The Score
17 Capitulo 17- Agridoce- parte 1
Notas iniciais
– É uma casa pequena, não se compara a sua. Mas eu gostei muito, então, não critique, ok? – ele sorriu.
Eu estava diante da porta da nova casa dele, e ele fazendo um enorme drama antes de abri-la:
– Até parece que você não me conhece, José. Anda, abre logo essa porta!
Ele sorriu, ainda ficou um tempo fazendo suspense, mas assim que abriu a porta, eu me surpreendi. Era tudo lindo, tudo arrumado e limpo. Se parecia muito com minha antiga casa no Brasil, toda decorada, com direito a mesa de centro na sala e tudo mais. Era realmente uma linda casa.
Bem decorada, tinha 2 quartos, banheiro, cozinha, sala e do lado de fora ainda tinha um pequeno jardim que dava para a rua...Como uma casa normal, e era realmente muito linda. Perfeita:
– Eu amei esse lugar, José!
– Sério? – ele também olhou em volta! – É incrível não é?
– É perfeito! – Eu sorri, me jogando no sofá da sala. – Me deixa morar aqui com você?
– Você sabe que pode vir pra cá sempre que quiser, não é? – perguntou, se sentando do lado oposto do sofá, pegando um dos meus pés e pondo no seu colo, massageando-o.
– Eu sei, José. Mas sei lá...Vou sentir falta de te ver todos os dias!
– Eu confesso pra você, que esse também é meu medo. E sabe o que eu fiz para evitar isso? Eu me mudei para a Califórnia com você, Annie. Eu vou te ver sempre, vou ta sempre por perto.
– Mentiroso. Você veio para a Califórnia, porque não ia ter mais ninguém para fazer sua comida em Princeton. – Eu ri, mas ele não se deixou levar.
– É aí que você se engana, gata! – ele me olhou desdenhando. – Eu fiz o jantar hoje!
– O QUÊ? – eu gritei perplexa. – Não acredito nisso!
– Macarronada ao molho! O papai aqui é cozinheiro de mão cheia, princesa!
– Não acredito! Você não sabe nem ferver água, José.
– Vamos apostar?
– Valendo o quê? – eu me animei.
– Quem perder, faz o café da manhã do outro amanhã de manhã.
– E leva na cama!
– Fechado. – ele estendeu a mão.
– A propósito: Eu odeio geleia. – finalizei triunfante e apertei a mão dele.
Ele parecia confiante também, mas não tinha chances pra ele... ele nunca encostou a barriga num fogão. Mas seja lá o que ele tinha aprontado, era bom passar esse tempo com ele. Até um cego enxergaria as diferenças de Christian e José.
Christian era de um mundo completamente diferente do meu, e só fazia com que eu me tornasse uma pessoa vingativa e rancorosa. Já o José não, ele me deixava ser quem eu era, uma menina ainda! Ele não ligava para as minhas palhaçadas e se divertia comigo, tirava de mim as melhores coisas, me fazia uma pessoa melhor.
E para comprovar a autenticidade daquela lorota que ele contara, ele me levou até a cozinha para ver a tal macarronada ao molho...E não é que era verdade mesmo?!
Dentro do forno tinha uma tigela média com uma macarronada e tinha uma cara ótima, o que me deixou mais surpresa ainda.
– Estou impressionada.
– Eu sei disso. Causo isso nas mulheres. – ele sorriu, triunfante.
– Você é um preguiçoso, isso sim. Em pensar que eu fiquei anos ralando meu umbigo no fogão pensando que você não sabia nem fritar um ovo. – lamentei e ele riu.
Nós colocamos a comida no prato e decidimos comer vendo televisão, coisa que não fazíamos á tempos.
Ele se virou para mim, e perguntou mais sério:
– Preparada para amanhã?
– Estou, e você?
– Eu to legal, mas é seu primeiro dia amanhã, não é?
– É sim. To meio...nervosa!
– Você vai se sair bem. Talvez demore algumas semanas até pegar o primeiro caso, mas depois que começar, não vai parar mais!
– Assim espero. Vai ser uma nova etapa na minha vida, José.
–Eu to feliz por você, sabia? Faz tanto tempo que a gente se conheceu, não é? Eu era um skatista maluco e você uma doida tapada. Que mundo estranho! – indagou pensativo.
– doida tapada? – repeti. – Se eu bem me lembro, foi você quem me atropelou no primeiro dia em que te conheci. Então você tem que ser punido...
Subitamente eu lhe dei uma tapa bem estalada no seu braço. E ele se assustou:
– Você me bateu?
