The Score

15 Capitulo 15 Olá querido!


Notas iniciais
Demorei mas cheguei! Espero que gostem do capítulo pois gostei de escreve-lo mas a próximo garanto que é melhor! Beijos e Comentem!

Eu já tinha dado umas 3 voltas por aquele hall e não o encontrava. O relógio na parede marcava uma e quarenta da madrugada, e a festa parecia ficar cada vez mais cheia, diminuindo cada vez mais as minhas chances de encontra-lo.
Mas antes que eu desanimasse, eu resolvi dar uma volta pela casa e relembrar alguns momentos que passei ali, porque tempo para me encontrar com ele, eu teria de sobra.

Andando pelas instalações da casa, procurando me distanciar cada vez mais da multidão eu via que realmente nada tinha mudado a biblioteca, o salão de jogos, a academia, absolutamente tudo como eu me recordava. Como se tivesse se passado apenas um dia desde a última vez que eu estivera ali.
E de frente para a porta do escritório do homem, eu me recordava das noites que ele passava ali dentro, das horas que ele passava trancafiado naquela sala, cuja sala em que ele provavelmente tenha bolado todo o plano de matar o meu pai, e aquilo me deixava enfurecida, então num ato bruto eu escancarei a porta daquela sala, e para minha surpresa, dando de cara com ele, sim, ele está lá. O todo poderoso, o maior dos maiores, o pior dos piores...o meu marido!
Encostado na escrivaninha, com um porta retratos na mão, ele me lançou um olhar surpreso, talvez não esperava a minha chegada tão afobada daquele jeito. Mas imediatamente, eu fiz questão de apagar do rosto a expressão e surpresa e impor uma postura ereta e impecavelmente dura. Ele por sua vez, deixou o porta retratos na mesa, e cruzou os braços, ainda sentado na escrivaninha, me olhando fixamente como se eu fosse a maior das surpresas da noite, e sem sombras de dúvidas, eu era.

– Posso ajudá-la em algo?
– Sim.

– Bom, o banheiro fica do outro lado da casa.

Hã? Que banheiro? Será possível que eu tinha mudado tanto assim? Ele não havia me reconhecido. Não reconheceu a mulher dele, mulher cujo pai foi assassinado brutalmente por ele.
– Não estou procurando o banheiro, senhor!

Eu me aproximei gradativamente dele, o olhando cada vez mais fixamente, e ele também me olhava da mesma forma, mas sem mover um músculo sequer. E eu pude vê-lo, olhar bem na cara daquele puto.
E após 6 anos ele não tinha mudado tanto fisicamente. Seu rosto estava mais marcante, o corpo mais rígido, o olhar mais ameaçador. Mas eu também não era a mesma, eu era outra, muito mais perigosa, isso eu podia garantir.
– O que você procura então?
Eu parei a poucos passos diante dele, ao escutar aquela voz rouca que era algo dos meus piores pesadelos, e em português, eu disse o encarando:

–Não lembra de mim, senhor?

Ele ergueu a sobrancelha e engoliu seco, eu podia perceber que a atmosfera que o envolvia tinha mudado completamente. Ele reconhecera, agora sim sabia quem eu era e quem eu havia me tornado.
Ele se levantou, mantendo a postura ereta diante de mim, me encarando, mas dessa vez com um ar curioso, estranhando minha volta inesperada depois de tanto tempo.

–É bom tê-la de volta, Miss. Steel, ou melhor... Querida!

Ele me olhou de cima abaixo, e apesar de tentar esconder o que realmente sentia eu podia sentir em cada pequeno gesto que ele estava completamente surpreso, o que era uma coisa boa, sinal de que eu estava no poder.
Eu passei por ele, caminhando até a enorme cadeira giratória atrás da mesa, e me sentei nela, me virando para ele, que permanecia virado para o outro lado:
– Vejo que tem passado muito bem...É uma bela festa.
Lentamente, ele se virou para mim, com expressão neutra, tentando reaver o domínio da situação.
– É sim, e deveria ser. Não é sempre que completo 30 anos.

– Então esse é o motivo da comemoração? – eu sorri, surpresa.

