The Sound Of War

11 Angel in the Library


Notas iniciais
Once Upon a Time não me pertence

Quando Belle saiu do prédio, os raios de luz incidiram diretamente em seu rosto, revelando para os seus olhos uma manhã exuberante, que parecia zombar dela.

As pessoas já caminhavam apressadas pelas ruas ao seu redor; a vida seguia o seu ritmo costumeiro sem hesitar.

Belle encolheu os ombros, tentando não chamar a atenção de ninguém, desejando que pudesse ser invisível, mas, parecia que havia uma faixa em seu rosto escrito “prostituta de alemão”, e que todos notavam a sua presença, enquanto ela tentava sair despercebida daquele lugar.

Ela se sentia humilhada, devastada... Quebrada. Havia perdido toda a sua alma naquele maldito quarto, e só em pensar no rosto de Gaston, no prazer que ele sentira ao deflorara, enquanto ela gritava em agonia, fez com que seu estômago revirasse. Mal conseguia andar, sentindo que a cada paço que dava, suas pernas ficavam mais bambas; estava quase desmaiando.

Cada pessoa que passava por ela, a olhavam com repulsa, como se ela fosse uma meretriz.

Mas, deitar com um alemão, com o inimigo, não fazia com que ela fosse tão baixa quanto àquelas mulheres?

O que ela havia feito? A única coisa que ela esperava era que James e Mary Margaret estivessem bem, e que o seu sacrifício tenha valido a pena; ela só queria que ambos estivessem vivos...

Talvez, se ela não tivesse ido falar com Ruby nada disso teria acontecido...

Não. Ela não poderia ficar pensar daquela maneira. Ela deveria aprender a conviver com este vazio... Com este fardo que ela carregaria até o fim da sua vida. Ninguém a protegeria...

Proteger...

Outro pensamento cruzou a sua mente. Talvez, agora ela teria força o suficiente para fazer aquilo... Gold não a protegera. Ele era o culpado. Sem uma alma ou um coração com que se preocupar, Belle seria capaz de matar Gold. Não seria?

Belle sentiu seu corpo perder o restante da força que a mantinha em pé, e ela cambaleou até uma ruela. Caiu de joelhos perto da parede de um dos prédios, próximo a uma lata de lixo, e vomitou. Só em pensar em tudo o que lhe acontecera, ela sentia nós se formando em seu estômago, e ela vomitava com mais força ainda. Ela não ouviu quando um carro parou próximo à rua, e alguns passos se aproximavam lentamente.

Sentia seu corpo extremamente debilitado; os últimos traços de sua força esvair dela. Ela sabia que não conseguiria chegar à casa de James.

Belle viu um vulto na sua frente. Tentando se recompor, ela procurou focar sua visão na pessoa.

“Senhorita Chesneau, você está bem?”

Oh, não! Ela conhecia aquela voz... Era o motorista de Adrian Gold, o rapaz chamado Jefferson. Ele a olhava apreensivo, o que a fez se sentir ainda mais indefesa.

“Sim, eu estou...” Belle levantou cambaleante, e tentou andar, mas seu corpo estava muito fraco.

“Não, você não está bem!” Jefferson a amparou antes que ela caísse no chão.

Belle queria protestar, quando percebeu que Jefferson a segurou em seu colo, levantando-a e a levando para dentro do carro. Ela não queria ter de ver Adrian Gold. Nunca mais. Mas, ela não conseguia encontrar a sua voz, e seus olhos pesaram, e ela sucumbiu à exaustão.

Enquanto alternava entre a consciência e a inconsciência, aceitou que a morte não tardaria a chegar. Mas ela estava morrendo?

Ela viu que estava dentro do carro, que estava sendo levada... Para onde ela estava indo? Onde ela estava?

E, novamente, ela sabia que estava sofrendo de alucinações enquanto sua alma se preparava para deixar seu corpo. Um anjo de cabelos negros pairava acima dela, colocando um pedaço de pano deliciosamente frio sobre sua testa e derramando água por entre seus lábios ressecados. O mesmo sonho persistiu interminavelmente enquanto o anjo a levantou e a levou até uma cama, e ela começou a se sentir mais calma, menos febril e mais confortável.

Belle acordou com um sobressalto, não reconhecendo o lugar a sua volta. Precisava saber onde estava. Mas, quando comandou seu corpo se mover ela não obteve reação.