– Bati, você mereceu.
– Você é muito abusada, Anastásia Grey. Ou melhor, Anastásia Steel !
Eu sorri de repente, a muito tempo não escutava alguém me chamar de Steel.
– Obrigada, José. Muito obrigada por estar aqui.
Ele me olhou, carinhoso, e logo encostou a mão do meu rosto, puxando meu cabelo para trás da orelha:
– E você acha que eu ia deixar você? Sem chances, gata!
E ele continuou fazendo carinho no meu rosto, não demorou muito e eu peguei no sono!
Eu acordei de manhã, cedo até demais. Eu teria que estar no trabalho, às nove da manhã e ainda eram 7. Mas como eu tinha perdido a tal aposta que eu fiz com o José, era meu dever fazer o café da manhã, então eu tratei de me levantar de uma vez.
Fiz minha higiene matinal e logo em seguida, preparei tudo em uma bandeja de aço que achei na cozinha. Fiz tudo com muito cuidado: pães, torradas, bolo de laranja, pão de queijo e um suco de manga que tinha na geladeira. Com muito cuidado, eu levei tudo até o quarto e cuidadosamente, deixei em cima da cômoda, para acordar o José.
– Bom dia!!! – disse suave, me inclinando do lado da cama, e dando um beijo no seu rosto, todo amassado.
Ele começou a se mover, e eu continuei a despertá-lo:
– Eu trouxe o café da manhã, acorda José.
Ele abriu os olhos lentamente, e eu sorri. Eu não sei se os meus eram assim, mas os olhos do José ficavam em azul absoluto toda manhã. Era como o oceano pacífico, azul e lindo.
– Que horas são? – perguntou ainda grogue, passando a mão do cabelo.
– Hora de tomar café da manhã.
Ele se sentou lentamente na cama e eu coloquei a bandeja do seu lado:
– Você fez compras?
– Fiz ontem, por quê?
– Por nada, é que o armário ta cheio, e me perguntei se o ex-proprietário também tinha deixado as compras aí...
– Não, não.
Ele começou a comer, bem devagar, ainda muito sonolento.
– Que horas você pega?
– 09:30 e você?
– Às nove. Me dá uma carona?
– Claro!
Nós comemos devagar, e depois tomamos um banho. E eu tinha levado a roupa que eu vestiria no meu primeiro dia: Um terninho feminino branco, muito elegante, e nos pés, um salto alto preto, também muito sofisticado. Tomei um banho rápido, me vesti, arrumei o cabelo, deixando-os soltos e me maquiei levemente, e quando eu estava pronta, José pareceu surpreendido:
– Nossa! Você ta....Diferente!
Ele me olhou de cima a baixo, visivelmente perplexo. Mas ele também estava bem arrumado. Vestida um paletó preto, com a gravata ainda desamarrada ao redor do pescoço:
– Espero que isso seja um elogio. – eu sorri, me aproximando dele.
Peguei a gravata, e tratei de colocar nele.
– Eu nunca te vi assim.
– Assim como?
– Assim... Bonita!
– Ah, é? Então eu sou feia?
– Não é isso, Annie. Você está linda. É isso que eu quero dizer.
Eu sorri, e apertei tanto a gravata que chegou a enforca-lo de leve.
–E você está...apresentável.
Ele segurou minha mão com força, e afrouxou o nó rapidamente. Ele tinha um cheiro bom, usava um perfume doce, mas o cheiro dele, o cheiro da pele dele era bom, cheiro de homem, e estar tão perto dele assim, era estranho. Os olhos azuis dele me hipnotizavam e o cabelo loiro ligeiramente penteados para trás, davam um ar de sério nele.
E ele ainda segurava minha mão com força, e num movimento rápido, ele me puxou para perto dele, colando meu corpo no dele, e aquilo me deixou nervosa. Eu olhei para cima, olhando nos olhos dele, e olhando para sua boca, que estava bem perto da minha.
– O que você ta fa-fazendo? – eu gaguejei.
Ele ainda ficou alguns segundos lá, me olhando. Mas antes que o clima ficasse ainda mais tenso ele me soltou, recompondo-se rapidamente, passando a mão do cabelo, e se virou de costas:
– Ér, vamos? Você está atrasada.
Eu não entendi nada, mas tratei de me recompor também. Seja lá o que ele tenha feito ali, foi irrelevante, e não deveria acontecer novamente.
Eu peguei minha bolsa rapidamente, minha pasta com alguns documentos e logo deixamos a casa, entrando no carro dele e partimos:
– Você sabe onde fica?