– Exato. Espanta-me o fato de você estar aqui, logo hoje. Uma bela coincidência.
– Destino, meu caro!
Ele andou poucos passos até a cadeira posta do outro lado da mesa diante de mim, sentou-se, ainda conturbado, mas encarando a situação da forma mais elegante possível.

– Admiro sua transformação. Vejo que evoluiu muito desde a ultima vez que nos encontramos.
– Sim, foram ótimos anos longe de sua companhia, mas estou de volta, para ocupar um cargo que por direito, é meu.
Ele ergueu a sobrancelha, parecendo mais interessado no rumo da conversa.

– E que cargo seria esse? O de minha esposa?

Eu gargalhei.

– Não seja não pretensioso, Christian. Um cargo importante de trabalho, essa é a real razão da minha volta à Califórnia.
– Obviamente! E gostaria de parabenizá-la pela brilhante carreira que optou, foi muito do meu agrado que tenha escolhido fazer direito em Princeton.

– Suponho que sim, agora estou capacitada o suficiente para condena-lo por seus atos...Criminosos, acho que posso dizer assim.

Eu não gaguejava e não titubeava ao dizer cada palavra. Estava confiante, sabia que tudo havia mudado, agora era a minha vez de rir por último!

Ele sorriu, não parecendo se importar com a observação que eu acabara de fazer. Levantou-se e caminhou até o bar, posto do lado oposto da sala, servindo-se de um drink, e lá permaneceu, encostado no pequeno balcão.
– Em todo caso, estou feliz que tenha retornado à sua casa.

– Sério? Ao meu ver, você esteve muito bem acompanhado de belas mulheres ao longo desses anos.

Enquanto falava, puxei para perto de mim, o porta retratos que ele estava olhando. Era uma foto antiga de um casal, com um bebê no colo da mulher, talvez fosse os pais dele, supus. Logo, pus a foto novamente na mesa.

– Não tenha ciúmes, minha cara. Eram mulheres que me acompanhavam em eventos, somente isso!

–Ciúmes? Creio que não, Christian.
Eu me levantei lentamente da cadeira, e me dirigi elegante até ele, que olhava meu corpo como um animal faminto, com o mesmo olhar de anos atrás, enquanto desejava possuir meu corpo ainda puro. Eu parei do seu lado, também me encostando no balcão e me servi do copo de drink dele, bebendo e o olhando, sentindo o olhar dele me devorar de ódio talvez. Eu bebi toda a bebida e me aproximei mais um passo, estando a poucos centímetros de distancia do corpo dele:

– É bom estar frente a frente com você.
– Digo o mesmo!
Eu sorri, triunfante pelo fato de o meu plano ter sido concluído com êxito total. E para fechar a noite, lentamente eu encostei uma mão minha do peito dele, sobre o terno, e subi gradativamente, podendo sentir as formas rígidas do seu corpo. E ele não lutava contra, apenas me encarava, foi aí que eu não tive medo de ousar mais ainda, com as duas mãos e bem mais próxima a ele, eu passava a mão pelo seu peitoral, o olhando fixamente, observando a sua tensão de perto, e eu subi as mãos devagar, desfrutando daquele toque, sentindo meu corpo estremecer ao sentir aquele homem perto de mim.

Eu subi as mãos pelo seu pescoço, dedilhando todos os seus traços até finalmente chegar em seu rosto, onde por fim eu cheguei bem perto da sua boca e sussurrei:

– Feliz Aniversário, Querido!
E assim eu encostei minha boca na dele, num ato suave, onde eu pude lhe dar um pouco do veneno que eu tinha lhe preparado durante 6 anos. Foi um beijo curto, e ele não se moveu, apenas entreabriu os lábios, desfrutando positivamente do meu beijo, sentido os lábios que um dia ele possuiu loucamente.

Eu o olhei suavemente, e assim deixei a sala. Caminhando até o meu antigo quarto, os flashes eram inevitáveis, mas dessa vez eu estava por cima, eu controlava, eu ditava as regras. E o beijo foi apenas o começo de tudo, o primeiro ato.
Eu ia ter minha vida de volta, e eu não descansaria até vê-lo morto, assim como meu pai.

