The Sound Of War
13 The Rose and the Spinner
Notas iniciais
Baunilha. Uma flor de coloração amarela, proveniente de uma planta trepadeira, e que era extremamente utilizada em doces e perfumes.
Este era uma detalhe que nunca chamou a atenção de Adrian Gold até a noite anterior, quando aquela encantadora mulher pediu para que ele deitasse ao seu lado. O perfume que emanava da sua pele era esplendoroso. Ele reconheceu como sendo a delicada fragrância de baunilha.
Adrian nunca pensou que iria se fascinar por aquele perfume, mas não era apenas isto. Ele percebeu que estava hipnotizado não apenas pela fragrância, mas pela pele, pelos cabelos, pelo sorriso, pelos olhos, pela alma e pelo coração de Isabelle Chesneau.
Embora ele quisesse relutar, aquela era a verdade. A mais doce e pura verdade. Na primeira vez que ele a viu, Gold teve certeza de que ela escondia algo, e que precisaria descobrir tudo a respeito daquela mulher. Assustava-o pensar que havia novamente alguém tentando persegui-lo. Infelizmente, poucos sabiam a verdade por detrás das acusações que Regina contava. Apenas ele sabia quem eram os verdadeiros traidores. Mas, o que o assustou mais naquele dia foi ver que o Coronel Gaston, um dos alemães líderes da Gestapo, havia demonstrado grande interesse pela jovem mulher.
Gold sabia que Gaston era perigoso e instável e, embora tivesse suas dúvidas em relação à Isabelle, ela não poderia deixar que ela caísse nas garras do alemão. Gold tinha ouvido diversos relatos sobre Gaston e o que ele costumava fazer com as mulheres que ele seduzia. Gaston era um homem perigoso.
Mas por que ele se preocupava tanto com ela? Não importava. Ele sabia que precisava proteger Isabelle. E ainda assim, ele não sabia quem ela era. Gold estava viciado por aquela mulher. Realmente, ela era linda, mas o que ele via nela não era apenas a beleza física, mas também a inteligência que ela demonstrava ter. Mas ela não era mais inteligente do que ele. Gold tinha quase certeza de que Isabelle era a agente britânica conhecida como “Rosa”... Mas como? Como era possível que uma mulher tão inocente fosse designada para espioná-lo? Regina era muito mais esperta do que aquilo para mandar uma garota atrás dele.
E lá estava Gaston mais uma vez.
E o maldito alemão também estava hipnotizado por Isabelle. Gold conseguia ver o quanto ela temia Gaston, e como ela tentava se esquivar dele, na noite do jantar, quando o alemão deslizava seus dedos perversos pela pele delicada dela.
Gold sentiu uma urgência incontrolável em esmagar a cara imunda daquele homem com a sua bengala, enquanto ele via aquele desgraçado tentar se esfregar nas pernas de Isabelle.
Mas então ela estava em seus braços. Gaston jamais iria tocá-la novamente. Gold deveria mantê-la a salvo.
Isabelle era tão pura, tão inocente. Ele precisava protege-la a qualquer custo. E enquanto eles dançavam, lá estava aquele perfume. Aquela fora a primeira vez que ele sentiu a fragrância de baunilha; a doçura serena.
Gold queria apenas enterrar o seu rosto no cabelo dela para sentir o doce aroma. Mas ela havia ido embora, e ele não conseguia parar de pensar nela e naquele doce cheiro de baunilha.
Como era possível ele se sentir daquela maneira? Isabelle era uma droga. A sua droga.
Várias vezes ele se viu pensando nela. Como ela conseguia cheirar como o paraíso?
Será que a pele dela tinha o mesmo perfume? Será que os lábios dela eram doces como baunilha?
E a música dela. A sua música era o que faltava para deixa-lo completamente perdido. Agora ele tinha certeza de quem ela era. Mas havia algo naquela mulher que o fez ter certeza de que Isabelle não era uma ameaça. Se ela tentasse planejar algo ele saberia.
