The Sound Of War
12 Knowing the Beast
Notas iniciais
A luz do sol entrou sorrateiramente pelas frestas das grossas cortinas que cobriam as imensas janelas da biblioteca. Os raios travessos iluminavam sutilmente as estantes apinhadas de livros; um dos raios de luz iluminou o rosto de uma mulher que estava sentada em uma das poltronas.
A mulher, que provavelmente estivera lendo, estava com os olhos fechados; o livro que estivera segurando nas mãos estava caído no chão. Embora aquela mulher estivesse dormindo profundamente, era visível que ela não estava tendo sonhos agradáveis. Algo a estava perturbando... Mas, o que poderia afligir o sono de tão encantadora mulher?
Belle acordou assustada, sentindo cada parte do seu corpo tremer compulsoriamente. Olhou receosamente para todos os lados ao seu redor, com medo de que os demônios do seu sonho estivessem escondidos ali, perseguindo-a. Mas não havia nada além dela naquele lugar e os milhares de livros que continuavam a observá-la.
Fora apenas um pesadelo. Apenas um pesadelo.
Passando a mão pelo rosto, Belle sentiu a bochecha úmida por causa das lágrimas que havia escapados durante o sono. Malditos sonhos. Maldito demônio. Em toda a sua vida nunca havia se sentindo tão indefesa... Tão desamparada.
Belle apoiou os pés na poltrona que ocupava e abraçou os joelhos firmemente. Fazia três dias que ela estava na casa de Adrian Gold. Fazia três dias que ela não havia visto aquele homem.
Embora Gold não estivesse presente, era evidente que ele havia tomado todas as providências necessárias para que Belle tivesse o melhor tratamento possível durante sua estadia naquela casa, embora ela preferisse pensar que estava sendo mantida presa ali.
Durante todos os dias desde que chegara ali, Belle fazia questão de passar a maior parte do tempo que pudesse dentro da biblioteca. Aquele era o único lugar que ela se sentia confortável... Que parecia seguro para ela. Passava os finais de tarde ali, absorta nas páginas dos livros. Parecia estar em paz naqueles momentos. No entanto, a noite logo surgia e trazia junto dela os demônios que se infiltravam por entre as estantes e aguardavam ameaçadoramente nas sombras.
Belle tinha medo da noite. A noite significava sonolência e trevas, e Belle tinha medo de ambos. Se dormisse, estaria exposta aos demônios que, no momento que ela fechasse seus olhos, iriam impregnar em seus pensamentos, trazendo consigo os pesadelos. E, por mais que tentasse lutar contra, eles sempre a levariam para a cama de Gaston.
Fechar os olhos era o mesmo que ter as garras do alemão presas em seus braços, suas pernas, seus seios. Belle jamais dormiria. Não podia dormir.
Só em imaginar ao lugar que seria transportada caso dormisse a apavorava. O que havia acontecido com ela? Com a corajosa Belle que não tinha medo de enfrentar o desconhecido? O alemão fizera com que ela perdesse a sua identidade... Ela mesma não sabia mais quem era ela. Belle havia perdido toda a paixão que sentia pelas coisas; pela vida. E, embora ficar ali na biblioteca a consolasse, não era o bastante para reviver o coração dela.
Uma batida na porta fez Belle se sobressaltar, pensando que era um dos demônios a perseguindo.
“Senhorita Chesneau?” A voz doce e suave da Sra. Potts a chamou.
“Eu estou aqui” Belle levantou, pegando o livro que estivera lendo na noite passada em suas mãos.
Belle ouviu os passos da mulher vindo até a sua direção e sorriu quando ela finalmente a encontrou.
“Oh, finalmente! Eu e o jovem Jefferson estávamos lhe procurando.” A Sra. Potts falou, indo até a janela para abrir as cortinas. Belle cerrou os olhos quando a luz atingiu em cheio o seu rosto, tentando se acostumar com a claridade.
“Desculpe-me... É que eu gostei muito de ficar aqui” Belle respondeu. “Posso perguntar por que a senhora estava me procurando?”
A Sra. Potts olhou para Belle com o semblante sério, desfazendo a sua expressão gentil. “Eu gostaria apenas de avisá-la que o Sr. Carruthers chegará hoje de viagem. Talvez mais tarde a senhorita queira conversar com ele.”
