The Shadows Reborn
16 O Guardião das Sombras
Notas iniciais
Boam leitura!
A noite já havia passado, mas não era o que parecia. As nuvens que cobriam toda a extensão do vale impediam a passagem da luz solar, portanto mesmo durante o dia o vale era sombrio e perigoso. As tropas do rei estavam de pé, alguns terminavam de se alimentar e outros treinavam ataques com seus armamentos, o rei Ozion estava em cima de uma grande pedra que havia ali por perto, ele e seu exércitos estavam no alto de um monte e dele dava-se para ver boa parte do vale da Melancolia. Os aprendizes aproximaram-se do rei.
–O que consegue ver meu altíssimo rei? – Perguntou Irom.
–Todo o vale minha bela aprendiz.
–Onde será que o Lachlan está? – Indagou Jeremy.
–Não se preocupe, uma hora ele aparecerá. Tenho a impressão de que nada de mal acontecerá com ele. – Ozion falava com absoluta certeza e confiança.
–Até parece que é o dono da verdade para afirmar com tanta confiança. – Alfinetou Nastya.
–Garota, alguns dias atrás disse a você que a vida lhe ensinará a ser menos petulante, acho melhor você começar a aprender tal ação. – Nastya olhava para o rei e sua expressão não era clara, ninguém sabia o que ela estava pensando.
–Nós temos que permanecer unidos Nastya, ou então nada ganharemos. – Ruffus discorreu sabiamente.
–Tropa! – Gritou o rei – Vamos levantar acampamento!
Os generais Mildres e Graud comandaram as divisões enquanto Erus organizava sua ala de cavaleiros do alvorecer. Logo todos estavam em formação, marchando novamente rumo ao destino próximo, o covil das trevas.
Na grande árvore da Floresta de Íris, Diafos apreciava as marolas na superfície do lago. De repente ela ouviu alguns barulhos de folha seca e olhou para baixo, conseguiu ver um homem muito idoso que vestia uma túnica branca e arrastava uma criança, no seu pescoço havia uma corda, que ele usou para amarrar o garoto. Diafos observava atenta, foi então que em sua forma espiritual, desceu da árvore flutuando lentamente até chegar ao chão, olhou para o senhor que acabara de tirar um punhal de dentro da roupa que vestia e não conseguia acreditar no que via. “É um sacrifício!”- pensou ela. Aquele idoso era nada mais do que o Alto Sacerdote da deusa Íris. Mirael começou a falar enquanto sem perceber, Diafos o olhava estranhamente.
–Ó grande Írís, deusa de todas as coisas que se pode ver e tocar, trago-lhe esse sacrifício implorando-lhe que o reino de Karsys vença a guerra contra as trevas!
“O que ele está falando? Como pode implorar a Íris que derrote as trevas, se ele mesmo está a pratica-la?”. Diafos não entendia Mirael, um sacrifício seria torpidade, uma vez que fazendo aquilo com uma pessoa ele estaria destinado ao Abismo da Tortura, que ficava sobre os cuidados do deus Ares. O velho desferiu o golpe sobre a criança que chorava copiosamente, mas antes que o punhal atingisse a carne do garoto Diafos interferiu. A arma se desmaterializou nas mãos de Mirael e ele ficara assustado, em seguida Diafos disse coisas que só ele pode ouvir:
–Não faça isso, ou sua idolatrada Íris o mandará numa bandeja sem piedade alguma para as mãos do tirano Ares. Você não quer isso, sem que não quer. Então, desamarre a criança e leve-a de volta para a casa. Estou lhe dando uma chance Mirael, agarre-a!
Diafos tinha um poder de persuasão incrível, Mirael ficou atônito com o que acontecera, e então perguntou:
–Quem é você? Mostre-se!
Nenhuma palavra saiu da boca da deusa da bondade, em vez disso, ela que controlava muito bem a luz, levantou as mãos e pensou em um grande relâmpago. Um clarão no céu ofuscou os raios do sol como se houvesse uma estrela ainda maior que ele no sistema solar. Mirael não viu mais nada e a criança simplesmente desaparecera. Diafos estava novamente sentada na árvore, voltando a olhar para o lago.
–Onde eu estou?! – Gritou o Alto Sacerdote assustado.
Ele acabara de acordar dentro do templo da deusa criadora Íris, estava deitado no meio do pátio central, onde havia um jardim, várias estátuas da deusa serviam de coluna para o teto dos corredores que ficavam em volta do pátio. Alguns adoradores de Íris o cercavam apreensivos, enquanto se perguntavam: “O que aconteceu ao Alto Sacerdote?”.
Lachlan Ruggiero dormia dentro da grande gaiola onde fora aprisionado, a noite anterior tinha sido muito difícil para se pegar no sono, ele só conseguira dormir pela manhã. Mas algo estava errado, ele estava suando muito e tremia, de repente ele acordou assustado, dando um grito de pavor que arrepiou até as costelas de Ádria.
–O que houve desditosa aberração? – Perguntou a rainha das trevas.
–Tive um pesadelo, eu estava matando alguns dos meus colegas... – Ádria o interrompeu.
–Matando? Por quê?
–Não sei, tenho esses sonhos a todo o tempo! – Disse o garoto com um olhar triste nos olhos.
–Por acaso você gosta de sangue?
Um gosto meio absurdo e fósmeo, mas era verdade, o jovem aprendiz tinha atração pelo líquido vermelho que corre em todos os corpos. Seu corpo tinha algumas cicatrizes, consequências do prazer que Lachlan tinha em si cortar para poder melar-se com sangue.
