The Sound Of War
20 Love is Strength
Notas iniciais
Belle estava deitada na cama estreita em que mal cabia e que, agora, estava ainda menor com a companhia do homem que a segurava nos braços. Ela lhe acariciava o rosto constantemente, para se convencer de que Gold realmente estava ali. Ele estava tão exausto que, ocasionalmente, acabava adormecendo, para, em seguida, acordar com um sobressalto e voltar a abraça-la com força.
“Me diga, meu amor, o que podemos fazer?” Ela perguntou. “Deve haver algum lugar no mundo para onde possamos fugir.”.
Gold acariciou gentilmente o contorno do seu filho sob a pele fina e branca do ventre de Belle.
“Você deve ficar aqui até nosso filho nascer. Não há outra escolha. Vou partir amanhã e, se Deus quiser, encontrarei um lugar seguro para ficar até o fim da guerra. Eu prometo que isso não vai demorar.”.
“Faz anos que ouço isso e a guerra parece que nunca vai chegar ao fim” Belle suspirou.
“Ela vai terminar, Belle, e você tem que acreditar nisso. E então, quando tudo estiver terminado e eu encontrar um lugar seguro onde possamos ficar juntos, virei buscar você e nosso filho.”.
“Por favor, não me deixe! Não vou conseguir suportar a vida sem você. Por favor...” aquelas palavras, que ela sabia serem inúteis, ficaram abafadas contra o calor do peito de Adrian.
“Será apenas por mais alguns meses e você terá que aguentar firme. Seja forte, pelo bem do bebê. E, algum dia, vou me sentar com ele em meu colo e falar da coragem que sua mãe demonstrou para trazê-lo ao mundo. Belle, eu disse que viria encontrá-la e cumpri minha promessa” Ele disse, beijando-lhe a testa, o nariz e os lábios carinhosamente. “Não vou desapontá-la no futuro. Acredite em mim.”.
“Eu acredito em você. Vamos falar sobre assuntos mais felizes. Me fale sobre seu filho” Belle pediu, curiosa para saber tudo o que havia acontecido nos meses anteriores.
“Bae está com dezenove anos. Tão... Crescido. Ah Belle, eu mal consigo acreditar que eu encontrei ele.” Gold disse, fechando os olhos e abrindo um sorriso enquanto visualizava o filho. “Demoramos cerca de dois meses para localizar onde ele estava. Quando estávamos prestes a encontrá-lo, soubemos que a Gestapo havia chegado antes. Achei que eu tinha perdido o meu filho.” Belle prestava atenção em cada palavra que ele falava a ela. “Mas, Jefferson conseguiu descobrir o local em que ele estava preso. Então conseguimos invadir o local e...”.
“Vocês o quê?” Belle se sentou na cama para poder olhar diretamente para Gold. Como eles haviam conseguido entrar em uma casa que estava sendo ocupada pelos alemães e conseguido terem saído vivos de lá?
“Não se preocupe, querida. Nós conseguimos entrar despercebidos pela porta de um alçapão e encontramos as celas facilmente. Não demoramos mais do que uma hora...” Gold falou, enrolando uma das mechas do cabelo de Belle em seus dedos.
“Você está mentindo.” Belle falou secamente para ele. Ela não era estúpida em acreditar que eles haviam obtido sucesso sem que os alemães tivessem sequer desconfiado de algo.
Gold suspirou. Quem era ele para tentar esconder algo daquela mulher? Era óbvio que os alemães iriam perceber. Embora eles tivessem agido com um grupo relativamente grande da Resistência, era evidente que eles sofreriam baixas. Mas Belle não precisava saber daquilo. "Não há nada com que se preocupar, querida. Nós conseguimos resgatar Bae e eu estou aqui agora.” Não valia a pena contar os detalhes da operação para ela apenas para alarmá-la. Aquilo faria mal à ela e ao bebê. “Eu estou aqui. Isto é o que importa”.
Belle sorriu, ainda que a contra gosto, “Sim, você está” Ela falou, descansando a cabeça sobre o peito dele. “Me fale mais sobre você” Belle sugeriu, subitamente ansiosa para conseguir toda informação que pudesse sobre o homem que amava, o pai do seu filho.
