Notas iniciais
Once Upon a Time não me pertence

Fate

Um carro da Gestapo deixou os três em frente à casa, na Rua de Varenne. Belle permaneceu em silêncio durante o trajeto, assim como Mary Margaret. James tentou estabelecer um diálogo com Gaston, mas suas tentativas não tiveram qualquer resultado expressivo. Quando Laura abriu a porta, Belle despediu-se com um “boa noite” abrupto do alemão e dirigiu-se para as escadas.

“Isabelle” disse James, interrompendo-a quando pisava nos primeiros degraus. “Venha até o escritório comigo para um copo de conhaque”.

Não era um convite, mas uma ordem. Enquanto Mary Margaret subia para o quarto, Belle se virou e seguiu James até o escritório.

“Nada de conhaque para mim” ela disse, enquanto James servia-se de um copo.

“O que houve, minha cara? Está óbvio que algo a incomoda. Foram as atenções de Gaston? Ou a conversa com Gold?”

Belle se deixou cair em uma cadeira, levando os dedos até a testa. Lágrimas lhe encheram os olhos, mas elas não caíram pelo seu rosto. Belle nunca chorava, nunca desde que a sua mãe morrera. Não era agora que ela choraria.

“Eu somente...” ela balançou a cabeça, desconsolada. “Eu não acho que sou capaz de suportar isso. Estou traindo tudo que me ensinaram e tudo em que acredito. Estou vivendo uma mentira!”

“Isabelle, por favor, tente não se deixar abater. Eu entendo perfeitamente como você se sente” ele falou.

Isabelle relutou. Se havia algo que ela tinha certeza era de que ninguém compreendia o que ela estava sentindo. Por mais que James tentasse dizer que ela não podia se abater, Belle estava perdida. Desejou que o seu pai estivesse ali com ela, para abraça-la, protege-la, aconselha-la, e dizer que tudo iria melhorar. Mas ele não estava ali.

Lembrou-se do que o pai havia lhe dito durante toda a sua infância, após o falecimento da mãe; “Seja corajosa Belle. Mesmo que você não se sinta brava, faça a coisa corajosa e a bravura a seguirá”. E, naquele momento, ela sabia que não era corajosa, mas tentaria seguir em frente sem temer.

“Não se preocupe, Isabelle. Eu e Mary Margaret sempre a protegeremos.” Ele era a segunda pessoa que a prometia aquilo naquela noite, mas era apenas nele que ela tentaria acreditar. Pensou por um momento se deveria contar a James a conversa que tivera com Gold, sobre o filho dele, mas preferiu não dizer nada. Aquela era a sua missão e James já tinha problemas o bastante para se preocupar. “Isabelle, eu aceito o fato de que a situação seja difícil para você, principalmente devido à atenção que Gaston está lhe dando, mas você não deve subestimá-lo”.

“Eu sei disso James” Ela falou.

James deixou seu copo de conhaque sobre uma mesa de centro e se inclinou na direção dela. “Imagine a seguinte situação, Isabelle: você vê uma mulher ser maltratada por um oficial alemão, e num ato de compaixão, mas sem medir as consequências, tenta ajuda-la dando dinheiro” Belle sentiu o rosto corar ao perceber que James a havia visto naquela noite. Em seguida, puff! Você é capturada e trazida para ser interrogada na base central da Gestapo, em Paris. E outra coincidência ocorre: um dos homens que você conheceu na noite do nosso jantar, como o coronel Gaston, por exemplo, entra para interroga-la. Quem é que ele vê sentada na sala de interrogatório, amarrada a uma cadeira? Ninguém menos do que a prima de seu bom amigo, James Bougton, Isabelle, que ele conheceu algumas semanas antes na sua sala de jantar. O que é que ele começa a pensar? Será que seu amigo James não sabe a respeito das atividades de sua prima? Talvez, no mínimo, ele comece a desenvolver um interesse mais forte por James e sua esposa e a vigiar com mais atenção as atividades de ambos. Talvez chegue até mesmo a questionar se eles apoiam verdadeiramente os governos alemão e de Vichy, como alegam fazer”

“Eu... Eu sinto muito, James” Belle tentou se desculpar. “Eu não consegui suportar ver aquela pobre mulher ser tratada daquela forma, como se fosse pior do um animal”.

“Isabelle, você precisa entender que para eles, os alemães são a raça superior. Qualquer um que não seja alemão é um animal.”

“Eu realmente sinto muito. Eu não pensei nas consequências das minhas ações”.

