The Shadows Reborn
15 Aprisionado
Notas iniciais
Boa leitura, muitas surpresas estão expostas nesse capítulo.
–O que podemos fazer para deter esse ataque? – Perguntou Nargon.
–Os magos aprendizes não serão capazes de derrotar todos aqueles Caos! – Exclamou Caldeno, como sempre pessimista.
Azana ouvia o burburinho, mas não dava importância, tentava pensar em meio a tantas perguntas e afirmações, cansada ela disse:
–Chega! – Seu grito foi tão forte que algumas vidraças quebraram-se ao serem atingidas pelas destrutíveis vibrações da sua voz – Parem de perguntar e ajam. Chegou a hora de interferirmos nessa maldita guerra, somos seis e no reino há cinco províncias. Calef, você está destinado a proteger Cathalena, Amist irá com você. Vocês estarão próximos a Sarist, tentem protege-la. Nargon irá para Dalmyr, Caldeno para Martisy e Zamber continuará aqui. Eu seguirei viagem para o vale negro...
Caldeno abrira a boca para fazer uma objeção, mas Azana foi mais rápida.
–Não quero mais perguntas nem palavras vazias, andem logo com isso. A única prioridade que temos é de proteger o nosso povo! Entreguem a vida se for preciso. – Concluiu.
Azana meneou a varinha, sussurrou três ao quatro palavras e caminhou para a penumbra sumindo, o menos aconteceu com os outros cinco anciões.
As primeiras imagens do vale negro surgiam no horizonte, a bela paisagem cheia de verde e animais coloridos tinha ficado para trás, em seu lugar apareciam plantas secas e sem vida, animais de aparências estranhas e de atitudes peculiares, a luz do sol não penetrava a densa camada de nuvens negras que cobriam todo o céu, o vento era gelado as águas do rio Sixt eram mais negras e agitadas naquele lugar. Não parecia o mesmo rio que terminava seu curso na capital. De repente, olhos apareciam por todos os lados, parecia que algo estava a cercar o rei e seu exército.
–O que causou esse barulho? Vocês escutaram? – Perguntou um empunhador de alabarda.
–O que está acontecendo aí em baixo? – Perguntou Erus de cima do dragão ao ouvir as perguntas dos soldados.
–Há algo aqui mestre. – Respondeu o velho Afert, com seu machado de guerra em posição de ataque.
Alguns galhos saíram das sombras e começaram a se enroscar em alguns dos soldados, o rei Ozion estava impaciente.
–O que esta acontecendo? Precisamos descer Erus! – Gritava o rei.
–Descer não será a melhor opção. – Nastya dirigiu-se ao rei.
–Ela tem razão, se descermos estaremos sujeitos a alguma investida! – Concluiu Ruffus.
Gritos de pavor ecoavam e Erus ficava cada vez mais preocupado, um dos cavaleiros do alvorecer gritou em terra:
–São as “Faces Tristes”!
Uma correria começara em meio as árvores secas, não podiam revidar com armas ou muitos sairiam feridos do combate, os dragões seriam inúteis pois poderiam queimar os soldados. A única arma a ser usada contras as estranhas Faces Tristes era a fala.
As Faces Tristes eram árvores de aproximadamente um metro e meio que esticavam seus braços para capturar os invasores, quando alcançavam a presa, automaticamente contraíam seus galhos apertando seus prisioneiros até sufoca-los. Recebiam esse nome por estarem sempre tristes e deprimidas.
–Elogiem, falem coisas bonitas, assim elas folgarão os galhos! – Gritou Irom.
–Como sabe disso? – Peguntou Jeremy.
–Elas estão sempre tristes, só precisam de um pouco de carinho.
Os soldados começaram a despejar um rio de elogios em cima das estranhas árvores, mas não estava dando certo, algo estava errado.
–Por que não está dando certo? – Perguntou Nastya.
–Elas não estão agindo por si mesmas, algo maior e mais forte deve estar controlando-as. – Concluiu o sábio rei Ozion.
Nastya virou o rosto para o outro lado, ignorando-o. Após colocar a cabeça para funcionar, Jeremy teve uma ideia.
–Pessoal, preparem seus “estimálios”!
Os estimálios eram animais de estimação que todos os aprendizes tinham que possuir. Da bolsa de Nastya saiu uma joaninha que pulou no ar e transformou-se em um animal gigantesco, assustador e forte chamado: Daemon. Jeremy usava um chapéu de onde saiu um sapinho minúsculo que após fazer o mesmo movimento que o estimálio de Nastya, transformou-se em uma raposa das neves chamada Trickster. Logo estavam todos no chão, além de Daemon e Trickster, lutavam também o grande lobo azul e branco de Irom, cujo nome era Oloro e o estranho gato de Ruffus, o Frosch, um gato que sempre estava vestido em uma fantasia de sapo, possuía asas e falava. Todos os estimálios possuíam forças inacreditáveis e ajudariam bastante em combates contra criaturas estranhas que viessem a aparecer.
