The Score

13 Capitulo 13- Universidade


Notas iniciais
Demorei mas cheguei, a culpa não foi muito minha pois o Nyah entrou em manutenção e eu viajei o fim de semana então vim postar rapidinho! Comentários serão respondidos depois e pretendo postar logo o próximo capítulo. Beijos e comentem!

E como esperado, realmente foram dias de viajem, com paradas para abastecimento, comida e necessidades fisiológicas. O pior da viajem era o tédio, porque o motorista não abria a boca para nada, e eu cheguei a cogitar a hipótese de ele ser mudo.
Ao menos eu tinha a oportunidade de olhar o mundo, e conhecer um país que eu ainda não conhecia.
Era tudo muito bonito, cada cidade em que passávamos, eu ficava cada vez mais deslumbrada com o lugar, me dando momentos de paz e liberdade, coisa que eu não tinha desde que meu pai se fora. Eu podia sentir a mudança dentro de mim, era como se eu tivesse nascido de novo. Eu tinha consciência que seria sempre a esposa de Christian Grey, mas só o fato de não ter que viver na mesma casa que ele, e não ter que vê-lo todos os dias, já era um ótima coisa!

Quando chegamos em Princeton, já era fim de tarde, e a estrutura da universidade era surreal. Nada parecido com a escolinha fundo de quintal em que eu concluíra o ensino médio.
O lugar era majestoso, com construções magníficas e um espaço amplo, como se fosse um palácio de aprendizes.

O motorista foi embora, e eu peguei minhas malas, procurando me informar onde ficava a secretaria do lugar.
A universidade estava lotada, com jovens de todo o tipo, andando para todos os lados, e eu me senti em um daqueles filmes americanos, onde a novata esquisita entra no meio do semestre, sendo rejeitada por todos. Mas não foi assim, eles não me olhavam estranho ou coisa parecida....eles nem me olhavam, era como se eu fizesse parte deles, sabe... como se fosse normal uma pessoa chegar na universidade cheia de malas.

Eu pedi informação a um homem que varria o chão, e logo me situei, encontrando finalmente a secretaria:
– Com licença.
– Pois não?

Atrás de uma grande mesa, tinha um homem alto, extremamente branco e careca, mas de expressão suave, que logo me olhou por cima dos óculos. Na sua mesa, tinha uma tarja que o identificava como: Reitor Higges.

– Meu nome é Anastácia, e eu acho que vou estudar aqui.

Ele fez uma cara de deboche, duvidando do que acabara de ouvir.
– Você acha? Trouxe sua Carta ?

– Carta?

– Sim, jovem. Um papel branco, que comprova que está matriculada nessa instituição. Você tem certeza que se matriculou aqui?
–Sim, senhor. Mas eu não recebi nenhuma carta.
Ele me olhou confuso e parecia aborrecido. Levantou-se, e abriu uma enorme gaveta e um armário. Pegou algumas pastas e logo retornou a sentar-se.

– Vamos testar a veracidade dessa sua... – ele me olhou. – história. Qual é o seu nome, jovem?

– Anastácia Rose Steel.

Imediatamente ele abriu as pastas a procura do meu nome, mas logo eu me lembrei de um fato:

– Desculpe, senhor. Anastácia Grey. – eu já ficava nervosa- Meu nome é Anastácia Grey.
Ele me olhou mais irritado ainda:
–A senhorita tem certeza disso? – perguntou irônico.
– Sim, senhor!

Ele voltou a olhar as pastas, olhando atentamente cada folha, procurando meu nome, que eu desejava loucamente que realmente estivesse ali, porque só a ideia de voltar para a casa do Grey me perturbava.

– Anastácia Grey? – ele perguntou novamente, já corrigindo sua postura e me olhando com cara de fome. – Tenho muito orgulho em recebe-la em nossas instalações, senhora Grey.

Aff, era obvio! A esposa de Christian Grey não precisava fazer provas ou concorrer vagas para entrar na conceituada universidade de Princeton, porque ele era um dos patrocinadores da NBA, a famosa liga de esporte, cujo tem associação a com universidade de Princeton. Isso não era ilegal? Me perguntei...

– Prazer é meu, senhor.

– Quero que se sinta em casa, e me relate de tudo que se passa por aqui. –Ele piscou.- E seria uma honra receber seu marido em uma de nossas comemorações e jogos de basquete.
– Claro, senhor. Ele virá. – menti.

– Bom, os dormitórios para alunos fica no ultimo andar, mas eu posso arrumar um quarto especial...

– NÃO! – eu quase gritei. –Nada de tratamento especial, senhor. Só quero um quarto qualquer.

– Perfeitamente, Sra. Grey.

Ele sorria, radiante com a noticia que teria uma pessoa ‘importante’ estudando ali. Fez algumas formalidades ,como preencher fichas, e me contou que todos os meus documentos escolares estavam em ordem. Que era realmente uma cidadã americana e estudante de uma das melhores universidades do mundo.
Pediu que eu escolhesse um curso, coisa que eu não havia pensado ainda. Imaginei Ciências, a profissão do meu pai... mas logo optei por Direito. Queria estar apta a encarar o Grey no futuro e colocar um processo nas costas dele.
O reitor me deu as coordenadas de onde ficava meu quarto, quais seriam minhas aulas, e por fim me liberou.