– Sei. Ontem eu procurei me informar sobre onde fica o seu e o meu departamento.
– Hum, e o seu é muito longe daqui?
– Uns vinte minutos de carro, sem engarrafamento.
– Beleza.
Não demorou muito até que ele estacionasse na frente dos homicídios. Era um prédio bege, enorme com muitas janelas. Realmente como em filmes:
– Então, ta pronta? – ele perguntou, se virando para mim.
– To meio... Com medo! – eu sorri, agoniada.
– Relaxa Annie. Você é boa nisso, eu sou testemunha, vai dar tudo certo.
– Você acha mesmo?
– Eu tenho certeza! – ele sorriu. — Agora dá o fora do meu carro, porque eu tenho que ir trabalhar.
Ele segurou meu rosto e meu deu um beijo no rosto. Eu sorri, respirei fundo e desci do carro. E antes que eu atravessasse a rua, ele me chamou e eu me virei:
– Hey, Annie!
– O que foi?
– Você vai conseguir!
Ele sorriu e arrancou. E acenei até ele desaparecer do meu campo de vista. E conforme eu caminhava em direção ao prédio, eu sentia o medo me invadir. Era hora de eu começar a viver, era a hora de eu começar a descobrir o que aconteceu com o meu pai e porque ele morreu. Era hora de eu pegar o Christian!
Eu entrei no prédio, caminhei até o elevador, desci no terceiro andar e me dirigi até o escritório 06, exatamente como estava nas coordenadas que eu recebi por fax quando eu ainda vivia em Princeton.
No momento que eu em entrava lá, eu tive a certeza que eu não estava sozinha. Eu sabia que meu pai estava lá, me observando, sabendo que eu tava fazendo o certo.
– Bom dia! Eu estou à procura do Detetive William Morrison.
– Eu posso ajuda-la em alguma coisa? – disse a recepcionista.
– Eu vim transferida de Princeton.
– Ah, sim! O det. Morrison a aguarda. Vou leva-la até ele!
Era uma mulher bonita, oriental, aparentemente 30 e poucos anos, e muito simpática.
O lugar era cheio, pessoas visivelmente ocupadas andavam para lá e para cá. Até que a recepcionista me dirigiu até uma sala pequena, onde um homem alto, cabelos pretos e bem vestido, se levantou ao me ver:
– Bom dia, det. Morrison. – Eu estendi a mão para um comprimento. – Eu sou Anastásia Grey.
– Ah, sim. Eu estava esperando por você. – Ele apertou minha mão. – Obrigada Hilary.
Dito isso, a recepcionista se retirou da sala. Ele parecia ser um homem simpático, bonito, de meia idade. Imediatamente ele deu a volta na mesa e tornou a se sentar na sua cadeira, e eu também me sentei diante da mesa.
– Bom, então você é a Det. Grey. Veio transferida de Princeton, não é?
Ele perguntou enquanto olhava alguns papéis em cima da mesa, talvez fossem meus documentos.
– Sim, senhor!
– Bom, meus parabéns! Espero que faça uma brilhante atuação conosco. – ele sorriu de lado. – Você trouxe seus documentos? Identidade, CPF, e outros?
– Sim, Detetive, está tudo aqui. – eu disse já pegando minha pasta e lhe entregando tudo.
– Perfeito. Bom, você vai começar com 2 semanas de adaptação. É o tempo que dura para seus documentos encaminharem para o fórum e você receber seu distintivo e sua arma.
– E, em que consiste essa ‘adaptação’, senhor?
– Bom, você será encaminhada a estantes de tiros, campos de estratégia e observações com nossos profissionais. Suponho que você já tenha feito tudo isso em Princeton, mas aqui é pra valer, em 2 semanas você receberá seu primeiro caso, então vamos prepara-la para ele. – Ele sorriu. – Alguma pergunta?
– Estou muito feliz por estar aqui, Senhor. Garanto que darei meu melhor a cada dia!
– Eu tenho certeza que sim. – Ele me olhou e logo estendeu a mão por cima da mesa. – Seja bem vinda ao Departamento de Homicídios da Califórnia, Detetive Grey.
Eu sorri triunfante e apertei sua mão com firmeza. Sabendo que era ali o início da caçada contra Christian Grey!
– Eu vou te apresentar uma pessoa, digamos que ele será seu ‘tutor’, nesse seu período de adaptação.
