The Sound Of War
22 This is War
Notas iniciais
Três semanas havia se passado desde o dia que Belle dera à luz a pequena Rosa. Gold pretendera partir no dia seguinte à sua chegada, mas teve que mudar os seus planos; ele sabia que era arriscado continuar no château, ainda mais naqueles dias em que a França pipocava com a invasão dos Aliados em seu território, mas Gold simplesmente não conseguia ficar longe de Belle e de sua linda Rosa.
A garotinha não adquirira muito peso durante aqueles dias, mas o tamanho dela representava pouco o poder que ela tinha sobre os pais; tanto Gold quanto Belle sabiam que ela os tinha à sua mercê. Ambos fariam qualquer coisa para protegê-la.
Gold lembrava que quando Bae nascera ele fora um bebê encantador, mas nada se comparava a Rosa; ela era estonteante.
Agora, o que ele mais desejava era que aquela maldita guerra acabasse de uma vez por todas, para que assim, ele pudesse levar Bae e as duas mulheres que ele amava para a Escócia, onde eles poderiam começar uma vida nova. Ele se casaria com a sua Isabelle, e assim eles viveriam enfim, como uma família.
No entanto, ele não sabia quando a guerra chegaria ao fim, e muito menos se ele sobreviveria às acusações que o governo britânico o submeteria. Mas, agora, aquilo não o incomodava. O que era importante era manter Belle e Rosa seguras. Ele teria que partir.
Às cinco horas da tarde, Mary Margaret ouviu uma batida hesitante na porta da cozinha. Ela abriu e viu que Gold estava lá, com os olhos ainda iluminados com o fogo da paixão.
“Preciso partir logo, Mary Margaret. Posso incomodá-la pedindo um pouco de café e, talvez, um pedaço de pão? Pode ser a última coisa que eu consiga comer durante um bom tempo”.
“É claro. Tenho certeza de que podemos lhe dar algumas roupas limpas para vestir.” Mesmo a distância, ela podia sentir o mau cheiro que o corpo de Gold exalava.
“É muito gentil de sua parte, Mary Margaret. Belle pediu que você vá vê-la. Ela disse que há um jardim no qual ela pode ficar ao ar livre em segurança. Ela disse que prefere se despedir de mim nesse lugar.”.
“É claro.” Mary disse, indicando uma porta ao canto da cozinha. “O banheiro é ali. Você pode se lavar. Eu lhe trarei algumas roupas.”.
Mary Margaret foi até o guarda-roupa, trouxe uma pilha de roupas que achou que serviriam em Gold e as ofereceu a ele. “Pegue o que lhe servir. Vou ajudar Belle a chegar ao jardim e voltarei em seguida. Verei também se posso lhe dar alguns francos para a sua viagem”.
“Mary Margaret, jamais esquecerei o que você fez por Isabelle e por mim. Obrigado”.
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Mary Margaret bateu à porta do quarto de Isabelle no porão, quinze minutos depois. Ela estava sentada em sua cama, com o rosto sereno e bonito, segurando a pequena Rosa nos braços, amamentando-a, enquanto Johanna estava sentada numa cadeira do lado da cama, ao lado dela.
“Gold disse que você gostaria de se despedir dele no jardim”.
Belle levantou o olhar, sorrindo para a amiga, enquanto tirava o bico do peito da boca do bebê, e cobria os seios novamente, ajeitando Rosa nos braços, e sentou-se na beirada da cama.
“Sim. Pode ser que leve um bom tempo até que estejamos juntos novamente. E eu gostaria de lembrar de nossos últimos momentos juntos como se tivéssemos a liberdade de ir a qualquer lugar que quiséssemos”.
“Eu entendo, mas você deve estar pronta para andar rapidamente se alguém chegar”.
“É claro, Mary” Belle falou, voltando o seu olhar para sua filha.
Ela era maravilhosa. Sua pequena Rosa; Belle conseguia distinguir alguns traços dela na criança, mas nada se comparava aos pequenos olhos que a encaravam. Aqueles eram da cor de chocolate e ternura: marrons como os de Adrian. Decididamente ela era perfeita. “Rosa, querida, você vai ficar um pouco com a tia Johanna...” Belle sabia que a criança não compreendia uma palavra sequer do que ela estava falando, mas isso não importava.