Os raios de sol beijavam meu rosto suavemente, como num fim de tarde em uma praia do Rio. Era como se a paz reinasse no mundo, sem mais guerra, ou crimes ou até mesmo sem o aquecimento global, essa era a minha sensação naquele exato momento. Mas antes que eu me acostumasse demais com o clima bom da manhã eu me prontifiquei em abrir os olhos e olhar ao meu redor.
Tudo estava como eu me lembrara, como se eu nunca tivesse deixado aquele quarto muito menos aquela casa. Até o aroma de flores era o mesmo, como se tivesse passado apenas um dia desde a minha ida.
Eu me sentei na cama, ainda sonolenta mais fiz um esforço para me situar no mundo e me recordar dos últimos momentos da noite passada.
Bom, após sair do escritório do Christian, eu me dirigi imediatamente para o quarto, sem parar ou mesmo voltar ao Hall para procurar por José. E logo a preocupação me atingiu, será que ele estava bem? Mas antes que eu pensasse em uma providência, uma batida suave na porta, me chamou logo a atenção:

– Entre.

E num ato hábil, ela aparece, usando seu avental rosa, com os cabelos presos e os olhos,ah! Aqueles olhos azuis, mais radiantes possíveis. E de imediato ela se debruçou na minha cama, me puxando para ela num abraço cheio de nostalgia.
– Eu senti tanto sua falta, Gail !!! – sorri, a abraçando forte.

– Eu também, Annie! Porque não me avisou que voltaria hoje? Porque não me deu noticias todos esses anos?

Ela praticamente gritava, agarrando meu pescoço.
– Eu não voltei hoje, voltei ontem a noite. Cadê Taylor? Estou morrendo de saudade de vocês dois!

Eu a soltei, e ela logo se sentou próximo a mim, não parecia ter envelhecido nem um dia sequer.

– Taylor está no jardim, está a sua espera. E me conte criança, porque voltou? E quem é aquele belo jovem que está dormindo no outro quarto de hospedes?

– José? José dormiu aqui? – perguntei perplexa.

– Sim. Ele que me informou da sua volta, pensei que era brincadeira, mas ele me garantiu, e não é que ele tinha mesmo razão? Você está linda, Annie!

– Ah! Modéstia sua, Gail. Mas sabe que estou feliz de vê-la novamente, e garanto que dessa vez por muito tempo, aliás, temos muitas coisas para conversar, não é? – sorri gentilmente, e ela acenou positivamente.

Nós ficamos poucos minutos sentadas lá, conversando sobre coisas sem muita importância. Ela quis saber o porque de eu nunca ligar ou visitá-los e eu expliquei a ela que me enoja a ideia de manter contato com Christian, muito menos morar com ele, mas a minha volta tinha um motivo extremamente especial, o meu trabalho, e ela ficou radiante com a noticia de que eu era detetive do departamento de homicídios.
Ela também me contou, que a vida na mansão não tinha mudado muito, pelo menos para os empregados, já o patrão viaja com mais frequência, e quase não parava em casa.
– Ele anda cada dia mais atarefado, não fica nem uma semana inteira em casa.
– Sério?
– Sim, e aquela secretária dele, a Elena, aff – ela suspirou pesado. – É uma cobra.
– Elena? Quem é essa?

– É a secretária particular do patrão. Uma patricinha que acabou de sair da faculdade de administração.
– Hum, não me diga. Ela trabalha a muito tempo para ele?

– Ah sim, a uns 2 anos. Mas é obvio que está mais interessada na fortuna Grey do que no seu trabalho em si.
– É mesmo, Gail? Que noticia...interessante!
– Interessante? Eu não diria isso. Por vezes Taylor a avistou dando em cima do senhor Grey descaradamente, e ele não parece muito se importar com o assédio dessa jovem. Eu confesso que temi o futuro do seu casamento, Annie.
Eu me levantei da cama, desdenhando daquela informação que ele me dera.

– Que casamento, Gail? As vezes parece que você esqueceu que eu só estou nessa casa porque ele matou o meu pai, e me obrigou a me casar com ele. Eu não o amo, não gosto dele, muito pelo o contrário, sinto ódio, portanto o que ele faz da vida dele, não é problema meu. – Disse abrindo a porta do armário, procurando algo para vestir.
– Eu jamais me esqueceria disso, Annie. Mas ainda tenho esperanças que o ódio saíra do seu coração, dando espaço para um sentimento mais puro.

