The Shadows Reborn

11 A Raiva Se Converte Em Motivação


Notas iniciais
Feliz Páscoa, desculpem a demora, mas enfim aqui está o capítulo, que na minha opinião foi o melhor que escrevi.
Boa leitura e comentem!

“Caminhando” sobre terras inóspitas, ceifadas e amarguradas, as plantas não tinham mais cor, estavam todas incolores, sem vida, assim como o local de onde saiam suas raízes, eram seres intrépidos que viviam em um local quase inabitável. A paisagem tomada por montes e vistas impressionantemente exuberantes estava agora sob um manto negro e aterrorizante. As cinzas cobriam todo o reino de Karsys e ao longe, cidades estavam aniquiladas, seus habitantes estendiam a mão na esperança de encontrar uma alma bondosa que os tirassem dos escombros. A vida tinha sido interrompida por um processo chamado de destruição, maldade ou até mesmo ambição e pensamentos doentios.

Sentada no topo de uma grande construção, olhando a completa desolação da paisagem e rindo à custa do sofrimento alheio estava Ádria, mas sua alegria estava prestes a se desmanchar por inteira, um ser amedrontador surgira no céu, sua face era de uma malignidade sem precedentes na história. O sorriso de Ádria se converteu em um grito melancólico de pavor e o rosto sombrio da enigmática criatura deixava a mostra um sorriso de completa perversidade, estava sedento por ainda mais destruição...

Diafos conversava com seu irmão Aragon, seu semblante estava diferente, sua face costumava estar sempre estonteante, mas naquela ocasião seus olhos revelavam certo desespero contido por várias camadas de ponderação e bondade.

–O que Ádria está tramando é de uma imprudência sem tamanhos — Falava Diafos -, ela vai acabar desencadeando algo maior do que imagina, certamente os deuses irmãos do mal não sabem do que Íris é capaz!

Os dois falavam sentados em um dos galhos da grande árvore da Floresta de Íris, aquela era a lendária Sombra de Íris, onde muitos artefatos eram deixados por fiéis que acreditavam na deusa, em forma de sacrifício, desapego e adoração. O sol raiava portentoso e imperante no longínquo céu azul celeste.

Ouvindo atentamente as palavras de Diafos, Aragon esbravejou em tom altissonante, as aves que habitavam a árvore voaram em debandada. Aragon estava irritado.

–Aqueles perturbados precisam de um freio, o rei de Karsys acha que tem poder sobre a situação, mas seus olhos não veem o que a vida insiste em mostrar, os deuses existem e não é qualquer magia que os derrotarão!

–Temos que ser realistas, a força de Karsys é paupérrima, chega a ser um deboche tentar vencer Ádria e seus irmãos com aquelas crianças, pequenas aprendizes!

–Não os subestime irmã, eles tem a seu favor, mesmo sem saber a pedra que um dia expulsara Ádria desse belo lugar.

–Falou certo, expulsara, que é contrário ao verbo destruir!

–Não se preocupe, darei o meu jeito. — Finalizou Aragon.

Em Dalmyr, Erus dava-se conta de que nada era capaz de reverter toda a desgraça que assolara a cidade do centro oeste karsysiano, sua face exalava um ar entristecido, mas a bravura existente no seu coração e no seu centro psíquico o acendeu e confiante em si mesmo, bradou para todos os soldados que retiravam os corpos destroçados das ruas.

–É tempo de batalhas e vitórias, mas nessas vitórias só há lugar para um grupo de destemido poder e esse grupo com certeza absoluta será o nosso. Lutaremos com todas as forças possíveis e improváveis que conseguirmos tirar de nossos humildes corpos mortais. Derramaremos sangue? Sim! Mas será sangue derramado em nossa própria defesa. Começa hoje, a partir de nossos corações mutilados de angústia uma nova escalada, que comece a revolução. Que comece a guerra!

Erus deixava escorrer uma lágrima pela sua face esquerda, seu pequeno discurso foi como um raio de inspiração para os corações dos sobreviventes do massacre, Ádria lançara o estopim para uma guerra onde não faltaria sangue sobre o solo e tristeza sobre a face, mas Erus fizera disso um meio de motivação. E concluindo, vociferou:

–Cidadãos, não só de Dalmyr, mas de todo reino de Karsys – Falava em tom relativo, pois sabia que a população do reino não o ouviria -, nesse horripilante dia declaro a vossos ouvidos que não será aceita a derrota, entraremos nessa guerra com a razão e sairemos dela usando a força!

