The Score
21 Capitulo 21- Perdão.
Notas iniciais
Eu fiquei um tempo lá, até me recuperar e parar de chorar. Eu tinha que ser inteligente o suficiente e dar um jeito de sair imediatamente daquela situação.
Eu subi imediatamente, tomei um banho ligeiro e vesti uma camisola de seda rosa claro. O pior tinha passado, uma hora dessas ele já deveria estar mais calmo, mas de qualquer maneira, ele deve ter ficado muito, muito puto com o que viu, e não era pra menos.
Eu fui até a porta do quarto dele e bati duas vezes na porta. Sem resposta nenhuma. Então eu resolvi entrar assim mesmo.
Dei uma olhava em volta, e vi que não tinha ninguém, mas antes que eu deixasse o quarto, ele me chamou:
– Estou aqui!
A voz vinha da sacada, e eu respirei fundo e caminhei até lá. Ele estava de roupão e com um copo de uísque, debruçando olhando o jardim da casa:
– Christian, eu acho que a gente precisa conversar, não é?
Disse, falando baixo e me posicionando do lado dele, olhando para ele, mas ele permaneceu olhando pra frente, sem me dar muita bola:
– É, precisamos conversar!
– O que aconteceu na piscina... Eu disse.
– Eu vi o que aconteceu lá. Não precisa me lembrar daquilo.
– Eu fui fraca, sei lá. Mas você sumiu, não deu noticias...
– Aí você chamou outro pra fazer o papel de seu marido por uma noite?
– Claro que não! Mas eu fiquei com...ciúmes da Elena.
– Elena? – ele me olhou.- O que ela tem a ver com isso?
– Ela disse que você escolheria ela a mim, que ela é muito mais importante na sua vida do que eu.
– Você é minha esposa, Anastásia. Como ela pode ser mais importante?
– Eu não sei, Christian...Me diz você. Você fica até de cueca na frente dela!
– Mas é com você que eu me deito todas as noites. É você que eu escolhi pra isso. É por você que eu volto todas as noites pra casa. Porque você é a minha mulher...Ou melhor, era!
– Como assim, ‘era’?
Ele finalizou entre um gole e outro:
– Vou lhe dar o divórcio!
Eu petrifiquei. Depois de tanto tempo, ele finalmente me deixaria livre. Mas ao invés de ficar feliz com a notícia, eu fiquei...triste...ou sei lá:
– Como assim, Christian? Do que você ta falando?
– É evidente que você nunca vai se encaixar no meu mundo, Anastásia.
– Como, não? Eu to aqui, não to?
– Agora, sim! Mas há uma hora atrás você estava agarrada na boca de outro.
Eu não sabia o que dizer:
– Vou ligar pra Félix, para encaminhar os documentos. Em menos de 2 meses, você será solteira novamente.
– Mas..Eu não quero me divorciar de você!
Nem eu mesmo acreditei que tinha dito aquilo.
– Não parece! E você sempre quis isso não é? Estou deixando você livre, sem brigas, sem xingamentos!
– Mas eu não quero!
– Ah, é? E então toda vez que eu viajar você vai trazer seu amiguinho pra minha casa e me trair? É isso?
– Isso não aconteceria se você me levasse com você!
Ele parou de falar por alguns instantes, olhando fixamente para o jardim e aquilo me irritava. Ele estava sereno, pensativo, até calmo, eu diria. Mas no fundo, eu sabia que ele não tava bem, e eu também não tava:
–Fala alguma coisa, Christian.
Ele demorou um pouco, mas me olhou, virando apenas a cabeça pra mim:
– Falar o quê?
– Eu sei lá, fala qualquer coisa. Só não fala que quer se separar de mim.
Até eu fiquei surpresa ao falar aquilo. Eu não sabia onde se escondia toda a raiva que eu sentia dele naquele momento, mas tinha a certeza de que não queria mais sair da vida dele:
– Eu não quero me separar de você. Você quer você sempre quis.
– Mas isso foi antes, foi antes de tudo, foi antes de nós.
– Que ‘nós’? Não existe ‘nós’. Existe você, o assassino do seu pai, e o seu melhor amigo. Eu não sou idiota, Anastásia, não me trate como um. – ele respirou fundo e completou. – Vá descansar, você deve estar cansada!
