The Sound Of War
14 The Heart Without Hope
Notas iniciais
AVISO: Leve cena de Obscenidade.
The Heart Without Hope
Correndo. Ela estava correndo. Belle estava fugindo daquela casa; Estava fugindo de Gold, com todos os documentos dele guardados em sua bolsa. Isabelle estava fugindo do seu destino.
Ela havia conseguido. Belle havia conseguido roubar todos os segredos de Adrian Gold. Mas, por que estava se sentindo tão triste? Agora ela teria a chance de poder voltar para casa; voltar para junto de seu pai. Mas ela tinha traído a confiança de Gold... Traído o seu coração.
Porém, não havia mais tempo para se arrepender. Adrian Gold era um monstro e finalmente agora ela saberia todos os segredos dele.
Finalmente Belle chegou à casa de James, batendo apressadamente na porta. Ouviu passos se aproximarem para atendê-la.
“Isabelle!” A empregada da casa, Laura, abriu a porta para ela, surpreendendo-se ao vê-la ali. “Meu Deus! Entre!”
A casa estava silenciosa. Belle percebeu que algumas das janelas estavam cobertas com pesadas cortinas.
“Laura, onde estão James e Mary Margaret? Eles estão bem?”
“Sim... Eles estão...” Isabelle percebeu que algo havia acontecido. “Onde você esteve? Nós estávamos tão preocupados...”.
Belle estranhou a pergunta. Eles sabiam onde ela estivera durante todos estes dias, Gold tinha lhe dito que havia falado com James, e que eles estavam cientes de tudo o que havia acontecido. “O que você quer dizer com isso?”
“Isabelle?” Mary Margaret surgiu de umas portas, vindo até ela.
“Mary!” Belle abraçou a amiga fortemente. Nunca pensou que sentiria tantas saudades daquela companheira. “Como James está?”.
“Ele está bem. Onde você esteve? Nós pensamos que Gaston havia te prendido”.
Belle estremeceu ao ouvir aquele nome; um nó formando em sua garganta apenas com o breve pensamento dele. “Ele...” Belle não conseguiu terminar o que iria falar, mas Mary Margaret pareceu entender.
“Oh, Belle! Eu- Eu sinto muito...”
“Mas isto não importa mais... E vocês sabem que eu estive na casa do Gold, então...”.
“O quê? Você estava na casa do Gold?” Mary olhou horrorizada para Belle.
“Eu... Eu pensei que vocês soubessem. Ele- Ele falou que havia avisado James.” Belle percebeu que Mary Margaret não sabia de nada.
“Ele não falou nada para nós, Belle”.
Belle sentiu a raiva começar a tomar conta do seu corpo. “Ele não falou? Ele... Ele mentiu para mim...” Gold mentiu mais uma vez. Não esperando o que Mary Margaret estava prestes a falar, Belle virou as costas para a mulher, subindo as escadas. “Isabelle! Se acalme. O que você está fazendo?”
Belle não parou para olhar para Mary Margaret. “Eu estou finalizando a minha missão. Eu encontrei vários documentos dele e eu irei mata-lo hoje à noite.”
“Belle, pare. Você está confusa. Você não sabe o que está fazendo...”
Naquele momento, Belle se enfureceu com a mulher, e desceu as escadas parando na frente dela a apenas alguns centímetros de distância. “Eu fui submetida a todo tipo de atrocidade que você jamais conseguirá imaginar, Mary Margaret. Por isso, eu sei exatamente o que estou fazendo. Esta é minha missão, então eu sugiro que você me deixe em paz!”
Mary Margaret recuou, deixando que Belle subisse para o quarto. Realmente, o que havia acontecido com Belle era algo que ela não conseguiria imaginar, mas ela sabia que aquilo havia destruído a alma de Isabelle. Pobre garota.
Chegando ao seu quarto, Belle não esperou nem um segundo sequer, e sentando na cama, pegou todos os arquivos e começou a folheá-los.