Mas naquele momento ele não estava preocupado com aquilo.
Agora ele tinha os lábios dela pressionados contra os dele, e tudo na sua mente era a suavidade da pele daquela mulher e claro, baunilha.
Como era maravilhosos os lábios de Isabelle... Ela era uma droga.
Ele queria sentir tudo dela. Gold queria se perder naquela mulher. Mas, novamente, ela havia ido embora, e tudo o que ele tinha era apenas uma memória.
Quão maravilhosa era aquela mulher. Ela fez com que ele quisesse se sentir humano mais uma vez. Ela fez com que ele quisesse se tornar um homem melhor. Adrian sabia o que ele era. Ele era um monstro, e ele era egoísta em desejar estar com ela. Em sentir o toque dela. Que tipo de droga era aquela?
E então tudo estava perdido. Tudo havia se tornado um caos. Em um momento de descuido, Gold se viu em meio à um conflito entre os alemães e a Resistência. E James Bougton, mais conhecido como “Encantado” estava lá também. O homem estava em perigo. Gold não sentia a necessidade de ajuda-lo, mas se a Gestapo o capturasse, inevitavelmente eles chegariam à Isabelle. E aquilo não poderia acontecer. Ele prometeu protege-la e era isto o que ele estava fazendo.
Ou o que ele pensou que estivesse. Ele pensou que ela estava a salvo, mas Isabelle acabou sendo capturada pelo único homem que ele tanto tentou manter longe dela.
Enquanto Gold ajudava James e pensou estar protegendo-a, Gaston a levou para longe da sua proteção. Ele havia falhado. Ele havia prometido e ele falhou.
Não havia nada que ele pudesse fazer. A linda Isabelle estava despedaçada. Ele conseguia ver que a alma dela estava lascada. E era culpa dele. Mas, agora que ela estava ali em sua casa, nada iria acontecer à ela.
Existiam demônios perturbando aquela jovem mulher. Demônios que ele sabia que jamais a deixariam em paz.
E por algum milagre, Isabelle pareceu encontrar conforto em seus braços. Quão puro era o coração daquela criatura. Como era possível alguém se sentir confortável perto dele?
Ele se lembrava de como as coisas costumava ser quando ele era casado. Milah nunca quis que ele estivesse perto dela. Claro, ela era a mãe do seu amado filho, e ele também lamentava como as coisas haviam acabado, mas ele ainda lembrava-se do ódio que ela sentia por ele, desde antes de se casarem. Milah nunca o quis. Milah nunca o amou. E para Adrian, a simples ideia de alguém ansiar pela sua companhia era algo que ele acreditava ser impossível.
Ambos ficaram deitados em silêncio. Ele não ousou sequer tocas nos cachos do cabelo dela, mas então, Isabelle estava com a sua cabeça repousada em seu peito. Ela dormia profundamente. Gold não fazia ideia de quanto tempo havia se passado desde que ele não sentia aquele aroma divino. O perfume dos deuses.
Gold queria poder ficar daquele jeito para sempre. Se ele morresse naquele instante, ele estaria feliz.
Mas então ele acordou com as luzes do sol em seus olhos. Gold ainda estava sonolento, permanecendo com os olhos fechados, apurou seu olfato para sentir o perfume dela. Mas não havia nada ali. Que sonho estranho era aquele, onde não havia a suavidade da pele daquela criatura nem o aroma doce e sereno...
Não era um sonho.
Gold abriu os olhos, sentindo a solidão o engolfar. O lugar ao seu lado na cama estava vazio; os lençóis estavam desarrumados, mas já não guardavam o calor do corpo que estivera ali momentos antes. Onde ela estava?
Adrian levantou da cama e, pegando a sua bengala, deixou o quarto. Era provável que ela tivesse voltado para o quarto que estivera ocupando durante os dias anteriores, então ele se dirigiu até lá.