– Eu não quero ir dormir, Christian. Eu quero ficar aqui, com você! – eu disse, já começando a ficar nervosa.
– Não!
– Por favor, Christian.
– Eu já disse que não!
Ele respondeu frio e saiu da sacada, voltando para o interior do quarto. Eu não consegui me segurar por muito tempo e comecei a chorar silenciosamente. Eu não sabia dizer ao certo, se eu não estava pulando de felicidades provavelmente eu sentia sim alguma coisa por ele. Mas a nossa vida era muito complicada, eram muitos sentimentos envolvidos e eu tive seis anos para preparar minha mente contra ele. Eu me recusava sentir qualquer coisa positiva pelo cara que matou o meu pai, e o pior de tudo é que até hoje eu não sabia o motivo!
Eu respirei fundo, tentei me acalmar e também voltei para o interior do quarto, o encontrando sentado na beira da cama, com o telefone do ouvido:
Eu gelei, não consegui que ele realmente ia pedir a separação. Continuei parada em silencio, apenas escutando:
– Tenho um assunto importante pra falar...Não, eu cheguei hoje, tem pouco mais de uma hora...Os canadenses queriam desfazer o acordo, aí eu tive que voar as pressas pra lá semana passada, não deu pra avisar a todos da empresa, mas já ta tudo certo agora...Eu sei, eu verifiquei tudo, mas não é disse que eu quero falar. – ele ficou um tempo em pausa e eu comecei a me aproximar lentamente. — Quero abrir uma petição de divórcio!
Ele finalizou num tom baixo, quase imperceptível. Eu dei a volta na cama e parei na frente, ereta, certa do que tava fazendo e ele olhou pra cima, ainda sentado na ponta da cama, me olhando fixamente, com o telefone do ouvido:
– Desliga!
Ele franziu a testa, mas logo voltou a falar:
– Não, Félix. Você ouviu certo sim. Eu quero me divorciar e...
Eu peguei o telefone da mão dele, mas fiz isso suavemente, apenas o puxei. Ele não lutou, não fez nada. Apoiou os cotovelos nas pernas e cobriu o rosto com as mãos, visivelmente conturbado com aquilo tudo, e perguntou:
– Porque ta fazendo isso? Porque ainda ta aqui? O que ta esperando pra ir contar a noticia para o seu namoradinho? – ele me olhou.
E seu olhar era estranho, frio, mas também quente, de ódio talvez. Eu não liguei, tinha que resolver aquilo de uma vez. Joguei o telefone dele em cima da cama, e encostei uma das minhas mãos no rosto dele, ainda sentado, olhando pra cima:
– Você é o meu marido, Christian. Eu não quero me separar de você!
Agora ele me olhava como uma criança, que tinha ficado de castigo por quebrar alguma coisa, ou sei lá... E eu continuei fazendo carinho no rosto dele:
– Mas eu quero! Eu não vou suportar viver sabendo que você é infeliz aqui, e eu sei que você é.
– Eu fui, confesso. Mas ta tudo mudando, eu não sei explicar.
– Talvez eu não seja o cara certo pra você.
– Porque a gente não tenta descobrir isso com o tempo?
Eu dei um meio sorriso no rosto e ele me puxou para mais perto, me fazendo ficar no meio das pernas dele, e assim ele me deu um abraço. Realmente como um menino.
E eu me peguei pensando no passado. Há seis anos, ele me viu ser arrastada pelos cabelos após o assassinato do meu pai e agora ele estava agarrado em mim, como uma criança indefesa. Mas eu fiquei apenas pensando e fazendo carinho no cabelo nele, até ele olha pra cima e me chamar:
– Querida?
– Sim?
– Dorme comigo hoje?
Eu sorri, e me soltei às mãos dele de mim e rapidamente me sentei de lado no colo dele, o abraçando pelo pescoço:
– É claro que sim, querido!
Ele me segurou no colo dele, firme, e me olhou, mais sério:
– Eu sei que o que a gente tem é muito, extremamente complicado, e entendo o seu impulso hoje. Eu jamais lhe pediria fidelidade à mim, porque eu sei do que já fiz pra você no passado, por conta disso eu quis pedir o divórcio, mas se você se recusa e diz que ainda me quer, eu vou confiar em você, Anastásia. Por favor, honre isso.
– Não acontecerá mais, eu prometo.