Havia vários recortes de jornais datados de 17 de outubro de 1939; todos falavam sobre o mesmo assunto. Três dias após ter sofrido um ataque realizado pelo submarino alemão U-47, comandado pelo capitão Günther Prien, que penetrou nas defesas do porto de Scapa Flow, e torpedeou o encouraçado HMS Royal Oak, a região sofreu um novo ataque, mas desta vez por quatro bombardeiros da Luftwaffe, num dos primeiros ataques aéros sofrido por território britânico, que além de atingir um dos encouraçados mais antigo ancorado ali, o HMS Iron Duke, também causou a morte de mais de 850 civis que moravam naquela região.
Era estranho Scapa Flow ter sofrido aquele segundo ataque, após Winston Churchill ordenasse a construção de uma série de bloqueios nos acessos orientais na baía, as “Barreiras de Churchill”. Era como se os alemães soubessem exatamente aonde atacar.
Havia várias marcações naqueles artigos, e apenas um nome se destacava em todos eles... Regina. Regina. Regina.
Belle examinou um dos mapas, que retratavam todas as regiões da França. Certos pontos estavam circulados ou marcados com um x.
E, em meio a tantas folhas, havia um desenho do rosto de uma criança. Um garoto, para ser mais exato. Ele aparentava ter em volta de dezesseis anos de idade naquele desenho. No verso do papel estava escrito uma data, 1940, e um nome: Baelfire.
Naquele momento, Belle conseguiu formar uma parte do quebra-cabeça em sua cabeça... Será que Regina estava por detrás dos ataques ocorridos em Scapa Flow? E... Oh não, Baelfire estaria naquela região, no momento em que os bombardeios começaram? Estaria ele...
Um dos quatro ataques deveria ter atingido o local em que Baelfire e sua mãe estavam abrigados, mas Regina estaria realmente envolvida? Aquela hipótese deixou Belle enjoada.
Pegando um dos últimos maços de papéis, Belle percebeu que aqueles eram diferentes e estava escritos em uma caligrafia fina e elegante. Ela começou a ler o primeiro deles, datado de 16 de outubro de 1939.
“Querido Bae,
Faz apenas alguns dias desde que nos vimos pela última vez. Não posso falar muito para você, mas logo estarei embarcando para a França. Eu realmente espero que você esteja bem. Fiquei preocupado quando soube dos ataques ao porto de Scapa Flow; espero que você esteja a salvo. Eu queria poder estar junto de você neste dia tão especial. Feliz aniversário, meu filho.
Sei que esta carta não é um presente digno, mas eu quero que você saiba que lhe amo muito. Você, meu filho, é quem me dá forças para seguir em frente. Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço.
Então, meu garoto, continue sendo assim. Seja corajoso. Eu amo você, meu querido Bae. Feliz Aniversário.”
Belle leu aquela carta, sentindo seus olhos embaçarem com lágrimas que começavam a se formar. Gold realmente amava o filho. Mas, o que mais doía em relação àquela carta é que ela nunca havia sido entregue ao garoto. Os ataques que estavam relatos nos jornais ocorreram um dia após a carta ser escrita. Baelfire nunca recebeu a carta do pai.
Havia mais quatro cartas semelhantes àquela, e Isabelle pegou outra, esta com a data do dia em que ela e Gold se beijaram na Ópera; Agosto de 1943.
“Querido Bae,
Eu continuo a escrever estas cartas para você, na esperança de que algum dia nós possamos lê-las juntos.
Como é difícil sobreviver num mundo que não se pode confiar em ninguém. Esta maldita guerra... Será que terá um fim?
Vivo num oceano de trevas e desespero. Não encontro uma saída. Mas, existe uma saída?
Maldito Führer, que mergulhou o mundo no caos.
Perdoe-me por estar escrevendo-lhe isto meu filho, mas você é ainda a única pessoa que me dá forças para continuar...
Você, e uma pequena luz que começa a brilhar timidamente no horizonte da minha escuridão. Eu posso ver esta luz e eu quero desesperadamente segui-la, mas e se ela se apagar...”