“Isabelle?” Gold a chamou, abrindo a porta do quarto. O aposento estava completamente vazio. Talvez ela estivesse no banheiro. “Isabelle?” Novamente, o silêncio. Gold abriu a porta do banheiro então, para perceber que também estava vazio. Então ele viu algumas mudas de roupas jogadas ao chão; era a camisola e o robe que ela estivera usando naquela noite. Percebeu que todos os pertences dela haviam sumido. E ela havia ido embora. Mas por quê?
Oh, ele sabia o porquê. No mesmo instante, Gold correu mancando até o quarto; o ferimento em seu joelho latejava a cada passada.
Indo até sua escrivaninha, ele tentou abrir a gaveta do lado direito, mas, como ele esperava, estava trancada. No entanto, a gaveta do lado esquerdo estava destrancada. Como ele pode esquecer de trancá-la? E ao abri-la, ele se deparou com aquele que ele mais temia: o vazio.
Todos os seus documentos haviam desaparecido, juntamente com a mulher que ele tanto... Amava?
Oh, como ele fora cego! Ela o enganou! Ela nunca havia se importado com ele.
As peças do quebra-cabeça estavam se juntando, e tudo fazia sentido.
Ela o enganou.
Gold sentiu seu corpo tremer com o ódio e a ira que o consumiam. Ele queria ir ao encontro daquela mulher e estrangulá-la. Matá-la.
Ele queria quebrar tudo que estivesse ao seu alcance. Como ela ousara enganá-lo? Ela não tinha ideia de quem ele era. De quem era Adrian Gold.
Isabelle queria jogar aquele jogo, então tudo bem. Mas aquele jogo ela não iria ganhar.
Gold conhecia Regina muito bem para saber quais eram as ordens que ela havia dado à sua pupila. Isabelle iria voltar para terminar a sua missão. Ela voltaria para mata-lo. E ele estaria ali, esperando.
Isabelle iria planejar entrar em sua casa quando ele não estivesse ali, para tentar ataca-lo desprevenido. Ele sabia que ela iria esperar por ele. E aquela seria a sua armadilha.
Ela voltaria àquela noite. Se ele estivesse correto, a mulher não iria arriscar esperar mais um dia Ele poderia tentar fugir.
Isabelle, ou seja lá qual era o seu nome verdadeiro, iria tentar mata-lo. Ela ainda era inocente em se tratar de matar alguém. Mas Gold não era.
Depois do almoço, Gold chamou por Jefferson. “Eu quero que você faça com que ela pense que estou deixando a casa, mas faça com que seja claro que eu pretendo voltar”.
“Oh, minha nossa! Isabelle é a espiã?” Jefferson perguntou. “Como ela conseguiu enganar a fera?”
“Sr. Hatter, poupe-me das suas piadinhas. Não sei se você notou, mas não estou com humor para isto.”
“Você irá mata-la?” Todo o humor desapareceu do rosto de Jefferson.
“Oh, eu pretendo fazê-la sofrer. Ela merecer morrer.” Gold falou com todo o ódio que estava sentindo.
“Gold, eu acho...”.
“Eu não me importo com o que você acha, queridinho. Este é meu problema, não seu”.
“Certo... Mas cuidado. Eu não acho que ela seja uma das marionetes da Regina.”
“Isto é algo que cabe a mim decidir. Não você”.
Jefferson não tentou argumentar com o homem, e deixou a sala.
Gold permaneceu o restante do dia em seu quarto, esperando. Era naquele aposento que ela iria primeiro e seria naquele aposento que ela iria perecer... Sua armadilha estava pronta. Servindo-se um copo de Whisky, Gold pegou a sua arma e sentou numa das poltronas defronte à lareira. Aquele era o lugar perfeito para esperar por sua presa. Escondido nas sombras ele a mataria no momento que ela entrasse pela porta.
Agora ele compreendia perfeitamente o que Regina havia planejado. Enviar uma garota estúpida para fazer com que ele pensa que ela é inocente. Para cegá-lo com a sua beleza e com a mais pura alma que ele jamais pensara existir.
Na verdade, era triste pensar que Isabelle não possuía mais aquela alma pura. Mas aquele era o preço. Tudo vem com um preço.
