The Score
22 Capitulo 22- Surpresa!
Notas iniciais
Eu cheguei a casa por volta das 8 da noite e Gail, toda afobada veio me apressar:
– Graças a Deus você chegou Annie.
– O que aconteceu, Gail?
– O senhor Grey já está pronto e impaciente. Vá se arrumar depressa, vamos, suba.
Ela me empurrava e eu ria da situação. Onde já se viu eu me arrumar rápido só porque ele tava com pressa... Eu heim!
E mais do que nunca, o que aconteceu hoje, serviu para eu abrir bem meus olhos diante do Christian. Eu não podia me deixar levar pela lábia dele e acabar esquecendo o porquê de eu ter voltado para aquela casa. Eu tinha, eu precisava pôr ele na cadeia. E se foi ele que matou o pai de Sarah, eu não ia demorar muito pra descobrir.
Eu subi e escolhi uma roupa elegante.Um vestido preto de mangas, salto de bico redondo bege e uma bolsa também preta.
Tomei um banho lentamente, carregando todas as minhas energias perdidas naquele dia e tratando de pôr minhas ideias em ordem.
Eu me maquiei e me penteei deixando os cabelos soltos, e logo deixei o quarto. E como já era de se esperar, ele estava no pé da escada, visivelmente impaciente, mas quando me viu:
– Terei de me acostumar com esses atrasos. – ele riu, e eu desci as escadas lentamente:
– Toda dama tem que ter seu atraso elegante.
– De fato! – ele estendeu a mão para que eu apoiasse ao descer o ultimo degrau. – Você está fascinante hoje, sra. Grey. – Ele sussurrou e logo me deu um beijo.
Fomos até o carro e quando ele deu partida no carro, eu fiz questão de perguntar:
– Pra onde vamos?
– Para um jantar. Será o aniversário de casamento de Ronald Milian.
– E quem é ele?
– É o vice presidente das empresas Grey.
– Hum. Quantos anos de casado?
– 10. E esposa dele, Sandra, é uma pessoa muito gentil e espontânea, tenho certeza que vocês vão ser boas amigas.
Aff, ele e essa mania de querer que eu me dê bem com todas essas mulheres. Eu segui viagem em silencio, mas meus pensamentos ferviam. Não era comprovado que Christian tinha matado o pai de Sarah, mas Christian estava no Canadá no momento da morte do homem, bom pelo menos ele disse que estava no Canadá.
Um sentimento amargo me invadia só de pensar que pode ter sido ele que fez isso, era nojento e frio. E talvez eu estivesse entregue demais a ele e esquecido tudo o que ele fez a mim e ao meu pai, mas agora eu tinha um motivo mais forte pra lutar novamente: Sarah Davis.
Ele estacionou o carro diante de uma bela mansão, tão bonita quanto à casa de Christian.
– Madame! – disse, abrindo a porta do carro pra mim e segurando minha mão.
Nós atravessamos o jardim lentamente, e como já era de se esperar estava tudo muito bonito. Cheio de luzes e cores, mas eu podia perceber que a festa acontecia mesmo do lado de dentro da casa, e parecia estar cheia de gente:
– Será que vão gostar de mim? – eu sussurrei poucos passos da porta de entrada.
– A opinião deles não importa querida. Pelo menos não pra mim. – ele sorriu discretamente e assim nós entramos na casa.
O lugar tinha gente sim, mas estava longe de ser uma festa. Era apenas uma pequena comemoração. Uma musica calma de fundo, enquanto pessoas ricas riam, bebiam e jogavam conversa fora. E eu me perguntei se teria que passar o resto da vida frequentando essas festas super badaladas do Christian:
– Querida, quero que conheça George Thompson, meu braço direito na empresa.
Ele disse e eu tratei de voltar à realidade imediatamente. Eu sorri e olhei bem para o cara, que era até bonito, uns 50 e poucos anos, e olhos extremamente verdes:
– Prazer, senhor.
