The Shadows Reborn

17 A Fúria De Jeremy


Notas iniciais
Oi gente demorei um pouco mais voltei!
Boa leitura!

Tudo pode mudar de repente, mas as pessoas insistem em vangloriar-se antes do tempo. Não é porque o pobre está caído que ele não pode se levantar, o Guardião tinha errado nos seus cálculos, ao ver Jeremy caído logo pensou que tinha derrotado o garoto de olhos azuis, mas ele se enganara e seu ar jocoso ao olhar para o garoto alimentaria os planos de vingança que Jeremy sempre arquitetara.

Todos estavam pasmos, se Jeremy perdesse a luta eles perderiam a guerra. Um campo de força separava o rei e sua tropa da fortaleza que emergiu da terra, e outro campo de força separava-os do coração do vale da Melancolia. O Guardião dava risada do pobre garoto caído ao lado da mureta do pináculo e dizia:

-Vocês nunca passarão pelo portal! Acho que vou acabar de uma vez com esse menino insolente.

As pessoas que aguardavam o final da batalha no chão estavam apreensivas e não sabiam ao certo o que estava se passando no pináculo da fortaleza. O rei Ozion perdia as esperanças e seu dragão, sentindo a angústia do seu domador lançava chamas sobre o pináculo, mas as mechas flamejantes dissipavam-se ao atingir o campo de força. O Guardião das Sombras dirigiu-se até Jeremy, que continuava inerte.

-O golpe final! – Gritou a criatura das trevas.

O Guardião ergueu seu cajado e bradou:

-Agorus Dissipus!

“Um feitiço de destruição!”- Pensou Ozion e seus pupilos. No exato momento que a criatura cujas vestes estavam sempre surradas desferiu o golpe, Jeremy esquivou-se para o lado rolando pelo chão do pináculo sombrio. O feitiço colidiu com a construção de pedra fazendo uma cratera que descia até o solo.

-Encádian Trevaus! – Gritou Jeremy apontando sua varinha na direção do Guardião.

Um raio vermelho “correu” sobre o ar em velocidade extraordinária até atingir o corpo do poderoso guardião do portal das sombras, o raio percorreu todo o corpo do Guardião e quando a luz desapareceu uma corrente grossa e negra havia ficado em volta do “porteiro sombrio”. A verdade é que Jeremy estava acordado a todo tempo, mas havia fingido para conseguir perfeição ao lançar seu feitiço.

O rei e seus aliados gritaram de felicidade, Jeremy havia conseguido uma vitória inimaginável sobre uma criatura super poderosa. Enquanto todos comemoravam, o Guardião deu a última palavra:

-Podem adentrar o coração do vale. – Seu corpo se transformara em uma fumaça negra, a corrente caíra no chão e ele voltara a se materializar diante do exército karsysiano. A grande fortaleza de pedras voltou para dentro da terra e a comitiva real penetrou o vale da Melancolia.

No Abismo da Tortura Ares, Maeve e Hadã planejavam novos métodos de violência contra os maus espíritos.

O lugar era como qualquer outro que os deuses das trevas frequentavam, frio, escuro e tenebroso. Os espíritos ficavam em jaulas que flutuavam sobre a terra, nesse tal lugar que fazia parte de outra dimensão o céu era vermelho e sem nuvens e até a lua tinha medo de orbitar aquele mundo lúgubre e infausto. Não existiam árvores, nem animais, apenas ossos e cadáveres em decomposição, um lago ácido pintava a paisagem de um tom verde musgo e o ar era tão pesado que se podia vê-lo.

-O que vamos fazer agora? – Perguntou Hadã, seu rosto mostrava felicidade em ver tantos corpos mutilados.

-Chegou à hora da purificação Farael! – Falou Ares citando o nome de um antigo sacerdote do deus Aragon.

Farael fora um grande conselheiro religioso, mas a fim de vencer uma doença que o abateu profundamente, fez um sacrifício humano ao seu deus, o deus da justiça. Aragon não gostou do ato cometido por Farael e em vez de ajudá-lo, ele condenou sua alma ao Abismo da Tortura e antes mesmo da morte, a alma do sacerdote já sofria ataques vindos das sombras. Agora chegara à hora do último castigo, após isso a alma dele migraria até o descanso eterno.

O instinto bipolar de Maeve aparecerá novamente e sua bondade floresceu diante do antigo sacerdote.

-Não se preocupe Farael, sua alma descansará em paz e livre de pecados, até mesmo Aragon sentirá alegria ao saber que você foi purificado.

Ares bateu o pé com força no chão abrindo uma fissura no solo e fazendo Maeve tombar.

-Vamos logo com isso! – Disse ele movimentando as mãos – A jaula onde estava a alma de Farael desceu do céu e atingiu o solo, espatifando-se em milhares de pedaços.

-Não precisaremos mais dela, logo você estará livre. – Continuou Ares, referindo-se a jaula.

Ares controlava a alma de Farael com a força do pensamento e em um movimento abrupto a arremessou no lago ácido. Aquele era o rito de passagem do mundo das sombras para a terra da luz, alguns segundos de dor e uma eternidade de alívio. A alma do sacerdote ardeu no ácido, mas em poucos segundos a sensação de ardor foi substituída pela sensação de conforto. Ele havia passado para a terra da luz, uma terra inversa ao Abismo da Tortura, com um lago límpido e calmo, animais corriam nas planícies e árvores frutíferas adornavam o local onde uma quantidade muito grande de pessoas passeava. Ali Farael teria o tão esperado descanso, talvez essa fosse a única parte boa de passar pelo Abismo da Tortura, pois depois de contorná-lo, os espíritos alcançavam a paz. Mas aquela era a terra secundária, destinada apenas as almas castigadas.

A noite chegara mais rápido e com ela a comitiva real dava adeus aos tempos de paz, aquela era a última noite antes da guerra, pela manhã eles alcançariam a caverna de Ádria e o caos começaria definitivamente.

Ádria se posicionava em pé na entrada da caverna, Lachlan estava ao seu lado quieto, não parecia um prisioneiro e sim um aliado, o que Ádria fizera com ele?

-Vê essa paisagem pequena criatura? – Falava a deusa maléfica.

-Sim minha rainha, o que tem ela?

-Em pouco tempo todo o território de Karsys ficará assim, perfeitamente negro.

-E você terá vencido os patéticos governantes do reino, não é?

-Sim meu querido. E você vai me ajudar a fazer isso.

-Sempre ajudarei minha deusa maior!

O tom da conversa era amigável demais, só uma coisa explicava a relação entre o mago e a deusa, ela tinha feito o feitiço do despertar, uma poção que permitia transformar a mais pura pessoa do mundo em um poço de maldade, talvez a poção estivesse no salão onde se localizava o poço de sangue. Mas a verdade é que a deusa bruxa havia enfeitiçado o pobre garoto.

Ádria deu as costas para Lachlan e caminhou rumo a escuridão da caverna, o menino a seguiu preservando certa distância.

Notas finais
O que acharam? Comentem e obrigado!