The Sealed Esoteric Chronicles 01

3 Phase 01: The Magical Sisters - Chapter 03: The Magician of Time and Space


Notas iniciais
Olá, galerá! Estamos aqui de novo nesse conto de fadas sombrio. Neste capítulo vamos conhecer um pouco mais sobre a família das gemêas e quais são os poderes que Road tanto esconde. Também saberemos o motivo que levará a dupla numa aventura estranha. Este capitúlo será dedicado á minha leitora e autora favorita! Essa é pra você UnicórnioGótico!

Se as coisas já estavam ruins, ficou pior três dias depois.

Tudo começou em nosso almoço pra lá de estranho onde o papai cozinhou um prato muito apreciado pelos humanos chamado bobó de camarão que encontrará em um dos livros de culinária da outra civilização que possuímos. Entretanto, ele deve ter usado as suas habilidades de "Lexicocist" durante o processo de cozimento sem perceber e acabamos que sendo atacados por camarões mutantes que teimavam em arrancar nossos olhos para criar os seus ninhos, mas tudo foi resolvido com magias de fogo e poções para despregnar feitiços conjurados incorretamente. A cozinha ficou interditada por dois dias inteiros e nós sobrevivemos á esse tempo de espera com sanduíches ou comprando comida pronta.

Na noite do terceiro dia, quando estávamos assistindo TV e o programa foi interrompido pelo plantão para anunciar mais mortes por raios e ataques dos monstros de água, a sineta tocou e Road se levantou do sofá de má vontade para atender a porta. De repente, eu e papai a ouvimos gritar "mãe" de forma desesperada, indo rapidamente ver o que acontecia, então á encontramos tentando suportar o peso de alguém que cairá em seus braços. Era a nossa mamãe. Logo, nós nos aproximamos para ajudá-la e depois carregamos a mamãe para o sofá cuidadosamente onde ela pudesse descansar mais confortável. Reparamos que ela estava exausta e muito, mas muito ferida.

— Tânya! Tânya, acorde! Tânya! — persistia papai chamando a mamãe pelo seu apelido carinhoso, enquanto tentava fazê-la despertar, mas nada funcionava. — Road, rápido! Traga panos limpos, curativos e poções para cura. Pegue também aquele spray que ameniza a dor. — minha irmã assentiu e saiu correndo. — Lumes! Consegue fazer alguma coisa com a sua magia?

— Nunca curei alguém com tantos machucados desse jeito, mas vou fazer o meu melhor. — foi difícil esvaziar a mente estando tão preocupada, mas de alguma forma consegui mandar os meus pensamentos para longe e concentrei minhas forças apenas em curar. — [White Magic] "Healing Breath" na minha mão direita. — senti uma corrente de ar suave passando entre meus dedos. — [White Magic] "Radiation Healing" na minha mão esquerda. — meus dedos passaram á emitir uma luz tenuê. — [Convergence] "Breath of Healing and Purification's Light"! — e comecei á trabalhar, mantendo a brisa rodopiar minha mamãe para remover qualquer força negativa que impedia dela se recuperar naturalmente enquanto fraguimentos de luz surgiam e penetravam nas feridas mais graves.

Nisso, Road retornou com os braços carregados de itens e ela junto do papai se apressaram em realizar os primeiros socorros. Após duas horas aguardando o resultado do nosso trabalho, Titânya Magnanimus Creatrix desperta e em segundos fica em estado de pânico.

— Calma, Tânya. Seja o que for já passou. Você esta em casa agora. – disse papai, tranquilizador.

— ...Vyncent?... ...Lumina?... ...Rosemary?... – mamãe pronunciou os nossos nomes olhando para cada um como se não acreditasse que éramos nós mesmos. O seu cabelo preto e liso na altura da cintura com mechas prateadas caindo em ambos os lado do rosto estava um pouco sem brilho, seus olhos avermelhados transbordavam terror e sua pele clara aparentava não ter uma limpeza decente á dias. Ao todo, mamãe estava como sempre voltava de uma missão, só que cem vezes pior. Seja o que tenha acontecido, conseguirá assustá-la de verdade e isso não é nada fácil. – Quando foi que eu cheguei aqui? A última coisa de que me lembro é de estar lutando contra aqueles monstros de água em meio á uma chuva forte na “Twin Cendrillon Hill” e depois disso... – então, contamos o que aconteceu e ela ficou em silêncio, talvez reorganizando os seus pensamentos. – Minha “Mistica Vestimentum” deve ter me trazido porque foi em vocês que pensei pela última vez antes de desmaiar. Não tem outra explicação.