Belle jogou aquela carta de lado, sem entender o que ele queria dizer com aquela luz, e pegou outra... Esta era a mais recente de todas, escrita na noite em que Jefferson havia a levado para a casa de Gold.
“Bae,
Eu prometi que manteria àquela luz a salvo, mas eu falhei, e ela quase se extinguiu. Não posso permitir que ela se apagasse... Eu preciso acreditar que continuará a brilhar e iluminar meu caminho.
Esquisita é esta luz, Bae. Tem um perfume de baunilha e o seu brilho é azul. Eu posso vê-la mas não consigo senti-la, não consigo tocá-la: Tão delicada é esta luz.
E Bae, esta luz tem um nome que traduz exatamente o que ela é: Belle. Oh Bae...”
Não conseguia mais ler. Belle não conseguia ler mais nada, enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto, enquanto o coração doía em seu peito.
Ele havia confiado nela.
Belle soube naquele momento que jamais poderia fazer mal àquele homem. Gold não era culpado de nada; Ele não era completamente inocente, mas Regina havia mentido para ela.
Aquilo era o bastante. Ninguém iria decidir o que ela deveria ou não fazer. Ninguém. Belle tinha que escapar. Fugir do destino que Regina estava escolhendo para ela. Belle iria deixar Gold em paz. Isso, se ele não a matasse.
Gold jamais iria perdoa-la. Belle teria que traçar um novo plano. Naquela noite, ela iria voltar à casa dele, devolveria os arquivos e então, fugiria.
Isabelle sabia que ele jamais confiaria nela novamente, mas aquilo não mudava o fato de que Belle havia se apaixonado por Gold. E, se tinha ao menos uma coisa que ela poderia fazer por ele, era deixá-lo em paz.
Voltar àquela casa significaria a sua morte.
Belle olhou para o seu relógio; o toque de recolher logo soaria. Precisava ser rápida e cuidadosa, pois o que estava prestes a fazer seria algo perigosíssimo. A noite guardava na sua escuridão várias ameaças, e os alemães era uma das mais traiçoeiras de todas.
Trocando de roupa, Belle colocou o mesmo vestido azul que usara na noite em que conhecera Gold. Pensou por um momento se deveria ou não levar alguma arma consigo, mas desistiu da ideia. Iria esperar até o momento em que Gold saísse de sua casa, não importava quanto tempo ela teria que ficar esperando.
Segurando os arquivos firmemente nas mãos, ela deixou seu quarto.
“Isabelle, você não vai voltar lá, vai?” Mary Margaret a segurou no momento que estava prestes a sair.
“Mary, ninguém decide o meu destino a não seu eu! Esta é a minha vida!” Belle virou as costas e deixou a casa de James e Mary Margaret Bougton para nunca mais voltar.
Estava quase anoitecendo quando Belle deixou a casa. Poucas pessoas ainda andavam pelas ruas de Paris. Ninguém queria se arriscar e acabar sendo repreendido pelos agentes da Gestapo ou da polícia Civil.
Isabelle correu; fugiu de todas as regras, diretamente para o seu destino.
Gold vivia próximo ao Jardins du Luxembourg. Era uma região silenciosa e elegante, cercada por vários jardins, que durante o dia, exibia uma exuberância incrível, mas que durante a noite, era uma região escura e certas vezes, perigosa. E foi num desses jardins, próximo a casa dele, que Belle se escondeu. Ali, ela poderia ter uma visão perfeita da frente da casa além de poder ver qualquer movimentação das pessoas.
Não demorou muito tempo até que ela viu Jefferson aparecer. Ele parou ao lado do carro, abrindo a porta do automóvel e esperando mais alguém deixar a casa. Jefferson olhava para todos os lados, apreensivo, tentando ver se alguém estava os observando; Belle quase penso que ele havia a visto, mas ele não tinha. Então, ela viu outro homem aparecer, e segurando uma bengala, andou ao encontro do motorista. Belle não conseguia ver o rosto do homem, mas sabia que era Gold. Ele não segurava nenhuma mala ou qualquer outra coisa que pertencia à ele e que indicasse que estava partindo; Gold iria voltar.
