The Six Kingdoms: OS ORBES DO PODER!
3 Capítulo 3 - O Arqui-Mago.
Notas iniciais
Bruce Kings e Ágatha Moonlight tinham acabado de passar pela fenda dimensional, e agora eram inundados pela brisa quente proveniente da província de Selvarya. O garoto ainda estava confuso. Olhava estupefato para aquela belíssima paisagem abaixo de si, mas ainda possuía um leve ar de dúvida, o que era perfeitamente entendível, pois acabara de passar de um mundo que anteriormente achou que fosse o seu, para Krinsen, o mundo de Ágatha. Não tardou a começar novamente com o interrogatório.
– Escuta, você pode, por favor, me explicar o que é tudo isso, e como foi que eu passei por esse círculo aqui atrás? – O círculo que antes mostrara as paisagens de Selvarya, agora mostrava a floresta em que caminharam até atingir a passagem.
– É... acho que você merece algumas explicações. – Disse num tom sereno, enquanto a luz do sol tornava seus olhos quase transparentes, e o vento esvoaçava seus cabelos negros. – Sinto te dizer que ainda não sei muito. Fui enviada pelo Protetor para verificar o que havia do outro lado desta passagem que se abriu. Fiquei lá por um dia inteiro e só encontrei animais selvagens, apesar das construções e cidades. Estava quase desistindo quando ouvi uns gritos. Fui atrás e achei você.
–Mas como isso explica o meu mundo inteiro ter desaparecido? – Perguntou Bruce enquanto falava com a placa de prata das costas da armadura de Ágatha. Ela sequer olhava para trás.
– Eu já te disse, moleque. Aquele não era o seu mundo, e sim algum tipo de cópia.
– E como eu volto para o meu mundo? – Perguntou
– Eu não sei... Mas, para sabermos disso, precisamos descobrir duas coisas – Dizia enquanto removia o peitoral e as ombreiras da armadura, revelando uma malha de couro marrom sobre seu corpo. – Se existe uma passagem para o seu mundo, e como foi que você chegou ao mundo anterior, e tenho a leve impressão de que essa belezinha aí tem a ver com isso. – Disse, agora se virando e apontando para a foice que estava pendurada nas costas de Bruce com a lâmina para baixo.
– A foice? Você acha que... Quer dizer, ela não é só uma relíquia, não é?
– Com certeza não. Sinto magia emanando dela. Uma arma nunca aparece nas mãos de um guerreiro, se esta não for uma arma mágica.
– Magia? – Perguntou, achando se tratar de alguma brincadeira.
– Sim. Ah, já entendi... Seu mundo é um mundo não-mágico. Não possui nem magia, nem seres mágicos, nem monstros.
– Seres mágicos? Monstros? E como assim magia? Eu não acredito nesse tipo de coisa! É... Eu acho que devo ter entrado no círculo errado. Passar bem!
– Ou você é muito burro, ou é muito fracote mesmo! Sim, pirralho! Magia! Monstros! Os piores possíveis! Trolls, goblins e etc! Está vendo aquilo ali? – Disse, apontando em direção ao lago que ficava na parte de trás do castelo. Um enorme grupo de pássaros voava velozmente, passando por entre as torres, perseguindo uns aos outros. – São hipogrifos!
– Hi... Hipogrifos? – Bruce demorou a perceber que aquilo não eram pássaros. A parte da frente de seus corpos era completamente coberta por penas. Continha uma cabeça de águia de um tamanho muito fora do normal, um par de asas com uma envergadura de 7 metros, e pés amarelos típicos de aves de rapina. Mas a parte de trás era o diferencial. As penas transformavam-se em pelos de uma forma gradual. Duas patas de cavalo e uma longa cauda. Existiam hipogrifos de variadas cores: Azuis, pardos, acinzentados, negros e brancos.
– Sim, hipogrifos. Uma ótima montaria, diga-se de passagem.
– E a magia? – Já estava parecendo uma criancinha curiosa.
– Todos os seres possuem. Uns mais, outros menos, mas todos a possuem. A magia, quando expulsa do corpo, pode atingir a forma de três elementos diferentes. Fogo, gelo ou raio. Cada ser consegue manipular só um desses três elementos.
– Você sabe fazer magia? – Mostrava-se cada vez mais infantil. Mas não se importava nem um pouco. Aquilo estava começando a entusiasma-lo. Seria essa a tão sonhada jornada que almejara por toda a sua vida?
– Sim, eu sei. Mas eu não sou uma maga. Não possuo níveis suficientes de magia para isso. E para falar a verdade, eu também não me identifico, prefiro muito mais limpar o sangue das minhas Espadas Gêmeas. Entende o que eu digo? Lutar usando magia não tem graça.