“Mistica Vestimentum” é como se chama as roupas encantadas que certos arcanos usam para cumprirem um objetivo especifico. A maioria delas é para a batalha, mas existem algumas que possuem funções diferentes e não precisam necessariamente ser um conjunto completo. Contudo, quanto mais peças tiver, melhor será o seu poder de suporte e deve ser uma combinação que esteja plenamente de acordo com a personalidade do arcano. Existem “Mistica Vestimentum” antigas, que foram seladas por alguma razão ainda misteriosa, que escolhem alguém para servir. Pouco se sabe sobre elas e como fora a sua fabricação, mas são tão poderosas quanto as que são fabricadas hoje. A “Mistica Vestimentum” da minha mamãe, na qual descobrimos que se chama “Sol Noctis”, é uma das antigas e a mesma á havia escolhido durante uma missão em Albion, a cidadela que coexiste com o país da civilização humana chamado Inglaterra. “Sol Noctis” possui como poder dar mais flexibilidade para quem o estiver usando e total controle de membros quando estão inutilizáveis com a força do pensamento. Como mamãe pensou voltar para nós em segurança, sua roupa simplesmente atendera o seu desejo e cá está ela, sendo cuidada pela família.

— Tânya. O que houve? Foi uma armadilha? – perguntou papai.

— Meninas. Vão para cima. – eu e Road protestamos. – Vão. Para. Cima. Agora!

E assim nós duas subimos sem dizer uma palavra, mas fizemos bastante barulho com nossos passos pesados.

— Isso não é justo. Sempre ficamos de fora dos acontecimentos quando algo de ruim acontece. Eu entendo o papai e a mamãe em quererem nos preservar, mas nós duas não somos mais crianças. – reclamou Road.

— E o que você quer que a gente faça? Espionar a conversa deles? Sabe que vão perceber.

— Não se eu usar o meu outro poder. – Road abriu aquele sorriso sapeca que indica quando vai fazer algo que não devia. Eu estava consciente dos poderes mágicos dela e eles, de fato, eram muito raros. Um ela usa com certa frequência para encobrir algumas coisas que fazia, a manipulação do tempo. Tudo o que sei até hoje é que minha irmã era capaz de acelerar e desacelerar deixando tudo mais rápido ou mais lento de acordo com a sua vontade, paralisar, voltar e saltar no tempo. Fora que quando olha para o céu, sabia exatamente a hora, o dia e a sua localização. O seu outro poder é ainda mais forte e não apenas um tipo raro, era único.

Road passou á ser capaz de enxergar os limites que liga esta dimensão com outras e em pouquíssimo tempo ela conseguira manipular algumas pequenas fronteiras á sua vontade. É, segundo o que estudei em segredo, um poder proibido. Há um nome especifico para este tipo de arcano e ele é sinônimo de terror.

É lei evitar pronunciá-lo para não provocar pânico na população.

— Vou abrir uma fenda que ligará este quarto com a sala. Enquanto isso, você tenta manter uma barreira que engane a percepção. Se formos descobertas, usarei o salto no tempo. Estamos combinadas?

— Isso é errado. Sei que este poder é uma habilidade mágica, portanto, não vai ser detectado. Mas ainda assim, há risco de sermos descobertas porque eu só uso magia e nossos pais são espertos.

— Fácil. Manipulo o limite ao seu redor para encobrí-la.

— Mesmo assim, acho essa idéia errada.

— Então, me denuncie. — e lá esta aquele sorriso debochado que me irrita porque ela sabia muito bem que jamais farei isso. Tudo o que fiz foi inchar as bochechas e cruzar os braços, emburrada. — Agora que estamos de acordo, vamos colocar o plano em prática!

Primeiro, Road estendeu o braço direito para o nada e vi uma linha escarlate se formando em pleno ar para depois se abrir lentamente como um olho em posição vertical. Rapidamente usei a minha magia e assim criei uma barreira ao controlar as partículas de luz no ambiente, diante da abertura que minha irmã havia criado. Aos meus olhos, a barreira se parecia muito com um pedaço de vidro perfeitamente cortada em quadrado, e seu efeito é fazer quem estiver do outro lado não me ver. Eu ficava praticamente invisível á olho nu. Isso porque o “Light Rune: The Mirror of Seven Lights” me permite controlar a luz que afeta diretamente a percepção ocular, portanto, me enxergar além da barreira só seria possível se a pessoa tiver alguma habilidade rara como á de Road ou ter uma percepção muito forte que lhe dê capacidade de ver além da luz.