“Calminha...” Uma mão pousou sobre o seu ombro, obrigando-a a se deitar novamente. Belle olhou para a pessoa a sua frente, mas a sua vista estava embaçada, formando um estranho borrão. Mas, ela sabia que era uma mulher e que pela voz, aparentava ter em torno de cinquenta anos ou mais. “Volte a dormir querida. Você está muito fraca... Tente descansar”.

A mulher voltou a colocar a toalha úmida em sua testa e Belle voltou a adormecer.

E lá estava novamente aquele anjo, fazendo companhia. Em algum momento, ela sentiu que o anjo deslizou suavemente a mão em seu rosto, trazendo paz para ela.

E, outra vez, despertou, vendo que o teto ainda estava sobre sua cabeça, mas não girava mais ou parecia uma imagem borrada. Pela primeira vez, parecia algo sólido. Belle pensou que ainda não estava morta, mas estava miseravelmente presa àquela vida.

“Ah, você acordou!” disse uma voz de homem ao seu lado.

Ela virou a cabeça e viu um belo par de olhos marrons. O rosto que os cercava estava emoldurado por cabelos negros, levemente grisalhos. Esse era o anjo com quem ela sonhara. Na verdade, era Adrian Gold.

Belle fechou os olhos com força, tentando ceder ao sono novamente, mas não adiantava. Ela teria que enfrentar os seus temores. Como ela viera parar no esconderijo da fera?

“Isabelle, você está bem?” Gold se aproximou lentamente da cama, supondo que ela havia fechado os olhos porque estava com dor. “A febre diminuiu um pouco” Ele constatou, ao pousar a palma da mão sobre a testa dela; o seu semblante era sério, e Belle conseguia distinguir a preocupação gravada em seus olhos.

Belle postou-se imediatamente em estado de alerta. Tentou se sentar, mas ele a impediu, balançando a cabeça.

“Por favor, Isabelle, fique calma. Me diga, como você está se sentindo?”

“Eu...” Belle pigarreou, tentando encontrar a sua voz, que estava presa na garganta. Ela iria dizer que estava se sentindo bem, mas... Ela realmente estava bem?

Oh não, ela estava longe de se sentir daquela forma. Jamais estaria bem, Jamais ficaria bem. Gold não desviou os olhos dela, esperando por uma resposta. As imagens malditas da noite passada cruzaram novamente na mente da mulher. Antes que ele pudesse ver as lágrimas que se formavam em seus olhos, ela desviou o rosto dele. Jamais choraria na frente daquele homem. Jamais. Gold suspirou, entendendo o silêncio como uma resposta negativa.

Por que ele a olhava daquele jeito? Com os olhos transparecendo angústia e arrependimento, como se ele realmente se importava com o bem estar dela.

Eles ficaram em silêncio durante vários minutos. Belle sentou-se na cama, apoiando a cabeça no travesseiro, olhando em direção à janela na outra extremidade do quarto, sem ousar olhar para Gold.

Ela sentiu seu corpo relaxar novamente, e ela quase dormiu novamente, quando ela ficou em alerta ao sentir as pontas dos dedos daquele homem roçar levemente o seu pulso. Belle notou que a sua pele naquela região estava arroxeada... Mas, ela constatou tristemente, que não era apenas ali. Todo o seu corpo estava marcado com aquelas horríveis manchas. Novamente ela se sentiu enjoada ao relembrar quem havia feito aquilo com ela, e fechou os olhos com força, enquanto sentia a suavidade do toque de Gold em sua pele despedaçada.

“Quem fez isso com você, Belle?” Gold perguntou num sussurro. Belle não respondeu, virando a cabeça para o lado oposto, com os olhos ainda fechados. Ela se assustou com a forma que ele a perguntara aquilo... Com tanto pesar... Mas ela não iria responder. Não conseguia responder. “Por favor, Belle, me diga. Quem fez isso com você?” Ele estava suplicando por uma resposta... Por quê?

Belle respirou fundo, olhando-o. Ele estava visivelmente trêmulo, consumido pelo remorso.

“Não importa... O que foi feito não pode ser desfeito” Ela respondeu num tom seco, sem demonstrar qualquer emoção.

Gold pareceu tremer ainda mais com aquela resposta. Ele se levantou, andando até a poltrona ao lado da cama em que ela estava, e se deixou desabar nela, cobrindo o rosto com as mãos.

