The Score
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Eu batia, na verdade esmurrava as portas, mas ele não ligava, não atendia. Até que do topo da escada, a alguns longos passos de mim, o Taylor apareceu:
-Ana, o que está fazendo? — ele parecia assustado.
-Eu vou matar esse desgraçado, Taylor. Vou acabar com a vida dele.
Ele se aproximava cuidadosamente e estendia sua mão para mim:
-Dê-me o vidro, querida. Vai ficar tudo bem com você!
-Você acha que eu estou bem? Acha que eu devia soltar fogos, Taylor?
-O que eu quero dizer, é que você precisa se acalmar.
Eu o olhava fixamente, e antes que ele pudesse pegar o vidro da minha mão, eu mesma o joguei longe, o fazendo quebrar mais ainda no chão. E berrei:
-Então me mata,Taylor! Me leva pro meu pai. Me tira daqui!
Ele me olhou com piedade e me abraçou forte. Apertava minha cabeça contra o peito dele, e repetia que eu devia me acalmar, mas o nervoso era maior que eu. Ele me levou lentamente de volta para o meu quarto, e me sentou na cama, se sentando do meu lado:
-Não quero ficar aqui, Taylor, eu não posso!!!
-Acalme-se, Ana, você vai ficar bem, eu lhe garanto. Eu entendo o que você sente, sei que tem raiva do Sr.Grey, mas fazer o que está fazendo só vai piorar a sua situação, acredite em mim.
-Piorar? É possível que minha situação piore? — perguntei incrédula.
-Acredite, é possível. Ele não vai tolerar esse tipo de comportamento, você precisa mudar. – ele me olhava fixamente, como se esse fosse o melhor conselho do mundo.
-Eu vou pedir que a Gail arrume alguma roupa pra você. Nessa porta da frente, — ele apontou para a porta. – é um banheiro, e tem uma banheira, você pode tomar um bom banho e pensar melhor. Tenho certeza que vai se sentir muito melhor.
-Promete que vai me ajudar a sair daqui?
-Tome o banho e vai se sentir muito melhor.
Ele sorriu amigavelmente e deixou o quarto. Eu tirei minha mochila das costas e sequei o rosto com as mãos mesmo. Consequentemente sujando todo o meu rosto de sangue, eu realmente precisava tomar banho.
Dei um tempo no quarto, respirando fundo, tentando não surtar outra vez e me levantei, indo até a porta da frente e a abrindo devagar.
E como o Taylor tinha falado, era mesmo o banheiro. Eu entrei e tranquei a porta. Caminhei lentamente até o centro do banheiro que mais parecia um quarto de tão grande. Cuidadosamente, comecei a tirar minha roupa, atenciosamente para não machucar mais a mão. A calça foi mais difícil, mas eu o fiz sem reclamar. Deixei a roupa toda no chão e entrei no chuveiro, logo fechei a porta, eu ri. Sim, não era uma cortina, era uma porta de correr que eles usavam no Box, ricos miseráveis. Com a mão boa, eu liguei o chuveiro e logo senti a água morna cair sobre o meu cabelo.
Eu abaixei a cabeça e olhei no chão, toda a sujeira indo embora pelo ralo. Todo o meu dia, indo embora pelo ralo. Eu levantei a mão machucada e deixei que a água o limpasse. Havia muitos cortes, tantos que eu quase não enxergava mais nada na minha palma, em meio aos arranhões e alguns cortes profundos.
E eu fiquei lá, dando um enorme prejuízo na conta de água dele. Acredito que por mais de 1 hora debaixo d’água. E quando eu me cansei, quando meu corpo não suportava mais, eu saí de lá, me enrolei em uma toalha e dei o fora daquele banheiro.
Quando entrei no meu quarto, em cima da cama, tinha algumas pelas de roupas e no chão, abaixada, próximo à cômoda, a Gail limpava os cacos de vidro:
— Gail, larga isso tudo, deixa que eu mesma me vire, por favor.
Eu fui até ela e a puxava pelo braço, mas ela falava alguma coisa em inglês e sacudia o braço, como se pedisse pra eu soltá-la, eu não sei, mas eu o fiz.
Eu sorri, meio sem graça e me sentei na cama, olhando as roupas que estavam lá. Quando ela terminou, pegou o saco de lixo e me olhou nos olhos, me hipnotizando com aqueles olhos azuis:
-That’s ok, don’t be mad, sweetie.(Esta tudo bem,não fique com raiva,querida.)
