The Sound Of War

21 A little sunshine


Notas iniciais
Once Upon a Time não me pertence.

Gold subiu correndo os degraus que davam acesso à cozinha onde estivera na noite anterior. Mary Margaret estava sentada ao lado de um assenhora de cabelos loiros presos em um coque, que ele nunca vira antes; James estava em pé próximo ao fogão no canto da cozinha. Quando Gold surgiu pela porta, todos se alarmaram com sua presença.

“Rápido! É Isabelle! Ela- Ela está dando à luz ao bebê.”.

Mary Margaret e a mulher que estava conversando com ela se levantaram em prontidão.

“Mary, eu preciso de toalhas. Muitas toalhas” E a mulher já corria escada acima para pegá-las, enquanto a outra continuava ali, dando ordens. “James, encha uma bacia com esta água que está fervendo.” Enquanto falava, Mary Margaret já voltava à sala, trazendo nos braços lençóis e toalhas.

“Vamos Johanna,” Mary Margaret falou para a mulher, e ambas desceram até a adega, seguidas pelos dois homens.

A jornada pelo túnel parecia não ter fim, e quando chegaram finalmente à porta, Gold viu Belle brevemente, quando Johanna parou em frente a ele, impedindo que ele entrasse no quarto.

“Fiquem aqui” A mulher falou bruscamente.

“O quê? Não! Eu vou entrar, vou ficar junto com ela...” Gold rebateu, tentando entrar no aposento, mas sendo barrado mais uma vez.

“Senhor Gold, o senhor já fez o bastante em nos chamar. Agora deixe que eu e Mary Margaret cuidaremos do resto,” e antes que ele pudesse retrucar, Johanna fechou a porta em seu rosto rispidamente.

Como aquela velha se atrevera a fazer aquilo? Ele precisava ficar ao lado de Belle.

“Venha...” James, que estava ao lado seu lado, o puxou pelo ombro, mas Gold se desvencilhou, voltando em direção à porta. “Gold, precisamos ficar de guarda na porta da cave. Se alguém ouvi-la e vir querer bisbilhotar precisaremos estar preparados.”.

Adrian Gold fez uma carranca e chutou uma das vigas de madeira que estava no chão. “Eu não posso deixa-la sozinha” ele grunhiu. “Como vou saber se ela ou se a criança está viva ou morta, ou se ambas estão?”.

“Ambas ficarão bem, mas se você continuar a insistir desta forma, irá apenas deixar a mulher mais nervosa” James falou, guiando Gold para fora do corredor. “Tenho certeza de que ela ficará bem.”.

“Com que diabos você tem certeza disso, Bougton?” Gold perguntou, enquanto James se sentava em um banco de madeira próximo à escada que dava acesso a cave, e colocando a arma que carregava ao seu lado.

“Eu sei que ela é uma mulher forte. Extremamente corajosa” ele respondeu. “Nós dois sabemos tudo o que ela teve de enfrentar. Uma mulher como esta, que enfrentou alemães tiranos, que arriscou a própria vida para salvar a de outros, consegue sobreviver a qualquer coisa.”.

Gold o encarou estupefato, finalmente sentando ao pé da escada. “Ela é tão corajosa, mas tão... Frágil.” Ele falou, sua voz nada mais do que um sussurro. “Tenho medo que a parta ao meio tentar trazer nosso pequeno ao mundo”.

“Tenho certeza de que Johanna sabe o que está fazendo.” James concluiu. “Ela ficará bem”.

Depois de algum tempo, Gold levantou novamente, andando de um lado para o outro, enquanto James permaneceu em silêncio. Já era quase uma hora após o meio dia, quando Belle entrou em trabalho de parto e seus gritos de dores inundaram o ambiente outrora silencioso.

James precisou se levantar rapidamente para impedir que Gold voltasse correndo ao esconderijo.

“Me solte, seu bastardo! Ela precisa de ajuda!”

“Gold!” James agarrou o homem pelas costas. “Deixem elas. Johanna está tomando conta dela!”.