“Eu cresci em Glasgow, numa região mais retirada.” Gold disse, ainda brincando com as mechas do cabelo dela em seus dedos. “Tivemos sorte. Minha família vivia num belo palacete em estilo Schloss, cercado por vários hectares de terra fértil, que possuíamos e cultivávamos. Assim, as famílias que viviam naquele lugar se tornaram prósperas. Porém, não tive uma bela infância. Embora fossemos ricos, meu pai tinha sérios problemas com bebida, além de ter uma personalidade forte. Quando terminei meus estudos eu quis entrar na faculdade... Estudar política e filosofia. Mas meu pai me obrigou a ir direto para o exército.” Gold explicou, com um suspiro. “Poucos meses depois fui mandado à guerra”.
“Foi quando você... Quando você se feriu?” Belle perguntou, hesitante.
“Sim.” Gold sorriu amargamente, lembrando-se com pesar do que vivenciara.
Nordeste da França, 1º de julho de 1916.
Gold fingiu estar dormindo. Às vezes convencia, às vezes não. Segurou o rifle entre as penas, encostou-se na armação de tronco e tábuas. Inclinou a aba do capacete, fechou os olhos. Escutou um chique de alicate, alguém abrindo e fechando a pinça em movimentos nervosos. Percebeu um apito, um silvo estridente que vinha de longe. Primeiro era como o sopro do vento, depois imitava um assovio. A seguir, a explosão. O chão tremeu. Choveram terra e cascalho.
“Não consigo dormir” reclamou um rapaz com sotaque irlandês. “Não sei como consegue. Não sei como tenta.”.
Gold fez como se despertasse. Bartley Smith era o que ele aprendera a chamar de amigo, ou algo próximo a isso. Estava sentado ao seu lado, sorvendo os restos de uma sopa gelada, com o fuzil apoiado na lateral da trincheira. O uniforme era o padrão da Força Expedicionária Britânica: verde-escuro, com botas marrons e capacete metálico do tipo Brodie, que os soldados detestavam. O rosto era magro e pequeno, o corpo fraco, com barba ruiva e olhos castanhos.
“Não tenho problema para pegar no sono” admitiu outro recruta, Edward Hughes, um sujeito flácido e barrigudo, já na casa dos 30 anos. Limpava a lama grudada na sola. “Faço de conta que são tambores. O som é idêntico, não acham?”.
Gold espiou pelo periscópio. O sol nascia, uma manhã clara e azul. Tentou enxergar além dos arames e cercas, mas os quartéis inimigos estavam ocultos entre as nuvens de gás. As descargas de metralhadoras não paravam, eram contínuas dos dois lados, levantando rocha e poeira. O espaço entre as posições alemães e inglesas constituía um trajeto de morte, ondulado por ininterruptos disparos de artilharia, que dia e noite castigavam o solo com munição explosiva. Virou-se para os companheiros. Encaixou a baioneta.
“Acha que vai ser hoje?” perguntou o irlandês.
“Estamos bombardeando os alemães faz cinco dias” disse Gold. “Mais três soldados se juntaram ao grupo. Se isso não é uma preparação para o ataque, não sei o que é.”.
“Chumbo grosso” concordou Edward, o recruta gorducho. “A artilharia está lançando de tudo. Escutaram o último disparo? Não são só obuses. Tem morteiros também.”.
“Vai ser uma carnificina” sorriu um londrino de bigodão. “Não deve ter sobrado ninguém. Vou recolher algumas carabinas Mauser. Estou montando uma coleção.”.
A conversa calou à aproximação do oficial graduado, o tenente Aaron Cooper, um jovem aristocrata de caráter duvidoso, que havia seis meses dirigia o pelotão. Sua farda era semelhante á dos soldados rasos, mas usava um quepe com o emblema real. Os calçados eram longos e pretos, sem cadarços, iguais a botas para cavalgar.
“Sentido!” gritou o sargento, um galês de 50 anos com bigode espesso e fama de durão. Todos se ergueram, de peito estufado. O tenente cruzou a trincheira, em uma breve revista às tropas. Depois parou no meio dos homens.
“Bom dia, senhores. Tenho notícias do comando” Cruzou os braços. “O general Haig autorizou o avanço da infantaria às 7h30 de hoje.” Silêncio geral. “Isso mesmo. Vamos acabar com esses comedores de salsicha.”.