Em coro os caminhantes e os soldados que estavam a ouvir Erus, gritaram:

–Ahaaaa! – Aquele era um comprimento de batalha que significava: “siga em frente com seus planos”.

Voltando para a cidade de Rankrovic’s, o rei já havia conversado com seus fiéis escudeiros: Nastya, Jeremy, Ruffus, Irom e Lachlan. Pudrê agora caminhava com seus pupilos em direção a porta, quando Ozion desejou:

–Vão com Íris e todos os seus irmãos! – Ozion não acreditava em deuses, mas usava-os para transmitir força e determinação.

–Não é você que não acredita em deuses? – Perguntou Nastya.

–Não seja petulante Nastya, o rei tem seus afazeres! – Reclamou Pudrê com sua face carrancuda e concertando a roupa que insistia em entrar nas dobras de sua barriga, concluiu com perfeição e habilidade com as palavras – O rei é um homem incrédulo – E virando-se para Ozion disse:

– Com sua licença alteza, porém ele sabe que pessoas como nós acreditamos no poder desses deuses, por isso desejou-nos a companhia de Íris e seus irmãos!

–Sábias palavras Pudrê. – Elogiou o rei Ozion e Pudrê não sabia onde esconder os seus sorrisos de agradecimentos.

–Agora vamos crianças!

Nastya mais uma vez tentara jogar o rei nas teias da controvérsia, mas não adiantara de nada, Pudrê havia livrado o rei de uma armadilha. Todavia a resposta de Pudrê não era diferente da que Ozion tinha em mente, ele era um rei ponderado, astuto e inteligente, não seria uma mera pergunta que tiraria seu chão.

Alguns minutos foram jogados no “buraco negro” do tempo, e quando Ozion estava preste a sair da biblioteca para navegar até a Ilha da Condenação, um livro veio abaixo e caiu aberto. Intrigado pelo que tinha acontecido, ele caminhou até o livro e notou que a página que estava aberta revelava fatos sobre a pedra vermelha que Rubírio usara há tempos para derrotar Ádria. O nome do livro era: A Odisseia do Talismã Carmesim. Ozion olhava atentamente suas páginas e várias fotos ilustravam uma pedra vermelha e as palavras sempre a descreviam como “o rubi mais brilhante que se podia imaginar”, ele ficou fascinado com as imagens e os fragmentos de texto que acabara de olhar, mas uma mão delicada veio de repente e tapou-lhe o olho. A voz sutil da mulher amaciara seus ouvidos:

–O que faz aqui meu nobre guerreiro? A comitiva te espera! – Era Semira, a rainha do reino de Karsys.

–Já estava indo ao encontro do grupo, minha bela donzela! – Ele virou-se e a beijou nos lábios.

–Vá em paz meu amor e não seja atrevido ao ponto de me deixar esperando por muito tempo.

–Não sei quanto tempo ficarei lá, precisamos de guerreiros. E quem melhor que criminosos habilidosos e perversos para empunhar armas? – Perguntou ele, mas sua pergunta não precisava de resposta. Beijou-a novamente e caminhou até a porta, sumindo na decida dos quase infinitos degraus dos corredores.

O rei Ozion, Mildres e uma comitiva de soldados e comandantes partiria com destino a Ilha da Condenação, lá teriam que enfrentar pessoas sem coração e sem escrúpulos, repletas de crimes e mágoas nas costas, cheias de pensamentos frios e melancólicos, sedentos por carnificina e sangue nas mãos. Era o lugar onde nenhum ser com o mínimo de sapiência sonharia em pisar, uma ilha fétida no meio do mar das tormentas, onde só havia podridão e lugubridade. Neste lugar incrivelmente amedrontador, eles haveriam de tentar amolecer os duros e quase inexistentes corações dos detentos para que esses se juntassem a eles na guerra contra o mal.

No vale da Melancolia Ádria ordenava ao seu irmão Ares que fosse a Ilha também.

–Ares, vá até àquela ilha maravilhosa, cheia de maldade e penetre na mente daqueles seres endurecidos, faça-os vir para o nosso lado, não deixe que aquele mago insolente consiga domar as feras que lá vivem!

–Não conseguirá irmã, farei de tudo para conquista-los.

Em seguida Maeve pediu para ir com ele, como se fosse uma garotinha que queria passear, mas seus intuitos eram outros. E foi assim, que Ares e Maeve foram para Ilha da Condenação. Ádria ficara a espreita, esperando a volta de seus sombrios irmãos.

Notas finais
Comentem, obrigado por lerem! Até outra hora!