Gold girou violentamente, sentando novamente e enterrando o rosto nas mãos. James jamais pensara em ver aquele homem – o tão temível Adrian Gold – tão perturbado. “Eu coloquei aquela criança na barriga dela. Eu sou a causa dessa agonia.” Gold estava completamente fora de si, tremendo da cabeça aos pés, enquanto mais uma onda de gritos surgiu. “Não bastava eu ter destruído a vida dela, eu precisava colocar uma criança dentro dela.”.

“Gold, você precisa acreditar nela” James estava alarmado, não pelos gritos poderem atrair pessoas próximas ao château, mas por causa de Gold; o homem estava perturbadíssimo. “Durante todos esse meses, eu me perguntei porque Isabelle continuava lutando... Por que carregar aquele bebê dentro de si. Você jamais voltaria... Seria muito mais fácil se livrar de todo este fardo... Sabe o que ela me disse? Belle falou que a criança que estava crescendo dentro de si, era a coisa mais importante no mundo para ela, porque mesmo que você não voltasse, a criança seria uma prova do amor que vocês compartilharam. Ela seria uma mistura de ambos; se você não voltasse, pelo menos ela teria uma parte sua nessa criança.” James falou, relembrando de tudo o que Belle lhe dissera durante uma tarde que estavam no jardim. “Mas ela sabia que você voltaria... Ela tinha fé em você! Agora é a sua vez... É a sua vez de ter fé nela.”

A feição de Gold estava contorcida em dor, lamúria e principalmente medo; as lágrimas mareavam a borda de seus olhos. “Eu não posso perdê-la.”.

Era terrível ver o ex-agente britânico, que outrora carregara a fama de perigoso, tão amedrontado. “Ela ficará bem”.

|~|

Belle estava soluçando, sangrando, enquanto estava na cama. Estava fraca, exausta... A camisola que usava estava ensopada com suor e sangue, e ela estava tremendo como se estivesse com febre. O tecido estava empurrado para cima de seus joelhos, amontoados sobre a sua barriga.

Mary Margaret estava ao seu lado, com os cabelos presos, segurando a mão de Isabelle firmemente.

“Mary” Belle sussurrou, sua cabeça caindo para se apoiar contra o peito dela. “Mary, eu não consigo”.

A mulher apertou a mão de Belle. “Vamos lá, Belle. Você sempre quis que Adrian visse a sua criança. Agora que ele está aqui você vai desistir?”.

Ela soluçou brevemente. “Eu estou cansada” Ela chorou. “Mas eu quero essa criança.”.

Mary podia ver que ela estava com medo, mas Belle precisava ser corajosa, agora mais do que nunca.

“Belle, você consegue. Falta pouco agora” Ela falou. “Seja corajosa por esta criança.”.

Belle estava exausta a ponto de desmaiar, mas as palavras da amiga pareceram reascender algo nela, e juntando o pouco de força que lhe restava, ela assentiu, arfando.

“Agora, Belle!” Johanna ordenou.

Os dentes de Belle cerraram em um silencioso grito e ela empurrou as costas contra Mary tão fortemente que ela conseguia sentir o coração de Belle batendo. Belle gritou novamente, desta vez em voz alta, e Mary encarou quando um vislumbre de pele apareceu entre as coxas de Belle.

Johanna não falou nada, sua atenção no bebê que emergia, e Belle respirava e gritava e respirava novamente. Havia sangue sobre as suas coxas, nas mãos de Johanna, e no pequeno corpo que ela segurava em suas mãos.

Johanna pegou a criança pelos tornozelos, e bateu bruscamente nas costas. Mary Margaret lembrou que Sarah havia dito para ela que aquilo era necessário, para limpar os pulmões e para iniciar o primeiro choro, mas a pequena criança não emitiu som algum.

“Ele está bem?” Belle demandou roucamente. “Por favor! Meu bebê!”

Johanna pegou um pano e envolveu o pequeno corpinho, massageando o peito vigorosamente, e um frágil choro preencheu o local. “Pronto” ela disse, e Mary podia ver que o terror no rosto da mulher se transformou em alívio. Ela moveu o pano para o lado, para examinar a pequena criança. “Aqui está ela”.

Belle retirou sua mão da de Mary, esticando os braços. “Por favor” ela sussurrou.

