Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês cerejas. A música do capítulo é Ainda gosto dela- Skank .

( Jane)

Hoje não foi fácil, tive que ouvir Casey contar várias histórias sobre ele, quando enfim terminou o expediente ele fez questão de me acompanhar até a saída como se eu não soubesse encontrar o caminho, enquanto eu esperava um táxi ele flertava e sorria, eu queria muito bater nele, mas me controlei , o pior de tudo foi ver a Maura com o namorado, eu não sei explicar, mas ainda sinto algo por ela, algo muito forte, talvez seja ódio ou ressentimento....Até amor, apesar de que eu desejo profundamente que não seja isso, está claro que Maura seguiu em frente, ela refez a sua vida e parece feliz, eu não tenho nenhum direito de interferir.

Fui para o hotel, tomei algo no bar e depois tentei dormir, eu consegui descansar, mas ainda assim acordei cedo. Cheguei ao departamento e entrei no elevador, no terceiro andar ele parou, as portas se abriram e eu vi a Maura lá parada esperei ela entrar, mas ela não se moveu, meus olhos estavam focados nos dela, depois desceram para seus lábios, Maura parecia ofegante, as portas fecharam e ela não entrou, continuei até que sai do elevador e sentei na minha mesa. Casey veio até mim.

— Jane, pensei que viesse mais tarde, sabe como é, aproveitar a noite, Nova York é bem agitada_ Ele deu dois socos no ar, é sério eu vou matar esse cara.

— Não, eu decidi não sair, fiquei apenas no bar do hotel.

— Se quiser eu posso te mostrar a cidade, basta você pedir_ Ele piscou.

— Casey, que parte do “ Eu gosto de mulheres” você não entendeu?

— Bem, nunca se sabe_ Ele riu, sujeito nojento!

Me concentrei na minha papelada, até que ouvi Casey falar com Maura, olhei para ela, sua mão estava machucada, mas ela disse que não era nada, quando a vi ela não estava assim o que teria acontecido?

Casey virou-se para mim.

— Isles não é do tipo que se envolve em briga, mas eu aposto que ela pegou o namorado com outra e acertou a cara da vagabunda.

Eu ri comigo mesma lembrando de uma ruiva que estava se insinuando pra mim, Maura me puxou pelo braço e o pior é que a garota puxou o meu outro braço, Maura ficou uma fera, mandou a outra tirar a mão e quando a fulana não tirou Maura acertou um tapa na cara dela, eu fiquei de boca aberta, não esperava essa reação da loira, depois pra tirar Maura de cima da garota foi necessário pedir a ajuda da Lydia.

— Lembrando de algo bom Rizzoli?

— Na verdade sim, agora podemos trabalhar?

— Você que manda, aliás, você sempre manda, em qualquer situação.

Decidi ver como a Maura estava, talvez tentar descobrir o que aconteceu com a sua mão, entrei no necrotério e a encontrei na outra sala, não havia ninguém lá além da Maura, entrei e me aproximei aos poucos.

— Porque não entrou no elevador e o que houve com a sua mão?

Ela tentou passar por mim e sair de lá, mas eu bloqueei seu caminho.

— Quer me deixar passar?

— Só depois que você me responder.

Ela riu irônica_ Eu não te devo satisfação, saia do caminho_ Balancei a cabeça negando e continuei a impedindo de passar_ Quer mesmo que eu te dê um chute? Eu adoraria fazer isso_ Ela levantou o joelho e eu sai do caminho, a segui, ela foi até o microscópio e permaneceu me ignorando.

— Quando o elevador parou eu te vi e você não estava com a mão machucada.

Maura me encarou.

— Jane, você está aqui só por um tempo, não tem que se preocupar em como eu estou, assim como eu não me preocupo com você_ Ela voltou a analisar algo com o microscópio e fazer anotações, pensei em sair, mas Ana entrou e o tal namorado da Maura também.

***

( Maura)

Jane havia me perguntado porque eu não entrei no elevador, mas eu não poderia responde-la, o que eu iria dizer se nem eu mesma sabia a resposta?

Fingi ignora-la, mas Jane sempre foi teimosa, a pessoa mais cabeça dura que eu conheço, então tive que ser dura.

_ Jane, você está aqui só por um tempo, não tem que se preocupar em como eu estou, assim como eu não me preocupo com você_ Ela ficou calada, isso não deveria ter me afetado, eu deveria ficar feliz por ela enfim me deixar em paz, mas não, eu me sentia mal, ia pedir desculpas, mas Ana e Jack entraram, ele trazia um arranjo com tulipas.

Fui até ele e sorri.

— O que temos aqui?_ Perguntei.

— Sua flores preferidas, tulipas_ Isso foi o que eu disse ao Jack, não sei porque fiz isso, minhas flores preferidas são orquídeas, porque menti sobre algo tão bobo?