Belle ficou escondida, esperando até que ambos entrassem no automóvel, e apenas deixou o seu esconderijo quando se passara cinco minutos desde que eles havia partido.
Precisava ser rápida. Havia um grupo de alemães na redondeza. Belle se apressou, e alcançou os fundos da imensa casa.
Havia um pequeno portão de ferro que separava o jardim da casa da horda da floresta e, silenciosamente, ela entrou. Todas as luzes estavam pagadas no interior da mansão, quando Belle entrou pela porta dos fundos da cozinha; supostamente, a única pessoa que estava na casa era a Sra. Potts, e sem dúvida a mulher não traria problema algum para Belle.
Agora que Belle conseguira entrar, ela só precisaria ir ao quarto de Gold e colocar os arquivos novamente na gaveta.
Os seus passos fazia sons abafados no piso de madeira enquanto caminhava pelos corredores. Finalmente, Belle parou defronte ao quarto. Logo, tudo estaria terminado.
Respirando profundamente, ela entrou. Estava escuro ali dentro, exceto pelo brilho tímido das chamas que crepitavam na lareira. Belle não olhou ao seu redor, mas seus olhos se fixaram involuntariamente na imensa cama. Tantas lembranças vieram à sua mente... Quão amada ela havia se sentido nos braços dele. Mas eram apenas memórias...
Tentando clarear a sua mente, Belle foi até a escrivaninha. Ela precisava ser rápida. Olhando para os arquivos em sua mão, Belle os aproximou de seus lábios; aqueles eram as últimas peças do quebra-cabeça que era Adrian Gold; aqueles papéis eram a última coisa que ela veria sobre ele... Ela precisava guardar na sua memória as últimas lembranças daquele homem. “Me perdoe...” Belle sussurrou, beijando suavemente aqueles papéis como se fossem os próprios lábios do seu amado. Ela sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto; lágrimas que ela não impediu de caírem.
Mas, ao abrir a gaveta para guardar os documentos, Belle parou abruptamente. No compartimento que deveria estar vazio, continha uma única e delicada rosa, do vermelho mais intenso que ela jamais havia visto antes. Pegando a flor, Belle a aproximou de seu nariz para desfrutar do suave e marcante aroma.
“Ora, ora, ora, olá queridinha”. Uma voz grossa surgiu do canto do quarto às suas costas, e Belle sentiu toda a sua coragem escapar de seu corpo. Segurando a flor firmemente contra o peito, Belle se virou para encarar o Fiandeiro.
“Gold...” Não havia mais necessidade de chama-lo de Sr. Carruthers, então Belle não se incomodou quando deixou o verdadeiro nome dele escapar por entre seus lábios. Gold sorriu com aquilo, mas ela podia ver que em seus olhos havia apenas ódio.
Gold estava sentado em uma das poltronas próximo à lareira; ele estivera ali o tempo inteiro, escondido nas sombras.
Ele levantou seu revólver, apontando diretamente para ela. Oh, ela iria morrer.
“É encantador finalmente poder conhecê-la, Rosa.” Ele disse. Gold não havia deixado a casa como Belle havia pensado. Era claro que ele sabia que Isabelle tentaria voltar à sua casa, mas, ele pensava que ela queria matá-lo.
Belle tentou resgatar a sua coragem novamente, mas falhou, e aquilo parecia divertir Gold.
“Eu gostaria de poder dizer o mesmo, Fiandeiro.” Belle respondeu com a voz cheia de desdém.
“Oh não, queridinha, por favor! Não Fiandeiro” Ele zombou, com o seu sotaque escocês marcando fortemente cada palavra. “Por favor, sente!” Ele apontou para a cadeira à sua frente, mas Belle não se mexeu, permanecendo em pé. Aquilo pareceu irritar Gold mais ainda, e ele destravou a arma. “Eu disse para sentar!”