– O prazer é todo meu, madame. – ele sorriu e beijou minha mão. – Se soubesse que tinha uma esposa tão bonita assim, teria convidado-o para um jantar na minha casa há muito tempo, Christian.
Eles riam, mas eu achei aquela piadinha de muito mau gosto, eu heim.
–Você é uma mulher muito bonita, Anastásia. E a propósito... — ele se inclinou na minha direção discretamente e sussurrou. — Não se incomode pelos olhares, muitas pessoas só estão aqui para saber quem é a tal ‘esposa de Christian Grey’.
Eu sorri gentilmente e também sussurrei:
– Então diga a essas pessoas que a tal esposa tem um nome e é Anastásia. – eu sorri falsamente, mas ele pareceu não perceber.
– Bom, entrem e se divirtam.
Ele sorriu para nós e logo saiu. E assim, nós continuamos andando entre as pessoas, procurando os aniversariantes, pensei.
E como o George falou eu podia sentir os olhares e os cochichos queimares nas minhas costas, não só entre as mulheres, mas entre os homens também. E eu me perguntei se eles sabiam do meu passado também, se sabiam que Christian foi o responsável pela morte do meu pai...Talvez não, Christian era um homem respeitado ali, ele era um homem acima de suspeitas.
– Christian Grey!
Nós viramos imediatamente para ver quem tinha chamado, e eu vi um homem extremamente ruivo, com o rosto coberto por sardas.
– Meus parabéns, meu amigo! – Christian cumprimentou, sorridente. – Querida, esse é Ronald Milian.
Eu estendi a mão pra ele, sorridente e ele abriu os olhos ao me ver:
– Então você é Anastásia Grey. – ele beijou minha mão. – É um prazer conhecê-la mi lady.
– O prazer é todo meu, senhor. E meus parabéns pelo seu casamento.
– Obrigada, Anastásia. – ele parecia encantado comigo. – Devo dizer que sua mulher é extremamente linda, Christian.
– Eu concordo com você, Ronald. Anastásia é a mulher mais linda do mundo. – ele sorriu.
– Oh, não exagere, querido.
– Bom você é a mulher mais linda do meu mundo! – ele me olhou.
– Ah o amor....É tão bonito! – todos rimos.
– De fato, o amor é lindo!
Eu me virei e uma mulher negra, alta de corpo exuberante, como uma modelo passou por mim e se juntou ao Ronald:
– Anastásia, essa é Sandra Milian, a minha senhora.
Ela sorriu e lhe deu um beijo discreto. Ela tinha olhos pequenos e um rosto muito, muito bonito. Era uma mulher realmente deslumbrante e não parecia ter mais de 35 anos.
– Bem vinda, Anastásia, espero que goste da festa.
As pessoas chegavam, me cumprimentavam e falavam: ‘Nossa,você é a Anastásia?’ Eu já tava cansada disso, cansada da musica de enterro, cansada daquelas pessoas que eu nunca vi na vida me tratarem como amiga de infância, cansada de ficar sorrindo o tempo todo...aquilo não era pra mim, definitivamente:
– Eu quero ir embora, Christian. – eu sussurrei.
– Como assim, querida? Ainda nem jantamos!
– Mas eu quero ir embora agora, vou trabalhar amanhã de manhã!
– Por favor, querida...
– Não! Eu quero ir embora, Christian!
Eu o olhei fixamente, impondo minha vontade e ele sabia que não podia discutir comigo.
– Tudo bem ,vamos!
Nós deixamos a casa discretamente, para que ninguém interrompesse nossa fuga. Mas ao invés de irmos para fora, estávamos indo para os fundos da casa e eu quis saber o porque:
– O que ta fazendo? Pra onde vamos?
– Continue andando, querida.
Ele segurou minha mão e me guiou até um jardim tão grande que mais parecia um campo de futebol. O lugar estava completamente vazio e escuro, sem uma alma viva, apenas... Um helicóptero?
– Porque tem um helicóptero nos fundos dessa casa?
– Porque eu tenho uma surpresa pra você, lembra? – ele sorriu e continuamos andando até lá.