Com tudo pronto, ficamos no mais absoluto silêncio e com os ouvidos atentos para prestar total atenção na conversa. Qualquer ruído, por mais baixo possível, chamaria a atenção principalmente da mamãe e teríamos que repetir o processo após saltar no tempo. Por alguns minutos que pareceram horas, os nossos pais ficaram imóveis como estátuas enquanto se encaravam, e então...

— A coisa é mais séria do que parece, Vyncent, muito séria. Descobrimos que existe uma força poderosa por trás de tudo. – começou a mamãe, séria. – Foi difícil perceber porque a essência aparece e desaparece feito um raio, mas sem sombra de dúvidas é magia e das antigas. Seja quem estiver fazendo isso das duas uma: pretende ganhar algo criando todo este caos ou tenha enlouquecido por culpa desse poder imenso.

— Como conseguiram descobrir? Essa chuva esta á dias castigando a cidadela e ninguém notou nada...

— Só foi possível graças á Flora. Um acaso que nos serviu de pista para criarmos uma situação e comprovar as nossas suspeitas. – e nossa mãe se endireitou no sofá. – Ela havia feito geminar um conjunto de carvalhos para servir de abrigo para o acampamento. Nisso, a chuva ficará mais forte e logo ouvimos o som dos raios. Não demorou muito para vermos os clarões no céu e então um raio caiu na nossa direção, atingindo a copa das árvores, mas elas não pegaram fogo e ainda sentimos o tipíco impacto de um ataque sendo bloqueado. Você entendeu, Vyncent? Se o raio fosse algo natural, as árvores queimariam porque a magia é incapaz de deter uma força da natureza, mas como foi obra de magia repeliram. – houve uma pausa. — Fizemos a mesma coisa no dia seguinte, só que desta vez ativamos o dispositivo para detectar essências e a situação se repetiu. Vários testes foram feitos para nos certificarmos e assim foi descoberto o tipo de essência. É extremamente poderosa e provavelmente do elemento trovão, mas ao que parece influencia no elemento água, também é repelida quando se conjura feitiços defensivos antigos, mas pode facilmente subjugar os feitiços atuais. E o mais importante. Segundo Flora, após uma observação mais detalhada, o raio é na verdade o-

— Shhhh!!! – nosso pai fez sinal de silêncio. – Você esta ouvindo?

Fez-se um momento de silêncio.

— Não. Não estou ouvindo nada.

— Esse é o problema. As meninas estão quietas até demais.

Novamente silêncio. Eu e Road estávamos prestes á desfazer o truque quando sentimos alguém nos puxar pelo colarinho e nos erguer iguais á gatinhos. Era nosso papai e ele não estava nada feliz, tão pouco furioso, estava mais para assustado. Conforme me distrai, a barreira que criei se desfez e assim a abertura criada por Road ficou visível. Mamãe nos viu, espantada, mas depois seu rosto ficou branco como um papel e nos fitou como se visse algo horrendo. Então, tudo ao redor ficou distorcido para depois se tornar num turbilhão de cores disformes e me senti sendo puxada sem sair do lugar.

Quando dei por mim, estava diante de minha irmã em nosso quarto. Sem papai, sem abertura, sem nada.

— Essa foi por pouco. Ainda bem que não perco o foco com facilidade ou do contrário estaríamos em sérios apuros. – suspirou Road, relaxando. – Esqueci completamente que o nosso papai é especializado em “Kidou Kenpo”. Tem o costume de usar o “Kyakuryoku Kyoukai” para se mover silenciosamente rápido e “Fushibi Reiki” para esconder a sua presença. Nossa! Como eu detesto quando ele faz isso. – disse, entredentes. – Se bem que...você de vez em quando usa o “Kyakko” ao invés do “Light Rune: The Mirror of Seven Lights”.

— O salto no tempo... Você usou o salto no tempo! – enfim consegui disser.

— Mas, é claro. Não podia deixar tudo daquele jeito, ninguém além de você pode saber deste poder. Sei que ele é considerado proibido e estou consciente que quando alguém é pego usando magia proibida é levado á julgamento, mas no meu caso acredito que me condenarão a morte logo de cara. Aqueles velhos decrépitos que vivem enfurnados dentro do “Cocoon” não levarão em conta de que sou uma criança.

— Nossos pais nunca te denunciariam.

— Sei disso. Mas os dois trabalham para eles, entram e saem de “Cocoon” quase todos os dias principalmente o papai, e se desconfiarem vão fazer de tudo para fazê-los abrir a boca. Não quero correr esse risco e muito menos colocar mais gente em perigo, já é ruim o bastante tendo você consciente.

— Se te incomoda o fato de eu correr perigo por saber o seu segredinho, por que não usou o salto no tempo?