Belle andou lentamente, sentando-se na poltrona à frente dele. Ela percebeu que antes dele a matar, ele iria maltratá-la. “Agora, tire seus sapatos.”
Sentindo seu corpo tremer, Belle o olhou suplicante. Então, ele pretendia fazer com ela o mesmo que Gaston havia feito; violá-la de todas as maneiras possíveis para depois a matar. “Nós dois sabemos o que está escondido neles.” Belle fez o que ele mandara, e retirando os sapatos, entregou-os para ele.
Gold quebrou o salto do sapato direito, e retirou de dentro uma pequena pílula azul; era a mesma pílula que Regina havia lhe entregado antes de embarcar para a França e dito que ela deveria usá-lo caso fosse capturada pelas forças inimigas.
“Ohoho... Isto é uma coisa perigosa, Srta. Rosa” Ele disse, jogando a pílula no fogo. “Agora, eu estou curioso. Diga-me, qual é o seu verdadeiro nome, queridinha?”
Belle permaneceu em silêncio; se havia algo que ela sabia era que nomes tinham forças. Gold suspirou, furioso. “Eu sugiro que você encontre toda àquela sua coragem e comece a falar. Esta nossa conversa vai demorar algum tempo.”
“Por quê?” Era a única palavra que ela conseguiu formular. Por que ele não a matara ainda?
“Tsc, tsc, tsc... Eu sou o único que fará perguntas aqui. Agora, diga-me: Qual o seu nome?”
Belle havia tentando esconder tudo sobre quem ela era, mas naquele momento seria impossível mantê-los em segredo. “Isabelle. Isabelle French” Seu nome foi dito num sussurro quase inaudível.
Gold pareceu surpreso. “French? Você é a filha do Coronel Maurice French? Ohoho, como ele deixou a criança dele ser enviada à Guerra?”
“Meu pai não toma nenhuma decisão sobre o que eu faço ou deixo de fazer. Ninguém decide o meu destino a não ser eu mesma!” Belle falou com raiva; por que todos pensavam que ela não era capaz de decidir o que queria fazer ou não em relação a sua vida?
“É mesmo, senhorita French? Então você é realmente uma garota estúpida para decidir vir à Guerra. E isto...” Ele levantou a arma novamente. “Prova que você deveria ter ficado em casa com seus livros. A Guerra não é lugar para crianças”.
“Por que você está fazendo isso? Por que você não me mata? Você deveria ter atirado em mim no momento em que entrei neste quarto. O que você está esperando?”
“Porque antes eu quero saber de tudo, queridinha.” Gold respondeu. “Depois pode ficar tranquila que eu vou encher você de balas.” Ele falou, e Belle viu em suas feições que o homem falava a verdade. “Bem, primeiramente, nós dois sabemos que Regina está querendo me matar, e colocar você em seus planos foi realmente inteligente. Mas, eu não consigo entender por que você não entregou os meus documentos para ela?”
“Por que eu não encontrei nada neles que pudesse interessar à ela.” Belle mentiu.
“Ohoho, não minta pequena Belle. Você já mentiu o suficiente até agora. Àqueles documentos são tudo o que Regina mais quer. Então, responda-me novamente. E desta vez a verdade.”
“Porque...” Belle suspirou. “Fora dito que eu encontraria todos os fatos que o incriminariam de uma vez por todas. Mas... Não havia nada neles do que a Regina havia me falado. Esta missão... Eu fui designada para descobrir tudo a respeito de um homem que traiu o seu país, mas... E se tudo não se passou de uma mentira?”
Gold olhou seriamente para ela. “Às vezes, se você diz uma mentira vária vezes ela acaba se tornando uma verdade... Mas, eu não confio em você. Eu sei que você está envolvida em todos os planos da Regina. Você é o fantoche dela. E você deveria ter acreditado nela quando ela disse que eu era o melhor agente que eles já tiveram. Você não deveria ter me enganado!”