E respondi olhando fixamente pra ele.
– Então seria muito pedir pra você não falar mais com ele?
Eu petrifiquei. Mesmo com tudo o que tinha acabado de acontecer, eu não ia conseguir me desligar do José, nunca. Ele largou tudo em Princeton pra vir pra Califórnia por minha causa, e ele é a minha família, eu não poderia abrir mão dele. Então achei uma resposta a altura:
– Então seria muito pedir pra você não falar mais com a Elena?
Ele franziu a testa e olhou para o lado, não pareceu ter gostado nada de escutar aquilo:
– Viu! Se ela é importante pra você, o José também é pra mim, Christian. Mas é como você mesmo falou, eu sou sua mulher, e pronto!
Eu sorri carinhosamente, e virei o rosto dele pra mim, encostei a boca dele na minha, bem suavemente e sussurrei:
– Vai ficar tudo bem, querido!
Ele retribuiu o beijo, ficando mais calmo, e depois de alguns segundo, ele perguntou:
– Quer ir comigo a uma festa amanhã à noite?
– Mas amanhã eu trabalho querido....
– Ah! Tudo bem, eu chamo a Elena.
Ele disse já rindo, sabendo que eu ia ficar brava, mas eu não fiquei, e começando a rir:
– Você é um implicante!
– E você fica linda quando enruga o nariz!
– O quê? É claro que eu não faço isso!
– Faz sim. É a sua cara de brava, querida. É um doce!
Ele riu e eu acabei rindo também. Me levantei rapidamente e parei na frente dele, e fiz um sinal pra ele subir e deitar na cama, e ele logo o fez.
Eu subi bem devagar e me sentei em cima dele, bem em cima do seu pau e ele ficou lá me olhando:
– Eu tenho certeza, que a Elena não vai fazer isso aqui em você, depois da festa...
Eu desenhei um sorriso maldoso no rosto e encostei meus lábios nos dele, ficando bem empinada no colo dele, e roçando a boca nele, sem beijar, só provocando um pouco, e ele sussurrou:
– Você me maltrata sabia sra. Grey! – ele exclamou, apertando minha bunda com as duas mãos e a encaixando em cima dele.
E eu realmente provocava demais, ficava dando chupadinhas nos lábios dele, mordendo bem fraquinho, e roçava bem devagar minha buceta nele, fazendo movimentos circulares.
Ele subiu as mãos, deslizando pelas minhas costas, fazendo um carinho de leve:
– Querida?
–Ele sussurrou.
– Sim?
– Venha nessa festa comigo amanhã.
Aff ele tinha me interrompido pra falar disso de novo? Eu desci do colo dele e me deitei do seu lado:
– Tudo bem, Christian. Eu vou com você!
Ele abriu um sorriso largo e se virou para mim, me abraçando e encostando a cabeça no meu peito:
– Eu tenho certeza de que você vai gostar.
– Eu espero que sim. – eu sorri,fazendo carinho nele.
– Tenho uma surpresa lá pra você!
– Surpresa?
– Sim, e tenho certeza de que você vai adorar!
...
–Bom dia Jake! – eu sorri me sentando na minha cadeira e dando uma espiadinha na mesa dele.
– Bom dia flor do dia. Tudo beleza?
– Tudo.
– Então, foi assalto ou não?
– Eu acredito que sim. A polícia não achou nada e meus suspeitos tem álibi, então, fechei o caso como assalto previamente planejado.
–Tem cabimento. Sempre acontece assaltos naquela área.
Quando eu acordei hoje pela manhã, Christian já tinha ido trabalhar, e eu aproveitei a manhã para pensar e repensar no meu caso. E resolvi eu não tinha mais por onde procurar, era hora de encerrar o caso e tudo indicava que foi sim, um assalto.
Eu juntei tudo o que tinha sobre o caso: Depoimentos, pistas e indícios e dei como encerrado. Seria muito difícil pegar a quadrilha que fez isso, mas não seria impossível. Se eles fizeram um roubo desse porte, eles não demoraria muito pra fazer novamente. E tinha uma pessoa que eu devia contar sobre isso, a pessoa de maior interesse: Violet Jones!
Depois de arquivar o caso, eu juntei minhas coisas e dirigi até a casa dela.