— Obrigada, vou colocar no escritório_ Antes que eu pudesse ir para a outra sala Jack me puxou pelo braço e me beijou, eu não gostei desse beijo e não sabia porque me senti assim, sempre gostei do romantismo do Jack.

Quando segui para o escritório encarei Jane por alguns segundos e ela desviou o olhar. Deixei as flores lá e voltei.

— Maura não vai me apresentar à nova detetive?

Olhei de Jane para Jack_ Claro...Claro, porque eu não apresentaria? Qual motivos eu teria para não fazer?_ Respondi nervosa_ Jack essa é Jane Rizzoli, ela ficará por pouco tempo, Jane esse é Jack meu namorado_ Os dois trocaram apertos de mãos.

— Espera, você é aquela detetive de Boston que prendeu o assassino do beco.

— Sim é ela_ Ana disse empolgada, na verdade Ana estava muito próxima da Jane, bastante próxima_ Não é incrível!?_ Certo, Ana está muito estranha. Sou eu ou essa situação está desagradável?

— Jack... Ãh... Eu adorei as flores, mas agora preciso trabalhar_ Troquei um selinho com ele_ Podemos almoçar juntos.

— Tudo bem, tenham um bom dia meninas_ Ele disse sorrindo e depois foi embora.

Alguns segundos depois foi a vez da Jane sair.

— Você acha que ela está solteira?_ Ana perguntou, eu a encarei por alguns segundos e voltei as minhas anotações.

Fui almoçar com o Jack, mas não conseguia prestar atenção em nada do que ele me falava, minha mente estava em outro lugar, eu mexia o garfo pela comida, só fui voltar à realidade quando Jack passou a mão na frente do meu rosto.

— Maura? Algum problema?_ Não, só a minha ex namorada que eu não vejo a mais de uma década.

— Nenhum_ Respondi sorrindo_ Só estou meio aérea hoje.

Ele estendeu a mão sobre a mesa e eu segurei a mão dele, só então Jack percebeu que a minha mão estava machucada.

— Sua mão, o que houve?

— Não foi nada demais, eu já coloquei gelo.

— Tem certeza que não é necessário ir ao hospital?

— Tenho, foi só um pequeno acidente no banheiro_ Eu menti pra ele, até agora eu só havia omitido fatos sobre mim, bastou a Jane chegar e eu começo a mentir para o meu namorado, o que está acontecendo com você Maura isles?_ Jack... Eu te... Adoro_ Ele sorriu_ “Eu te adoro”, porque não saiu um eu te amo? Estou enlouquecendo.

***

( Jane)

Sai do necrotério me sentindo estranha, era estranho ver a Maura beijando outra pessoa, ainda mais aquele cara, sentei na minha cadeira e voltei a ler papeis, estava presa em burocracia. Porque ela disse que suas flores preferidas são tulipas? Será que ela mudou tanto assim em quinze anos? Claro que mudou Jane, está mais segura de si, mais linda, meu Deus aquela boca, aquelas curvas. Meu celular tocou, era a Lydia.

Finalmente você atendeu, o que é isso, esqueceu da sua amiga?

— Desculpe Lydia, eu estou completamente confusa, Lydia eu... Eu encontrei com a Maura.

— O que? A Maura, sua Maura, Maura Isles?

— Bem, ela não é mais a minha Maura, mas é ela sim_ Respondi e esperei Lydia dizer algo.

— Onde você a encontrou?

— Ela é legista do departamento, estamos trabalhando juntas.

— Não acredito! Que porra de sorte é essa Jane!_ Lydia disse quase gritando_ Eu tinha que estar ai com você, espera me conta tudo, aconteceu algo entre vocês?

— Claro que não Lydia, ela tem namorado, além disso, ela me odeia, nós nos odiamos, eu e a Maura nunca poderemos ser um casal.

— Porque as duas são burras, sempre foram, ela gosta desse namorado?

— Como eu vou saber Lydia?

— Você é uma detetive Jane, investigue, dê seu jeito e não esqueça de me atualizar.

— Você não tem jeito mesmo, mas algum motivo especial para me ligar?

— Eu e o TJ queremos uma camiseta “ Eu amo Nova York”.

— Você ligou para isso?_ Perguntei incrédula.

— Claro que não, eu também queria saber de você.

Conversamos mais algum tempo e eu sai para almoçar, acabei cruzando com a Maura, abri a porta para ela que passou sem dizer nada, fiquei olhando-a ir em direção ao elevador, em nenhum momento ela olhou para trás, acho que é isso, nosso tempo passou, ela me esqueceu.

Eu ainda gosto dela, mas ela já não gosta tanto assim, a porta ainda está aberta, mas da janela já não entra luz. E eu ainda penso nela, mas ela já não pensa mais em mim”.

Skank — Ainda gosto dela