“Enganado você? Eu nunca...”
“Cale a boca, seu demônio!” Gold gritou; a ira marcava os olhos dele, que estavam irreconhecíveis. “Você me enganou desde o começo, não foi? Ah, sim! Sempre foi uma armadilha!”
“O quê? Não foi...”
“Cale esta sua maldita boca! Você tem sorte em ainda estar viva!”
“Então por que você não me mata?” Belle gritou também. “Você só tem que puxar o gatilho!”
“Oh, eu irie matá-la, queridinha. Apenas me deixe terminar. Até o fim da noite você estará estirada neste chão, tão fria quanto gelo. Apenas deixe-me saber todas as mentiras que você contou...”
“Mentiras?” Isabelle sentiu a raiva percorrer por suas veias, em cada centímetro do seu corpo. “Você brincou com os meus sentimentos, Gold! Desde o começo eu sabia que havia algo errado com tudo o que a Regina havia me dito. Eu tentei te entender e você... Você mentiu para mim. Você disse que iria me proteger! Eu sabia que era uma falsa esperança, mas eu realmente quis confiar em você. Mas você mentiu! No momento em que eu mais precisei de você, você não estava lá! Enquanto eu estava sendo fodida por aquele alemão, você estava atirando em James!”
“Atirando em James?” Gold não segurava mais a arma, mas ainda era possível ver o ódio nele. “Parece que você não é a única pessoa que tem mentido.”
“Mentido? Eu vi quando James chegou em casa com a camisa cheia de sangue e com o ferimento no ombro”
“Mas ele falou que fui eu quem atirou nele?” Gold fez aquela simples pergunta, mas Isabelle percebeu que não tinha uma resposta... Agora ela estava pensando. James não havia lhe nada. Quando ela ia lhe perguntar, Gaston havia chegado e desde então Belle não tinha visto James novamente. “Eu salvei a vida dele.” Gold falou. “Se eu não estivesse lá, Bougton estaria morto.”
“Ainda assim, você não me protegeu.” Isabelle murmurou, sentindo as lágrimas em seus olhos se formarem mais uma vez. Naquele momento, ela pensou ter visto dos nos olhos dele, mas logo havia sumido, e ele apontou a arma para ela pela última vez.
“Como você disse tão sabiamente, ninguém decide o nosso destino.” Gold destravou o revólver pela última vez. “Só mais uma pergunta”. Nos olhos marrons dele havia um pequeno traço do brilho dourado que Belle havia visto ali um dia. Àqueles doces olhos. “Por que você voltou?” Ele perguntou num sussurro, como se aquela fosse a pergunta mais importante.
Belle tentou evitar olhar nos olhos dele, mas eles seguravam-na , olhando-a intensamente, e Belle não poderia mentir para ele.
“Porque... Eu-Eu não poderia deixar a Regina encontrar àqueles documentos. Se ela os tivesse, você poderia estar morto...”
“E por que você não me matou?”
Belle sorriu tristemente com aquela pergunta, como se não houvesse uma resposta mais óbvia. “Como eu poderia? Como eu poderia matar o homem por quem me apaixonei?” Ela sussurrou, fechando os olhos, esperando a morte vir ao seu encontro. Mas não houve nenhum som de disparo.
Abrindo os olhos, ela viu Gold a olhando tristemente. “Você não quis dizer isso. Belle, eu fiz tantas coisas, tantas coisas imperdoáveis. Se você soubesse... Você nunca diria isso."
“É claro que eu quis! Eu jamais poderia te matar. Eu soube disso desde a primeira vez que te vi.” Belle precisava ser brava, ao menos àquela última vez. “Gaston pode ter destruído a minha alma, mas o meu coração... O meu coração está seguro com você...” Ela sentiu as lágrimas caírem, e Belle suspirou aliviada, fechando os olhos novamente; se ela tivesse que morrer, pelo menos agora ele sabia a verdade.