– Deixa eu ver você fazendo magia! – Atingira o ápice da infantilidade.
– Argh! Como você é chato! Eu só vou fazer uma vez, então preste muita atenção!
Ágatha tirou a manopla da mão direita, e em seguida tirou a luva de couro que protegia suas mãos. Levantou somente o dedo indicador, como se estivesse apontando para cima, e pronunciou:
– Tsvogr!
Uma pequenina faísca azulada apareceu na ponta dos seus dedos, produzindo um pequeno ruído elétrico.
– U... Ual! –Bruce maravilhou-se. Tinha acabado de ver magia na frente dos seus olhos, pela primeira vez. Desejou imediatamente que pudesse fazer aquilo também.
– Eu também consigo fazer isso?
– Eu não sei. Você veio de uma dimensão não-mágica, portanto, o provável seria que não. Mas... Eu não posso ter certeza. – Disse, olhando para a foice de Bruce.
– O que foi que você disse? O que significa “Tsvogr”? – Perguntou, curioso.
– Ah, sim.”Tsvogr” quer dizer raio. Cada feitiço lançado, cada magia criada necessita de uma palavra para ser executada. “Tsvogr” é uma das palavras mais básicas, significa simplesmente “raio”. É difícil de compreender. Vamos, acabou o show, preciso te levar para a corte até a hora do almoço, e ainda temos de dar a volta até a entrada!
Começaram a descer a colina, passando pelos campos cheios de flores e alguns arbustos. Atingiram então uma estrada de pedra que abria caminho por entre a grama, que logo os levou ao perímetro dos muros do castelo. Vistos de perto eram ainda maiores. Bem maiores que o da cidade de seu mundo natal. Possuía pequenos buracos e estruturas que Bruce julgou servir para a defesa. No topo do muro existiam alguns espaços para arqueiros, e em alguns deles, balistas já estavam acopladas.
Continuaram percorrendo o perímetro com o muro cinza de um lado, e a grande colina verde do outro. Atravessaram uma pequena ponte que passava por cima de um riacho, e chegaram a um pátio, onde Bruce reconheceu ser o campo de treinamento. Um cercado de madeira circundava uma arena de batalha. Vários bonecos com armaduras, armas e escudos de madeira estavam cravados em um chão de terra batida. Alguns com braços, pernas e cabeças faltando. No chão havia algumas lanças, espadas e machados de metal espalhados, como se tivessem sido usados recentemente. Logo ao lado dos bonecos, próximo a portinhola da cerca, estava um estandarte de armas, com mais espadas e lanças afiadas.
Alguns guerreiros saíam da arena, tirando seus capacetes e armaduras. Tinham no rosto uma expressão de extremo cansaço. Assim que visualizaram Ágatha, posicionaram-se um do lado do outro, e elevaram a mão direita aberta até a testa.
– Comandante Moonlight!! – Disseram os guerreiros em unissom.
– Descansar! – Ordenou, com autoridade.
Os guerreiros migravam em fila na direção dos portões do castelo.
– Comandante? – Não se conteve Bruce.
– Sim. Eu sou o Comandante Oficial da Brigada de Guerra de Oakstride. Segundo cargo mais alto. Abaixo apenas do General. – Inflou o peito, demonstrando um orgulho um pouco exagerado – Que foi? Parece surpreso? – De novo, o fitou com seus radiantes olhos azuis.
– Err, nem um pouco! – Era verdade. Desde o primeiro momento em que Bruce vira Ágatha, imaginou que pertencesse a alguma patente alta, ou coisa do tipo, e sabia perfeitamente, que apesar de jovem, Ágatha era um espadachim extremamente habilidoso. Saber que ela ocupa o cargo de Comandante só confirmou sua tese.
Ágatha largou no chão da arena sua armadura, que caiu causando um grande baque.
– Estou morrendo de fome! Vamos entrar logo, antes que eu devore você!