Quando chegamos até o monstruoso veículo, ele abriu a porta pra mim, e logo deu a volta e entrou também:
– Quem vai pilotar isso?
– Eu! — ele me olhou e sorriu. – Coloque o cinto querida, nós vamos dar uma voltinha!
Eu engoli seco, e temi, sim eu temi. Por mais gentil que ele parecia ser comigo, a ideia de entrar escondida num helicóptero era assustadora. O que será que ele ia fazer? Eu não sabia, mas logo ia descobrir.
Ele colocou um fone enorme do ouvido e mexeu em alguns botões de controle e imediatamente o bicho começou a ligar e logo a deixar o solo.
O mais inacreditável, era que ninguém, absolutamente ninguém na festa viu nada, nem ao menos um helicóptero daquele tamanho no jardim.
Eu fiquei em silencio todo o trajeto, e ele também, olhando fixamente para frente. Agora que eu conhecia um pouco do Christian, era cada vez mais difícil vê-lo como um assassino em série, ele era sempre tão amoroso e gentil, que eu cheguei a duvidar se ele tinha mesmo matado meu pai:
– Feche os olhos!
– O quê? – o barulho do motor era muito alto.
– Feche os olhos!
Ele ordenou, e eu o fiz.
Poucos minutos depois eu pude sentir que o helicóptero estava pousando.
– Venha, me dê sua mão.
– Onde você ta?
– Estou do seu lado.
Ainda com os olhos fechados, eu procurei a mão dele e logo achei. A segurei com firmeza e desci, mas quase cai ao sentir o chão em falso:
– O que é isso?
– É areia.
– Então tira meus saltos.
Eu pedi ainda de olhos fechados e imediatamente eu pude sentir as mãos leves dele tirar meus sapatos.
– Onde a gente ta?
– Você vai ver!
Ele segurou minha cintura e começou a me guiar lentamente. A areia era fina e macia, como um uma praia.
Nós ainda continuamos andando por poucos minutos, até ele finalmente me parar, encostar o corpo atrás do meu e tapar meus olhos com as duas mãos:
– Alguns homem procuram a vida inteira por uma única mulher à quem dar o mundo! — ele sussurrou. — E eu escolhi você!
Ele soltou as mãos e quando eu abri os olhos lentamente, eu tive a visão mais inacreditável que já vira, era como se eu tivesse o mundo aos meus pés.
A lua estava tão perto de mim que eu pensei que se esticasse o braço, eu poderia toca-la. E mais tinha à minha frente, só água e a lua, era lindo, extremamente lindo:
–Christian...
– É um fenômeno raro. A lua está mais próxima da terra hoje, e eu quis trazer você aqui pra ver de perto.
– É lindo! – eu não tinha palavras, estava radiante.
Ele me abraçou por trás, e sussurrou bem perto do meu ouvido:
– Eu vou te fazer a mulher mais feliz desse mundo, Anastásia.
Meus olhos encheram d’agua. Aquilo tudo era surreal, era inacreditável, era coisa de filme. Eu me virei pra ele e o olhei fixamente:
– Porque ta fazendo isso, Christian?
– Porque eu não tenho nada, nem ninguém. Eu só tenho você, e eu quero te dar tudo.
– Mas eu não to te pedindo nada.
– Mas eu quero que você aceite, eu quero que você me aceite.
– Te aceitar ? — eu franzi a testa.
Ele se ajoelhou diante de mim, e eu continuei lá, estática. Segurou minha mão esquerda e me olhou nos olhos. Ah, aqueles olhos estavam perfeitos, brilhantes como nunca:
– Era assim que eu deveria ter feito a 6 anos atrás. – ele beijou minha mão e voltou a me olhar: — Anastásia, você aceita se casar comigo, dormir pra sempre do meu lado, viver pra sempre comigo, e me fazer o homem mais feliz desse mundo, de novo?
As lágrimas caíram, foi instantâneo. Era tudo perfeito, como realmente deveria ter sido. A lua, a praia, a areia, o momento, as lágrimas, era como eu teria imaginado meu pedido de casamento:
– Mas você já é o meu marido e eu já sou a sua mulher, já não é o suficiente?