O grande Daemon, uma criatura com aparências humanas e animais, com chifres pontudos e patas fortes e grossas, conseguia abater até três árvores ao mesmo tempo, ele as arremessava para cima e elas sumiam no céu de tão alto que voavam. A linda e branca raposa das neves cresceu e ficou mais forte, ela podia mudar de tamanho facilmente e isso era uma bela vantagem, com seus dentes afiadíssimos ela estraçalhava as pequenas Faces Tristes. Mas as faces tristes tinham seus truques, eram muitas por todos os lados, agarravam soldados e armas, destruindo-os. Frosch, ou apenas Fro, sobrevoava as arvorezinhas e com sopros gelados ele as congelava, deixando-as paralisadas. Oloro era um lobo muito grande, com cerca de dois metros e meio de altura, suas patas com garras super afiadas toravam os troncos com muita facilidade. As rostinhos tristes das árvores amoleciam o coração de quem os olhava, muitos ficavam hipnotizados enquanto elas os imprensavam até a morte.
Muitos soldados bateram em retirada, caindo e tropeçando nos troncos secos dos caminhos tortuosos do vale. Ozion, Erus, os aprendizes e os soldados montados voaram um pouco mais e pousaram em uma clareira, sem luz, mas ainda assim uma clareira. Os soldados chegavam pouco a pouco, esbaforidos da corrida. Muitas Faces Tristes continuaram de pé, algumas não saíram da penumbra do vale, não demorou muito para os estimálios voltarem. Seus donos os abraçaram e acariciaram um pouco. O exército dormiria ali e pela manhã, depois de descansados e alimentados eles marchariam rumo ao coração do vale. Os detentos começaram a pensar em que lado firmariam seus pés, no lado corajoso e destemido do rei ou no lado sombrio e amedrontador de Ádria. Sem saberem, Aragon já estava posicionado ao lado de todos na clareira, passando força e poder para todos.
–Aprendizes, aprendam comigo. Farei um feitiço que nos protegerá de tudo essa noite. – Disse Ozion em alto e bom som.
–O que vai fazer alteza? – Perguntou Ruffus.
–Apenas preste atenção.
O rei meneou a varinha para cima e para baixo e disse:
–Kamp Protict! – E repetiu mais duas vezes.
A varinha começou a vibrar e ganhou vida, saiu da mão de Ozion e começou a fazer movimentos circulares, raios de luz vermelha eram espirrados pela ponta da varinha para todos os lados. De repente a varinha voltou para a mão do rei Ozion e ele declarou:
–Isso meus pupilos, é um campo de força, uma parede mágica que nos protegerá de todas as investidas que esse vale tem para nos mostrar! – Os aprendizes ficaram encarando Ozion por um tempo, talvez admirando o seu conhecimento mágico.
Na caverna, Lachlan era apresentado a Ádria, mas ela o conhecia bem. Ares soltou o garoto no meio da galeria fazendo-o cair de costas. Maeve caminhou para uma das incontáveis entradas da caverna e desapareceu entre as sombras. Lachlan continuava desacordado.
–O que isto faz aqui? – Perguntou Ádria enfurecida.
–Não perca a cabeça irmã, ele é um de nós... – Ádria interrompeu Ares.
–Não! Ele é bonzinho e isso me irrita!
–Está certo que ele é um pouco bom, mas os olhos dele não negam. Ele é das sombras como nós!
Ádria encarava o garoto e sentia desprezo.
–Ele revelou ser parte de tudo aquilo que mais abomino, não é digno!
–Podemos reverter essa situação irmã.
O garoto acordou e ouviu parte da conversa, fingiu estar desacordado por um tempo, depois abriu os olhos e se levantou. A íris do seu olho tinha uma coloração vermelha bem enegrecida, Ádria moveu as mãos para cima, fazendo o garoto se contorcer de dor.
–Por que veio? Isso é algum truque do patético rei Ozion? – Ela perguntou elevando um pouco mais a mão direita.
Lachlan não sabia o que fazer, foi então que conseguiu mover as braços e agarrou sua varinha e mentalizando um feitiço lanço-o em Ádria. Uma explosão de raios brancos pode ser vista no ar, a deusa das trevas foi lançada contra uma coluna de pedra que estava a alguns metros atrás dela. Ares observava tudo parado, um sorriso malicioso ficou a mostra entre seus lábios, Maeve, escondida nas sombras deixou escapar um sorriso de felicidade ao ver Ádria caída no chão. Hadã sobrevoou a galeria e aproximou-se de Ádria ajudando-a a levantar.
–O que pensa que estar fazendo garoto insolente?
–Viu todo o poder que ele tem para oferecer irmã? – Ares ainda sorria e Ádria sentia raiva por isso.
Lachlan correu para um dos lados do grande salão, mas a rainha das trevas fez outro movimento com as mãos, trazendo-o de volta.
–Onde pensa que vai? Você é nosso prisioneiro agora queridinho. – A mulher gargalhou sinistramente e desapareceu.
Ares controlou o garoto e o empurrou, Lachlan evaporou-se e quando tornou a se materializar ele já estava enjaulado em uma gaiola gigante que ficava pendurada no teto da galeria.
Notas finais
Obrigado...
Face Triste
http://media.smashingmagazine.com/images/dark-surreal-art/27.jpg
Fale com o autor