The Second Chance
4 Death and His Friends
Notas iniciais
Acordei sem ar. Aquilo, aquele sonho, foi tão real. Aquela deusa cara de montanha vai fazer questão de deixar uma morte dolorosa para mim, ou pior. Depois disso perdi o sono. Olhei no relógio e marcava exatamente 3h33min.
Fui até o banheiro, lavei o rosto e resolvi dar uma caminhada. O navio era bem grande, fui pelo corredor dos quartos e subi as escadas. Lá estava Leo, no leme, sozinho. Resolvi ir até lá.
– Oi.
– Por que você não esta dormindo? – respondeu ele vidrado no horizonte.
– Perdi o sono.
– Sei como é.
Ficamos ali, em silencio, encarando o horizonte. Caia uma chuva fina, que nem no meu sonho. Foi então que resolvi contar a ele.
– Eu tive um sonho – contei a ele o sonho, ele ouviu sem interromper.
– Os sonhos de semideuses quase sempre mostram o futuro, o que esta acontecendo em outro lugar, ou até mensagens de deuses ou espíritos. Mas esse negócio de te matar pelo sonho eu nunca ouvi falar.
– Ela disse que ainda não tem força o suficiente para isso, mas que logo deixara uma morte dolorosa para mim e para todos nós.
– Melhor discutimos isso mais tarde – disse ele pensativo – tente dormir mais, você terá um dia longo pela frente.
***
Acordei, de novo. Dessa vez dava pra ver a luz do dia, embora fosse difícil saber que horas eram, se eu não me engano, o relógio foi programado pra se ajustar automaticamente ao fuso horário. Como estávamos indo pra Leste, a mudança de fuso horário era constante.
Desta vez eu não tive nenhum sonho. Muita sorte. Então tomei um banho rápido e botei uma calça jeans, um all star, uma blusa preta e a jaqueta preta. Subi as escadas e quando cheguei à cozinha apenas Jason, Hazel e Leo estavam lá.
– Bom dia – disse Jason concentrado no café.
– Bom dia – respondi. Logo depois alguns outros chegaram, até estarem todos ali.
– Nesse ritmo, chegaremos a Atenas em mais ou menos dois dias, – começou Leo – mas assim que chegarmos lá, vamos ser atacados. – Leo pôs um pequeno dispositivo sobre a mesa, que logo depois mostrou um holograma em 3D da cidade de Atenas.
– Você sabe que monstros, gigantes ou titãs estarão na fronteira? – perguntou Piper seriamente.
– Provavelmente muitos monstros, a maioria dos titãs ficou preso no Tártaro depois do fechamento das Portas, – continuou Percy – mas todos os gigantes já estão no mundo mortal.
– Pelo menos não veremos aqueles titãs de novo – disse Hazel tentando ver o lado bom.
– Não veremos, mas veremos gigantes – rebateu Annabeth.
– Resolveremos isso daqui a pouco. – pediu Percy – Mandei uma mensagem de Íris pro Nico essa noite, a qualidade ainda estava ruim, mas consegui pedir pra que ele viesse.
– E ele vai vir? – perguntei.
– Acredito que sim. – Assim que ele disse isso não pude deixar de sorrir, eu não me lembrava dele, mas a ideia de revê-lo, rever alguém que um dia já amei, a ideia de rever a pessoa que mais sentiu minha falta nestes últimos anos. Isso é tudo o que eu quero.
Isso tudo é muito bom, mas eu tenho que manter o foco, estamos numa missão para impedir que Gaia acorde e destrua totalmente o mundo que conhecemos.
– Voltando ao assunto – sugeri – deve haver uma brecha na segurança, Gaia é a deusa da terra não é? E se formos pelo ar, e o subterrâneo, se eu não me engano Hades é o deus do subterrâneo.
No momento em que estávamos quase em uma discussão sobre nossa estratégia, outro garoto entra no navio. Ele tinha cabelos negros meio encaracolados, usava uma jaqueta de aviador, tipo a minha, e uma espada de ferro estígio idêntica a minha. Quando eu olhei em seus olhos, uma série de lembranças passou rapidamente pela minha mente. Aquele era Nico di Angelo, meu irmão.
– Então, o que é tão importante pra você me fazer vir até... – ele não conseguiu completar a frase, assim que ele me avistou ficou paralisado, não consegui ler sua expressão. Não sabia se ele estava surpreso, feliz, assustado ou os três juntos – Bianca?!
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