Ao ouvir a voz da mãe, a garotinha se remexeu nos seus braços, fechando os olhos. Belle sorriu com aquilo; ela poderia ficar dias segurando ela daquele jeito, apenas observando-a dormir em seu colo. “Eu amo você, minha vida. Amo muito, muito.” Ela falou, encostando levemente os lábios na testa de sua filha, beijando-a, e a colocou nos braços de Johanna. “Mary Margaret, pode me dizer se tenho algum borrão no rosto e se meu cabelo está arrumado?”.
Belle usava um vestido bege simples, sem nenhum brilho ou luxo, mas enquanto Mary Margaret ajudava-a a se arrumar, ela pensou que, com o amor iluminando sua face, Isabelle iria parecer bela mesmo sem qualquer cuidado cosmético.
Mary acompanhou Belle até o jardim murado do château, onde ela se sentou no banco sob a nogueira.
“Vou trazer Gold aqui”.
“Obrigada, minha querida amiga. A tarde de hoje está bonita” Belle disse.
“Sim, está mesmo”.
Mary Margaret deixou o jardim e Belle sentou-se sozinha, desfrutando do calor do sol em seu rosto. Ela inspirou o ar perfumado, reconhecendo o cheiro forte das alfazemas plantadas ao redor do jardim.
“Ora, ora, ora... Vejam o que encontramos aqui” Uma voz surgiu do lado extremo do jardim; uma voz que era perigosamente familiar. Uma voz que ela rezava para jamais ter que ouvir novamente.
Belle se virou rapidamente para ter os seus temores confirmados. Saindo de entre as árvores que preenchiam o jardim, estava um homem alto, de cabelos negros e olhos verdes; este que outrora usara botas altas e culotes, um casaco negro com suástica na braçadeira e luvas pretas, trajava agora roupas mais simples que não chamava atenção.
Porém, a falta do uniforme costumeiro não caracterizava quem aquele homem era ou deixava de ser. Alfred Von Gaston exibia um sorriso traiçoeira nos lábios enquanto olhava para Belle.
“Como...” Ela fez menção de se levantar, mas parou no ato da ação quando Gaston apontou uma arma para ela.
“Minha querida Isabelle!” Ele caminhava lentamente ao redor do jardim. “Você não faz ideia de como foi decepcionante não encontrá-la em minha cama. Normalmente sou eu que tenho de expulsar as mulheres do meu quarto.” Belle sentiu bile subir por sua garganta ao relembrar que a última vez que ela tinha visto o alemão, fora na noite em que ela passou a maior humilhação em sua vida. A noite em que Gaston a destroçara. “Você realmente pensou que poderia se esconder de mim, amor?” O alemão parou na sua frente, sentando ao seu lado, e deslizando o cano da arma pelo rosto dela; Belle não desviou o rosto, permanecendo parado, por mais que estivesse com medo. “Por um instante você realmente acreditou que eu não iria te encontrar, sua inglesa verdammt? Você vai fazer exatamente o que eu mandar...”.
“Ou o quê?” Uma voz surgiu, e vinha de um ponto às suas costas. Belle e Gaston olharam na direção da voz, onde Gold estava parado em pé, apoiando-se em uma bengala que James encontrara no château. Naquele momento, Belle tornou a ver o homem que, há muito tempo atrás, ou ao menos era o que aparentava, havia descoberto sua real identidade e que emanava ódio por ter sido traído. Era este o homem que ela via ali, mas Belle não o temia.
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Gold observava o alemão, que havia se levantado do banco ao lado de Belle e agora lhe apontava uma pistola.
“Então, você veio, Gaston” Gold afirmou.
“É claro que sim”.
“E trouxe também o poderio dos seus amigos da Gestapo com você? Por acaso eles estão esperando na entrada do château para me levar?” Gold perguntou, observando com o canto dos olhos Belle se levantar, e andar vagarosamente para longe do alemão.
“Não” Gaston disse, balançando a cabeça. “Eu quis desfrutar deste prazer sozinho. Sabe, você causou sérios problemas invadindo um dos nosso quartéis para libertar o seu maldito filho. Sérios, sérios problemas”.
“Eu fico extasiado em saber disso. De nada” Gold falou. “Como conseguiu nos encontrar?” Era isto o que importava para ele; o château era um lugar seguro, como ele tinha chegado ali?
“Qualquer imbecil descobriria o lugar para onde você viria. Você foi seguido durante as últimas semanas.” Gaston informou. “Eu sabia que você acabaria por me trazer até as outras pessoas que eu tenho interesse em... Interrogar. Por exemplo, a jovem dama que está aqui.” Gaston falou, olhando para Belle, que estava em pé, afastada dos dois homens. “Tristemente, ela teve a infeliz audácia de me enganar” Ele suspirou, demonstrando ironia em cada palavra.
