The Shadows Reborn

12 A Fortaleza Da Condenação


Notas iniciais
Oi gente, espero que curtam o capítulo.
Boa leitura!

Um dia inteiro havia se passado, não foram poucos os momentos de refluxo naquela estranha embarcação, a cada piscada, uma nova pessoa regurgitava tudo que tinha dentro do estômago. O mar ficara fétido e nojento em meio aquela situação. O estranho navio que levava o rei Ozion e sua comitiva para a Ilha da Condenação recebera o nome de “Onipotente”, pois era o maior navio da frota karsysiana, possuía três andares de altura, era construído em madeira tão forte quanto metal, retiradas da Floresta de Íris, a força que o movia não era comum, não era uma embarcação a vela, ou a remo, a força que o levava a enfrentar as vigorosas águas turvas do mor das tormentas provinha da magia. Todo barco no fim da sua construção era submetido a um ritual, onde o rei o batizava com parte de seu poder mágico. Era desse ritual que vinha o estranho poder de locomoção das embarcações.

No fim da tarde o rei e seus comandados chegaram a tal ilha. Uma visão tenebrosa estendia-se pela paisagem, uma muralha cinza erguia-se por mais de trinta metros de altura, no topo da grandiosa construção existiam torres de vigias, ninguém passaria por ali sem ser visto e identificado. Uma fuga era quase impossível, e se acontecesse, o mar não deixaria ela se prolongar. Uma pequena faixa de areia ficava em volta da muralha, de longe se podia ver o porto de madeira podre e envelhecida. O lugar era um mausoléu lúgubre e medonho.

–Fiquem atentos a qualquer movimento! – Resaltava Mildres, como general do exército.

–Aproximadamente quantos guardas e prisioneiros nos esperam lá dentro? – Perguntou Ozion.

–Depois da última revolta, cento e cinquenta e um guardas e duzentos insubordinados.

–Será uma bela força se conseguirmos trazê-los para o nosso lado. – Observou Afert, um senhor de meia idade que fazia parte da ala cinquentenária da divisão dos machados de guerra.

Os guardas pediram que abrissem o portão e assim foi feito. O rei adentrou o covil dos vilões mais asquerosos do reino acompanhado da sua comitiva militar, dentro da fortaleza os guardas reverenciavam o rei, o diretor do forte da Ilha da Condenação se apresentou a Ozion e disse:

–Meu generoso e altíssimo rei, o que te trazes a esse humilde mausoléu? – Seu nome era Milon, ele já dirigia a ilha a mais de cinco anos, era um homem forte, porém velho, já passava dos cinquenta anos.

–Caro Milon, venho por motivos bélicos. Nosso reino está em guerra contra uma corja de bruxos e monstros, preciso de um momento com os seres desobedientes que aqui estão!

–Receio que será difícil convencê-los a segui-lo alteza, essa não foi uma ideia muito arriscada?

–Não podemos garantir nada se não tentarmos, não é?

A fortaleza era ainda mais infausta por dentro, as paredes tinham marcas de garras por todos os cantos, algumas manchas de sangue também enfeitavam as pedras usadas para formar as tais paredes. No térreo ficava os dormitórios, o centro de alimentação dos oficiais e uma pequena sala, que servia de escritório para o diretor Milon, envolta desse complexo havia um grande pátio que servia de centro de treinamento para os soldados que ali moravam por um tempo. A guarda da ilha mudava constantemente, quando um grupo de soldados ia para o continente, outro chegava à ilha para completar os espaços deixados.

Em um dos cantos da muralha existia um imenso buraco, aquela era a porta de acesso ao calabouço, onde todos os presos ficavam sem ver a luz do sol. Algumas rebeliões já tinham acontecido, mas no final tudo era devidamente controlado.

O rei e seus subordinados se estabeleceriam nos dormitórios e no outro dia ele falaria com os detentos.