O segurança anunciou minha chegada, como da primeira vez e eu entrei. Caminhei até a porta principal e bati na porta 2 vezes:
–Olá, bom dia sra. Jones!
– Bom dia, detetive! Entre.
Violet Jones já era uma mulher muito bonita naturalmente, mas fazia questão de abusar da maquiagem e dos acessórios, talvez isso se atribuísse ao fato dela ter sido prostituta no passado, pensei.
Nós caminhamos lentamente até a sala de estar, a mesma onde ficamos da ultima vez:
– Acredito que você esteja aqui para falar do falecido!
– Bom...sim!
– Então, pegaram o cara?
Ela parecia não dar a mínima pelo fato do marido estar morto, era como se ela tivesse falando de um estranho.
– Nós fechamos o caso, senhora. Temos o forte indício de que tenha sido um assalto planejado. Vocês moram em uma cidade cobiçada e em um condomínio luxuoso, isso chama a atenção de ladrões. Mas tenho certeza de que foi uma quadrilha profissional, ninguém entraria aqui sem saber no mínimo que vários seguranças trabalham aqui.
Ela me olhava apática, parecia que eu estava falando com uma parede:
– Então, o dinheiro da herança vai ser liberado?
– Ér, sim, senhora. Como seu filho, Benjamin é o filho único de Billy, ele é o herdeiro principal da fortuna, mas a senhora administrará o dinheiro até ele atingir a maior idade.
– Não se preocupe, Jovem. Eu não deixarei nada faltar ao meu filho!
Ela deu um sorriso e se levantou, e eu percebi que era hora de eu ir embora.
– Bom, então é isso. Sinto muito pela sua perda, senhora. Tenha um bom dia.
Eu me levantei e me retirei da sala meio sem jeito. Ela não me acompanhou, e não era necessário, eu sabia o caminho da porta perfeitamente.
Mas no momento em que eu pus a mão da maçaneta da porta principal, ele apareceu:
Eu me virei imediatamente ao escuta-lo tossir:
– Oi amiguinho. – eu abri um largo sorriso.
Ele estava sentado no ultimo degrau da escada poucos passos diante de mim, com um carrinho vermelho nas mãos.
– Tudo bom com você? Você é o Benjamin, não é?
– Ben, todo mundo de chama de Ben.
– Como o Ben 10? – eu brinquei, sorrindo.
– É sim!
Ele não sorriu, mas era visível que era uma criança linda e muito amável.
– Onde está sua babá?
– Ela foi ao mercado.
– Oh,sim. Bom, eu já vou indo, ok?
– Você viu meu pai? – ele perguntou baixinho e fez com que eu me derretesse toda.
Como eu ia explicar pra uma criança de 7 anos que o pai tava morto?
– Eu vi sim, Ben. – Eu me aproximei dele, e me ajoelhei perto da escada.- E sabe o que ele me falou?
– O que? – ele abriu bem os olhos.
– Que ama muito você! – eu sorri.
– Meu pai virou anjinho?
– Virou sim. Você gosta de anjos?
– Gosto.
– Então eu tenho certeza que seu pai ta muito feliz, e que sempre vem aqui te visitar. – Eu passei a mão no rosto dele e me levantei.
– Fica bem ta?
Eu me virei e caminhei até a porta, mas novamente ele interrompeu:
– Meu pai esqueceu de levar isso pro céu.
Ele levantou e caminhou desajeitadamente até mim, e tirou do bolso um coisa muito, mas muito interessante:
– Você ficou com o celular do seu pai? – eu disse, incrédula enquanto ele me entregava o aparelho.
– Tava caída no chão perto do meu papai, no dia em que ele virou anjinho. Aí eu guardei.
Um turbilhão de novas possibilidades pairou na minha mente, e eu quase não conseguia me situar mais:
– Eu tenho certeza de que seu papai está ainda mais feliz agora, Ben. – Eu me abaixei até a altura dele e lhe dei um beijo no rosto. – Você é um rapazinho muito inteligente, sabia?
Eu dirigi insanamente até o escritório, era como se a minha mente tivesse sido aberta a novos suspeitos ou até mesmo ao assassino do Billy. Desde o começo eu tinha pra mim que aquilo não se tratava de um assalto, porque ninguém recebe uma ligação do ladrão dizendo que vai mata-lo e assim aconteceu com Billy Jones. Ele recebeu uma ligação e depois de algumas horas, apareceu morto, e com aquele celular na mão seria fácil rastrear a chamada e descobrir quem era de fato, o assassino do Billy Jones.