Gold percebeu o quanto Gaston estava inflamado com ódio de Belle. “E o mesmo aconteceu com você, Gold. Você sabe que tenho uma ordem para prendê-lo no bolso do meu casaco. Seria uma pena ter que matá-lo agora, na frente de sua amante.”.
“Você está esperando por este momento desde o primeiro dia que cruzei o seu caminho” Gold disse, olhando seriamente para o alemão; ele sabia que era um momento delicado e que não poderia tentar afrontar o alemão diretamente. “E eu morreria tranquilamente em suas mãos, se não fosse pela mulher que eu amo. Se eu me render pacificamente e acompanhá-lo, e você poderá ser reverenciado por sua astúcia ao me capturar, você a pouparia? E então? Temos um acordo?” Gold implorou. “Irei com você por minha livre e espontânea vontade e lhe darei a glória que você sempre buscou, se você poupar a mulher que amo.”.
Gaston olhou para o escocês e soltou uma risada cruel. Riu com tanta força que a arma em sua mão vacilou e ele teve que se esforçar para voltar a ficar firme.
“Ah, meu amigo, você é tão idealista. Você mudou... Há um ano você jamais abriria mão de seu poder. Você já não consegue enxergar o que realmente importa na vida. A vida é fria, dura e cruel. Não temos essa alma da qual você fala a respeito. Não somos nada além de formigas que rastejam cegamente pelo planeta. Você nunca entendeu a realidade. É um mundo onde um cão devora outra, Gold. Você acredita que o amor” Gaston praticamente cuspiu a palavra. “pode conquistar tudo? Você é louco, Gold. Como sempre foi. E agora é hora de ensiná-lo o que é a realidade.”
Gaston moveu a arma que apontava para Gold na direção de Belle.
“Isto é realidade!”
Gold pulou na frente de Belle quando um tiro ecoou naquela tarde tranquila.
Em seguida, outro.
Gold se virou, sem ferimentos, para ver que Gaston fora alvejado, caindo ao chão. Ele estremeceu, mortalmente ferido, quando a arma caiu dos seus dedos. Gold foi até ele e parou em pé ao seu lado, olhou nos olhos do alemão, que estavam se revirando nas órbitas.
Gaston abriu a boca e conseguiu firmar os olhos no escocês. Com dificuldade, formou algumas palavras.
“Você perdeu.”
E, com um pequeno sorriso maligno, a vida o deixou. Após alguns instantes, depois de fechar os olhos do alemão, Gold levantou os olhos.
James estava em pé atrás de Gaston, com a carabina de caça ainda apontada para o lugar onde ele estava.
“Obrigado” Gold sussurrou, mas James não prestava atenção, seu olhar fixo em algo às costas do escocês.
Gold virou para ver o que atraía a atenção do outro homem. Belle estava em pé, mas ela olhava estranhamente para a sua barriga. Suas mãos cobriam o seu ventre, próximo a altura dos seios; o vestido outrora bege, estava manchado como uma coloração vermelha, que parecia sangue... Mas era sangue. O sangue dela, que escorria por entre seus dedos, enquanto ela levantou o olhar para Gold, lágrimas formando nos olhos dela.
“Não!” Gold gritou, largando sua bengala, e correndo até Belle.
As pernas de Isabelle vacilaram, e ela sentiu o corpo perder as forças, enquanto ela caía ao chão.
“Belle! Belle!” Gold conseguiu alcançá-la antes que ela batesse as costas no chão, segurando-a pelos ombros, colocando-a sobre as suas pernas.
Ele estava desesperado, e retirando as mãos de Belle de sobre a sua barriga ele teve uma melhor visão do ferimento. O tiro que Gaston dera acertara Belle. A bala penetrara na região logo abaixo do seio esquerdo dela. “Oh... Meu Deus...” Gold chorou. O sangue manchava toda a extensão do vestido próximo à lesão e agora estavam nas mãos dele também. A bala havia feito um estrago irreversível. As palavras do alemão vieram à tona em sua mente ‘Você perdeu’. Não havia nada que ele pudesse fazer e aquilo o assustava. Ele não podia perder Belle.
Ele tinha que assegurar aquilo. “Você é forte. Você vai conseguir” Ele falou, enquanto Belle o olhava com lágrimas deslizando por seu rosto. Ela iria ficar bem. Ela tinha que ficar bem “Você ficará bem”.
