É, acordei me sentindo uma perdedora, de novo. O que não era de se esperar de uma garota como eu, não é?

Uma garota de apenas 17 anos, sem muitos amigos, que mora com o pai e que perdeu a mãe. Não, não sou uma pessoa traumatizada, sou apenas, eu.

Meu nome é Charlotte. Tudo bem que isso não mudará nada na vida de vocês, mas tô me apresentando e espero que se lembrem do meu nome.

Não tenho nada demais, não sou popular, não tenho namorado. Sou mais aquele tipo de garota que não liga pra nada nem pra ninguém. Não to nem ai para o que pensam de mim. Me visto como eu quero, ando com quem eu quero, e FALO o que eu quero.

E digamos, uma garota com o cabelo preto repicado e mechas roxas, lápis e rimel pretos no olhos, usando calça rasgada e camisetas de banda ou com desenhos, não é de se chamar a atenção. Dá até pra entender que o único garoto que se aproximou de mim até então, seja meu amigo Miguel. Melhor amigo, por sinal.

Hm, estudo no colégio Franciscano. É, esse é o nome do colégio. Não tem nada a ver com conspiração ou nada do tipo, é só o nome mesmo. O que é bem estranho. Nem tem padre!

Não tenho muita coisa importante na vida, não. Só meu pai, que me atura há 17 anos, minha casa senão estaria debaixo da ponte, o Miguel, meu melhor amigo, e claro, meu violão. Esse então é mais importante que o meu, se bobear.

Estou brincando, é claro!

Ou não.

Meu pai me deu o violão quando eu tinha 12 anos. Pra mim, foi o melhor presente que ele poderia ter me dado, depois das bonecas ou das roupas de patricinha que eu nunca usei.

Eu não sou de tocar em publico, na verdade tenho até um pouco de vergonha, só quem me ouviu cantando foi meu pai e o Miguel, e olhe lá! Sabe, eu não acho que as pessoas vão gostar das minhas músicas, então prefiro deixá-las BEM guardadas. É um bem para todos, especialmente pra mim.

Só que tudo mudou, quando, DO NADA, eu tive que me mudar pra Inglaterra.