Disse ela, se levantando e deixando o quarto. Era melhor assim, se ela fosse ficar ali pra me dizer que eu era obrigada a amar um assassino era melhor nem entrar mais no meu quarto.
Eu olhava as roupas infantis que tinha lá, e fazia careta. Eu não poderia mais usar aquele tipo de roupa, pelo menos não a nova Anastácia. Logo, me lembrei de José e concluí:
– Que tal irmos às compras?!!

Mesmo de camisola, eu caminhei por toda a casa, a fim de ir até o carro de José e pegar todas minhas malas, e rapidamente o fiz.
Cerca de 2 horas depois, eu já estava tomada banho e vestida, com uma calça jeans, uma camisa de manga curta preta, e um tênis branco, eu tinha trazido poucas roupas comigo, e a maioria eram trajes esportivos, mas isso estava para mudar.
Desci as escadas, daquela casa vazia, onde nem um vento passava, e me dirigi a cozinha, que para a minha enorme surpresa, José estava lá tomando café da manhã, dando gargalhadas enquanto conversava com Gail e Taylor, todos juntos, sentados na mesa:

– Vejo que já conhece meu velhos amigos! – eu sorri simpática, caminhando em direção à Taylor e lhe dando um forte abraço por trás.

– Senti muito sua falta, criança. Espero que fique mais tempo dessa vez!

– Eu também espero, Taylor!
– Esses dois são incríveis, Annie! Porque nunca me falou deles? Você sabia que Taylor também é brasileiro? — indagou José, completamente empolgado com Gail e Taylor.
– Claro que sim, esqueceu que eu já morei nessa casa, José? – Respondi me juntando à eles e me servindo de torradas.

– E por falar nessa casa...Ela é incrível. Eu nunca vou te perdoar por não ter me trazido aqui antes.

–Antes tarde do que nunca, não é meu filho?
– Concordo com a senhora. Mas é uma falta de respeito, eu passar 6 anos com a Annie e ela nunca me falar nada sobre vocês, a senhora não acha?
– Ér...Talvez, querido! – ela imediatamente corou.
– Não há muito a ser dito. E a propósito, acredito eu que você sabe mais da nossa Annie do que nós mesmo.

– Discordo senhor! Ela nunca fala sobre a vida de casada, parece até que é um segredo de estado. – Ele riu e o clima ficou tenso, só ele não percebeu.

– Hey, vamos parar de falar da minha vida? – Sorri, descontraída. – Fico feliz que você tenha gostado da Gail e Taylor, eles são pessoas incríveis.

– Tem razão, Annie. Mas o seu marido também é um sujeito muito...simpático.
Disse enquanto dava uma golada no suco de manga.

– Você o viu? – perguntei tentando camuflar meu interesse, enquanto passava manteiga em um pedaço de pão.

– Sim, ontem a noite. E devo admitir que aquela festa foi o bicho! Onde vocês tiram tanta mulher bonita? Fiquei perdido...

– Que bom que aproveitou, fico muito feliz!

– Você vai sair hoje, Annie?
– Sim, Gail. Aliás, já estou de saída, vou fazer compras. Gostaria de me acompanhar, José?
Ele engasgou.
– E-eu??

– É, bobo, você mesmo!

– Me tira dessa, Annie. Mulheres demoram muito para escolher roupas!
– Concordo plenamente, José. As roupas só mudam as coras, mas mesmo assim, elas não se decidem!
Ele logo se empolgou.

–: É exatamente isso que acontece! Você é o Cara, Taylor, toca aqui!

Disse estendendo a mão, para que Taylor a apertasse e eu e Gail ríamos instantaneamente:

– Vamos parar com a conversa machista? E eu prometo não demorar, palavra de escoteira!

– Você é a mentirosa mais linda que eu já vi, sabia?!

Ele riu franzindo a testa e eu lhe dei língua. Mas o que eu queria mesmo era saber o que aconteceu no encontro entre ele e Christian. Quando terminamos de comer, eu pedi que José me esperasse no hall da casa, porque antes de sairmos eu precisava falar com o todo poderoso, que estava no escritório, como sempre, trabalhando.
Afinal de contas, eu não poderia fazer compras sem dinheiro. E como meu marido, era obrigação dele sustentar minhas vaidades!!!