Belle estremeceu ao ouvir aquilo. “Oh, certo. Obrigada Sra. Potts”. A mulher assentiu, e saiu da biblioteca, deixando Belle sozinha novamente.
Os demônios sempre achavam uma maneira de encontra-la. Gold estaria novamente naquela casa até o fim do dia para atormentar os pensamentos e sentimentos dela. O demônio estava voltando para infernizá-la. Mas... Gold não era um demônio... Ele era o anjo de doces olhos marrons que a protegera...
Não! Ele não a havia protegido. Gold não era um anjo. Mas tampouco um demônio. Adrian Gold era um mistério. Um mistério a ser descoberto.
Durante todo o dia, Belle não havia visto Gold em lugar algum da casa. Tentou perguntar a Sra. Potts sobre as viagens que Gold fazia, mas não obteve resposta alguma. Aquela seria uma tarefa que cabia a ela investigar.
À tarde, Belle não voltou à biblioteca, preferindo ficar na sala de artes. Aquele era um dos cômodos mais bem decorados da casa, com tapeçarias além de um piano.
Os últimos raios do sol começavam a desaparecer suavemente. Belle não iria dormir. Na pequena sala de artes, Belle se via novamente defronte ao piano que era muito mais luxuoso do que o que ela havia encontrado na ópera.
Talvez, ela pensou, Gold não iria se incomodar caso ela tocasse alguma coisa.
Mas, Belle desistiu da ideia. Ela não tinha mais vontade em tocar o instrumento; sabia que as músicas soariam estranhas em seu ouvido, pois elas não seria executadas com a mesma paixão e devoção que Belle costumava tocar.
Percorrendo os dedos sob o tampo do piano, onde as teclas repousavam, Belle sentiu-se ainda mais devastada. O único dom que ela tinha herdado da mãe fora arrancado dela. Gaston havia destruído tudo aquilo que ela mais prezava.
“Pensando em tocar algo?” Uma voz surgiu da porta atrás dela, e Belle se virou para ver que Gold estava parado apoiado em sua bengala próximo à soleira. Ele a observava com um sorriso nos lábios. Belle retribuiu o sorriso tristemente. “Fique a vontade!”
“Obrigada, mas acho melhor não...” Ela falou, saindo de perto do instrumento.
O sorriso nos lábios do homem se desfez completamente, sendo substituído por uma expressão de culpa. Belle percebeu que ele compreendia que algo havia deixado de existir dentro dela.
“Espero que tenha feito uma boa viagem.” Belle comentou. Após ficarem vários instantes em um silêncio incomodo.
“Ah... Sim, claro” Gold falou, mas aparentemente não havia sido uma viagem tão prazerosa assim. “Bem, acredito que poderemos conversar melhor amanhã. Estou realmente cansado. Espero que não se ofenda...”
“De maneira alguma.” Belle respondeu.
Gold assentiu. “Bom, tenha uma boa noite, mademoiselle”.
“Igualmente Sr. Carruthers”
Gold não hesitou em deixar a saleta. Belle ficou aliviada, mas a paz era momentânea, pois ela deveria encarar aquela fera e tentar desvendar o mistério que era aquele homem.
Quando já havia anoitecido e todos já haviam se recolhido para seus quartos, Belle se esquivou novamente para o seu refúgio em meio aos livros na biblioteca.
Ali ela estaria segura dos seus demônios. Segura, desde que não dormisse.
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Novamente, Belle lutava para manter os olhos abertos. O cansaço não ajudava em nada, e ela sentia que a falta de descanso estava afetando a sua recuperação física e mental.
Se ela continuasse a insistir com aquilo, a sua mente iria sucumbir a um estado de depressão, mas, se ela dormisse, sua mente não estaria a salvo dos demônios.
“Srta. Chesneau?” A voz de Adrian Gold fez com que Belle despertasse dos seus devaneios e ela agradeceu mentalmente por aquilo. Já estava quase anoitecendo novamente. “Perdoe-me, eu a acordei?”
“Oh, não! Eu estava apenas lendo um pouco...” Belle falou, se ajeitando na cadeira que ocupava.
“Posso me unir à você? Eu pedi para que a Sra. Potts prepare um chá para nós, se não se importa...”
