The Shadows Reborn
13 A Carta
Notas iniciais
Boa leitura.
Um fúnebre silêncio reinava no salão da magia, mas Azana retomou a fala:
-Precisamos aguardar o regresso do rei Ozion, depois que ele der o sinal realizaremos nosso ritual.
-Ele não deve demorar, aliás, ele não deve nem covencer os petulantes daquela ilha infausta. – Dizia Caldeno, o mais pessimista dos anciões.
-Não seja assim Caldeno, nosso rei tem habilidade com as palavras, saberá manipular aqueles detentos. – Completou Nargon.
-Não tenha tanta certeza Nargon, os seres das trevas provavelmente tentarão se infiltrar nas cabeças menos pensantes daqueles pobres homens sem sorte.
Os magos se calaram, Azana era muito sábia. Antes de um golpe ser projetado ela tinha uma solução, ou já pensara na possibilidade, com ela não havia margem de erro, ou era ou não era.
A noite guardara espaço para o dia. Acaton-b, a mulher que Erus achara na floresta estava se recuperando dos ferimentos, foi levada até Martisy, onde fora tratada por pessoas experientes e bondosas. Por ordens de Erus, o soldado que a acompanhou não a deixou sair da cidade, ela teria que espera-lo o tempo que fosse preciso e esse tempo havia chegado. Erus subira as escadas do palácio do governo de Martisy, adentrou o imponente local e foi até uma de suas salas, a sala do comandante Mirrost, uma espécie de sub-rei, comandante de toda a Província de Martisy.
-Onde está minha enviada? – Perguntou Erus.
-Sua enviada está em um dos cem quartos do palácio. Como está a Província de Dalmyr?
-Comandante, a situação da província fica pior a cada dia. A cidade de Dalmyr foi quase que completamente devastada pelos malditos sugadores, eles mataram o nosso povo, incendiaram nossas casas e saquearam nossa comida. A vontade que eu tenho é de esganar a tal bruxa provocadora que provocou tudo isso!
-Não se exalte tanto, logo estaremos com as mãos naquela criatura. Acompanhe-me, vou leva-lo até a bela moça.
Mirrost caminhou por um grande corredor seguido por Erus, o palácio guardava inúmeras portas e aberturas nas paredes, era impossível adentra-lo sem sair com dores no pescoço por olhar para todos os lados. Subiram ao terceiro andar e entraram em um dos quartos, uma moça muito bonita descansava em uma cama confortável e aconchegante, o quarto era muito grande, algumas janelas o deixavam sempre iluminado, jarros com plantas embelezavam os cantos do imenso cômodo.
-Como vai... Como é mesmo o seu nome?
-Acaton-b, o seu nome é Erus não é? – Erus meneou a cabeça positivamente – Me contaram que você mandou me trazer para cá. Muito obrigado cavaleiro.
-Você estava muito ferida, precisava de socorros. E agora como se senti?
-Muito bem, me disseram que só poderia sair daqui quando voltasse. Por quê? – Acaton-b falava com sua voz sempre meiga e doce.
-Queria vê-la novamente antes de sumir.
-Sumir? Apesar de você não me conhecer eu o conheço, moro em Dalmyr, ou pelo menos morava.
-A cidade foi destruída... – Os dois conversaram por um bom tempo, Acaton-b estava melhor, Erus levou-a de volta para Dalmyr no lombo do seu Dragão do gelo.
Na Ilha da Condenação o rei preparava-se para discorrer o seu discurso. Vários guardas e soldados concentravam-se no calabouço junto ao rei, as estreitas fissuras nas grandes e grossas portas de madeira encaminhariam o som até os ouvidos dos insubordinados.
-Pobres homens cujo tempo não soube lapidar – começou o Ozion –, estou aqui hoje para falar de uma grande catástrofe e de uma possível liberdade. O reino fora atacado por bruxos e monstros! Estamos nos rebaixando a esse grau diante de vós, pedindo, ou melhor, clamando por vossa ajuda. Vocês poderão ter de volta a liberdade tomada, a família esquecida, a luz que vos fora privada. Basta nos ajudar nessa guerra, quem sabe vocês poderão mudar de vida, esquecer os crimes insanos que cometeram. A uma chance, uma segunda chance para fazer aquilo que não foi feito, não desperdicem essa nova oportunidade agarre-a com toa a força...
O rei falava e na mesma proporção que discorria as palavras Ares e Maeve atormentavam os presos com suas vozes e frases impactantes.
-Não ouça ele, ele está mentindo, enganem-no e libertem-se, eu guiarei vocês a vitória logo depois da saída dessa jaula lúgubre. – Ares continuava a sussurrar.
Os presos ouviram as vozes e tomaram uma decisão, os deuses sabiam o que pensavam e o rei pensava que tinha conseguido penetrar no consciente dos enraivecidos homens. Um burburinho tomara conta das selas e do corredor do grande calabouço, os detentos anunciaram:
-Nós seguiremos os seus passos meu senhor. – Essa fora a frase dita por Ozion caso eles decidissem segui-lo.
Imediatamente os soldados abriram as selas e todos saíram da penumbra, estavam livres novamente.
-Vocês terão o prazer de empunhar uma arma e de lutar a favor do bem. – Concluiu Ozion.
Fora da fortaleza uma frota de embarcações esperava o rei, seus soldados e seus mais novos pupilos. A Ilha da Condenação ficaria desabitada novamente depois de mais de quatrocentos anos de história.
-Amigos, se tudo correr como planejado, vocês não precisarão mais voltar para esse lugar imundo. – Discorreu Mildres sobre a fortaleza.
Uma harpia mensageira — espécie de ave que enviava mensagens – foi usada pelo rei para avisar ao povo de Karsys que ele tinha conseguido vitória sobre os detentos da fortaleza da condenação. A ave sobrevou o mar das tormentas e chegou como um raio a escola de magias, Pudrê caminhava no pátio central da escola, enquanto os alunos apreciavam o intervalo da aula. O majestoso pássaro pousou no pedestal da deusa Diafos e Pudrê assustou-se, nunca gostara de aves e tinha o maior pavor de harpias. Lachlan dirigiu-se a ave e retirou o papeu que carregava na pata direita.
-É uma carta do rei senhor Pudrê! – Respondeu o garoto entusiasmado.
-Me dê isso garoto, essa carta não é da sua conta!
-Mas nela está escrito: Endereçado ao povo de Karsys.
-A é? Deixe-me ver. – Pudrê examinou a carta com atenção e declarou para todos que passavam pelo pátio – O rei está a caminho, ele conseguiu domar as feras da ilha e está voltando com todos os detentos, ou seria ex detentos?
-Reverenciaria ele por isso, mas estou sem vontade. – Declarou Nastya.
Jeremy foi até a grande harpia, mas tropeçou e caiu, fazendo com que o animal fosse embora.
-Viu o que você fez? – Perguntou Ruffus em tom risonho, afinal ele ria por tudo, menos por piadas.
-Eu só queria tocar o pássaro. – Jeremy ficara constrangido, mas ao mesmo tempo arquitetava um plano mirabolante de vingança contra todos que riram dele.
-Acho que farei um feitiço para você Jeremisinho – disse Irom, em seguida mexeu a sua varinha dizendo: O Jeremy e desastrado faça dele um garoto centrado! – Em seguida caiu na gargalhada, ela estava apenas brincando.
-Chega de brincadeiras, voltem para salas seus insolentes!
Pudrê apesar de ser antipático, tentava se segurar para não rir de Jeremy. Controlou-se e foi até o palácio, com as mãos ele segurava a carta real.
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