Johanna assentiu. Ela ajeitou a criança no pano, levantando-se e circulou a cama para colocar a criança nos braços de sua mãe. “Uma menina” ela falou. “Pequena, mas aparenta estar saudável”.

Belle sorriu abobada, e naquele momento Adrian Gold entrou pela porta.

|~|

Ele não aguentava mais ficar parado ali sem fazer nada, enquanto sua Belle gritava e chorava de dor naquele quarto úmido e medonho.

Foi quando ele a ouviu gritar mais ainda que ele decidiu sair dali. Gold não parou quando James tentou puxá-lo para fora novamente.

“Gold!”

“É a minha mulher e a minha criança que estão lá dentro. Eu tenho todo o direito de estar com ela, e você...” Naquele momento, em meio ao corredor escuro, os gritos de Belle pararam, e Adrian parou de falar, quando um choro emergiu, o choro de uma pequena criança.

Gold sentiu as pernas tremerem, e ele cambaleou, apoiando-se contra a parede do labirinto. Suas pernas pareciam não obedecer-lhe mais, enquanto caminhava lentamente até o quarto, escutando o pequeno choro desaparecer.

Abrindo finalmente a porta do quarto, Gold viu que Mary Margaret e Johanna estavam paradas em pé, no fim da cama. Mas seus olhos pousaram imediatamente na mulher que estava deitada ali. Belle estava exausta, pálida, com o cabelo bagunçado e grudado no rosto por causa do suor, mas no momento seguinte sua atenção estava voltada para a pequena criança que sua Belle segurava ternamente nos braços.

Quando Belle o olhou, ela sorriu enquanto lágrimas caíam por seu rosto. “Adrian, olhe” ela o chamou. “Olhe nossa pequena garotinha.”.

Gold caminhou desajeitadamente até ao lado de Belle na cama, enquanto olhava para a criança. “Uma garotinha” Ele repetiu.

“Aqui Adrian, segure-a” Belle falou, estendendo os braços para que ele pegasse a criança.

Ele olhou para Belle amedrontado, mas assentiu, segurando sua filha nos braços. Ela era tão pequena. Tão pequena. Havia poucos fios de cabelo, mas ele podia dizer que eles seriam da mesma cor dos de Belle. Ela seria idêntica a sua mãe, e Gold se sentiu aliviado com isso, exceto pelos olhos, que ele já podia distinguir serem da mesma cor dos seus. Ela era perfeita. Era perfeita porque era filha de sua mãe, mas também era perfeita porque era a sua filha. “Olá, brilho de sol.” Ele sussurrou, maravilhado com a pequena criatura em seus braços. Foi quando naquele momento ele teve a oportunidade de ver a coisa mais linda que ele jamais sonhara em ver: a criança sorriu. Um sorriso débil e momentâneo, mas que fora o bastante. Aquilo fora o suficiente para que ela o prendesse em suas pequenas mãozinhas.

Gold entregou novamente sua filha para que Belle segurasse, mas não sem antes beijar levemente a testa da criança. Ele então olhou para Belle... O que ele fizera para merecer algo tão incrível em sua vida. Belle, que era a sua luz, já havia iluminado a escuridão em que ele se encontrava, mas não era o bastante. Ela lhe presenteou o sol com aquela criança. Sua filha. “Eu te amo” Ele murmurou, enquanto sentia lágrimas caírem por seu rosto, e depositar um beijou desajeitado nos lábios da mulher que tanto amava.

Belle sorriu, encostando a cabeça contra o peito dele, enquanto ambos observavam maravilhados a criança entre eles.

“Qual o nome dela? Vocês pensaram em algum nome?” Johanna perguntou, enquanto ela, Mary Margaret e James o observavam.

O sorriso de Belle pareceu brilhar mais ainda, quando ela olhou para Adrian, “Nós não tivemos tempo de conversar, mas... Eu estive pensando... Acho que devemos chama-la de Rosa” Ela falou, procurando pela aprovação dele.

Gold sorriu, assentindo. Era claro que este deveria ser o nome da filha deles, afinal, sempre fora este o nome que os perseguia. Rosa seria então. A pequena e corajosa Rosa. A Rosa deles.

Notas finais
Por favor comentem! Só mais um capítulo e o epílogo para o fim. Segura coração!