Calmamente, nós deixamos a sala, e caminhamos pelo escritório. Tinha bastante gente trabalhando e algumas pessoas me olhavam, acho que sabiam que eu era uma novata ali. Então o Det. Morrison me dirigiu até uma, mas mesas do escritório e chamou o homem que estava sentado na cadeira, de frente para o computador:
– Bom dia, Detetive.
E para a minha surpresa, um homem lindooooo ergueu a cabeça e olhou para nós. Ele vestia uma camisa branca, social, e tinha olhos puxados e castanhos. Não era oriental, mas era mestiço talvez. Cabelos pretos e lisos, e um rosto muito bonito.
– Bom dia, senhor! Estou finalizando o caso Tyler Bowson.
Ele disse, se levantando e olhando para o chefe, ainda não tinha me visto.
– Ótimo. Bom, quero que conheça a Det. Grey. Ela veio transferida e queria que a auxiliasse na fase de observação.
Ele me olhou, simpático. Rapidamente estendeu a mão para mim e eu a apertei:
– Sou Anastásia, muito prazer!
– Jake Lewis, muito prazer.
Ele sorria, sereno, não se importando em passar duas semanas me treinando.
– Bom, vocês terão duas semanas, e Jake – ele olhou fixamente para ele. – Mostre a ela a sala de arquivos e os casos em aberto, pode ser?
– Sim, senhor!
O chefe saiu e eu continuei lá, ainda envergonhada e com aquele friozinho de aflição na barriga, sem saber o que fazer agora:
– Então, vamos? – ele me olhou, empolgado, já pegando seu paletó e o celular em cima da mesa.
– E pra onde ?
– Vamos ver se você manda bem no tiro!
Ele sorriu pra mim e ergueu a sobrancelha, sabendo que seria difícil passar o dia todo com um homem bonito daqueles.
E as tais duas semanas se passaram rapidamente. Minha rotina no trabalho era corrida: Todos os dias eu ia para o estande de tiro, mas tinha dias que eu fazia avaliações físicas e psicológicas. E no fim dos expedientes o Jake me levava para ver alguns casos que não foram solucionados, eram milhares, só no estado da Califórnia. Latrocínio ganhava disparado, que é roubo seguido de morte.
Jake tinha sido um ótimo tutor, muito paciente e compreensivo. Ele tinha 28 anos e já trabalhava ali a 4 anos. Me disse que o pessoal do trabalho era muito gente boa, e que os caras já estavam de olho na ‘novata’.
Já em casa, eu não sabia de muita coisa. Eu passei essas 2 semanas de observação na casa do José, só passando na mansão para pegar roupas, mas já estava na hora de voltar.
Eu não devia ficar muito tempo fora, ainda mais com um urubu chamado Elena, sobrevoando a casa! E foi o que eu fiz, após duas semanas, no domingo à noite, eu voltei para a mansão:
– Olá, Annie! – Gail sorriu ao me ver. – Faz tempo que não a vejo. Vamos, entre.
Eu entrei na casa, olhando em volta e não era de se espantar que estivesse tudo muito calmo:
– Ele está na casa?
– Sim, já está em seus aposentos! Você quer comer, Annie? Já passou a hora do jantar, mas se você quiser, eu faço...
– Não precisa Gail. Muito obrigada! – eu sorri, agradecida. – Eu vou subir e tomar um banho!
Ela não entendeu nada, mas eu não queria perder tempo. Eu olhei no relógio enquanto subia as escadas e marcavam 10 horas da noite.
Joguei minha bolsa na minha cama, e rapidamente abri meu armário, escolhendo uma roupa leve: Uma blusa regata preta, um casaquinho fino cinza e um short jeans bem confortável. Tomei um bom banho e silencioso banho, não queria que o Christian notasse minha presença antes da hora.
Eu me arrumei toda, penteei bem os cabelos, passei um perfume de flores bem suave, e dei a última olhada no espelho do meu quarto antes de sair.
Atravessei o corredor lentamente, para não fazer ruídos, e assim que cheguei frente à porta dele, eu bati duas vezes, até escutar a voz grave dele:
– Pode entrar!
Assim que entrei no quarto eu vi a cena mais bizarra de todas, Christian estava deitado enquanto Elena estava parada em pé do outro lado do quarto.
–Senhora Grey! Ela cumprimentou-me com a cabeça. –Christian, eu já vou embora. E a vadia se retirou do quarto.
–Você pode me explicar o que isso significa? Gritei.
Ele deu um sorriso falso:
– Explicar? Desde quando eu lhe devo explicações?