— Humm... Talvez porque você tinha descoberto tudo antes de eu perceber? O poder de manipular o tempo no meu caso se limita á uma hora, mais do que isso é tarde demais. Se você descobriu e foi esperta para ficar em silêncio por mais de uma hora, paciência. – Road deu de ombros. – Agora. Á respeito desse incidente... Depois de saber que há alguém causando tudo isso não posso ficar parada. É a oportunidade que eu esperava para começar á ganhar experiência em resolver anomalias.

— Espera um minuto! Você vai mesmo, tipo, ir atrás do responsável? – minha irmã assentiu. – Você é mais louca do que pensei. – imediatamente, ela fechou a cara. – Vou com você. O seu poder é o tempo e o espaço, não consegue usar outras magias, em especial as curativas. Vai precisar de uma ajudinha nesse seu plano de salvar o mundo. – Road protestou, mas fiquei firme em minha decisão. – Ora! Já corro risco por saber o seu segredo, acho que não vai fazer diferença se correr um risco á mais.

— Depois eu que sou a louca. – retorquiu ela, debochada.

— Além de eu ser sua irmã gêmea, sou a sua melhor amiga e maior aliada. Tenho motivos o suficiente para ir.

— Ok. Pode vir comigo, mas se a situação ficar feia não pense duas vezes. Fuja e relate aos nossos pais tudo o que descobrirmos, me deixe para trás se for necessário. Garanto que me viro e te encontro depois. – eu não gostei da última parte, mas se para me certificar de que Road ficara bem é concordar com essa ideia... Que assim seja. – Certo. Quando papai e mamãe dormirem, entrarei no escritório e vou procurar qualquer coisa que mencione essa tempestade. Tenho quase certeza de haver até os arquivos dessa tal missão.

— Vamos arrumar nossa bagagem. Podemos juntar nossas economias e comprar o que precisar no caminho.

— Também planejo usar o meu outro poder, mas o mais discretamente possível. Assim podemos viajar rápido e ficarmos impercebíveis, você de vez em quando pode usar a barreira que afeta a percepção para facilitar.

— Acha que vamos conseguir nos virar sozinhas?

— Depois de todas as encrencas que saímos quase ilesas, sobreviver à uma tempestade magica deve ser moleza.

— VYNCENT! O QUE HOUVE COM A "MINHA" COZINHA?! — ouvimos mamãe gritar, furiosa, e sentimos magia prestes à ser usada.

— E-Eu posso explicar, querida.

— Huh... Ao menos vamos nos sair melhor do que o papai. — argumentou Road e eu concordei.

Depois de planejar com cuidado nossos passos, seguimos o cotidiano da casa normalmente. Mamãe e papai uma vez ou outra nos olhava desconfiados, mas depois sacudiam a cabeça, talvez repreendendo a si mesmo por imaginarem coisas. Á noite, após o jantar, preparado pela mamãe desta vez o que foi um alívio para nossos pobres estômagos, voltamos para o quarto e arrumamos a bagagem. Road, na calada da noite, entrou no escritório usando o seu poder dos limites e voltou com uma papelada moderada.

Analisamos cada um e descobrimos que entre os papéis estavam mesmo os arquivos de missão da mamãe.

— Aqui esta o nome do feitiço que ela iria disser. Ele se chama "Khiliarkhou Astrape".

— Mas é magia antiga, muito antiga na verdade. — argumentei, espantada. — Não é á toa que a mamãe esta tão preocupada. Magia antiga é perigosa até para um conjurador de nível exímio como ela e ainda esta encobrindo suas ações com essa chuva. Deve ser alguém muito forte para suportar uma carga tão alta de essência.

— Mais um motivo para agir. Talvez não consigamos resolver o problema, mas uma pista que leve ao culpado concerteza vamos achar. Eu sinto isso na pele. — disse Road, convicta, e eu suspirei.

Pegamos o necessário e saímos sem fazer nenhum barulhinho. Fomos até a estação de bondinho mais próxima de casa e pagamos duas passagens rumo ao nosso primeiro destino: “Twin Cendrillon Hill”, o último lugar onde a mamãe esteve.

Notas finais
E ai, galerá! Repararam que as meninas foram chamadas por seus nomes reais? Vocês devem estar se perguntando do por que elas serem chamadas de Lumes e Road sendo que o apelido aparentemente não coincide? Bom... Isso vou deixar para mais á frente quando aparecer outros personagens. O que acharam da Titânya? E o Vyncent? Ainda convence? Mais nada comentar no momento, portanto, estão livres para comentarem mais essa parte da história. Até mais!^^