Eu estava pensativa. A ficha ainda não tinha caído pra mim. Era tudo surreal. Mas logo eu me dei conta que nada mais na minha vida seria normal. Até que, ao sair da sala do Reitor um baque violento, me atingiu, me jogando violentamente contra parede, e me derrubando brutalmente no chão:
– ME DESCULPE, ESSAS RODAS ESTÃO UMA MERDA.
Toda desgrenhada no chão, eu tentava me reerguer, e olhar a cara do responsável pelo o acidente.
– Não foi nada, mas tenha mais cuida...
E os olhos verdes dele estavam sorrindo para mim. Enquanto eu me levantava do chão, eu olhava fixamente para aquele sorriso, aquele cabelo loiro e os olhos verdes mais lindos que eu já vira na vida.
– VOCÊ SE MACHUCOU?

Ele gritava e sorria, e eu me perguntei: Porque ele estava gritando? Mas não importava, ele era lindo.

– Não... eu to..b-bem.
– TEM CERTEZA, GATA?

Eu o olhei por completo, e ele usava roupas largas, uma touca preta na cabeça, que deixava alguns fiapos de cabelo à mostra, e por fim o tal Skate, que quase atravessou meu corpo.

– Porque você está gritando?
– AAA..- ele tirou os fones do ouvido. – Me desculpe, eu sou José, — ele riu maliciosamente. – mas pode me chamar de : ‘meu namorado’.
Eu ri.

– Meu namorado?
– Ta me pedindo em namoro? Bom... eu aceito!

– Você é engraçado, sabia? – Eu ria espontaneamente. – Eu sou Anastácia.
– Annie,Annie,Annie..- ele me olhava de cima a baixo. – Bom, você não é bonita o bastante para andar comigo, mas eu vou fazer uma boa ação! Quer ajuda com as malas?

*********

Eu balancei a cabeça de leve, tentando afastar os pensamentos antigos para evitar que Kate me enchesse de perguntas.
–Demorei muito?

– Eu quase fui ver se ainda estava viva!

– Ah! Tinha uma mulher enfurnada dentro do banheiro... Mas enfim, vamos?

– Você sabe que temos que esperar o José, — Eu dei uma boa golada na cerveja- Ele não deve demorar.

– Aff, mas nós sabemos o caminho, Annie. Podemos pegar um táxi.
–Relaxa, Kate. Pára com essa rixa boba com o coitado.
– Coitado?? O José? Ele é um imbecil.

– Você ainda é afim dele, não é?

– Não enche, ta? Você sabe que não. Mas eu tenho vontade de matar esse idiota quando ele me deixa esperando!

Eu ri observando o modo como ela ficava irritada. Mas não era só com o José, a Kate era irritada com tudo, absolutamente tudo a tirava do sério.
Nós nos conhecemos na faculdade, fomos colegas de quarto, e naquela época ela saia com o José, mas ele a dispensou, assim como fez e ainda faz com todas as mulheres. Eu tenho pra mim, que a Kate ainda sente muito essa rejeição, mas desde então somos muito, muito unidos.

– Boa noite, gatas!
Ele entrou no bar, gritando, e visivelmente bêbado. A Kate rapidamente lançou um olhar reprovativo pra mim, como quem quisesse dizer: ‘Eu te avisei’. O bar não estava muito cheio, mas as pessoas riam, e eu tratei imediatamente de segura-lo e levá-lo até nossa mesa.

– Cacete, José. Porque você bebeu? Você sabia que a gente ia sair hoje.
– CALA A BOCA. –ele gritou, revirando os olhos de tanta cachaça.

– Olha só pra você...ta todo sujo, fedendo, cheirando a porre. Obrigada pela consideração, senhor Bom demais pra ir na minha festa.
– Kate, por favor, pega leve com ele. – eu a olhava fixamente.

–Pegar leve? Você sabe que eu só suporto esse daí, por sua causa. Não sei como tem coragem de ser amiga dele...

– Mas você que já tirou bastante proveito do papai aqui, não é Katezinha?

Ele tropeçava nas palavras e cuspia mais do que falava. Estava acabado, jogado em cima da cadeira, trêbado.

– Eu vou ignorar você, seu bêbado, imbecil. – Ele se virou para mim, e me olhou. – Annie, eu não posso mais esperar, tenho que ir. É uma noite muito especial pra mim, é a minha formatura, é a minha festa. Você vai ou não?

Eu olhei com preocupação para os dois. A Kate era o tipo de mulher que estava constantemente mau humorada, mas ela nunca, jamais me negou nada. O José era o meu melhor amigo, foi a primeira pessoa que eu conheci na faculdade e nunca mais me abandonou, a não ser quando aparecia uma garota nova.
– E então, você vai comigo, ou fica aqui com ele?

AH! Eu odiava quando esses dois faziam isso comigo.
– Ele está bêbado, Kate, não posso deixa-lo aqui sozinho. E ele esta dirigindo, e se acontecer alguma coisa com ele?