Ele se levantou da cama e eu pude ver que ele estava só de cueca e com uma blusa. Foi aí que eu me irritei mais. Como é que ele estava só de cueca na presença da secretária? Era mais obvio do que eu pensava, era claro agora. Eles estavam juntos. Se não estivessem, ela não estaria na casa todo o santo dia, tanto de manhã quanto a noite. Eu estava sendo passada pra trás, e não estava vendo isso.
Ele caminhou até a sacada, e ficou lá, olhando para o jardim, mas eu tratei de ir atrás dele imediatamente:
– Você me deve sim, explicações. É ótimo saber dos seus casos extraconjugais, Christian. Agora eu sei que também tenho a liberdade de me aventurar com um homem qualquer...
– A Elena não é uma mulher qualquer, ela é minha secretária.
Ele disse, se debruçando na sacada, não dando a mínima pra mim:
– Ah, agora você vai defende-la? Que romântico. Vai se fuder, Christian. Se quer tanto ficar com ela, porque não me dá o divórcio se sai de uma vez da minha vida? – eu comecei a gritar.
– Então, você está me dizendo que eu não posso receber minha secretária, mas você pode passar duas semanas dormindo com outro cara, é isso, Anastásia?
Eu petrifiquei.
– Como é que você sabe disso? – eu perguntei, mais controlada.
– O que foi, perdeu a voz, querida? Cadê a raiva de segundos atrás?
– Responde Christian... Como você sabe disso?
– Eu sei de tudo. De tudo o que a cerca. – ele se virou para mim, me encarando.
– Você mandou alguém me espionar? – eu fui aumentando o tom da voz. – Você mandou alguém me vigiar, seu cretino?
– Obvio que sim, querida! Ou você pensou que eu passei seis anos da minha vida, sem ter notícias da minha querida esposa?
Ele deu um meio sorriso, e logo retornou para dentro do quarto. Mas eu o segui, aquela briga ainda não tinha acabado.
– Como é que é? Você me espionou todos esses anos?
– É claro que sim, Anastásia. Eu sei tudo da sua vida, eu sei mais de você do que você mesma. E esse seu ‘amigo’, José, não é uma ameaça, pelo menos por enquanto.
– Você espionou o José também? – eu estava perplexa.
– Ele é policial não é? Sim, eu soube de algumas coisas. – ele disse enquanto se dirigia até a pequena mesa e se servia de um uísque. – Cuidado com o que você esta fazendo, Anastásia. Ninguém aqui quer que o seu amiguinho parta dessa para uma melhor.
Aquele filho da puta, eu nunca, jamais ia deixar ele matar o José, e o ódio que eu sempre senti dele, voltou como uma bomba naquele momento, me deixando cega, sem controle do que eu estava fazendo, então num ato raivoso e súbito, eu avancei ferozmente para cima dele, o empurrando com força contra a parede e dando um monte de tapas na cara dele. Eu gritava e sentia o sangue pulsando as minhas veias, o ódio tinha me dado uma coragem fora do comum para fazer aquilo, mas ele tentara me impedir, tentava segurar minhas mãos, mas eu era rápida, eu o batia com força, deixando seu rosto todo vermelho e arranhado:
– SEU DESGRAÇADO, EU VOU MATAR VOCÊ, SEU CRETINO.
– PARA, PARA COM ISSO ANASTÁSIA...
Eu estava como a minha raiva em ponto máximo, não conseguia nem queria me controlar agora, era como se eu pudesse mata-lo com minhas próprios mãos naquele momento, mas aquela sensação durou pouco, até ele finalmente conseguir segurar minhas duas mãos, trocar de posição comigo, me empurrando com toda a força contra a parede, e me olhando fixamente:
– Eu mandei você parar, Anastásia!!!
Respiração acelerada, coração batendo forte, e o ódio tomando conta do meu ser, eram assim que eu estava. Eu também olhava fixamente para ele, mas com meu cabelo todo desgrenhado jogado no rosto eu quase não conseguia vê-lo:
– Se você fizer alguma coisa com ele, eu juro Christian, eu juro que...
– Jura que o quê? – ele apertou mais ainda meus braços, e me sacudiu. – Você jura o quê?
– Eu juro que acabo com a sua vida!
Ele encostou meus braços na parede, me deixando literalmente de mãos atadas, e encostou seu corpo no meu, aproximando sua boca no meu ouvido e sussurrando:
– E você vai fazer isso como?
– Eu mesma mato você!
Ele começou a roçar o rosto dele no meu, ainda sussurrando:
– Não, Anastásia... Sabe o que é que você vai fazer agora?
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