“Eu prometi. Prometi que a protegeria. Prometi que jamais deixaria algo de ruim acontecer a você. Eu prometi e ainda assim eu falhei. Veja o que aquele desgraçado fez com você! E é minha culpa!” Ele ofegou, deixando que as palavras fluíssem de sua boca. “Eu não fui capaz de cumprir a única promessa que lhe fiz!”

Belle ficou em silêncio. Ele havia falhado. Era culpa dele. Absolutamente culpa dele. Mas, uma pequena parte dela queria poder dizer que não era. Queria poder abraça-lo e dizer que ela o perdoava. Aquela parte, no entanto, era muito pequena. Insignificante. Inexistente.

“Eu gostaria de poder me lavar. Não quero causar mais problemas à você do que eu já causei.”

Gold a olhou agoniado, a dor cruzando pelo seu rosto.

“Claro... Você... Você consegue se levantar?” Ele perguntou apreensivo.

“Sim, eu consigo.”

“Bem... Você vai encontrar algumas toalhas naquele armário.” Ele falou, retomando o seu costumeiro tom de voz, escondendo novamente dentro de si aquela angústia que ele estava sentindo, e se levantou “O banheiro fica naquela porta. Pedirei a Sra. Potts algumas roupas limpas para que você possa usar.” Ele falou, e ao pedir licença, ele saiu do quarto; ouvindo os seus passos juntamente com o barulho da bengala contra o piso de madeira se distanciar.

Belle entrou no banheiro, fechando a porta atrás de si. Abriu as torneiras da banheira, deixando com que a água quase transbordasse pelas bordas. Sentiu a água quente pinicar a sua pele agradavelmente quando ela entrou. Ela esfregou cada parte de seu corpo até que ficassem quase em carne viva. Queria se livrar de qualquer vestígio que pudesse ter permanecido em seu corpo que fizesse parte do alemão. Esfregou com força os seus seios, braços, pernas e seus cabelos. Se ela pudesse, arrancaria cada centímetro de sua pele que esteve ao alcance das garras de Gaston.

A água já havia esfriado quando ela saiu da banheira. No canto do banheiro, encostado na parede, havia um espelho em que ela conseguia ter uma visão de todo o seu corpo, dos seus pés à cabeça. Belle parou defronte ao objeto, olhando o seu reflexo. A água ainda escorria pelo seu corpo, enquanto ela observava tristemente cada mancha que marcava o seu corpo como uma tatuagem... Como uma cicatriz que jamais se curaria.

Belle estremeceu com a degradação do seu corpo. Gold havia lhe perguntado quem havia feito aquilo com ela... A verdade era que fora ele quem fizera aquilo com ela; desde a primeira vez que ela o conheceu, seu destino já estava traçado para que ela sofresse nas garras daqueles monstros.

Ela percebeu que a mulher que se chamava Isabelle... Àquela que ela costumava ser, deixara de existir. Ou, pelo menos ela queria que aquela garota morresse dentro de si para que não sofresse ainda mais. A Isabelle que a encarava pelo espelho era uma mulher completamente desconhecida. Quem era aquela mulher? Sem dúvida ela havia perdido toda a sua alma naquela cama... Agora ela era apenas uma marionete, que faria tudo o que for pedido, sem ter sentimento algum por qualquer um... Ela não sentiria mais nada por Adrian Gold ou por si mesma.

Fora uma coincidência que ela tivesse vindo parar justamente na casa de Gold e, agora que ela estava ali, tinha a oportunidade perfeita para vasculhar cada centímetro daquele lugar e finalmente desvendar aquele mistério e completar a sua missão...

Entretanto, seria realmente capaz de matá-lo? Ah sim. Esta Isabelle era capaz de fazer qualquer coisa, e matar Adrian Gold agora parecia algo extremamente simples... Muito fácil.

Quem era aquela mulher insistia em olhá-la através do espelho? Belle saiu do banheiro e vestiu a roupa que fora deixada sobre a cama para ela. Um simples vestido num tom azulado ocre. Ela ainda se sentia debilitada e seu corpo continuava a doer; o interior de suas partes íntimas parecia estar em carne viva.