“Obrigada!” Belle respondeu formalmente.
Gold sentou na cadeira defronte à ela, apoiando a bengala ao seu lado. Ambos ficaram em silêncio, e enquanto Belle fingia ler o livro que segurava, ela podia sentir os olhos dele fixos nela.
A Sra. Potts não demorou para trazer a bandeja com bule e xícaras de porcelana, contendo detalhes em azul e dourado.
Gold a serviu, entregando para ela uma das xícaras. “Espero que esteja sendo bem tratada aqui, Isabelle.” Ele questionou.
“Sim. Mas estou preocupada com James e Mary Margaret.”
“Tenho certeza de que ambos estão bem e logo você poderá voltar para casa, Isabelle. O coronel Gaston irá voltar à Alemanha amanhã pela manhã”.
“Ótimo...” Belle murmurou, bebericando um pouco do chá, tentando demonstrar a força que ela não tinha. Ela queria poder sair daquela casa o mais breve possível, mas havia uma parte dela que queria ficar ali.
“Isabelle... Eu sei o que você está tentando esconder.” Gold falou, olhando-a intensamente.
Belle engasgou com o chá, e deixou a xícara escorregar por entre seus dedos antes que ela pudesse impedir. Como assim? O que ele queria dizer com aquilo?
O objeto caiu com um estalo no piso de madeira. Belle se abaixou para pegar a xícara, esperando que não houvesse se despedaçado completamente.
“Você está bem?” Gold perguntou.
Belle não respondeu, pegando a xícara cuidadosamente. O objeto de porcelana havia lascado com a queda e, embora não tivesse quebrado inteiramente, o objeto agora era inútil. “Eu... Eu sinto muito” Belle olhou amedrontada para Gold. “Está lascada... Mas, você mal consegue ver” Ela falou, mostrando a xícara em sua mão.
“É apenas uma xícara...” Ele a olhou sem entender por que ela demonstrava tanta preocupação com o simples objeto. “Você está bem?” Ele perguntou novamente.
Belle assentiu em silêncio; ela não ousou olhar diretamente para ele, com medo do que poderia encontrar no seu olhar.
“Isabelle eu sei que você está tentando fazer” Gold retomou o seu discurso, como se não tivesse sido interrompido antes. Belle sentiu as pernas tremerem e o coração parar de bater. “Você está tentando ser corajosa demais, mas você não precisa esconder o que realmente está sentindo. Não aqui. Eu prometi a você que Gaston jamais voltará a lhe fazer mal. Você precisa confiar em mim.”
Belle soltou a respiração ao ouvir aquilo. Por um momento, ela chegou a acreditar que ele sabia quem era realmente era, mas a sorte ainda parecia estar ao seu lado. Ele não desconfiava de nada.
“Diga-me, você está dormindo?”
“Claro! Eu estou dormindo muito bem. Na verdade...”.
“Não perguntei como você tem dormindo” Gold a interrompeu. “Eu perguntei se você tem dormido. A Sra. Potts me informou que você tem passado todas as noites aqui na biblioteca e todas as vezes que ela veio até aqui, ela disse que a encontra com a aparência cada vez pior e cada dia mais fraca. E realmente Isabelle, você está pior do que no dia que Jefferson a encontrou.” Ele a examinou preocupado. “Então me responda novamente, você está dormindo?”
Belle não respondeu imediatamente, suspirando tristemente. “Eu não consigo. Não posso dormir...” falou.
“Por que não?”
“Porque toda vez que eu fecho os olhos os demônios vêm me perseguir. Toda vez que eu durmo, eu volto àquela cama.” Belle fez uma careta com a lembrança. “Se eu dormir eu voltarei àquele quarto... E os demônios estarão lá, me perseguindo. Eu não posso voltar àquele lugar.” Ela murmurou, fixando o olhar em suas mãos, sem olhar para ele.
Mas, Belle sabia que Gold a olhava e a postura dele estava rígida. Como se ele realmente se importasse.... Belle poderia ter chorado, mas não havia lágrimas em seus olhos. Apenas o vazio.
“Isabelle, você tem ao menos que tentar dormir” Gold falou.
“Para alguém que não tem que enfrentar demônios em seus sonhos é muito fácil falar.” Belle retrucou. Ele não entendia o que ela estava tendo que enfrentar; se ele ao menos soubesse...