No calabouço frio e sombrio vozes eram ouvidas a todo o momento, os presos enterravam a cabeça entre as mãos tentando desfazer aqueles sussurros, mas não tinham sucesso.

–Não acredite no rei, ele é mentiroso e malvado. Venham para o nosso lado, mintam para eles e depois fujam para lutar conosco. – Ares tentava enlouquecer os misteriosos detentos com suas palavras premeditadamente ensaiadas.

–Matem-no, tirem o seu couro e mostrem do que são capazes, um rei bom é um rei morto! – Dizia Maeve mais malvada do que o normal, em seguida dava risadas que penetravam no subconsciente dos presidiários.

–Façam com que ele acredite em vocês, sejam astutos, o rei Ozion tentará engambelar a todos! – Ares de repente percebeu o que Maeve estava fazendo – Maeve, não! Não mande que eles matem, apenas mande mentir!

–Você segue as ordens de Ádria, será morto junto com ela!

–Do que você está falando? – Perguntou Ares intrigado, os dois estavam conversando entre si, os presos não ouvia mais os sussurros.

–Você saberá em breve meu irmão.

Ádria estava pensativa, Hadã fazia companhia para ela na grande galeria da caverna. Mas um estranho barulho tirou a sua concentração. Os sons vinham da porta que nunca se abria, ao fundo da galeria. Atrás daquela jubilosa porta segredos escondiam-se do mundo exterior.

–Está ouvindo milady? – Perguntava Hadã.

–Estou penumbra, mas gostaria de não está. Mas felizmente ele está aprisionado e muito bem aprisionado. – Declarava Ádria.

–Não tem medo de que ele consiga achar um jeito de fugir?

–Não me faça perguntas desagradáveis criatura das sombras!

Uma gargalhada sinistra ecoou da porta em direção a saída da caverna, tomando todo o vale.

–Pensa que está protegida filha ingrata? Um dia sairei daqui e você temerosa me pedirá perdão! O meu erro foi ter te ensinado a ser mais malvada do que eu. – Dizia a voz altissonante.

Ádria gritou algumas palavras e foi até a misteriosa porta.

–Ninguém nunca te tirará daí criatura infeliz. A única coisa boa que Rubírio fez foi ter aprisionado você aí!

–Não cante vitoria Ádria. Sua vingança não será nada comparada a minha! – E a misteriosa criatura dava gargalhadas sarcásticas que faziam Ádria arrepiar-se dos pés a cabeça.

No salão da magia os anciões mantinham uma conversa, o ambiente era escuro e poucas velas estavam acesas, uma grande mesa redonda tomava o centro do salão que ficava em uma das salas do castelo. Algumas armas e objetos mágicos enfeitavam o local.

–Não estamos lutando contra qualquer força, armas não são capazes de derrubar o poder de um deus! – Exclamava um dos magos anciões, seu nome era Calef.

Ao todo o salão da magia era formado por seis magos anciões: Calef, Amist, Nargon, Caldeno, Zanber e Azana a líder dos anciões. Sim, era uma mulher, a única maga anciã, uma senhora de cento e dez anos de idade, os magos viviam aproximadamente duzentos anos. Todos os anciões estavam na meia idade. Eles eram fortes até o último suspiro. Quando um mago ancião morria, um antigo mago da escola de magia assumia o seu lugar, mas não podia ser qualquer um, tinha que ser o melhor. Ao assumir o poder da varinha anciã o mago prolongava sua vida, pois nessa varinha estava guardado um nível de magia inigualável.

–Temos que formar planos para combater essas forças sombrias. – Falou Amist.

–Não podemos acreditar que o rei se deu o trabalho de procurar pessoas desprezíveis como aqueles presos. – Resaltou Zanber.

–Nossos poderes são inabaláveis quando permanecem juntos. Se soubermos usar nossas armas teremos a vitória. – Declarou Azana.

Os anciões continuavam pensativos, a noite avançava e o dia seguinte escondia muitas surpresas.

Notas finais
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