Mas aquilo era uma mentira e ambos sabiam disso. Ele estava perdendo a sua Belle, e quando aquela verdade o atingiu, o desespero e o medo tomaram conta dele.
Ele não era nada sem aquela mulher; ela era a sua luz, o seu guia... “O que eu faço?” Gold perguntou. “O que eu faço, Belle?” Ele a segurou firmemente em seus braços, enquanto seus dedos trêmulos hesitavam em tocá-la.
Isabelle tremia em seus braços, enquanto os olhos dela não se desviavam um segundo sequer do rosto dele, e ela abriu a boca para formar algumas palavras.
“Tome conta de Rosa” Ela sussurrou, com sua voz rouca e fraca, e ele sentiu que ela colocava alguma coisa em sua mão. Era o anel que ele lhe dera na última noite deles em Paris.
“Não...” Gold sussurrou, sentindo lágrimas caírem incessantemente por seu rosto. Era claro que ele iria tomar conta de sua pequena Rosa, mas isto era algo que eles deviam fazer juntos. Todos eles, como uma família. O que ela estava pedindo era para ele fazer aquilo sem ela. Aquilo não estava certo. “Querida, não...” Ele chorou, afagando o cabelo dela carinhosamente.
Belle suspirou profundamente, reunindo toda a sua força para falar algo que parecia ser importante e que ela precisava ter certeza de que ele a ouvisse, e num sussurro entrecortado, ela falou: “Eu amo você”.
Foi naquele momento que Adrian Gold viu a coisa mais assustadora de sua vida e que o perseguiria em cada pensamento durante todos os instantes de sua existência. Algo mudava nos olhos azuis-safira de sua Belle; aquele brilho que sempre estivera ali estava se apagando, sendo consumido pelo vazio, enquanto ela fechava os olhos lentamente. A sua alma estava a deixando.
Gold respirou entrecortado por seu próprio choro quando Belle não se mexeu mais em seus braços. “Não, não, não... Belle. Belle...” Ele a sacudiu levemente, mas ela não tornou a abrir os olhos; Gold a puxou para mais perto de si. “Belle...” Gold murmurou, e olhou novamente para ela, mas Belle não se movia. “Volte, Belle...” Ele soluçou, roçando a ponta dos dedos pelos lábios dela. “Volte...”. Mas ela não iria voltar.
Adrian a puxou para perto, abraçando-a fortemente, segurando-a pelos ombros e enterrando o seu rosto no cabelo dela, aninando em seus braços como se ela fosse um bebê. Assim, ele poderia fingir que ela estava dormindo em seu colo. Sim, ela estava dormindo.
Um mundo se Isabelle não fazia sentido. Ela era a vida dele. Fora Belle quem salvara ele, quem acreditara que ainda existia compaixão dentro dele. Fora ela que o tinha presenteado com a coisa mais linda do mundo. Um lugar em que ela não existia não fazia sentido. “Volte...” Era claro que ela estava dormindo.
O silêncio tomou conta do jardim, com exceção dos pássaros que estavam no telhado da casa, dando adeus ao dia, enquanto o crepúsculo transformava o dia em noite.
Sua Belle estava ficando fria em seus braços; por que ela estava ficando fria? Gold apertou o seu abraço em torno de sua amada. Ela não podia sentir frio enquanto dormia.
“Gold...” Alguém se aproximou. “Gold, você tem que deixá-la partir...” Partir? De quem aquele homem estava falando? Quem precisava partir? Gold não se virou para ver quem falava com ele. “Gold... Precisamos enterrá-la” Mas de quem ele estava falando? Quem precisava ser enterrado? “Gold...” James puxou o homem pelo ombro, mas se afastou rapidamente quando Gold pegou a arma que ele carregava no bolso e apontou diretamente para James.
“Me deixe em paz!” Gold gritou. James se afastou do homem que estava conturbado, vendo-o largar a arma no chão, e voltar a abraçar a mulher que já não respirava mais. “Volte...” James o ouviu murmurar incessantemente contra o rosto da mulher.
Gold ouviu James se afastar. O corpo do soldado alemão não estava mais ali; provavelmente fora enterrado num quanto qualquer do jardim.
Adrian olhou mais uma vez para Isabelle. O rosto dela estava pálido e seus lábios que sempre foram rosados, assumiam uma cor acinzentada. O perfume adocicado de seus cabelos e de sua pele também se extinguia. Ele suspirou; Isabelle não iria voltar.