“Oh, não tenha tanta certeza, queridinha.” Gold olhou para a xícara em sua mão, tomando o restante do chá.
Como? Então aquele homem também tinha demônios perseguindo-o?
“O quê? Você também tem demônios nos seus sonhos?” Belle perguntou cautelosamente; ela não queria, mas seus instintos se aguçaram imediatamente com a possibilidade de saber mais sobre aquele homem.
O semblante que ele carregava era pesaroso, muito mais triste do que ela jamais o vira. “O quê... O que aconteceu?”
Belle sabia que algo horrendo marcava o passado de Gold. Algo que havia criado uma cicatriz incurável. E ele estava perdido por causa daquilo... Mas, o que fizera ele querer ajudar os alemães?
Gold não respondeu, mas ainda mantinha o olhar fixo em sua xícara; o olhar que ele exibia era o mesmo da noite que ele falara sobre o seu filho, e com aquilo, Belle não precisava de uma resposta para concluir que era a lembrança do filho que o perseguia.
“Como ele era? O seu filho?” Ela perguntou. Gold a olhou surpreso por ela perguntar aquilo, mas ele sorriu tristemente, voltando a olhar para a xícara.
“Ele era perfeito... Um garoto brilhante.” Os olhos do homem brilhavam enquanto falava sobre o filho. “Tão corajoso...”
Belle mordeu seu lábio levemente, observando-o. “É sobre ele os seus sonhos? Baelfire, certo?”
Gold concordou em silêncio. “Sim... Meu garoto querido.”
Belle não pressionou para que ele falasse mais. Ela nunca pensou que Gold pudesse amar alguém da maneira como ele amava o filho. Como era admirável ver um pai falar com tanta devoção sobre o filho. Belle sentiu uma estranha urgência em abraça-lo e confortá-lo. Suavemente, ela pousou a sua mão sobre a dele. “Eu sinto muito...”.
E então ele sorriu e Belle estava perdida. Aquele fora o sorriso mais verdadeira que ela vira nele, e Belle se arrependeu em demonstrar tanta compaixão por ele. Aquele sorriso demonstrava o que Belle poderia considerar como seu triunfo, mas o sentimento que àquilo trouxe à ela fora arrependimento. Gold confiava nela. No mesmo instante ela retirou a mão, sentindo a tensão voltar ao seu corpo.
“Você deveria tentar dormir um pouco, Isabelle” Gold falou, levantando após alguns instantes. “Venha. Não há nada para você temer nesta casa.”
Belle olhou suplicante para ele. Talvez ele estivesse certo. Ela precisava tentar...
Ambos deixaram a biblioteca. Andando silenciosamente pelos corredores, parando em frente à porta do quarto que Belle estava ocupando. “Se você precisar de qualquer coisa é só chamar.” Ela concordou, embora ainda estivesse insegura. “Boa noite, Isabelle”.
Gold se afastou, sem esperar que ela pudesse falar qualquer coisa; Belle ficou observando ele se afastar e entrar num dos últimos quartos do corredor e fechar a porta sem olhar para trás.
Belle fechou a porta do quarto. Ela não precisaria dormir. Poderia ficar acordada a noite inteira e dizer que dormira esplendorosamente bem. Mas Gold iria perceber que ela estaria mentindo.
Ela tentou adiar o máximo que pode. Tomou um longo banho, até a pele de suas mãos e pernas ficarem enrugadas. Penteou o cabelo minuciosamente, até que ela se viu parada defronte a cama que se mostrava quente e convidativa, mas que na verdade era uma armadilha.
Mas Belle precisava confiar em Gold. Ele havia dito que não havia nada para ela temer. E caso ela passasse mais um dia sem dormir, a sua saúde mental ficaria cada vez mais afetada. Suspirando, ela deitou na cama e adormeceu.
Um quarto escuro. Belle estava em um quarto imerso na escuridão. Não havia nenhuma lâmpada ou janela naquele aposento. Havia apenas uma cama, na qual ela estava deitada.
Era ela no quarto escuro. Mas ela não estava sozinha...
Havia mais alguém ali, e ela começou a notar as diferenças que existiam naquele lugar. Não era o quarto que ela estava ocupando na casa de Gold. Estava em outro lugar, mas que ainda assim era familiar para ela. Belle conhecia aquele lugar; já estivera ali antes.