Eu parei frente à porta do escritório e pude escutar mais de uma voz lá dentro, então logo concluí que finalmente conheceria a tal: Elena, secretária do Christian.
Sem titubear, eu abri a porta, na verdade eu a escancarei, sorridente, encontrando o todo poderoso sentando na mesa e a sua criada à sua frente também sentada, em posições eretas, nada suspeito.
– Bom dia, Querido!

– Bom dia! — indagou ele, se levantando para receber minha pessoa.

– Imaginei que estivesse aqui.
– Bom, deixe-me apresentá-la à Elena , minha secretária particular.
A fulana se levantou e virou-se em minha direção, e não pude negar que fiquei espantada com a beleza da moça. Uma beleza rara realmente impactante, morena de cabelos longos, cortados simetricamente jogados por cima de seus ombros, os olhos marcantes que davam um ar intimidador e agressivo, num tom verde claro, completavam a aparência de uma verdadeira morena clara, sem falar no rosto perfeito com expressões inesquecíveis. Confesso que fiquei sem palavras quando a vi, cara a cara.

– Muito prazer, Sra. Grey.
Ela quebrou o gelo, se pronunciando e estendendo a mão para que eu a apertasse. Antes eu a olhei por completo: vestia uma roupa social preta, com um salto também preto, e a maquiagem leve no rosto, completava a aparência sexy mas profissional.

– O prazer é todo meu, Elena.

– Ouvi muito falar sobre a senhora, fico feliz que esteja de volta.

–Sim, aposto que sim!

Eu sorri irônica. É claro que aquela safada não estava nem um pouco feliz com a minha volta, se tudo o que ela quer é tomar meu lugar como a esposa do todo poderoso que apenas observava, neutro, que nem um tapado, como sempre.
– Poderia me deixar à sós com o meu marido, querida?

Ela torceu os olhos em cima de mim, não gostando nada daquilo tudo. Mas sem falar nada,pegou alguns papéis e pastas em cima da mesa e se retirou.
E antes que ela pudesse bater a porta atrás de si, ele indagou:

– O que você quer ?

Perguntou ele, voltando a se sentar com cara de poucos amigos:
– Irei fazer compras.

Eu cruzei os braços, ainda de pé, olhando-o fixamente.

– E você precisa de mim para...?
– Para entrar com o poder aquisitivo!

– Ou seja, você está me pedindo dinheiro! Interessante.
– Sim, querido! Dinheiro, e uma quantia considerável, espero!

Ele sorriu, sarcástico, e logo abriu a gaveta atrás da escrivaninha, retirando um envelope de lá e me entregando.

– Eu sabia que esse dia ia chegar, mas não fazia idéia de que demoraria tanto!
E arranquei da mão dele, e o abri, tinha somente um cartão dentro.

– O que é isso?

– Cartão de crédito...Ilimitado!

– Hum, isso sim é interessante. – dei um sorriso forçado. – Obrigada, querido!
Virei e caminhei até a saída, mas antes que eu pudesse chegar até a porta, ele indagou:

– Mande um abraço para o seu...convidado!
– Mandarei!
E assim eu deixei o local.

O dia se seguiu tranquilamente. Logo de manhã, eu e José fomos fazer compras nas melhores boutiques da Califórnia, comprando muitas coisas, todas caras e sofisticadas, e eu não comprava só para mim não, também renovei por completo o guarda-roupas do José, que no início se opusera pelo fato de gastar tanto, mas logo aceitou.
E realmente gastamos bem, cerca de 15 mil dólares em vestidos, calças tanto femininas como masculinas, camisas, blusas, jaquetas, casacos, saias, sapatos, tênis, tudo, absolutamente tudo o que tínhamos vontade.
Era como se tivéssemos ganhado na loteria. E nós nos divertíamos a cada loja que entrávamos, rindo, caçoando das roupas feias e opinando sobre as escolhas que um fazia.
O engraçado era que quando eu saía de algum provador com um vestido feio, ele não mentia, dizia na cara dura que tinha ficado horrível ou vulgar. Não tinha papas na língua, nem comigo...e nem com nenhuma outra mulher. Ganhando assim, cortesia e suspiros de cada loja. Mas era inevitável, a beleza de José era de tirar o fôlego, um homem realmente muito bonito, com um porte e tanto.