– Jake, Jake, Jake!!!
Eu começei a chamar por ele antes mesmo de me sentar, e ele se assustou imediatamente:
– O que foi, Anastásia?
– Eu to com o celular do Billy.
Ele arregalou os olhos, também tendo a certeza de que aquilo era uma joia preciosa. Rapidamente ele abriu o banco de dados do computador dele, que tinha acesso aos números de telefone de toda a Califórnia e rasteou a ultima chamada:
– Como você conseguiu isso? – ele estava tão eufórico quanto eu.
– Benjamin Jones, o filho do casal, ele me deu.
– O garoto de 7 anos?
– Isso mesmo.
– Nossa! Esse caso não pode ficar mais interessante. – ele deu uma risada.
Após alguns minutos de processamento, a má noticia:
– Número privado. Não tem como descobrir quem ligou.
– Ah, não me fala isso Jake. Dá um jeito, a gente tem que pegar esse cara.
– Mas não tem como, Annie. – ele continuava olhando fixamente para a tela.- Mas...Ele recebeu uma mensagem também.
– Mensagem? De quem?
– O número também é privado. Mas eu posso tentar ler o que tava escrito.
– Então lê Jake!!! – eu quase gritei.
Ele ficou alguns minutos futucando e digitando senhas mas não demorou muito para que a mensagem abrisse:
‘Teatro Municipal às 22h.’
–‘Teatro Municipal às 22h’? O que isso quer dizer?
Jake pareceu até mais preocupado do que eu, ele abriu sua gaveta e começou a revirar os papéis:
– Eu não sei, mas não to gostando nada disso!
– Você desconfia de alguma coisa?
– Lembra que eu te falei que ia pegar esse caso?
– Lembro, o quê que tem?
– Há anos eu venho investigando alguns casos paralelos e por incrível que pareça...
Antes que ele pudesse terminar a frase um grito histérico roubou totalmente nossa atenção. Nós nos levamos para ver o que tava acontecendo.
E tinha um caos no escritório, os seguranças tentando apartar o que parecia ser uma briga, e não sabia ao certo, mas Jake fez questão de ir lá saber o que tava acontecendo, e eu logo o acompanhei.
– O QUE TA ACONTECENDO? – ele gritou entrando no meio do pessoal.
E quando vimos o que tinha lá, eu também me assustei. Era uma jovem, uma garota de no máximo 18 anos, completamente ensanguentada, toda suja e de roupas rasgadas. Ela gritava, e fazia uma tremenda força para se soltar dos seguranças.
– SOLTEM ELA, SOLTEM A GAROTA. – ele gritou.
– EU VOU MATAR O ASSASSINO DO MEU PAI, EU JURO QUE EU MATO ELE. –ela soltou um berro grave e descontrolado, e naquele momento eu me vi, exatamente como a 6 anos atrás.
Ela se debatia violentamente, tentava morder e arranhava os dois homens. Eu quase não conseguia ver seu rosto, de tanto sangue que tinha, mas eu tinha que interferir:
– Hey, fique calma. Eu vou ajudar você, para com isso agora! – eu não gritei mas falei firme com ela. – Você tem que se controlar, e me contar o que ta acontecendo!
– ELE MATOU MEU PAI, MEU PAI TA MORTO AGORA!
– Quem matou seu pai?
Ela me lançou um olhar que me cortaria em pedaços, o ódio que saia do corpo dela não me era estranho.
– Eu vou ajudar você! – Eu olhei fixamente pra ela, e depois para os seguranças. – Levem-na para a minha mesa.
Eles imediatamente o fizeram, com muito esforço, porque a garota era descontrolada e arredia, não aceitava nada e só gritava e gritava.
Logo, o chefe veio falar comigo, também atordoado:
– Grey, procure saber o que essa garota tem e tome as providências, entendeu?
– Sim, senhor!
Ele imediatamente saiu de perto e o pessoal também se esvaiu:
– O que ta acontecendo aqui Jake?
– Seja lá o que for, não vai demorar pra gente descobrir.
Ta tudo confuso.