“Suas ações e sentimentos são muito nobres, mas você precisa se lembrar de que você não está aqui apenas para espionar Adrian Gold, Isabelle. De todos os problemas que você tem de enfrentar, ele é o menor de todos! Passei os últimos três anos trabalhando para ganhar a confiança dos alemães. Minha riqueza, combinada com a ganância deles, faz com que tudo pareça uma obsessão doentia, mas possível. Nunca esqueça o quanto me custa fazer tudo isso, Isabelle. Cada vez que um deles atravessa a minha porta, eu sinto vontade de sacar minha arma e enchê-los de balas.”

Belle viu que as feições de James estavam contorcidas. Suas mãos estavam entrelaçadas firmemente uma com a outra, e as articulações dos dedos ficaram brancos com a força que ele fazia.

“Em vez disso, eu os convido para vir à minha casa, sirvo-lhes o melhor vinho de nossas adegas, gasto dinheiro no mercado negro para procurar as melhores carnes e queijos para encher suas bocas e passo um bom tempo conversando amigavelmente com eles. Por que, você pergunta? Como consigo fazer isso?”

Belle permaneceu em silêncio. Sabia que ele não precisava que ela lhe respondesse.

“Faço isso porque, ocasionalmente, após várias e vários doses de conhaque, consigo ouvir algum fragmento de informação revelado por alguma boca alemã bêbada. E, às vezes, esse fragmento de informação permite que eu alerta as pessoas que estão em perigo e talvez salve a vida de algum francês ou inglês inocente. É por esse motivo que eu suporto a presença deles à minha mesa ou em jantares como o desta noite.”

Belle continuava sentada, em silêncio, compreendendo tudo.

“Portanto, perceba que você não pode se arriscar mais da maneiro que você fez esta noite, e que nunca deve haver qualquer indício de nosso envolvimento com quaisquer das organizações que os nazistas estão desesperados para desbaratar. Não resultaria somente na morte dos vários homens e mulheres corajosos que trabalham conosco, mas também colocaria em risco as informações valiosas que posso repassar àquelas que precisam. Não me preocupo tanto com a minha própria vida, Isabelle, mas sim com a de outras pessoas. Como Mary Margaret, por exemplo. Vivendo comigo aqui nesta casa, é impossível para ela não fazer parte do meu engodo. E ela seria considerada cúmplice, caso eu fosse descoberto.” James disse, olhando-a com os olhos marejados de lágrimas. Ele amava Mary Margaret com todo o seu coração, e não suportaria ver a mulher sofrer nas garras dos alemães. “Portanto, às vezes, precisamos viver uma vida de mentiras. Essa não é a vida que gostaríamos de ter, Isabelle, mas você precisa ser forte”.

“E o que eu devo fazer em relação à Gaston?” Belle perguntou, finalmente. “Ele me enoja com a sua atenção obsessiva”.

James segurava seu copo de conhaque com as duas mãos, olhando firmemente para ela.

“Acabamos de concordas que, às vezes, devemos viver uma vida de mentiras. E, Isabelle, você deve fazer uma pergunta a si mesma: se eu fosse Regina Mills e ordenasse que continuasse a estimular o relacionamento com Gaston, na esperança de que ele deixa escapar informações que poderiam ajuda-la não somente em sua missão, mas também ajudar seus compatriotas e os franceses na luta, você se recusaria a me obedecer?”

Belle evitou o olhar de James. Ela entendia claramente o que claramente o que ele dizia.

“Em vista do que discutimos, eu concordaria, é claro” ela respondeu relutante.

“Então, talvez, em seu relacionamento com Gaston, você consiga separar a si mesma de sua alma e lembrar-se, cada vez que sente o desejo de se desvencilhar dos braços dele, de que você está agindo em prol de uma causa muito maior do que sua própria repulsa. É isso que eu preciso fazer vinte e quatro horas por dia.”

“Mas, e Adrian Gold?” Belle perguntou.

“Eu percebi o modo como vocês dançaram juntos esta noite, durante o jantar, e a única coisa que eu posso lhe dizer é que Adrian se uniu aos nazistas, o que o torna tão repugnante quanto os alemães. Lembre-se, Isabelle, que para Gold, tudo se resume no que ele pode ganhar. Ele faz acordos com os alemães a fim de que isso lhe traga benefícios próprios” James falou.

“Mas... O que ele ganhou ao se unir aos nazistas?” Belle não consiga pensar que benefício poderia ganhar ao se unir aos alemães. “Qual foi o seu preço?”

James deu de ombros.