Ainda em silêncio. Ninguém se manifestou. Nenhum brado, nenhuma resposta. Eram 6h40, o que lhes dava menos de uma hora até o início do arranque. Cooper enfiou as luvas nos dedos. Ajeitou o chapéu. Prosseguiu:
“Essa será a maior ofensiva já deslanchada. Sei que muitos de vocês estão cansados, sei que muitos querem voltar para casa. Façam o seu trabalho e findaremos esta guerra até o outono,” prometeu, tentando animá-los. “O dia será decisivo. É a oportunidade de escrevermos nosso nome e o da 23ª Divisão nas páginas da história.” E encerrou com uma frase elitista: “Boa sorte, cavalheiros. Vida longa ao rei George.”.
A maioria dos soldados respondeu mais por força da disciplina. O tenente os saudou, movendo-se para outra seção da trincheira. Bartley Smith tocou o braço de Gold.
“7h30?” Cochichou, para que o sargento não o ouvisse. “Por que não falaram antes?”.
“É para ser um ataque surpresa.”.
“Surpresa para eles, não para nós.” Despejou a caneca de sopa. “Que bosta. Esqueci de escrever aquela carta. Tinha tudo na cabeça.” Tirou um papel do bolso. Testou o lápis sem ponta. “Devia ter calculado. Nos deram comida quente ontem à noite. Última refeição.”.
“Não vamos morrer, Bartley.” As chances eram boas, de fato. As posições inimigas estavam sendo massacradas havia dias. Difícil imaginar que alguma coisa ainda se movesse por lá. “Vai ser mais como uma caçada. Não gosta de caçar?”.
Os pensamentos do irlandês estavam em outro lugar.
“Montmartre. É o bairro de Paris favorito da minha mulher. Quero visitar Paris quando a guerra acabar. Já esteve na França?”.
“Sim. Há alguns anos.”
“Quanto tempo faz que estamos nesta lixeira?” Ele havia perdido a noção.
“Quase dois anos.”
“Tudo isso?” Mais uma detonação. “Nunca me disse se também é casado. Nunca amou?”
“Amor é fraqueza”.
“Pelo contrário, companheiro. Amor é força. Você é jovem ainda, um dia há de concordar comigo.”.
Novo estouro. Uma explosão anormal, abafada, sem o estalo de engrenagens, sem aquele apito de ferro caindo.
“Isso não foi morteiro” sibilou Edward Hughes.
“Estão deflagrando as minas” disse Mr. Hyde. Preparou o tripé e enfiou a cartela na Vickers. “Quando silenciar, a infantaria entra em ação.”.
As 7h20, dez minutos antes do horário marcado, o furacão de canhões emudeceu. Ao longo dos quarenta quilômetros que compunham a linha britânica, todo o Quarto Exército estava pronto para arrancar. Com o revólver na mão e um apito no pescoço, o tenente Cooper esquadrinhou o campo através do periscópio, aguardando o sinal dos coronéis.
Gold era o primeiro da fila. Verificou o equipamento. O fuzil Lee Enfield tinha a munição engatilhada, o cano limpo. Carregava no cinto quatro granadas número 36 e um porrete com cabeça de metal, próprio para a luta corpo a corpo, para o caso de um enfrentamento direto.
O tenente verificou o relógio de pulso, subiu a escadinha de madeira. Deu um tiro para o auto. Soou o apito, acompanhando os outros comandantes de pelotão. Sob a cobertura das metralhadoras, as tropas transpuseram o parapeito, avançando em conjunto, progredindo à região devastada.
O impulso inicial de correr logo se reduziu para velocidade de marcha quando as carabinas alemães se calaram. Nenhum som vinha das valas germânicas, sugerindo que boa parte dos soldados inimigos havia enfim sucumbido. As unidades se organizaram em linhas estendidas, com dois ou três passos entre os homens e uns cem metros entre as fileiras. Atrás das levas de assalto vinham os grupos de apoio e, por último, os reservas. Era uma multidão verde-oliva, refletiu Gold. Praticamente a Força Expedicionária inteira fora movida para o combate, totalizando vinte mil soldados nas alas norte e sul.
O avanço ficou lento já nos primeiro metros, com o terreno irregular e instável.