Estavam de frente para os portões abertos. Dois guerreiros faziam guarda na frente dos portões, e ambos fizeram a reverência para Ágatha assim que a viram. A estrutura inteira do lugar poderia ser descrita em uma só palavra: Colossal. Os grossos portões de bronze de 10 metros de altura que estavam encostados na parede de pedra possuíam muitos desenhos esculpidos. Assim que entraram, Bruce ficou de queixo caído, pois uma enorme cidade estava logo a sua frente. Uma fonte bem na entrada adicionava graciosidade ao lugar, que era repleto de casinhas de pedra e madeira, lojas, placas, fogueiras (agora apagadas), algumas tavernas, e muitas pessoas andando de lá pra cá. Mulheres, crianças, idosos e soldados. Pareciam viver em plena harmonia. Apesar de grande, tudo era muito apertado. Algumas escadas e passarelas faziam a interligação de casas e lojas. Podia-se ler: Arsenal, Loja de Souvenires, Padaria, Cafeteria, Adega (Com uma placa dizendo: “O melhor vinho de Selvarya!”), Loja de Poções, e tudo mais que uma cidade medieval precisa. Bem no meio da cidade havia um enorme castelo com uma torre no centro, maior que todas as outras. Havia um brasão desenhado em suas rochas. Lia-se “Oakstride”.
A fonte dividia o começo da cidade em duas ruas de pedra, uma à esquerda e outra à direita. Ágatha tomou rumo pela ruela da direita, e Bruce foi a seu encalço. Passaram por uma taverna nomeada por uma grande placa de madeira que dizia “Urso Pardo”. Os restaurantezinhos estavam todos com suas mesinhas de madeira lotadas. Devia ser meio dia em ponto, e agora a fome também tomava conta de Bruce. Após virarem mais algumas ruelas, e passarem por mais casas, lojas e crianças brincando, chegaram ao pé de uma grande escada. No topo da escada havia outro portão de bronze, que apesar de menor que o da entrada, separava o castelo do resto da cidade. As portas estavam fechadas e outros dois guardas cruzavam suas lanças na frente do portão.
Assim que Ágatha se aproximou, os guardas abaixaram suas lanças. No momento em que o Comandante tocou o portão, os dois guardas cruzaram novamente suas lanças, impedindo Bruce de passar.
– Err... – Balbuciou
– Liberem passagem. Está comigo. – Ordenou impetuosa.
Os guardas obedeceram, e eles puderam finalmente entrar no saguão do castelo.
Os portões davam para um comprido corredor. Um tapete vermelho com bordas douradas, uma coleção de armaduras junto à parede, e uma fileira de lustres de ouro caracterizavam o local. Andaram pelo corredor e atingiram o pé de uma escada circular que levava até o topo da Grande Torre. Começaram a subir enquanto Bruce olhava os campos verdes e os hipogrifos voando pelas janelinhas losangulares.
– Onde estamos indo? – Perguntou
– Na sala da corte. Você tem que conversar com o Protetor de Oakstride, ele saberá o que fazer em relação a tudo que está acontecendo.
Passaram por algumas portas fechadas, nomeadas por placas que diziam: “Cozinha”, “Laboratório”, “Biblioteca” e etc. Chegaram então no fim da escada, e deram de frente com a última porta, no topo da torre. Bruce podia ver todo o vale que circundava Oakstride: Belas florestas, lagos e montanhas no horizonte. A última porta era mais imponente que as outras: Possuía alguns detalhes incrustados na porta, e uns desenhos vermelhos e dourados. Em uma placa acima da porta estava escrito em uma bela caligrafia: “Corte”.
– Eu não fui convocada para entrar, mas você vai me contar tudo depois. Encontre-me no Urso Pardo depois que sair daqui. Quero saber de tudo o que Syren te falar. – Já estava virando as costas para descer, quando se virou bruscamente – Ah, uma última coisa: Não o subestime devido a sua... Aparência – E despareceu escada abaixo.
Bruce estava curioso. O que ela queria dizer com “sua aparência”? O que poderia haver de tão especial no Protetor de Oakstride? Era hora de descobrir. Bateu duas vezes na porta, e foi respondido por uma voz quebradiça e incomum.
– Entre.
Girou a maçaneta de ouro e adentrou. Deparou-se com um grande saguão, decorado assim como o corredor, com armaduras de metal, lustres dourados, um belo tapete vermelho comprido e umas mesinhas. No fundo da sala duas portas de madeira se abriam para uma larga varanda com um parapeito de proteção. Na frente das portas da varanda havia um gracioso trono de prata, localizado acima de dois pequenos degraus.
De tudo o que Bruce já tinha visto naquela manhã, aquilo era sem dúvida o mais curioso. Não sabia se tinha medo, se soltava uma risada, ou se deveria dizer alguma palavra.
– Olá, Bruce! — Disse o Arqui-Mago, quebrando o silêncio – Já almoçou? Não sei como você não tem fome!
Bruce não conseguiu responder. Não conseguia parar de vislumbrar aqueles gigantescos e amarelos olhos felinos, que o fitavam como se esperassem uma resposta.
Continua...
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