Belle tentou se levantar da cama para sair daquele quarto, mas seus braços e pernas estavam presos, imobilizados junto ao seu corpo. Foi quando ela viu que alguém se aproximou e pressionou o corpo contra o dela.
Era Gaston. Ela estava novamente no quarto do alemão e ele estava sobre ela, machucando-a.
Belle tentou se esquivar, fugir do alemão, mas era impossível. “Por favor, me solte!” Ela choramingou suplicante. “Por favor!”
“Você vai continuar aqui, Hündin” Ele brandiu, rindo com o desespero dela. “Você merece sofrer. Ninguém está vindo te salvar!”
“Pare... Por favor!” Belle estava soluçando, pedindo para que o alemão a soltasse. “Deixe-me ir!”
“Você não merece ninguém. Não merece nada!” Gaston começou a penetrá-la, e Belle gritou, chorou desesperadamente. “Isabelle”.
Gaston começou a chama-la. Como ele ousava chama-la daquela maneira tão protetora? Mas a voz dele estava diferente.
“Isabelle!” A voz dele estava tão suave e agora os olhos azuis do alemão começavam a assumir um tom suave de marrom.
“ISABELLE!” Belle abriu os olhos, ela não estava mais na escuridão, e Gaston havia desaparecido, mas os olhos marrons permaneceram; o anjo viera lhe salvar.
Ela percebeu que era Gold quem estava ali, segurando-a pelos ombros, olhando para ela visivelmente assustado e preocupado. Fora apenas um sonho... Belle olhou ao seu redor, tentando esquadrinhar cada parte daquele quarto para ter certeza de que estava segura. Mas ela estava. Gold estava ali para mantê-la a salvo.
Isabelle jogou os braços em torno do pescoço de Gold, segurando-o perto dela, e Belle chorou.
“Foi só um sonho, querida. Você está segura aqui.” Ele murmurou no ouvido dela, segurando-a firmemente em seus braços, deixando que ela chorasse em seu peito.
Ambos ficaram durante um longo tempo em silêncio, apenas se abraçando, e Belle sentiu que as lágrimas já haviam parado de cair pelo seu rosto, mas ela queria poder ficar daquele jeito próximo dele para sempre. Ela nunca havia se sentindo tão protegida... Tão, Belle arriscou pensar, amada.
“Venha...” Ele falou, puxando-a pela mão, fazendo-a levantar da cama. Belle cruzou os braços em frente ao busto, tentando se cobrir, pois estava usando apenas uma camisola, mas Gold já havia pegado um robe e estava colocando em torno dos ombros dela.
Belle seguiu o homem para fora do quarto. “Onde... Onde você está me levando?” Ela perguntou, percebendo que eles se encaminhavam para uma porta próximo ao quarto dela.
“Você não pode ficar sozinha. Você irá dormir no quarto da Sra. Potts. Tenho certeza de que ela entenderá”.
Belle sabia que a Sra. Potts não iria se incomodar, mas ela não estaria segura. Ela iria dormir e Gaston voltaria...
“Não, por favor...” Belle parou, olhando insegura para Gold. “Eu... Eu posso ficar com você? É que... É que eu não me sinto segura com outra pessoa...”.
Ela falou com medo da resposta que receberia. Belle estava cansada... Queria poder dormir, mas apenas Gold parecia trazer o conforto de que ela tanto precisava.
Ele olhou surpreso para ela, mas concordou, conduzindo-a para o seu quarto. Abrindo a porta que ficava no final do corredor, ele permitiu que ela entrasse.
Era encantador... Aquele quarto. Sem dúvida o melhor da casa. Havia uma lareira imponente, onde o fogo crepitava suavemente. Defronte a lareira, havia duas poltronas de couro.
Havia também o que parecia ser um escritório particular, e aquilo chamou a atenção de Belle. Uma escrivaninha e uma estante apinhada de livros e documentos que sem dúvida eram importantes para Gold mantê-los ali dentro do próprio quarto.
E no centro, havia uma cama enorme e aconchegante; a madeira era completamente ornamentada.