Havia muita fumaça, uma névoa quase tão espessa quanto o fog londrino. Recrutas tropeçavam em poças de lama, sulcos abertos pelas chuvas e pelos canos de drenagem. O solo era traiçoeiro, cheio de estilhaços, arame farpado, vergalhões e lascas de concreto. Mas o risco maior era o de encontrar uma mina, ou uma bomba qualquer que não houvesse estourado.
“Vou dizer uma coisa” O ruivo Bartley caminhava atrás dele. “Não tenho medo de morrer. Mas tenho medo de ser morto.”.
“Já falei que ninguém vai morrer.” Retrucou Gold. Estava confiante na estratégia aliada, mas, à medida que se aproximavam do território inimigo, ele notou um distúrbio em meio à névoa.
Gold saltou sobre o irlandês, e quando a névoa baixou uma bala partiu das posições adversárias. Depois, vieram rajadas. Disparos de granadas, rifles, morteiros, obuses. Gold olhou para o lado, visualizou uma dezena de ninhos de metralhadora, nos flancos, na retaguarda, alguns recém-montados, armados nas fossas abertas pelas próprias bombas inglesas. Um cadáver desabou sobre ele, três homens caíram a seus pés.
“Temos que recuar!” berrou Gold, tentando se proteger sob uma armação de tijolos. Um projétil passou raspando na orelha, outro atravessou o joelho.
Bartley estava duro, paralisado. Gold avistou uma posição mais segura, a trinta metros dali. Ignorando o ferimento na perna, pôs o amigo nas costas e levantou-se cautelosamente. Mas o perigo era grande, não havia como escapar. Chumbo ricocheteava, cápsulas zumbiam. Pulou dentro de uma cratera, deitou o ruivo no chão.
“Você disse que seria como uma caçada” resmungou Bartley Smith. Gold reparou que ele também fora atingido. O dorso sangrava, o capacete desaparecera na confusão.
“É uma emboscada” Gold pensou em voz alta. “Estavam escondidos nos abrigos subterrâneos.”.
Uma granada de mão com haste de madeira deslizou na fenda, mas por sorte gorou. Outro expedicionário tombou, rolou no buraco.
“Que merda” o irlandês segurou o uniforme, viu o sangue espirrando. “Não escrevi a maldita carta.”.
“Deixe isso para lá.” Gold vasculhou os bolsos. Achou uma atadura, mas o amigo estava condenado.
“Eu tinha tanta coisa para fazer.” O rosto de Bartley ficou plúmbeo, a respiração foi sumindo. “Queria ter mais tempo, nem precisava ser muito.” O coração parou, as pupilas se apagaram. Bartley morreu de olhos abertos, e Gold escutou o último murmúrio: “Paris é adorável nesta época do ano”.
Quando as descargas pararam, Gold regressou ao campo de ação, e o que viu foi uma cena inesquecível, apavorante a horrenda. Em poucos minutos, parecia que toda a Força Expedicionária havia sido aniquilada, massacrada pela superioridade da estratégia alemã. O terreno, antes assimétrico, fora nivelado com um tapete de corpos, misturado à pasta de cadáveres de uma ponta à outra do horizonte. Alguns gemiam, ainda vivos, afogados nos córregos de sangue, sufocados pelas sucessivas camadas de carne.
Só na manhã de 1º de julho, as perdas britânicas somaram dezenove mil homens. O dia terminaria com 72 mil baixas, entre combatentes ingleses, franceses e alemães. A Batalha de Somme, como seria descrita nos livros de história, durou pouco mais de quatro meses e contabilizou um milhão de mortos e desaparecidos. Até hoje é considerada a mais sangrenta do Exército Britânico.
Gold fitou o corpo de Bartley, rodou a cabeça, comtemplou as bateria inimigas. Distinguiu mais expedicionários caídos, entre eles o barrigudo Edward Hughes, o tenente Mr. Hyde, com a Vickers nos braços, e mais adiante o tenente Aaron Cooper, deitado com o apito entre os dentes.
Por anos ele se recordaria daquelas palavras. “Não tenho medo de morrer. Mas tenho medo de ser morto”, e do último lamento. “Paris é adorável nesta época do ano”.