Foi quando ela escutou a arma que ele segurava cair com um baque no chão, e ao abrir os olhos, Gold estava agachado na sua frente, e delicadamente, pousou as pontas dos dedos em sua bochecha. “Oh, minha querida” Gold sussurrou, olhando-a sem nenhum traço do ódio que marcara as suas feições momentos antes. “Você Belle... Você jamais pode querer amar um monstro como eu...”.
Belle olhou intensamente para ele, como se ela tivesse vendo a alma daquele homem. “Você não é um monstro. Você é apenas um homem comum... E eu realmente amo você”.
Gold pareceu prender a respiração com aquilo, e tão suavemente quanto na noite na Ópera, ele se aproximou e beijou-a com toda a sua paixão.
Os lábios dele eram suaves desta vez e nenhum deles se esquivou do toque. Ambos queriam prolongar aquele momento como se a vida deles dependesse daquilo. Aquele beijo significava muito mais do que aparentava. Era um acordo. Um acordo que estava sendo selado. Desta vez foi Gold quem quebrou o beijo, olhando-a profundamente, com os olhos num tom de marrom mais belo que ela jamais tinha visto. “Oh, minha doce Belle” A voz dele estava rouca e afetuosa, marcada pela emoção. E o modo como ele pronunciara o seu nome... Era como se ela fosse o seu tesouro mais precioso, e aquilo foi o suficiente para que ela finalmente chorasse.
Gold a abraçou, segurando-a firmemente em seus braços.
“Me perdoe, por favor...” Ela soluçou, escondendo o rosto no peito dele.
“Sshh...” Ele começou a beijar o seu cabelo, e então a sua testa. “Minha querida, eu sou o único aqui que tem que pedir perdão”.
Belle o abraçou mais forte ainda. Como aquilo havia acontecendo? Minutos atrás ele estava prestes a matá-la, e agora ele estavam se abraçando e declarando seu amor um ao outro. Havia tantos problemas que eles teriam que enfrentar, mas isso não importava. Belle estava viva nos braços dele e não havia mais nada que ela quisesse além de poder ficar com ele e amá-lo. Provavelmente na manhã seguinte, Regina estaria declarando-a como outra traidora e ela seria perseguida pelos mesmos motivos que eles perseguiam Gold. Aquela era a última chance de poder estar com ele. Era a última oportunidade para amá-lo. Estranho é este sentimento de amar alguém. Era uma droga, um vício.
Gold estava tão machucado quanto ela, a ponto de ter que pedir por perdão também. Ele era apenas um homem comum. E não havia nada para ser perdoado.
Belle o beijou novamente, mas desta seu beijo estava cheio de desejo. Ela queria ficar com ele para sempre, mas como ela poderia se a morte estava tão próxima deles? Como eles poderiam ser felizes, se a Guerra não permitia que eles fossem? Ela queria Gold mais do que tudo. Mais do que o próprio ar. Como ela poderia mostrar aquilo para ele? Belle pressionou a sua língua contra os lábios dele, tentando sentir ele por inteiro. Gold pareceu notar aquilo, e a afastou alguns centímetros.
“Belle...”
“Eu amo você. Eu amo você mais do que tudo. Por favor, me proteja. Por favor... Fique comigo” Ela sussurrou, tentando beijá-lo novamente.
“Não Belle... Você não quer isso. Eu não sou digno de você” ele falou dolorosamente, permitindo que ela entendesse. “Você merece alguém melhor, Belle, não eu. Eu estarei contento em apenas vê-la e mantê-la à salvo.” Ela era a sua luz, e ele estava tentando agir certo com ela, não pressionando-a para dar mais do que ela queria, mas como tudo que ele tocava, ele havia machucado ela.
“Ter o seu amor me faz feliz” ela falou para ele, acariciando o cabelo dele. “Eu me apaixonei por você no dia em que te conheci, e nada do que as pessoas me falaram mudou a minha mente. Você continua sendo o mesmo homem. Eu apenas o conheço melhor agora.”
