane, vai ficar á noite toda ai parada olhando para os meus seios?_ Onde ela aprendeu a constranger as pessoas? Acredito que fiquei vermelha.

— Eu...eu não esta...Trouxe um vinho.

— Obrigada Jane, onde está?

Olhei para as minhas mãos e percebi que não havia nada nelas.

— Acho que deixei no carro, eu vou lá pegar...Você está linda Maura_ Ela sorriu.

Andei até o carro, que não estava muito longe, enquanto Maura me acompanhava com o olhar voltei com a garrafa e entreguei para ela.

— Espero que seja bom, não entendo muito de vinhos, só sei que foi um pouco caro.

— Jane não precisava... E sim é um vinho muito bom, vamos abri-lo_ Ela entrou em casa e foi até a cozinha, eu entrei logo em seguida, fechei a porta e fui ao encontro da Maura.

Ela exalava sensualidade, é algo natural, ela não precisa se esforçar para isso. Maura pegou um saca-rolha e abriu o vinho, depois foi até o armário, abriu e tirou de lá duas taças, colocou vinho em ambas, me deu uma e pegou a outra para si, eu tomei quase que de uma só vez, enquanto ela se demorou degustando o vinho como uma boa apreciadora.

— Apesar de não gostar muito de vinhos eu gostei desse.

— Sim, é muito bom_ Se limitou a dizer, mas senti que ela queria me repassar muitas informações sobre o vinho, acho que não o fez porque tínhamos muita coisa para discutir ainda aquela noite_ Quer tirar a jaqueta? Enquanto isso eu vou servir o nosso jantar.

Tirei a minha jaqueta e pendurei em um cabideiro na sala, aproveitei e guardei a minha arma em uma gaveta na sala, a casa estava quentinha, diferente do frio que fazia lá fora, permaneci de costas e quando estava prestes a tirar o cachecol Maura colocou as mãos sobre as minhas, eu virei e a vi sorrindo, um sorriso lindo.

— Lembra quando eu te dei esse cachecol?

— Como poderia esquecer?_ Maura pegou as duas pontas do cachecol, enrolou nas mãos e me puxou para um beijo apaixonado, sinto seus lábios macios de encontro aos meus, sua língua pedindo passagem, então concedo, era um beijo intenso como jamais pensei sentir novamente, apesar de ter fantasiado por todos esses anos, quando o beijo acabou estávamos ofegantes, Maura ainda me prendia, eu permaneci de olhos fechados, abri aos poucos e encontre seus olhos avelã me analisando.

— Desejei esse beijo por tanto tempo_ Ela confessou_ E não poderia ter sido melhor. Jane... vai dar certo não é? Dessa vez somos adultas, sabemos o que queremos, eu só... só preciso que me diga que daremos certo.

— Sim Maura, dessa vez ficaremos juntas.

— E se eu for morar muito longe?

— Então daremos um jeito porque eu não ficarei sem você Maura Isles e não invente desculpas_ Disse debochada e ela riu.

— Agora vamos comer_ Ela soltou meu cachecol e me puxou pela mão.

Sentamos à mesa, Maura cozinha muito bem e me fez comer até as verduras no prato, ela fez de um jeito diferente e ficou gostoso. Quando terminamos seguimos para a sala. Tomamos um pouco mais de vinho e Maura a contar tudo que eu não sabia, o seu lado da história, ela chorou, eu também estava com meus olhos vermelhos, sequei suas lágrimas com os meus polegares e segurei as mãos dela junto com as minhas.

— Você seria presa Jane, não duvido que Constance tivesse feito isso. Pensei que conseguiria falar com você, mas ninguém naquela casa estava do meu lado, os empregados eram fieis a ela, nunca recebi uma carta sua ou uma ligação.

— Ei não fica assim, já passou e agora eu sei que a culpa não foi sua. Saiba que nesse momento não estou pensando em bons adjetivos para a sua mãe.

— Você também tem algo a me dizer e eu peço que fale Jane, não vamos deixar nada acumulado por favor.

Suspirei, pensei em como contar para a Maura aquele episódio traumático.

— Quando você disse que ia embora eu pensei que teria mais tempo para te convencer do contrário, então fui até a sua casa à noite..._ Contei tudo a Maura fazendo pausas para que ela entendesse tudo, estava me segurando para não chorar, quando terminei olhei para Maura esperando a sua reação. Os olhos da Maura estavam vermelhos, mas as lágrimas só rolaram quando ela disse.

— Jane eu quase te perdi e por minha culpa.