Aproveitou aquele período de tempo que estava sozinha para examinar o interior do quarto em que se encontrava. Era um cômodo simples, provavelmente usado apenas para receber hóspedes, mas isso não o fazia ser mal conservado. Havia ali um guarda roupa com entalhes decorativos em todo o seu contorno, mas este se encontrava vazio, e havia também uma pequena cômoda próxima à janela. Belle abriu a gaveta, encontrando alguns papéis no interior. Pegou-os para lê-los, mas não havia nenhuma informação que ela estava procurando; apenas os mesmos folhetos sobre o regime nazista que estava sendo adotado na França.

Suspirando, tornou a guardar os papéis, desapontada. Belle olhou pela janela e percebeu que a vista que tinha era dos fundos da casa; o início de uma densa floresta era a única paisagem que ela conseguia ver. A casa de Gold ficava nos limites de Paris. Notou também que a segurança na parte dos fundos era precária e fornecia um fácil acesso a qualquer pessoa, inclusive ela própria. Seria extremamente simples entrar escondida na residência, caso não conseguisse encontrar nenhum documento antes que tivesse que voltar à casa de James.

Uma batida na porta a alertou. “Entre”. Belle falou, reconhecendo a mulher que havia cuidado dela.

O rosto da senhora era marcado por rugas, devido à idade avançada. Os cabelos grisalhos estavam presos em um coque no topo da cabeça, e ela olhava para Belle sorrateiramente. “Como a senhorita está se sentindo, mademoiselle Chesneau?” A mulher perguntou.

“Eu estou me sentindo um pouco melhor, senhora...?”

“Pode me chamar de Sra. Potts” Ela falou. “Ficou aliviada em saber que está se sentindo melhor querida. Quando o jovem Jefferson a trouxe aqui, pensamos que iria morrer. Nunca vi o Sr. Carruthers tão perturbado desde à morte da esposa...” A Sra. Potts a olhou preocupada. “Nós ligamos para ele o mais rápido que pudemos...”.

“Ele não estava aqui?”

A Sra. Potts não respondeu imediatamente, examinando-a atentamente. “Ele tinha problemas para resolver...” Falou por fim.

Ora, Belle sabia exatamente quais problemas eram estes; ajudar os alemães, trair o Reino Unido, atirar em James... A lista era infinita.

“Já que está se sentindo melhor, ele pediu para que eu a leve até a biblioteca. Ele gostaria de poder falar com a senhorita por alguns instantes”.

“Claro” Belle respondeu. Não queria falar com Gold, mas poder sair daquele quarto e ter acesso ao restante da casa apenas facilitaria a sua investigação. Ela seguiu a Sra. Potts pelos corredores da casa. Estavam no segundo andar e parecia que aquela casa era mais extensa do que Belle imaginara. Os rodapés eram todos de madeiras escuras, e havia várias tapeçarias adornando as paredes. Em outra época, Belle poderia até ficar curiosa com todos aqueles detalhes, mas ali, neste momento, ela sequer olhou para os objetos ao seu redor. Havia várias portas, todas fechadas, então, chegando ao fim do corredor, foram em uma das últimas, então Belle bateu e entrou na biblioteca.

O local parecia estar vazio, mas ela não se preocupou com isto. Ela perdeu completamente o seu foco principal. A grande sala tinha um cheiro confortavelmente familiar de bolor. Belle estudou as estantes, que iam do chão até o teto. Não fazia a menor ideia de quantos livros a biblioteca guardava. Ela caminhou lentamente pelas laterais do cômodo, andando em frente às estantes que se estendiam até quatro vezes a sua própria altura. Vigilante e estoica sentia-se como se eles a observassem.

Na estante à sua frente, os livros demonstravam uma ampla variedade de autores, de Charles Dickens, passando por Platão e incluindo Guy de Maupassant.

“Encontrou algo interessante aqui, Isabelle?”

Belle se assustou, percebendo que Gold se juntou a ela sorrateiramente, parando às suas costas, encostado contra uma das estantes.

“Oh, me desculpe” Belle procurou despertar daquelas reminiscências. Não podia deixar que emoções a afetassem. “Você tem uma coleção maravilhosa de livros aqui” comentou, olhando com admiração para as prateleiras.

“Herdei a coleção de meu pai, mas é a minha paixão também. Pretendo ampliar a coleção, se puder. Os nazistas queimaram milhares e milhares de livros por toda a Europa, o que torna esta coleção mais preciosa do que era há pouco tempo.”