Peguei uma escova de cabelo que eu tinha jogado no chão, e penteei meus cabelos castanhos, longos, como os da minha mãe quando ela tinha minha idade. Senti a falta dela naquele momento. E agora eu tinha meu pai pra sentir falta também. Que ironia!
Um bater na porta, me fez voltar a minha medíocre realidade.
Eu me sentei na cama, e perguntei quem era:
-Eu, senhorita!
-Entre.
Ele me olhou sorridente, e entrou, carregando uma pequena maleta com ele:
-O que é isso?
-Primeiro socorros. Posso? -Ele perguntou, referindo-se à cama.
-Claro que pode se sentar,Taylor.
-Deixe-me ver o estrago. – Eu lhe dei meu pulso, ele arregalou os olhos. – Isso aqui está horrível, você tem um soco certeiro, heim garota!-ele riu, mas logo parou.- Er, me desculpe, não quis ser indelicado.
-Não se desculpe. – Em outra ocasião, eu teria rido da piada, mas hoje não era um bom dia.
Ele enfaixou minha mão até o pulso em questão de minutos, e garantiu que em poucas semanas eu poderia tirar a atadura.
Mas eu ainda queria saber algumas coisas, então antes que ele se retirasse, eu logo me aprontei:
-Você é brasileiro, não é?
-Sim, criança. Eu mas eu moro aqui desde os 8 anos de idade.
-Trabalha aqui há muito tempo?
-Bastante.
-Então sabe tudo o que o Sr. Grey faz, não é?
-Ana, aprenda uma coisa: — ele me olhou nos olhos e baixou a voz – Assuntos do trabalho do patrão, não é discutido pelos funcionários.
-Mas ele mata pessoas. Ele tem que ir pra cadeia.
-Ele é a autoridade. A família dele é.
-Mas você disse que ele é o único herdeiro, não é?
-Não precisa ter uma família pra mandar na cidade, um Grey já faz isso muito bem.
-Me explique,Taylor. O que ele faz, exatamente?
-Ele é empresário de muitos ramos, uma infinidade. Mas é mais conhecido pelos jogadores de futebol, beisebol, basquete, que já agenciou. É sócio fundamental da NBA, já ouviu falar, não é?
-A liga de basquete?
Ele deu um pequeno sorriso irônico.
-Não é só ‘a liga’. É A LIGA, a mais importante, a milionária, a mais famosa, enfim. Mas não é só isso, os Grey tem dinheiro investido em tudo, como eu já falei.
-Então porque diabos ele matou o meu pai?
-Obviamente, os motivos eu não sei, criança. Mas se você está aqui, já é alguma coisa grande.
-Bom você falar nisso, que historia é essa de casamento? Se ele é tão milionário assim, porque não arruma umas prostitutas e curte a grana que os pais deixaram?
-Não é assim que funcionam as coisas nessa casa. – ele mudou a feição do rosto e logo se levantou. – Eu vou embora, você deve estar cansada.
-Não, — eu puxei sua mão. – me conta Taylor. Porque eu vou me casar com ele?
-Procure dormir bem, criança. Boa noite.
Ele apertou o passo, e rapidamente saiu do quarto, deixando pra trás um milhão de perguntas sem respostas.
Tudo o que eu queria saber era o motivo da minha insignificante presença naquela casa, e porque eu deveria me casar com ele. Afinal de contas, não fazia nenhum sentindo. Ele era jovem, não era feio, e rico. Mulheres gostam disso, porque ele queria se casar comigo? Eu não sabia, e pelo visto não ia descobrir nada do Pedro, pelo menos não por hoje.
Eu olhei para a janela através das cortinas e vi que já era noite. Mas ainda deveria ser cedo, porém pelo fuso horário, eu já estava cansada. E amanhã seria um grande dia pra mim, um dia cheio de surpresas e eu ia torcer, pra sair daquela casa e voltar pro Brasil, para enterrar o meu pai.
Eu joguei minha mochila pra fora da cama e deitei.
A cena de ser arrastada pelos cabelos, do chão até o carro, não saia da minha mente. Por quê? Por que meu Deus?
Eu precisava de respostas, e não ia descansar até descobrir todas.
Mas por hora, eu precisava descansar, e o sono não demorou muito para me atacar violentamente.
Em poucos minutos, eu caí num sono profundo. E pela primeira vez, eu tive a certeza que o verdadeiro pesadelo acontecia quando eu estava acordada e não dormindo.
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