– Jamais será o suficiente. Casamento é só um contrato de papel. – ele se levantou rapidamente. – Você tem que sentir também.
Ele segurou minha mão e a encostou no peito dele, sobre o coração.
– E eu sinto, Anastásia. Eu não quero você pra ser somente a minha mulher, quero você pra ser a mãe dos meus filhos.
Ele me olhou nos olhos e se aproximou de mim lentamente, encostando a mão no meu vestido e abrindo os botões dele, e eu não recusei, eu apenas estava parada olhando pra ele, que também me olhava. Em pouco tempo ele tinha tirado minha roupa, me deixando somente de calcinha e sutiã.
Rapidamente ele também se despiu, estando só de cueca, uma preta e estendeu a mão pra mim:
– Me dá a honra?
Ele sorriu e acenou para a praia.
Eu também sorri, mas logo caminhei sozinha até a praia, andando lentamente sem esperar por ele:
– Você não vai vir? – eu olhei pra trás e ele ainda estava parado.
– A vista daqui está ótima.
Ele riu e eu continuei andando, entrando cada vez mais, sentindo o arrepio daquela água gelada invadir meu corpo.
Eu fui até longe, mergulhando, sentindo um pouco da água do mar limpar as impurezas da minha alma, que não eram poucas.
Ele ficou um bom tempo lá na areia, apenas me observando mergulhar de longe.
E eu aproveitei aquele pouco tempo sozinha, pra tentar formular na minha cabeça, estratégias para me afastar dele, não completamente, mas parcialmente. Christian era um homem sedutor, misterioso e intimidador, ficar perto dele era necessário, mas também era muito perigoso e se eu não tivesse foco, eu ia acabar me deixando levar:
– Espero que tenha gostado.
Eu tomei um susto de leve, e me virei imediatamente. Ele já estava do meu lado, e a água batia pouco mais acima da nossa cintura.
– Eu adorei a surpresa!
– Fico feliz. – Ele se aproximou.- Muito feliz.
Eu o olhei fixamente, analisando minuciosamente as expressões dele. E ele não me parecia tão assustador como antes, na verdade ele poderia se passar por um homem simples, sério.
– Poderia ser tudo tão diferente, não é?
– Sim. Eu desejaria ter conhecido você em outra ocasião.
Ele puxou minha cintura pra perto dele e me abraçou, e eu fiz o mesmo, envolvendo meus braços no pescoço dele:
– Se tudo fosse diferente, — ele me olhou sério.- Você se apaixonaria por mim?
Eu o olhei fixamente, e ele estava sério, desejando realmente saber a resposta:
– Eu não sei, Christian.
– As vezes eu penso, que se tivéssemos tempo para nos conhecer, namorar...Tudo seria diferente.
– Muita coisa teria que mudar pra que isso acontecesse, Christian.
– Eu sou arrependido do que fiz, Anastásia. Eu sei que você nunca será completamente minha, mas farei de tudo pra que um dia você confie em mim.
– Só de saber que você está arrependido, já é um começo.
– De fato, e estou mesmo. Você me tornou um homem melhor desde o dia que apareceu na minha vida.
– Porque ta dizendo isso?
– Porque eu quero que você saiba que eu nunca vou me perdoar pelo o que eu fiz, porque eu quero que você saiba que você me fez ver o quão sujo eu era, porque você fez com que eu quisesse melhorar.
– Eu não fiz nada disso, Christian.
–Fez sim. Eu tive que mudar pra merecer você, querida.
Eu não falei nada.
– Você passou 6 anos fora, e deve achar que eu simplesmente esqueci de você, mas não. Eu pensei em você todos os dias, e todas as noites desejando que tudo fosse diferente, que a gente pudesse ter uma vida juntos.
– Mas isso é difícil pra mim, Christian, tenta me entender.
– E eu entendo. Por isso deixei você ir, sabendo que se um dia você voltasse, é porque estaria pronta pra mim, pronta pra nós.