Gold conseguia ver tudo claramente. Ela o enganou desde o início. Aquele lindo demônio. Como fora possível ele ter caído na armadilha dela? Tudo fazia parte da armadilha. O encontro no Café de Flore, o jantar, a Ópera, a música, o beijo. Tudo, até mesmo o perfume.
Aquele maldito perfume, que tomou conta da sua alma e do seu coração. Ambos estavam a muito tempo esquecidos, enterrados nas suas profundezas, e ela o fez querer sentir novamente. Oh, como ela era esperta. Aquela criatura maligna.
Gold queria quebrar cada parte dela mas, em algum lugar dentro dela, havia aquela parte que queria sequestra-la e leva-la para um lugar onde poderia viver em paz. Mas como ele era tolo. Não existia lugar seguro e ninguém era confiável. Aquele demônio estava fazendo dele um tolo.
O que ela havia feito com ele? Aquela beleza maligna. Os olhos azuis de Isabelle haviam roubado a sua alma e os seus lábios roubaram o seu coração.
Tudo fazia parte do plano?
Ele sabia que o ataque da Resistência havia sido pura coincidência, mas havia ela planejado ser deflorada pelo alemão, apenas para conseguir vir à sua casa?
Não. Se havia ao menos uma coisa que ela não esperava era ter sido atacada por Gaston. Ela o odiava. Por mais que não quisesse admitir, havia sido Gold quem ajudara a recolher os pedaços quebrados daquela linda mulher. Fora ele quem a confortara, e era aquilo que tornava tudo mais doloroso.
Isabelle brincou com os sentimentos dele. Ele era um monstro, mas isso não significava que a fera não tinha sentimentos.
A fera era insegura em revelar o que sentia. Aquilo era uma fraqueza, mas ainda assim, ele decidiu confiar nela.
Oh, ele nunca mais iria confiar em Isabelle.
Já era quase meia-noite quando ele ouviu um barulho vindo em direção ao seu quarto. Passos. Era Isabelle.
Finalmente ela estava ali. No momento que ela adentrou o quarto, ele sentiu a arma em sua mão se posicionar. Ele iria mata-la. Mas ele esperou. Gold permaneceu em silêncio, imerso nas sombras, apenas observando-a.
Ela estava usando aquele maldito vestido azul, mas o que chamou a atenção dele foi perceber que ela não trazia consigo nenhuma arma, e sim os arquivos que ela havia roubado.
Isabelle não era estúpida o bastante para que depois de ter conseguido obter todas as informações sobre ele, vir até ali para mata-lo desarmada; trazendo justamente a documentação que já deveria estar nas mãos de Regina.
O que ela estava fazendo? Isabelle não olhou ao seu redor e foi diretamente até a escrivaninha. Olhando os arquivos em sua mão, ela os levou aos lábios e Gold pode ouvir ela sussurrar. “Me perdoe” e então beijá-los suavemente.
Os olhos azuis dela estava brilhando com as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Foi quando ela abriu a gaveta para devolver os documentos que Isabelle parou abruptamente. Ela havia caído em sua armadilha.
De dentro da gaveta, que deveria estar vazia, ela retirou uma única rosa de um vermelho sangue intenso. Gold havia realmente preparada uma linda armadilha.
“Ora, ora, ora, olá queridinha!”
Isabelle pressionou a rosa contra o peito, virando para se deparar com Gold, que estivera ali o tempo todo, escondido nas sombras.
Ele podia ver o medo estampado nos olhos dela.
“Gold...” Ela murmurou. Ele levantou a arma em sua mão, apontando diretamente para ela.
“É encantador finalmente poder conhecê-la, Rosa”.
Pela primeira vez ele viu a bravura escapar daquela mulher. Ela estava encurralada. Pela primeira vez a Rosa Fiandeiro estavam se encontrando.
Pela primeira vez era uma Rosa covarde e um bravo Fiandeiro.
Notas finais
POR FAVOR, comentem! :D
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