The Search
2 O Porão.
Notas iniciais
Eu tive um dia comum antes do meu quarto se iluminar. Tudo começou quando minha avó apareceu em meu quarto, ela não parecia nem um pouco feliz. Minha avó se chama Maria, ela tem sessenta e sete anos, é branca e magra, famosa por fazer cookies e vender no meu bairro. Afinal, eu moro no condado do Brooklin.
–Estou incomodando? –Perguntou minha avó, abrindo a porta.
–Sem problemas, pode entrar. –Eu disse.
Minha avó parecia um pouco triste quando entrou, o que era bem estranho já que ela sempre estava sorrindo e distribuindo seus cookies pela rua. Ela andou um pouco pelo quarto e pareceu avalia-lo. Parede branca, uma grande estante de madeira ao lado esquerdo, um armário pequeno à direita e minha cama ao centro do quarto. Ela segurou um de meus livros da estante e o retirou com a cabeça baixa sussurrando algo que não consegui escutar.
–Vó, o que aconteceu? –Perguntei.
–Você se lembra de quando você chegou aqui? –Ela perguntou. –Você parecia um menino assustado, era muito fofo. Me lembro de ter lido esse livro para você.
O livro tinha uma capa vermelha onde só era possível ver uma sombra feminina segurando uma espada em meio à um reino destruído. O nome do livro era “A Busca” e eu lembrava de ter lido esse livro com a minha avó há muito tempo atrás, quando eu havia chegado à casa dela depois do surto de meu pai.
Minha mãe faleceu há mais ou menos dez anos, quando eu tinha cinco anos. Eu morei apenas com o meu pai por alguns meses, até o dia que ele surtou completamente e acabou sendo internado em uma clínica psiquiátrica. Estou com meus avós desde então.
–Lembro. Era... Legal. –Eu disse.
–Vamos ler o final da história? –Disse minha avó, tentando dar um sorriso, sem sucesso.
–Ham... Vó, eu já tenho quinze anos e você não acha que eu já passei dessa fase? –Eu tentei ser o mais educado possível, eu juro.
Pelo que eu me lembrava, o livro contava a história de uma guerreira do reino de Melg, o que era bem legal para mim, já que meu nome completo é Rick Melghart. A semelhança do meu sobrenome com o nome do reino me fazia imaginar que eu fazia parte do reino que era contado na história. A guerreira enfrentava monstros gigantes e eu me divertia muito quando minha avó lia.
–Por favor, preste atenção, é importante. –Disse minha avó, abrindo o livro e começando a ler. –Em um mundo medieval existia uma guerreira muito poderosa, princesa de Melg e caçadora de monstros. Mas tudo mudou quando ela foi para a torre do pior vilão existente e foi assassinada brutalmente por uma criatura humanoide...
Eu tinha certeza que aquela parte ela inventou. Não me lembro de nenhuma parte que se assemelhava ao que eu tinha acabado de ouvir. Que tipo de história infantil era aquela? Depois de terminar a história, achei ter visto lágrimas caírem dos olhos de minha avó. Senti-me muito mal, não sei bem o por quê.
–Tudo bem, vó? –Perguntei. –A senhora está meio estranha.
–Rick, por favor, me escute. A história pode ser mudada, você só precisa acreditar. Logo acreditará que tudo é possível quando você controla. Tudo. –Disse minha avó, saindo do meu quarto e secando as lágrimas.
Fiquei sem reação no quarto por alguns segundos sem entender o que tinha acabado de acontecer. Senti-me na necessidade de segui-la e saber o que aconteceu. Os únicos avós que eu tenho são os pais da minha falecida mãe. Ambos pareceram muito abalados com a morte dela, mas não tanto quanto meu pai.
Minha mãe era uma pesquisadora e viajava bastante. Em uma dessas viagens ela sumiu e foi dada como morta. Eu acho que isso é um belo motivo para causar a loucura do meu pai ou a depressão de meus avós.
Segui minha avó pelo corredor e a vi entrar no porão. Ela carregava uma corda em uma das mãos e parecia realmente apressada quando entrou no porão, eu entrei com cautela logo atrás.
A entrada do porão é apenas uma escada levando à uma sala cercada por estantes empoeiradas e lotadas de baús, livros, bonecas antigas (talvez as da minha mãe) e outras coisas antigas. Liguei o interruptor ao meu lado e lâmpadas empoeiradas iluminaram o quarto em cor amarela. Não havia ventiladores ou outro meio de circulação de ar, logo era um lugar muito quente e eu sentia meu nariz doer sempre que eu respirava.
Minha avó olhou para trás. Senti meus braços tremerem, mas tentei parecer natural.
–Rick, eu sabia que você viria. Poderia me acompanhar? –Disse minha avó.
Quando ela estendeu a mão, um baú prateado apareceu em uma mesa no canto da sala. O baú era pequeno, caberia no máximo um par de sapatos. Então minha avó pegou a corda que ela segurava e me deu. Era uma... Chave? A chave era retangular com alguns códigos estranhos. Me senti estranho, como se aquela pequena chave pesasse mais do que eu imaginava.
Meu instinto disse que eu precisava abrir aquele baú. Precisava ver o que tinha lá dentro, quando me aproximei, vi minha avó sorrir e dizer:
–Há esperança.
E quando encaixei a chave, tudo se iluminou e percebi que o objeto que estava lá dentro era... Incrível.
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