Gold a conduziu para a cama, fazendo com que ela se deitasse, cobrindo-a com o lençol e as cobertas. Ele não fixou seus olhos nos dela, e foi sentar numa das poltronas próximo à lareira.
Belle fechou os olhos, tentando mais uma vez dormir, mas ela estava amedrontada, e novamente Gaston estava ali.
“Querida, se acalme. Eu estou aqui...” E lá estava o anjo sussurrando palavras bonitas em seu ouvido e abraçando-a.
“Ninguém irá machuca-la. Eu estou aqui” Belle sentiu seu corpo relaxar mais uma vez, mas Gold estava soltando-a para ocupar a cadeira novamente.
“Não, por favor... Não me deixe...” Ela sussurrou, esticando o braço para ele, sonolenta.
Gold parecia estar lutando consigo mesmo, quando seus olhos se encontraram. Havia dúvida, medo e algo mais no olhar dele. Concordando, Gold deitou ao lado dela, por cima das cobertas, sem ousar tocá-la. Ela sabia que ele estava tenso e sabia também que ela estava cruzando uma linha perigosíssima, mas naquela instante... Ter ele deitado tão próximo à ela era o bastante, e quando o sono a consumiu novamente, nenhum demônio veio até ela, pois o anjo de doces olhos marrons estava ali, protegendo-a.
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Belle acordou minutos depois, ou ao menos era o que parecia, mas na verdade já havia se passado horas desde que adormecera, e os primeiros raios de sol anunciando o nascer de um novo dia já começavam a invadir o quarto.
Ela havia planejado ir embora no momento em que Gold adormecesse, mas ela não esperava se sentir tão confortável perto dele. Tão confortável que ela dormira imediatamente.
Mas, no momento que acordou, Belle se assustou com a posição que estava deitada. Enquanto dormia profundamente, Belle não percebeu que se aproximara de Gold, muito menos quando descansou a sua cabeça sobre o peito dele. Como que ela fora dormir tão próxima a ele?
O problema não era ela ter se aproximado tanto dele, mas sim que ela havia se sentindo tão quente e protegida, e o que a assustou mais ainda foi perceber que Gold não se esquivara dela... Ele continuava a dormir profundamente, parecendo tão confortável quanto ela estivera momentos atrás.
Belle permaneceu imóvel, apenas observando ele dormir. Oh... Como seria fácil matá-lo... Mas ela não poderia fazer aquilo. Mas ela não seria fraca.
Cuidadosamente, Belle levantou da cama, observando o quarto ao seu redor. Onde ela poderia encontrar algo sobre Gold? Andando sorrateiramente até a escrivaninha dele, que ficava de costas para a lareira. Ela tentou abrir a gaveta do lado direito primeiramente, mas estava trancada. Tentou então a gaveta do lado esquerdo que, para sua surpresa, abriu.
Havia algumas pastas ali, e Belle pegou uma delas e abriu sem fazer qualquer barulho ou ruído. Gold não havia se mexido, continuando a dormir.
Quando ela começou a ler os documentos quase se engasgou. Eram documentos de guerra, contendo informações sigilosas além de vários mapas. Todos os arquivos eram sobre Adrian Gold.
Belle havia encontrado um tesouro. Ela não poderia permanecer ali.
Era claro que Gold iria notar que alguns de seus documentos haviam desaparecido, mas até lá, Belle provavelmente já teria tido tempo para avisar Regina...
Oh não, Belle não poderia avisar Regina. Não ainda. Sua missão estaria incompleta. Faltaria o objetivo principal... Belle ainda teria que matá-lo...
Belle olhou para o homem que permanecia na cama, dormindo profundamente. Seria tão fácil matá-lo... Tão fácil...
Pegando todos os documentos que encontrara, ela deixou o quarto, mas não sem antes sussurrar da porta para ele “Eu sinto muito, querido”.
Ele não iria morrer... Não hoje.
Belle precisava ser rápida. Chegando ao quarto que estivera ocupando nos dias anteriores, ela se vestiu rapidamente, colocando o vestido e os sapatos, e após guardar os arquivos dentro da bolsa, ela desceu as escadas e deixou aquela casa, onde uma fera dormia solitária na cama.
Notas finais
Eu estou pensando em escrever o próximo capítulo pelo ponto de vista do Gold. O que vocês acham? Deixem a sua opinião! Beijos
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