Belle deslizou as pontas dos dedos sobre as lombadas das capas dos livros, absorvendo a textura daqueles objetos.

“Isabelle, por favor, me acompanhe...” Gold a chamou, despertando-a do seu breve momento de paz. Novamente, ela tomou a sua postura indiferente. “Por favor, sente-se.” Ele disse, indicando uma poltrona defronte a outra de couro que ele próprio ocupou.

“Obrigada” ela disse, sentando-se.

“Bem Srta. Chesneau gostaria que você soubesse que informei a James que você está aqui, para que ele não fique preocupado. Ele e a esposa estavam a sua procura. Ele me informou que você havia saído com o Coronel Gaston ontem à noite e não havia retornado desde então.”

Belle assentiu silenciosamente. Talvez ela pudesse ir embora logo, e assim teria tempo o suficiente para planejar como iria invadir aquela casa mais tarde.

Gold suspirou profundamente e se levantou. Belle percebeu que ele parecia estar cansado e angustiado. Mas por quê? Se ele soubesse que ela era “Rosa”, jamais agiria daquela maneira. Ele ficaria extasiado com a sua desgraça, e se tivesse tido a oportunidade, ele mesmo faria com que ela sofresse muito mais.

“Isabelle... Eu sei que não cumpri com a minha promessa” Ele voltou a falar com a voz num tom pesaroso. “Não posso voltar o relógio e impedir que aquele...” Gold olhou tristemente para as marcas que adornavam o corpo de Belle e que estavam visíveis. Ela cruzou as mãos sobre as pernas, entrelaçando os dedos, evitando olhar para o homem. “Que aquele maldito colocasse as mãos em você... Mas posso impedir que ele volte a fazê-lo. Você deverá permanecer nesta casa. Já falei com James e ele concordou.”

Naquele instante Belle olhou para Gold. Ela teria que ficar naquele lugar? Ele estava mentindo. Ele não havia falado com James. James e Mary Margaret provavelmente deveriam estar pensando que Gaston havia levado ela para o quartel da Gestapo, onde poderia estar sendo submetida às sessões de tortura e mais tarde, seria executada.

Ironicamente, ela realmente havia sido capturada, mas não por Gaston e sim por Adrian Gold.

“O quê?” Ela não pode refrear a pergunta que escapou de sua boca. Gold iria mantê-la presa naquela casa?

“Não é seguro que você fique andando livremente pelas ruas de Paris enquanto Gaston também estiver.”

“Mas por quanto tempo terei que ficar aqui? Até o fim da guerra?” Ela perguntou sarcasticamente.

“Daqui uma semana, Gaston irá viajar para a Alemanha. Mas, até lá, você deverá permanecer aqui. Já tomei todas as providências necessárias para que Gaston não volte a perturbá-la até o momento que ele saia de Paris.”

“Eu agradeço por isso, mas eu sei muito bem cuidar de mim mesma sozinha, Sr. Carruthers” Belle respondeu. Jamais iria permitir que a tratassem como uma criança, muito menos que fosse aquele homem que o fizesse.

“Não duvido disso, Srta. Chesneau, mas veja o que aconteceu com você” Ele revidou. Belle precisou se conter para que não falasse tudo o que estava preso na sua garganta. ‘É sua culpa! O que aconteceu comigo foi culpa sua! Você prometeu e você mentiu!’.

“Como você sabe que Gaston irá viajar para a Alemanha?”

Gold sorriu com escárnio para ela; este sorriso não alcançava as linhas de seus olhos e era carregado de desdém. “Isto, queridinha, é problema meu.” Falando aquilo, ele virou as costas para ela, parando apenas quando chegou à porta. “Aproveite a sua estadia aqui” E ao dizer aquilo, saiu da biblioteca, deixando-a sozinha, rodeado pelos milhares de livros que a olhavam silenciosamente.

Notas finais
Primeiramente eu gostaria de agradecer à todos os comentários que recebi devido ao último capítulo que postei (Chipped Soul). Fiquei muito feliz que teve uma repercussão grande. Agradeço que estejam acompanhando esta fic. Bom, agora, este capítulo aqui é bem mais tranquilo, porque estarei iniciando uma nova "fase" na vida da Belle, e para isto eu precisava criar uma base. Espero que gostem e continuem acompanhando, pois agora teremos o início do nosso romance entre Belle e Gold. Obrigada a todos!