Primeiro, eu descubro que a morte de Billy Jones é muito mais do que um simples assalto e agora essa garota, que chega aqui dizendo que o pai dela ta morto. Era tudo muito, muito estranho. Mas eu esperaria ela se acalmar para poder saber o que aconteceu, de fato!
Eu há deixei meia hora lá, sozinha sentada na minha mesa, até ela se acalmar, e enquanto isso ficou conversando com Jake:
– Se o pai dela foi assassinado, o que fazemos com ela?
– Bom, isso depende. Se ela foi testemunha do assassinato, ela ta correndo muito perigo!
– Eu preciso ajudar essa garota! – eu pensei alto, a olhando de longe.
– Toma cuidado, Annie. Eu não sei por que, mas to com uma sensação muito estranha!
– Eu prometo que vou tomar.
Eu respirei fundo e caminhei até lá, onde a garota, agora mais calma estava sentada. Eu me sentei na minha cadeira, do outro lado da mesa, olhando fixamente pra ela, que estava de cabeça baixa:
– Eu sou Detetive Grey, e eu quero muito, muito mesmo ajudar você! Mas pra isso acontecer, você vai ter que confiar em mim.
Ela permanecia de cabeça baixa. O sangue escorria pela cabeça e pingava no seu colo.
– Por favor, vá até aquela sala no final do corredor à direita e lave o rosto. Tire todo esse sangue!
Ela hesitou, mas logo se levantou. Seja lá o que tenha acontecido com essa garota, eu deveria ajuda-la porque um dia, eu estive na mesma situação e ninguém, absolutamente ninguém me ajudou.
Eu fiquei quieta, pensativa na mesa a espera dela e não demorou muito para ela retornar. Com o rosto ainda muito inchado e cheio de ferimentos, eu podia ver vestígios de uma linda adolescente. Ela se sentou, calada e apática:
– Qual é o seu nome?
Ela não falou.
– Bom, você está no departamento de homicídios, e se seu pai está mesmo morto, como você falou, você veio no lugar certo. Eu posso ajudar, mas primeiramente eu preciso saber o seu nome e o nome do seu pai.
– Davis, Richard Davis. – ela sussurrou.
– Richard Davis? Esse é o nome do seu pai?
– Sim. E eu sou Sarah.
Ela me olhou fixamente, com os olhos cheios d’agua.
– Você vai ou não vai me ajudar a pegar o cara que matou meu pai?
Eu fiquei espantada. Ela era exatamente como eu a alguns anos atrás. Angustiada, inconformada, louca por respostas e fixada em vingança:
– Sim, eu vou ajudar você. Mas eu preciso saber tudo. Quantos anos você tem?
– 17 anos.
– Onde você vive?
– Em Nova Iorque.
– E onde está sua mãe?
– Se você a encontrar, diga que ela está 15 anos atrasada.
Eu respirei fundo. Talvez pegar aquele caso, fosse dar de cara com o meu passado. Ela era exatamente como eu, era espantoso. Órfã de pai e mãe com 17 anos de idade, assim como eu.
– Você tem irmãos?
– Não que eu saiba.
– Ok, agora eu quero que você me conte absolutamente tudo o que sabe, eu disse tudo!
Ela ficou um tempo me olhando, querendo saber se eu era de confiança mesmo, eu desconfiei, mas se não confiasse em mim, em quem mais confiaria?
– Eu estava voltando pra casa da escola, era por volta das 4 horas da tarde e quando eu ainda estava na esquina eu pude ver que meu pai estava sendo jogado em um porta malas de um carro preto por homens de terno. – ela começava a chorar e soluçar. — Foi tudo muito rápido, não deu tempo de salvar nem de gritar, nem nada.
– E o que você fez daquela hora até agora?
– Eu fiquei em casa. Eu estava em pânico, eu vi meu pai ser assassinado e jogado que nem um saco de lixo dentro de um carro, moça. Você tem noção do que é isso? – ela riu, ainda chorando. – eu aposto que não. Aposto que passa o dia inteiro aqui, sentada pouco se lixando pra quem vive e quem morre, mas ao contrário de você...
– Você está errada. Eu sei muito bem como é isso! E com toda a certeza eu lhe digo: Eu vou pegar esse cara!
Invadem a casa de um homem em plena luz do dia, vestidos de terno e com um carro preto, isso lembra alguma coisa á vocês?