“Belle...” Ele começou, e ela pressionou os dedos sobre os lábios dele para silenciá-lo.
“Você é um bom homem” ela o informou, não dando à ele chance para protestar. “Sim, você fez coisas terríveis, mas eu acho que eu posso entender o porquê. Eu vou entender o porquê. Por favor, me proteja. Por favor... Me ame de mesmo modo que eu amo você”.
“Belle” O modo como ela pronunciava àquelas palavras fez com que ele quisesse rir e chorar ao mesmo tempo. Gold a beijou vorazmente, entregando-se àquela paixão. Belle podia sentir o aroma e o gosto de ervas e madeira. Ela podia sentir ele.
Gold a segurou firmemente em seus braços, levantando-a da poltrona e carregando Belle em direção à cama; ele a pousou delicadamente sobre as cobertas, sem parar de beijá-la. Quando eles se separaram para respirar, Gold começou a beijar a sua bochecha, depois desceu em direção ao pescoço e se deteve em beijar sua clavícula.
De todos os livros que Belle havia lido, nenhum deles dissera nada sobre aquele estranho tremor que percorria o corpo de uma mulher enquanto cada peça de sua roupa era retirada delicadamente, ou algo falando sobre o silêncio que às vezes dizia muito. Nenhum deles dissera sobre a sensação de sentir as peles nuas se roçar, nem sobre aquela alucinação que parecia arder em cada poro da pele.
“Você é tão linda. Tão doce” ele falou. Belle sentiu como se uma corrente elétrica estivesse percorrendo seu corpo. Ela nunca se sentiu tão amada em toda sua vida. “Eu jamais irei te machucar. Você é perfeita, minha Belle”.
Ambos ficaram em silêncio, sem se mexerem, apenas se olhando; os olhos marrons dele acariciavam-na com tanta devoção. Belle, nua, deitada em sua cama junto ao fogo, com um olhar que o perseguiria para sempre. Gold inclinou-se sobre ela e acariciou a pele da sua barriga com as pontas dos dedos. Belle baixou os cílios, os olhos e sorriu para ele, segura e forte.
E finalmente, eles estavam unidos, sem existir um centímetro sequer de distância separando-os. Belle sentiu algumas lágrimas escaparem de seus olhos, mas Gold as beijavam para longe. “Minha Belle” ele murmurava em seu ouvido, enquanto eles se tornavam cada vez mais unidos. “Eu te amo”. E naquele momento em que ambos atingiram o seu prazer, ambos chegavam ao limite atingindo o clímax... Aquele era o momento em que eles se tornavam um. A batida dos seus corações estavam no mesmo ritmo e compasso, como uma sinfonia. Os corpos deles entrelaçados uns aos outros, pele contra pele. Eles eram um.
Ambos permaneceram imóveis, tentando acalmar a própria respiração. Gold deitou ao lado dela, e Belle gemeu com a falta do contato, mas logo ele a puxou para o seu lado, colocando-a em seus braços, abraçando-a fortemente, e beijando seu cabelo. Belle descansou a cabeça sobre o peito dele, relaxando.
“Eu amo você Adrian,” Belle sussurrou contra a pele dele, e ele levantou o queixo dela, para beijá-la nos lábios carinhosamente.
“E eu amo você, minha Belle. Descanse agora, minha amada. Eu estou aqui te protegendo. Descanse, minha Belle.”
E havia tantas coisas que eles precisavam conversar e esclarecer, tantos problemas que eles teriam que enfrentar. Mas Belle queria desfrutar daquele momento, e concordando, adormeceu, protegida nos braços dele.
|~|
"Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho,
requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente
tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes,
que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
...E então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele,
vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós
e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade,
a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples...
é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.”*
Notas finais
Aqui está o meu presente para vocês. Me empenhei muito para escrever este capítulo, então por favor, comentem!
Fale com o autor