A envolvi em um abraço apertado, senti suas lágrimas molharem meu pescoço, enquanto eu mexia nos seus cabelos tentando acalma-la. Maura se afastou e nos encaramos, eu estava completamente fascinada por aquela mulher linda que estava à minha frente com uma carinha de choro.

— Nunca mais repita que a culpa foi sua entender, eu escolhi beber até desmaiar e você foi manipulada pela sua mãe_ Ela balançou a cabeça concordando_ ótimo, agora eu quero ver um sorriso.

Maura moveu os lábios e um sorriso de Mona Lisa.

— Vamos Maura você pode fazer melhor, isso nem é um sorriso.

— Jane para de ser boba, eu não vou sorrir.

— Você vai sim.

— Não, eu não vou.

Pensei um pouco em um modo de fazê-la rir, então lembrei de uma cara engraçada que ela não conseguia resistir, mas será que funcionaria depois de tanto tempo? Fiz a tal cara e olhei para a Maura, ela ficou séria, porém não conseguiu se conter por muito tempo, sua gargalhada preencheu o ambiente, eu ri também vendo-a ficar vermelha, depois de um tempo ela parou e pôde respirar direito.

— Faz um tempo que eu não ria assim, faltava você na minha vida.

Seus olhos brilhavam quando ela disse isso, eu estava prestes a puxa-la para um beijo quando escutamos passos se aproximando da sala.

— Ela está dizendo a verdade, nunca vi a Maura tão feliz assim.

Maura ficou toda sem jeito com a presença da irmã, que parou diante de nós e cruzou os braços.

— Estou saindo, vou dormir na casa de uma amiga.

— Essa é a pior desculpa que existe Cailin.

Cailin deu uma risada maliciosa_ Beijo Maura e durma tarde hoje. Jane, conto com você pra fazer a Maura desistir daquele cara chato.

— Vou dar o meu melhor.

— Sabe o que isso quer dizer mana? Que você vai transar e isso é bom porque está precisando.

— Cailin!_ Maura pegou uma almofada e lançou na irmã, mas acabou errando e Cailin saiu de casa rindo.

Maura voltou a me olhar, parecia envergonhada então decidi mudar de assunto.

— Cailin é filha da Constance?

— Não... Cailin é filha do meu pai com uma mulher chamada Hope. A mãe dela não é uma boa pessoa, temos mais uma coisa em comum, então quando eu descobri sobre ela eu me aproximei da Cailin e depois de um tempo ela pediu para morar comigo.

— Ei, finalmente você conseguiu uma irmã! Eu lembro que tinha um pouco de inveja dos meus.

— É muito bom não ser sozinha, era assim que eu me senti antes de conhecer você e a Lydia, me senti assim novamente quando nos separamos, mas agora eu tenho a Cailin e tenho você.

Maura passou os braços em volta do meu pescoço e ficamos nos olhando, o cheiro dela chegava até o meu nariz, um cheiro bom, aos poucos nos beijamos, um beijo calmo, finalizamos com alguns selinhos então vi a Maura morder o lábio e isso me excitou, a beijei novamente só que dessa vez com mais urgência , minhas mãos estavam segurando firme a sua cintura, enquanto as dela continuavam em volta do meu pescoço, nossos beijos se tornaram mais intensos, trouxe a Maura para o meu colo, suas unhas arranhavam a minha nuca, comecei a fazer uma trilha de beijos no seu pescoço enquanto ela deixava escapar pequenos gemidos o que me deixava ainda mais excitada e a Maura percebeu.

— Percebo que você quer isso tanto quanto eu_ Ela olhou para baixo e eu pude entender do que ela estava falando, acho que corei_ Não precisa se envergonhar Jane.

Maura colocou a mão por baixo da minha camiseta até chegar nos meus seios, ela apertou o esquerdo ainda por cima do sutiã e eu que já estava louca de desejo senti eu corpo inteiro arrepiar. Nos beijamos novamente, eu subi o vestido dela e comecei a provocar a Maura arranhando suas coxas, Maura tirou a minha camiseta e jogou para um canto qualquer, ataquei seu pescoço com mais beijos e leves mordidas, me aproximei do seu ouvido e falei.

— Você me deixa louca de desejo Maura_ Mordi a orelha dela_ Veja como eu estou_ Levei a sua mão até a minha calça e fechei os olhos quando ela apertou firme, mesmo por cima do Jeans a sensação era muito boa.

— Acho que está na hora de irmos para o quarto, quero que você se livre dessa calça.