No final do dia, quando o sol estava prestes a se pôr, nos paramos em uma cafeteria para comer qualquer coisa, antes de voltarmos para casa:

– Então, gostou das compras? – disse sorridente, entre um gole e outro do meu suco de abacaxi.

– Eu acho que não devia ter aceitado, Annie! Eu nunca vou conseguir retribuir.

Ele me olhava, confuso.
– Porque você não devia ter aceitado? Qual é o problema em uma amiga dar presentes a um amigo?

– Corta essa, Annie. Isso aqui não são presentes...são, sei lá...Muito mais do que isso.

– Não estou te entendendo, desculpe, você é maluco! – concluí, sarcástica.
– Pára de brincar, Annie! Eu não sei explicar...por exemplo: Damos canecas de presente a um amigo, e você me deu um guarda roupas novo. Não quero passar como interesseiro, ou o amigo que só gosta de você pelo seu dinheiro.

– Mas que conversa é essa, José? Você e eu sabemos muito bem que não é assim. Eu sei muito bem reconhecer uma pessoa que se aproxima de mim por interesse, e acredite, você não é uma delas.
– Se bem que ter uma amiga rica e bem relacionada é uma boa, pra variar.

Nós rimos.
– Você é um besta mesmo.

– Ah, não é para tanto! E, aliás, você bem que podia me convidar para as próximas festas na sua casa. Você não tem ideia de quanta mulher gata eu peguei. Só top sabe, parecia o paraíso, Annie. – Ele relembrava a noite passada, deslumbrado.
– Imagino que você deve ter ficado muito ocupado mesmo. –Eu ri. – Cuidado heim, essas mulheres da Califórnia...
– São as melhores do mundo!!! – exclamou, relaxando na cadeira e abrindo os braços, como se fosse o dono do mundo, ou nesse caso, o Don Juan. – Sabe, Annie, eu acho que vou gostar muito de morar aqui! – ele riu.
– Você é um tarado, isso sim! – rimos. – Mas em falar em morar...
– Não se preocupe com isso, eu vou me mudar amanhã. – Concluiu num ar mais sério.
– O quê??? Porque? – indaguei, perplexa.

– Você não pensou que eu ia morar na casa em que você e seu marido moram, não é? Porque isso não tem cabimento nenhum.

– Mas você é o meu melhor amigo, José. – disse, tristonha. – Eu ia dizer que você poderia morar lá, se quisesse.

Ele riu.
– O que você andou tomando? Eu não sou maluco, por incrível que pareça. E eu já tenho tudo confirmado. – Ele parou um instante e olhando para o espaço, concluiu: — Daqui a um tempo será possível até comprar uma passagem para o espaço pelo computador, sabia?
Eu ri.

– Porque ta dizendo isso?
– Porque eu comprei uma casa pela internet a alguns meses atrás. Não fica muito distante da sua, acho que uns 20 minutos de carro.

– Ah, José! Não quero que você se separe de mim!
– Relaxa, gatinha! Se quiser, você pode ir me visitar, quando a saudade apertar.

Ele sorriu maldoso, esticando o braço e passando a ponta dos dedos no meu rosto.

Em seguida, ele pediu uma fatia de torta de chocolate, e eu um de abacaxi, e entre uma garfada e outra, continuamos conversando:

– E me conta, quando você se apresenta?
– Na segunda-feira, e você?
– Eu também, por isso vou aproveitar que amanhã é domingo e vou me organizar na nova casa.

– Mas você comprou os móveis?
– Não, eu paguei mais caro, mas ela já esta toda mobiliada.

– Sério? Hum – disse, pensativa. – Menos mal, porque você tem um gosto ridículo!
– Concordo com você, ainda mais quando se trata de escolher minhas amizades.
Ele riu da própria piada idiota.

– Há-Há. Um bicho velho desses...27 anos no meio da cara e não cresce, não é?
Ele não tirava o sorriso do rosto.
– Você que é séria demais, Annie. Sabe, eu tenho uma teoria.