Bom, seja lá quem matou o pai daquela garota, ele ia pagar muito caro, independente de quem fosse. Eu dou minha palavra de honra!
Imediatamente eu liguei para o José, ela não tinha pra onde ir, e eu não tinha mais pra quem ligar:
– José?
– Annie? Eu tentei ligar pra você o dia todo, porque não me atendeu? Eu fiquei muito preocupado com você. O que aconteceu, ele maltratou você?
– Claro que não, José. Eu to bem, mas eu preciso de uma ajuda sua, muito urgente.
– Claro, o que aconteceu?
– Eu to com a testemunha de um assassinato na minha frente, o que eu faço?
Ele parou mas logo disse:
– O FBI não pode ajudar muito, mas você pode ligar para o programa de proteção à testemunha, quer o número?
Eu peguei o número e fiz questão de ligar e explicar a situação de Sarah. Como os homens não a viram, era bem mais fácil mantê-la escondida, então eles a encaminharam para uma casa de proteção na Califórnia mesmo.
– Eu vou ter que ficar o resto da minha vida escondida, é isso?
– Não, Sarah. Você vai ficar em proteção do governo até acharmos o cara que fez isso com seu pai.
– Mas você vai achar esse cara, não vai?
– Eu lhe dou minha palavra!
Ela ficou na minha sala até o carro do governo chegar, e eu a deixei lá, sozinha um pouco e fui até a sala de arquivos procurar por Jake.
Ele estava sentado na mesa, revisando alguns documentos, e eu me sentei na cadeira diante dele:
– Aceitei o caso. Prometi pra ela que vou pegar o culpado!
– Você prometeu? – ele me olhou incrédulo. – Você enlouqueceu?
– Ela me pressionou Jake, eu preciso fazer isso por ela.
– Como assim ‘ela te pressionou’? E se você não pegar o cara? Você esqueceu tudo o que aprendeu na faculdade?
– Eu sei que não podia prometer isso pra ela, mas...
– Mas o quê Anastásia? Você sabe muito bem que jamais pode prometer isso a alguém. Se você não pegar o cara, você tem noção do que pode acontecer com essa garota?
– Eu vou pegar esse cara, Jake. Eu to muito mais próximo de pegar esse cara do que você imagina.
Ele me olhou como se eu fosse uma louca, e largou de mão. Desistiu de continuar debatendo comigo e voltou a olhar os papéis.
– O que você ta fazendo?
– To só revisando um caso antigo. Acho que tirei conclusões precipitadas. – ele respondeu, pouco frio.
– Bom, eu vou esperar o carro chegar e vou embora. – eu me levantei.- Boa noite!
E antes que eu deixasse a sala ele me lembrou:
– Hey, Annie. Não se deixe levar pelas emoções!
Eu acenei positivamente, mas tive a impressão de que ele queria dizer muito mais com aquelas palavras.
Quando o carro chegou, eu imediatamente peguei o endereço do local onde Sarah moraria provisoriamente e me despedi dela:
– Eu irei visita-la em breve. Por favor, deixe que eu assumo daqui pra frente.
Ela me olhava frio, desmotivada, apática:
– Eu só te digo uma coisa: Se você não pegar ele, eu mato ele....e você!
Eu acenei positivamente, e me lembrei o porque Jake tinha ficado puto comigo e o porque nunca se deve prometer nada para ninguém: Porque quando nós não conseguimos pegar o assassino, as vidas deles mudam completamente. Eles passam a viver com medo, com raiva e se entregam as coisas ruins da vida.
Eu era testemunha disso, passei anos da minha vida rogando pragas no Christian criando dentro de mim uma Anastásia vingativa e sem coração.
Mas eu faria de tudo, absolutamente tudo pra que isso não acontecesse com aquela garota.
Se realmente foi o Christian que matou o pai dela, ele teria que pagar.
Quando o carro dobrou a esquina, sumindo do meu campo de visão, um senti uma mão quente encostar no meu ombro e me virei logo:
– Que susto, Jake!
– Desculpa. Bom...to indo embora!
– É, o dia hoje foi muito cheio! To indo também.
Eu me despedi dele com dois beijos e ele saiu andando até o carro dele e eu fiz o mesmo. O meu dia tinha sido cheio, mas minha noite seria mais conturbada ainda, eu ainda tinha uma festa pra ir!
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