“O poder” ele concluiu.

Belle pensou naquilo. Trair o seu país por uma causa tão mesquinha como esta, o poder, era algo que a repugnava. Como alguém poderia se vender aos alemães apenas para conseguir poder?

“Bem, preciso deixa-la agora. Tenho que trabalhar...”.

James se levantou, deu-lhe um breve sorriso e deixou o escritório.

|~|

Londres

Chovia forte naquela noite em Londres, e o vento batia com força contra as vidraças do escritório de Regina Mills, na sede da SOE.

Ela estava concentrada lendo vários documentos que estavam sob a sua escrivaninha, à sua frente, e que aparentemente a desagradava imensamente.

Uma batida na porta fez com que ela deixasse os papéis de lado e pediu para quem quer que a estivesse incomodando, entrasse.

“Regina, você pediu para falar comigo?” Um homem alto e de pele negra entrou no escritório da mulher, exibindo um sorriso submisso nos lábios.

“Sidney Glass!” Ela reconheceu o homem, suspirando aliviada. “Faz bastante tempo desde que o vi pela última vez. Entre, por favor!” A mulher falou, levantando-se e cumprimentando-o afetuosamente. “Pensei que você não viria”.

“E deixar você na mão? Eu jamais faria isso, minha querida” Sidney sentou-se na cadeira defronte a mesa da mulher. “Vim o mais rápido possível, assim que recebi o seu recado.”

“Eu agradeço por isso, Sid. Eu preciso urgentemente dos seus serviços” Regina cruzou as mãos, apontando para Sidney, exibindo um olhar traiçoeiro no rosto. “Acredito que você deve se lembrar do nosso querido amigo, Adrian Gold.”

Sidney arqueou as sobrancelhas, aparentemente surpreso ao ouvir o nome daquele homem. “É claro, Regina.”

“Você fez um excelente trabalho na época em que lhe pedi para espioná-lo e escrever aquelas reportagens” Ela foi até a pequena mesinha no canto da sala, onde havia várias garrafas de bebidas, e abriu uma delas, despejando a bebida dentro de um copo.

“Aquilo não foi nada, minha querida.” Sidney falou, sentindo-se enaltecido com o elogio que recebera. “Eu me sentiria lisonjeado em poder ajuda-la novamente.”

Regina sorriu ainda mais com aquilo. Sidney era a sua marionete perfeita. Ele faria qualquer coisa por ela, e conseguir o apoio dele era algo extremamente fácil. Sabia que aquele homem nutria sentimentos fortes por ela, que ele acreditava que poderiam ser recíprocos, mas que na verdade não significava nada para ela.

“Eu fico encantada em ouvir isso Sidney, pois é exatamente isso o que eu gostaria de lhe pedir.” Ela falou, entregando o copo de bebida à ele. “A pouco mais de um mês eu enviei uma nova agente para conseguir informações sobre Gold, mas até o momento ela se mostrou extremamente ineficiente e veem desempenhando um trabalho medíocre. Ela não conseguiu obter nenhum detalhe sequer sobre o que Adrian anda aprontando com os alemães, e o último relatório que ela me enviou foi simplesmente... Decepcionante.”

“Então você quer que eu investigue Gold?” Sidney perguntou.

“Oh não, Sidney querido” Regina sorriu. “Embora a Srta. French tenha se mostrado ineficiente, eu tenho certeza de que com o tempo ela vai obter qualquer informação que ela queira sobre Adrian, mas não é isso o que me incomoda. A Srta. French pode ser inocente, mas isso não significa que ela seja estúpida.”

Siney compreendeu o que a mulher estava tentando lhe dizer. “Você acredita que ela possa descobrir sobre... Nós? O nosso envolvimento com Gold?”

Regina deu a volta na sua mesa, tornando a se sentar na sua cadeira. “Eu sei que ela já está começando a desconfiar da veracidade dos supostos crimes que Adrian cometeu”.

“Mas nós dois sabemos que Adrian não é inocente.” O homem falou.

“Mesmo assim, Siney, precisamos ter o controle sobre esta situação”.

“Então, você quer que eu fique de olhe na Srta. French e em Gold.” Ele concluiu, enquanto Regina sorria para ele triunfante.

“Eu sabia que você me entenderia, meu querido. Mantenha-me informada se a nossa querida Isabelle estiver saindo fora da linha.” Regina falou por fim, seus olhos refletindo um brilho diabólico.