– Talvez eu ainda não esteja pronta.
Ele encostou a mão no meu rosto, fazendo carinho e me olhando nos olhos:
– Eu vou esperar o seu momento, e não vou desistir. Quer saber o porquê?
– Quero.
– Porque eu sou completamente apaixonado pela minha esposa.
Logo em seguida ele me deu um beijo calmo e suave, como se eu fosse um anjo intocável. Encostou a boca na minha com tanta delicadeza que eu quase não sentia. Ele segurou meu rosto com as duas mãos e sussurrou com os lábios encostados nos meus:
– Me desculpe, por tudo!
Eu apertei a cintura dele com força, a aproximando de mim, mas na verdade eu queria era empurra-los, sem sucesso. Eu não podia negar que a gente tinha alguma química. Aqueles momentos que eu tinha com ele eram únicos, era como se o mundo todo parasse, era como um conto de fadas macabro, mas sei lá...Eram momentos que eu jamais viveria:
– Você terá a vida inteira para se desculpar, querido! – eu sorri.
Ele se afastou de mim, e ainda segurando meu rosto, falou:
– Será uma honra passar o resto da minha vida ao seu lado.
Eu o abracei forte, encostando meu rosto no peite dele e ele ficou acariciando minha cabeça, me mantendo ali, protegida nos braços dele por vários minutos, até que ele falou:
– Me promete uma coisa?
– O quê?
– Promete que um dia vai me dar a oportunidade de tentar conquistar você, de verdade?
Ele não era burro, longe disso. Christian era um homem extremamente inteligente, e ele sabia que eu também não ficava muito atrás. Da mesma forma que eu desconfiava desse amor dele, ele também desconfiava desse meu chamego com ele. Porra, em que mundo um mulher fica agarradinha na praia com um assassino?
Ele sabia que eu tinha muitos interesses nele, eu queria muitas informações:
– Eu prometo isso no dia em que você me contar toda a verdade.
Eu falei, dura. Se ele estava sendo sincero ali, eu também deveria ser. Eu nunca me sentiria a vontade com ele, sempre ia desconfiar de alguma coisa. Nosso casamento não tinha uma base sólida, aliás, não tinha base nenhuma. Não existia confiança, admiração, amizade, fidelidade, amor...pelo menos da minha parte. Era extremamente difícil ter que aceitar aquilo tudo.
Ele não falou mais nada. Ele jamais seria honesto comigo e por isso eu sempre teria motivos para desconfiar dele. Por mais que eu tentasse ver de outra forma, ele seria sempre o assassino do meu pai.
Eu resolvi afastar um poucos aqueles pensamentos de mim, o dando um abraço forte, e ele não recusou. Ele me pegou no colo dele, fazendo minhas pernas cruzarem na cintura dele, e eu o beijei, suavemente.
Mas era o meu beijo, um beijo sincero, por livre e espontânea vontade, um beijo que diria: ‘Se fosse em outra ocasião, sim, eu me apaixonaria por você’ , mas ele logo interrompeu o beijo:
– Uma dívida.
– Hãm?
– Por isso você está aqui, nesse exato momento. – Ele sussurrou.- Você é o pagamento.
Eu me segurei nele com mais firmeza, mas o olhei fixamente, não entendendo nada:
– Do que você ta falando?
– Seu pai...Devia 2 milhões de dólares, para o meu pai. É uma história longa, e muito complicada.
Eu me joguei do colo dele, descendo brutamente.
– Como assim ele devia 2 milhões de dólares? Quando ele pegou esse dinheiro?
– Tecnicamente, ele não pegou o dinheiro. Mas seu bisavô sim.
– Bisavô? – eu franzi a testa. – Do que você ta falando?
– Seu bisavô pegou 2 milhões de dólares com a minha família.
– Mas eu nem conheci o meu bisavô, nem sei quem era. E aliás, o que meu pai tinha a ver com isso?
– Seu bisavô assinou um contrato, Anastásia. Esse papel vale por gerações, consequentemente a dívida também. – Ele me olhou nos olhos. – Você é o pagamento.