Encostando o corpo de Belle suavemente no chão, ele levantou e correu para o château; seu joelho doía por causa dos movimentos bruscos que ele fazia, mas aquela dor não era nada se comparada à dor em seu coração.
Ele não deu atenção quando James o chamou novamente, quando passou por ele na cozinha, subindo as escadas até um dos quartos, onde ele pegou dezenas de lençóis do guarda-roupa. Em seguida, ao voltar à cozinha, ele encontrou algumas pás atrás da porta, e pegando uma delas, ele voltou ao jardim.
E, embaixo da nogueira, começou a cavar, enquanto os últimos raios de sol davam as boas-vindas a noite.
Gold não percebeu quando James se reuniu a ele e o ajudou a cavar a cova, e logo o sepulcro estava feito.
Caminhando lentamente até Belle, Gold começou a envolver os lençóis brancos ao redor do corpo dela, hesitando antes de cobrir-lhe o rosto. Não conseguiria fazer aquilo. Aqueles lábios jamais tornariam a sorrir para ele, jamais tornariam a beijar-lhe. Aqueles olhos jamais tornariam a se abrir, e jamais tornariam a brilhar. Belle jamais iria voltar. “Eu te amo... Isabelle. Para sempre” E beijando a testa de sua amada, ele cobriu o rosto dela para sempre.
A dor em seu coração era insuportável, e embora cada parte do seu ser não quisesse acreditar que sua Belle estava morta, ele ergueu o corpo sem vida dela em seus braços e o depositou cuidadosamente no buraco.
Era injusto enterrar sua Belle naquela cova comum. Ela merecia o melhor e aquele túmulo era ofensivo para uma criatura como ela. Sua Belle merecia o mundo...
A luz do luar iluminava tristemente o jardim, quando eles terminaram de cobrir o túmulo de Belle.
Suor e lágrimas escorriam pelo rosto de Gold, enquanto ele parava em frente ao túmulo. Ele não estava sozinho, e viu quando Mary Margaret se aproximou do seu lado.
“Isabelle...” Ela começou a falar, embora Gold acreditasse que nenhuma palavra seria o suficiente para caracterizar a grandeza da mulher que ele amava. Mesmo assim, ele permaneceu em silêncio, ouvindo. “Você sempre acreditou que existia bondade em qualquer pessoa e a sua braveza trouxe esperança para os nossos corações...” Mary Margaret tentava falar em meio ao choro sufocado em sua garganta. “Não é justo... Que isso aconteça com você. Mas nós queremos que você saiba que sempre iremos honrar a sua bravura e a sua bondade...”.
Gold sentia as lágrimas escorrer silenciosamente por seu rosto; ele prometera que iria proteger Isabelle. Prometera e falhara. Ele sonhou em poder um dia viver em paz com ela ao seu lado, mas estes eram sonhos que nunca tiveram esperança.
Ele prometera. Gold pensou amargamente: Aquilo era a guerra. Ele estava perdido. Perdido...
Foi quando um choro fraco soou no silêncio. Um choro de criança.
Olhando para trás, Gold viu que Johanna assistia afastada ao funeral, segurando um pequeno bebê em seus braços, envolto com várias camadas de cobertores também pequenos.
Aquela criança...
Gold aproximou vagarosamente da mulher e estendeu os braços, pedindo para segurar o bebê. Johanna colocou-a cuidadosamente, ajeitando as cobertas na criança.
“Oh... minha pequena Rosa...” Gold murmurou, segurando a menina cautelosamente. Ela logo parou de chorar, enquanto ele a ninava. Os olhos marrons da garotinha se fixaram nele; por um momento ele desejou que eles fossem azuis, mas logo corrigiu aquele pensamento. Ela era perfeita daquele jeito, porque era uma mistura tanto dele quanto de sua Isabelle. Rosa era uma lembrança do amor deles. “Está tudo bem, papai está aqui...” Sua filha continuava a olhá-lo; o som de sua voz parecia acalmá-la. A mãe dela havia salvado ele da escuridão, e agora, tal como Belle, era aquela pequena menina que estava iluminando a sua vida. Ele faria tudo para cumprir o último pedido de sua amada Isabelle; iria tomar conta da sua filha e a amaria, e faria tudo ao seu alcance para protegê-la. “E eu prometo que eu jamais irei te deixar...” Gold beijou a testa de sua filha docemente.
Tudo iria ficar bem,
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