Ela não poderia permitir que Isabelle French descobrisse sobre os verdadeiros fatos que cercavam a vida de Adrian Gold. Se ela tivesse um momento sequer de dúvida, a jovem mulher iria pender para o lado de Gold, e Regina teria que tomar atitudes mais drásticas.

Ela sorriu mais ainda quando um novo plano surgiu em sua mente. Ela precisava que Isabelle abordasse a sua missão de outro ângulo, para que ela não tivesse outra escolha no seu destino. Regina iria fazer as escolhas do destino daquela garota inocente.

Assim que Sidney deixou-a, Regina começou a escrever apressadamente uma resposta à Isabelle, dando-lhe novas ordens para a missão.

|~|

França

“Isabelle...”

Belle estava no terraço, sentada em uma cadeira de madeira, lendo, enquanto observava o sol se pôr no horizonte distante, quando a voz de James irrompeu no silêncio.

“Você recebeu um telegrama.” Ele falou, esticando o braço e lhe entregando um pequeno envelope, que ainda estava lacrado, e sem dizer mais nada, saiu do local, deixando-a novamente sozinha.

Belle examinou o pequeno envelope; não havia nele nenhum remetente, mas ela sabia que quem lhe enviara aquele telegrama era Regina. Abrindo-o, ela retirou o pequeno papel de dentro, lendo-o.

MAWZRKXVGP ZMB EGZN GKLBWZX RFCXJJJULNK BV KRJ EFBKXX, AKMWMNFANFQNEBWQN VB LGJX NLLW L OSZJ. FL OAKJD, B WWZNKPJJFJ S BGWZDUXX VL JDSG.

OJAKQS.

O papel continha dezenas de letras, que para alguns não significavam nada além de letras embaralhadas, mas Belle havia aprendido sobre as mensagens codificadas durante o seu treinamento, e para sua sorte ela tivera extrema facilidade para decifrá-las. Apoiando o pedaço de papel sobre o livro, Belle começou a decodificar aquela mensagem, e após cinco minutos ela já tinha a mensagem traduzida em suas mãos.

Precisamos que você obtenha informações em sua missão, independentemente de como você o faça. No final, é necessária a execução do alvo.

Rainha.

Belle leu e releu o telegrama mais de cinco vezes. Revisou-o mais cinco vezes. No final, é necessária a execução do alvo. Execução do alvo. Execução. Regina estava ordenando para que ela matasse Adrian Gold.

Após conseguir obter todas as informações necessárias ela deveria mata-lo. Como poderia fazer isso? Ela jamais conseguiria matar uma pessoa, e em pensar em quem ela deveria matar apenas complicava mais a execução desta tarefa. Sempre fora ensinada a ser brava, mas aquela não era o tipo de bravura que ela estava disposta a enfrentar.

Talvez para Regina, matar era uma ação muito simples, como respirar, mas não era. Até que ponto ela estaria disposta a seguir tais ordens? Seria capaz de matar uma pessoa? E se essa pessoa fosse inocente? Mas Adrian Gold não era inocente... Adrian Gold era um monstro...

Isabelle era um monstro. Ela não seria capaz de executar aquela ordem, mesmo se ela quisesse. Ninguém iria decidir o seu destino, além dela mesma.

Ela não iria matar Adrian Gold. Preferia sacrificar a si mesma a tirar a vida de uma pessoa. Quando chegasse o momento em que ela teria de enfrentar aquele homem, Belle sabia que ela iria morrer. Não mataria Adrian Gold. Ele, por outro lado, talvez a matasse, mas Belle não iria temer quando esse momento chegasse. Por outro lado, morreria em paz.

Isabelle não iria matar Adrian Gold.

Notas finais
Em vista de tantos pedidos, aqui está mais um capítulo! Fiquei muito feliz com tantos comentários, e isso só faz com que eu queira escrever mais e mais. Esse capítulo nós não temos Rumbelle ou como chamo aqui AdrianBelle ehehe, porque quis enfatizar mais na questão de todas as dificuldades na II guerra. Belle ainda não está compreendendo onde ela está, pois ela não vive em perigo o tempo todo, como era nos campos de batalha. Logo logo a coisa vai começar a ficar tensa para a Belle. Próximo capítulo tem Rumbelle, eu prometo.
Gente, morri no último episódio.
Spoilers abaixo, não leia se não viu o último episódio!!!
Eu, particularmente, fiquei contente que o Neal era o Bae!! E senhor, o que é a atuação do Robert Carlyle? Ele vai me matar com tanto talento!!! E a promo?? Por favor, alguém mata o Hook pra mim!