Ela saiu do meu colo e me estende a mão, segurei na mão dela e a segui até o quarto. Fechei a porta e quando olhei para Maura ela estava tentando abrir o zíper do vestido, mas sem sucesso. Afastei seu cabelo para o lado, beijei a sua nuca e abri o zíper, retirei uma manga e depois a outra mordendo seu ombro logo em seguida, o vestido deslizou por seu corpo e Maura virou-se para mim, pude ver seu corpo perfeito, fui até ela e abri seu sutiã, ela terminou de tira-lo e eu segurei seus seios.

— Jane...vamos para cama.

E assim fizemos, Maura deitou e eu a cobri com o meu corpo, a beijei novamente, sua língua explorava a minha boca, mordisquei seu queixo e desci até os seus seios, sugava um enquanto massageava o outro apertando o mamilo com uma certa intensidade que fazia a Maura gemer, depois fui para o outro, nesse eu dei algumas mordidas, ela arranhava as minhas costas, depois levou uma das mãos até a minha calça e abriu o botão, desceu até onde pode e começou a tocar o meu pênis por cima da minha calcinha box, devo admitir que era uma tortura tão boa.

— Jane tira logo essa calça, não é justo eu estou praticamente nua.

Levante e tirei a calça e o tênis, também meu sutiã, quando estava voltando para a cama senti o olhar de desejo da Maura sobre o meu corpo, ela ia do meu rosto para os meus seios e se demorava no volume coberto pelo fino tecido da minha calcinha box preta que eu estava usando.

Logo que fiquei novamente por cima nos arrepiamos quando o meus seios tocaram os dela, Maura levou a mão até a minha bunda e apertou com força. Levantei um pouco para olha-la nos olhos.

— Você é linda Maura Isles e eu estou louca para fazer amor com você_ Maura me puxou para um beijo logo em seguida.

— Eu também quero, quero muito, eu sou sua, sempre fui.

Beijei a sua boca e desci para o vale entre os seus seios, depois a barriga, tirei sua calcinha aos poucos, quando terminei de tirar a peça dei um beijo no seu sexo bastante molhado, afastei as suas pernas e comecei a movimentar a minha língua sugando e dando pequenas mordidas, ela gemia e movimentava o corpo de encontro a minha boca, era uma das melhores sensações do mundo ter a Maura assim pra mim, mordi seu clitóris e ela segurou minha cabeça, puxando meus cabelos, fiquei algum tempo assim até a Maura ter um orgasmo gritando o meu nome, sugo todo o seu liquido e depois beijo a sua boca, deito ao seu lado e espero que ela se recupere.

Depois de um tempo escuto sua voz rouca.

— Jane...eu quero mais_ Maura deita de lado e toca o meu rosto, depois passa a mão pelas minhas costas, descendo quase até a bunda causando um arrepio bom, desceu a minha calcinha e eu acabei retirando, ela se afastou um pouco para me olhar e o que vi em seus olhos me fez queimar de desejo, ela levou a sua mão até o meu membro e começou a me masturbar até ele ficar ereto.

— Maura eu não aguento mais.

Fiquei novamente por cima dela, continuei com alguns carinhos, até que pedi o seu consentimento com um olhar e quando ela sorriu eu a beijei e me coloquei dentro dela, foi incrível, comecei a me movimentar aumentando o ritmo quando ela buscou mais contato, enquanto eu a penetrava também sugava seus seios com força isso com certeza deixaria marcas, Maura pretendia o mesmo, já tinha deixado arranhões nas minhas costas e agora passava as unhas no meu braço, estávamos próximas do orgasmo e ele veio, primeiro para mim me derramei dentro dela e isso foi o suficiente para a Maura chegar lá, seu peito subia e descia e ela não arranhava mais o meu braço, sai dentro dela e deitei ao seu lado.

— Era muito bom antes_ Ela disse entre uma respiração e outra_ Mas agora ..._ Ela olhou para mim e sorriu.

— Eu não sei se é possível Maura, mas eu te amo muito, talvez mais que antes.

Segurei a sua mão e levei até os meus lábios beijando-a de forma carinhosa.

— Essa é a melhor noite da minha vida depois de anos Jane, eu te amo não quero ficar longe de você nunca mais.

— Isso não vai acontecer_ A puxei para perto de mim e a envolvi com os meus braços.

— Jane, dormi aqui comigo.

Sorri para ela_ Não posso recusar esse pedido.

Puxei o lençol e nos cobri, dei alguns beijos no seu rosto e ficamos trocando carinho até que o sono chegou.

Notas finais
Até o próximo capítulo, não esqueçam de comentar.