Eu o olhei, completamente confusa:
– Me explica. Que dívida é essa?
– É uma história de família, eu não posso falar, mas eu lhe juro que eu não entrei na sua casa de propósito. Eu entrei porque eu devia fazer isso.
Eu o olhei com raiva:
– Então você tinha o ‘Dever’ de matar meu pai? É isso?
– Não necessariamente, querida...
– NÃO ME CHAMA DE QUERIDA. – Eu gritei.
– Foi preciso.
Ele me olhava, totalmente sem chão, e eu me virei de costas, tentando raciocinar sobre aquilo. Então eu estava ali por uma coisa que aconteceu a milhares de anos atrás? E meu pai morreu por uma coisa que ele nem fez?
– Como é que você teve coragem de entrar na minha casa e matar meu pai? – eu o olhei.
– Eu não matei seu pai.
– Ah, é? E você fez o quê para impedir?
– Eu não o matei. Não necessariamente.
– Vai se ferrar, Christian. Você matou o meu pai por uma coisa que ele não fez. Você tirou de mim a minha família por uma coisa que já tinha passado. – Eu o olhei fixamente. — Você precisava desses 2 milhões de dólares, Christian? Você precisava tanto desse dinheiro a ponto de matar um professor?
Eu sabia que aquelas palavras o machucavam, mas aquilo me feria mil vezes mais. Era do meu pai que estávamos falando. Era de toda a dor e a angustia que eu senti quando tive que ver meu pai se assassinado:
– Você fala de amor, de paixão, de querer ter uma família comigo...Você se esqueceu de tudo? Você se esqueceu de como tudo começou? – eu o olhava perplexa. – Você se esqueceu da invasão, do tiro, dos puxões de cabelos que seus capangas me davam, esqueceu-se de ter me visto implorar por piedade... Você realmente não se lembra disso?
Ele me olhava ereto, seu rosto estava petrificado. Provavelmente fervendo por dentro, mas mantinha a aparência rude:
– Eu me lembro disso todas as noites, Anastásia. Eu nunca vou me esquecer.
Eu não conseguia mais pensar, era tudo ridículo. Aquela conversa não tinha o menor cabimento...Aliás, aquele casamento não tinha cabimento.
Eu me virei de costas pra ele novamente e cobri o rosto com as duas mãos, tentando saber se realmente realidade, ou não passava de um pesadelo, até ele encostar a mão no meu ombro:
– Anastásia.
Eu me virei imediatamente pra ele e ele não perdeu tempo, pegando rapidamente em uma das minhas mãos e a encostando no peito dele.
– Eu tenho um coração aqui dentro.
– Será mesmo que você tem, Christian?
– Pode ter certeza que sim. E ele é seu. – Ele me olhou fixamente. – E enquanto ele bater, eu vou lutar pra fazer você gostar de mim.
Eu retirei minha mão imediatamente:
– Não se trata de gostar, Christian. Se trata de leis, de respeito, de princípios. – E o olhei fixamente. – Eu vou te fazer uma pergunta e quero que você me responda.
– Faça.
– Quem é Christian Grey?
– É o seu marido!
– Eu quero saber, quem é Christian Grey quando não está comigo.
Ele engoliu seco, apertando os olhos em cima de mim.
– Acho que está na hora de irmos. – ele me deu as costas, mas eu retruquei.
– É assim que você espera confiança da minha parte? Fugindo?
– Eu não estou fugindo. – ele rebate ainda de costas.
– Ah, não? E ta fazendo o quê então? Pra mim deu, Christian. É muito pra mim.
Ele se virou bruscamente dentro d’água e antes que eu pudesse me proteger, ele me puxou pra cima dele violentamente, apertando minha cintura com força com uma mão e segurando meu rosto bem perto dele com a outra:
– Você ainda não sabe de nada, Anastásia.
Eu fiquei com medo, confesso.
– Então me conta!
Ele chegou perto de mim e sussurrou:
– Eu teria que te matar depois!
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