– Sério? E qual é?

– Bom, — ele pigarreou — A vida é um grande hambúrguer.
– Uau! Mítico! – desdenhei.
– Me deixe terminar. – disse, olhando para o espaço. – A vida é um grande hambúrguer...Uns a aproveitam e outros passam a vida toda fazendo dieta!
Eu parei, tentei absorver aquela frase ridícula, e não consegui...soltei imediatamente uma gargalhada!
– Isso não tem o menor sentido!

Ele disse, sério:
– Como assim? Esse é um dos melhores pensamentos do século!
– Só se for no fantástico mundo de Thomas, não é? – eu continuei rindo e ele deu de ombros.

Uma das coisas que eu amava no José era que ele não ligava para as coisas bestas que eu falava, porque ele também falava coisas idiotas. Por mais velhos que estivéssemos para esse tipo de conversa, era como se ainda fossemos adolescentes...o tempo não passava quando estávamos juntos!

E antes que ele terminasse de comer a sua torta, eu tirei um pedaço da mesma do seu prato, provando a deliciosa torta de chocolate daquele lugar.
– Porquê você sempre faz isso?

– Isso, o quê?

– Isso! – disse apontando para a sua torta. – Você sempre rouba um pedaço das tortas que eu peço, é um vício sabia?

– Não briga comigo, José. É porque você sempre pede as melhores tortas.
– Não, Annie. Eu sempre peço a mesma torta de chocolate, e você sempre pede torta de abacaxi, agora eu lhe pergunto: Quem nesse mundo gosta de torta de abacaxi?

– Hey! Torta de abacaxi é uma delícia. Nunca fale mais da minha torta. – disse recolhendo meu prato para mais perto de mim.
– Então porque você pega a minha torta? Você é uma morta de fome, esganada!
Disse franzindo a testa. E eu ri.
– Você é o pior melhor amigo do mundo, sabia?
Ele rolou com os olhos e deu a ultima garfada na torta, poucos segundos depois eu também terminei de comer, e logo, deixamos o lugar, abraçados, como de costume.
Seguindo direto para o castelo mal assombrado.

– E me conta...- Eu perguntei no trajeto de volta pra casa.- O que vocês conversaram?
– Eu e o Christian?

– Sim! Ele me contou que vocês se cruzaram...

– E é verdade. Ontem, quando acabou a festa, eu estava a sua procura e ele veio me perguntar quem eu era...foi aí que eu me identifiquei.

– E ele te tratou bem?
– Melhor impossível. Foi ele que me deu um quarto para dormir. Um cara muito gente boa!
Eu pensei por um instante, e conclui que era melhor o José deixar aquela casa. Só eu sabia o quão perigoso o Christian era, e deixar o José correr risco seria muita crueldade da minha parte. A briga de Christian era minha, e eu sim, resolveria aquilo com minhas próprias mãos.

Ele estacionou no jardim de casa, e enquanto desembarcávamos as nossas compras, o motorista da casa logo se prontificou a nos ajudar, levando algumas bolsas para dentro da mansão.
Eu pedi que José guardasse as minhas coisas em meu quarto, porque eu tomaria um banho e já usaria alguma roupa nova.
Por incrível que pareça, já estava anoitecendo, sinal de que passamos o dia inteiro fora. E eu não sabia se isso era uma coisa boa ou ruim nos olhos de Christian, mas eu logo ia descobrir:
– José, esteja pronto para o jantar em uma hora, ok? – eu o olhei fixamente. – E uma coisa: Só se levante da mesa quando todos acabarem de comer.

– Aff, porque?

– São só algumas etiquetas. Ah! E os talheres...comece de fora para dentro.
– Como assim, Annie?
– Provavelmente terá muitos talheres, então por favor, não faça feio!
E consentiu, muito confuso e logo deixou meu quarto. Eu dei uma olhada em algumas roupas que eu acabara de comprar, e achei uma que com certeza cairia perfeitamente para a próxima ocasião: Uma blusa de pano fino de manga longa, uma saia de cintura alta de pano sofisticado e sapatos pretos de salto alto.

Notas finais
O que Ana esta tramando?! Beijos, comentem e favoritem!