O desespero tomou conta dele, e mancando com a perna, devido ao ferimento que sangrava em abundância, Gold apanhou o fuzil, e ao invés de retornar aos quartéis aliados, para integrar os novos grupos de assalto, ele fugiu...
O casal permaneceu em silêncio, deitados um ao lado do outro. Belle tentava absorver todo o relato que ele descrevera sobre quando ele participara da guerra e como se ferido.
“Eu fugi... Corri para longe daquele inferno.” Gold disse, começando a chorar. “Eu sou um covarde. Enquanto milhares morriam lutando para defender a glória do nosso país, eu corri. E este meu ferimento é uma lembrança... Para que eu nunca esqueça de sou e sempre serei um covarde!”.
“Adrian!” Belle sentou novamente, e segurou o rosto dele firmemente entre suas mãos, mas Gold recusava-se em olhá-la nos olhos. “Adrian, olhe para mim... Querido, por favor...”.
Gold sentia seu corpo tremer, sabendo que jamais poderia recusar algo que Belle lhe pedisse, e finalmente olhou para ela. Belle também chorava.
“Jamais fale assim novamente... Você não é um covarde...”.
“Se eu não sou um covarde, sou o quê? Ah Belle, eu sou um covarde. Sou um monstro! Você não tem ideia das coisas terríveis que eu fiz... E você, Belle” Gold a olhou com agonia nos olhos. “Como você é capaz de me perdoar? Como poderei perdoar a mim mesmo?”
Embora as lágrimas caísse incessantemente pelo seu rosto, Belle respirou fundo, olhando-o com determinação. “Escute-me, Adrian Gold, e escute-me bem. Você não é um covarde, muito menos um monstro. Um homem querer salvar a própria vida não significa que ele seja um covarde. Você é apenas um homem... Um homem comum.” Ela fez uma pequena pausa para que Gold compreendesse cada palavra. “E eu o perdoo porque eu amo você. De todos os homens, foi você quem eu escolhi amar. E eu o amo por completo, com todos os seus defeitos e qualidades. Com todo o meu coração.”.
“Oh, Belle... Minha Belle” Gold a puxou para si, deslizando carinhosamente os lábios pelos cabelos de Belle. “Aqui em baixo, ao seu lado, eu finalmente me sinto em paz. E, se eu morresse agora, morreria feliz.” Gold se aconchegou ao lado de Belle e olhou para o reflexo do lampião a óleo no teto escuro. “Acho que vou me lembrar dessa noite para todo o sempre. Entendo que o paraíso não é um lugar como o Jardim do Éden que a Bíblia sugere, ou reunir uma grande fortuna para ter poder e status. Essas são coisas cuja beleza está apenas no exterior e não significam nada. Afinal, eu estou aqui num porão escuro e úmido, e já condenado à morte. Mesmo assim, com você em meus braços, eu estou em paz” Gold disse, soluçando com a emoção. “Minha alma está no paraíso porque estou aqui com você.”
“Adrian, por favor” Belle pediu. “Abrace-me como se você nunca mais fosse me soltar.”.
|~|
Em Londres, assim que o dia raiou, Maurice French pensou com amargura na querida filha que não via há quase dois anos. As vezes ele pegava-se sonhando em poder revê-la, mas logo perdia a esperança. Sabia que nunca mais iria vê-la novamente. Maurice sentiu-se incomodado com um zumbido baixo e insistente, que se transformou num estrondo contínuo e ensurdecedor conforme passava por cima de si. Foi até a janela e viu os aviões levantando voo em inúmeros esquadrões, passando pela capital numa sequência infindável. Era o dia 6 de junho de 1944. O dia D estava começando.
|~|
Os residentes do château despertaram com a alvorada da região. Aqueles que estava acima do nível do solo andavam de um lado para o outro nervosamente; os que estavam abaixo também sentiam medo, temendo o sol que subia no céu.
Gold acordou lentamente, mas ficou em estado de alerta ao ver Belle agachada sobre a cama, ofegante.
“Meu Deus” exclamou Belle. “Adrian, eu acho que o bebê...” Belle gritou quando uma contração trouxe uma onda de dor ao seu corpo. “Meu ajude, Adrian! Me ajude!”.
Notas finais
Chorei no final, o que significa, por favor: Comentem!!!! Mais três capítulos para o fim!
Fale com o autor