–Não entendo porque, mas eu sinto atração quando estou diante dele.
Ádria estalou os dedos e Lachlan se materializou na sua frente.
–Venha comigo, não tente nada, estou com sua varinha.
Ádria estava sozinha na caverna, Hadã e Maeve acompanharam Ares até o Abismo da Tortura, uma visita rotineira para mais uma sessão de longas horas de castigos aos maus espíritos.
–Enfim chegamos criatura diminuta! – Aliviou-se a deusa má.
Lachlan ficou extasiado ao ver o poço de sangue onde Ádria banhava-se frequentemente, os olhos da deusa brilhavam de um jeito diferente, tinha uma razão para ela agir daquele modo com o garoto, parecia que tudo aquilo era um teste.
–Fica tentado a entrar não é? – Instigou Ádria.
O garoto não conseguia responder, foi então que pulou no sombrio poço de sangue. Parecia que ele estava fora de si, seus olhos oscilavam do calmo cinza para o vibrante vermelho. Ádria deixou um breve sorriso a mostra, depois conteve-se e deixou o garoto a sós com suas loucuras.
O ponto final da marcha real estava próximo, mas um novo perigo estava a espreita das tropas karsysianas, algo muito diferente das Faces Tristes, ou dos sugadores, uma criatura guardiã das florestas do vale, nada atravessaria a tênue linha entre o reino e os deuses das trevas sem antes passar por ele. O Guardião das Sombras, era uma criatura alta, que vestia um sobre tudo sujo e surrado e carregava um cajado, tinha controle absoluto sobre a fronteira, os soldados tinham acabado de chegar no principal ponto da caminhada, ao passar a fronteira imaginária, eles entrariam na casa das criaturas das trevas, no ponto onde a guerra realmente se desenrolaria.
O guardião deu as boas vindas ao rei:
–Seja bem vinda vossa majestade! O que desejas nesse lúgubre ambiente?
–Quem é você criatura? – Perguntou Ozion intrigado.
–O Guardião! – Respondeu Nastya – Se você tivesse lido alguma coisa sobre o vale negro saberia quem é essa figura!
–Não passará a fronteira a menos que eu queira “Ozion”! – O guardião falava com desdém.
–Tropas? Ataquem! – Ordenou Ozion enfurecido.
A primeira fila avançou em investida ao guardião, mas os cavaleiros do alvorecer foram parados por um escudo que os empurrou para trás.
–Já disse majestade, eu decido quem passará! – Gritou e o som ganhou eco, que desbravava o vale e o grito logo chegou aos ouvidos de Ádria.
A deusa sorriu maliciosamente e pensou: “Eles já estão na fronteira, todos a um passo da derrota”. E soltou uma risada fantasmagórica.
–O que quer que nós façamos Guardião? – Indagou Ozion.
–Agora falamos a mesma língua, alteza. – A voz da criatura era grave e forte, amedrontadora – Um combate é o que eu peço.
–Por que um combate? – Jeremy reacendera seu curioso vício de fazer perguntas.
–Já que pergunta, lutarei contra ti! Se perder morrerá e as tropas nunca passarão, se ganhar eu os deixarei passar.
–Não posso deixar que isso aconteça! – Exclamou o rei.
–Eu luto no lugar da criança! – Gritou Acaton-b em tom forte.
–Eu já decidi, é você garoto dos olhos azuis!
Um silêncio profundo se estendeu enquanto Jeremy olhava para o Guardião das Sombras, após um intenso pensamento ele respondeu:
–Eu aceito o desafio!
–Pois bem. – Respondeu o guardião.
O infausto ser das sombras ergueu o seu cajado e declarou:
–Que comece o teste!
O cajado vibrou intensamente, liberando uma luz vermelha que iluminou o céu, a terra começou a se mexer e tremia como uma pessoas com frio, no chão uma cratera se formava e uma construção de pedra elevava-se diante dos olhos atentos do rei e de seu exército. Todos estavam atônitos, vidrados na poderosa mágica da fósmea criatura. O coração de Jeremy batia aceleradamente, ele estava nervoso. A construção que saíra da terra era como um campo de batalha e era ali que Jeremy enfrentaria seu oponente.
–Preparado jovem mago? – Perguntou o ser das sombras.
Jeremy não respondeu, fez movimentos circulares com a varinha e flutuou até o alto da majestosa construção, aqueles que estavam em seus dragões voaram até o topo do campo de batalha, para apreciar o duelo. O Guardião anunciou a única regra:
–A luta só acaba quando um dos dois combatentes for lançado para fora do pináculo. Já! – Gritou.
Sendo astuto e desonesto o Guardião lançou um feitiço com o seu cajado, mas Jeremy usou uma técnica de defesa, o feitiço espelho, uma feitiço que utilizava a força do oponente contra ele mesmo, mas a criatura esquivou-se sabiamente. Fagulhas eram vistas pelos cavaleiros montados em dragões, iam para lá e para cá. Em uma investida severa, o Guardião bradou:
–Destruit Trevaus! – Esse era um feitiço proibido, vindo das trevas.
O garoto de olhos azuis foi arremessado contra a mureta do pináculo, caiu no chão e não se moveu. Seu supercílio sangrava.
Notas finais
Quando vocês acharem que está na hora, recomendem a história. Afinal vocês estarão recomendando também os seus personagens para que outras pessoas possam vê-los em ação!
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