– Pelo amor de Deus, Annie ...ele dirigiu até aqui e nada aconteceu. Ele pode muito bem achar o caminho de casa. Mas tudo bem, — ela lançou um sorriso falso. – parece que você já fez sua escolha, não é? Eu vou nessa, é a minha formatura, não perder isso pra cuidar de um bêbado sem consideração.
Prontamente ela se levantou e deixou o bar, com seu lindo vestido de noite. Eu fiquei sentida, não queria fazer isso com minha amiga, mas o Thomas também era meu amigo, e eu não podia deixa-lo.
Eu olhei para ele, que estava quase dormindo de boca aberta na cadeira, aos trapos, realmente fedendo a cachaça. Eu dei uns tapas no braço dele e tentei levanta-lo para finalmente deixar o bar.
–Você é um imbecil, José. Porque foi beber? Sabia que era a festa da Kate, que era especial para ela.
– Quem é Kate?

Aff, cuidar de bêbado é a pior coisa do mundo, e quando esse bêbado é o José, fica ainda mais difícil.
Com muito esforço, eu o carreguei até o carro dele, um Chevrolet sport preto, e eu agradeci a Deus por saber dirigir.
O arremessei no banco de trás, deitado e dei partida do carro, até a casa do infeliz.

No trajeto até a casa dele, que não ficava muito longe dali, as cenas vieram na minha mente instantaneamente. Cenas do passado, coisas que eu quase tinha esquecido.
O dia em que fui para pra faculdade, o sentimento de liberdade após meses de sofrimento que até hoje eu não esquecera.
Mas os 6 anos que passei na faculdade foram diferentes, foram únicos. Logo, eu me tornei amiga do José, que sempre fui muito mulherengo, nunca tinha uma só, e de vez em quando, arrumava boas brigas. E foi numas dessas galinhagens dele, que eu me tornei próxima da Kate, que pelo que me lembro foi o romance mais duradouro do José, cerca de 2 meses, se eu bem me lembro.
Mas tarde, nos tornamos colegas de quarto, e a amizade cresceu mais ainda, durando até hoje. E assim, até depois da faculdade, apesar de Kate e José não se suportarem.
Vocês devem estar se perguntando: "Mas e seu marido, Anastácia"? Onde ele está? O que aconteceu?’. Enfim, anos se passaram, e a ultima lembrança que eu tenho do cretino, é eu dando o dedo pra ele. Depois desse acontecimento, eu nunca mais o vi. É claro, que em alguns Natais, eu ligava para a mansão, para falar com Gail e Taylor, mas eles diziam que o todo poderoso nunca, jamais perguntou sobre mim. Era como se eu não tivesse existido. E eu cheguei a me perguntar, se ele lembrava que tinha se casado comigo.

O fato é que eu não tinha me esquecido disso. E era uma mulher agora. Não mais uma criança, indefesa que não sabia nada da vida.
Agora eu podia, e iria jogar o jogo do meu jeito!

Eu estacionei o carro na porta da casa dele, e esperei um tempo, sentada, tomando coragem para novamente carregar aquele brutamontes nas costas até a sala.
Eu olhei para o banco de trás, e ele estava jogado lá, todo aberto, aos trapos. E eu cheguei a duvidar seriamente se aquele resto de homem era mesmo um policial. Porque ele havia terminado a faculdade de direito antes de mim, e logo entrou para a policia, se tornando agente da FBI.
Vou explicar melhor: No Brasil existe a Policia Federal, já nos Estados Unidos, existe o FBI que cuida de Fraudes, assaltos à bancos, denúncias de drogas...enfim, por incrível que pareça aquele adolescente que me atropelou de skate tinha se tornado um agente federal.
Mas eu não tinha ficado muito atrás não... Um rugido acabou me trazendo de volta à realidade. Era o bebum que já começava a falar coisas. Eu saí do carro e com um tremendo esforço, passei o braço dele pelo meu pescoço, e o carreguei até a sala da casa.

A casa era simples, mas tinha tudo e estava sempre muito limpa. Ele morava sozinho desde que terminou a faculdade, à 3 anos atrás. Eu, diferente dele, tinha terminado a faculdade à 1 ano e nesse período, me dediquei a cursos profissionalizantes intensos... mas isso eu explico depois.
Bom, eu saí da faculdade e eu e Kate alugamos uma casinha. Eu cogitei a hipóteses de morarmos com o José, mas ela recusou imediatamente.
Eu o joguei em cima do sofá da sala, mas a vontade de dar uns belos tapas nele me invadia a alma. Mas eu não o fiz, pelo o contrário...Eu tirei seus sapatos e suas meias, coisas que eu já estava acostumada a fazer, devido à varias noites que eu cuidei dele, enquanto ele estava desmaiado de tanta ressaca.
Eu o deixei lá, e fui até a cozinha, e como já era de se esperar, ele tinha um estoque lotado de sopa de legumes de caixinha. Pois eu sempre cozinhava pra ele, quando ele estava bêbado. Era simples e rápida de fazer, uns 10 minutos.
Despejei o conteúdo em um prato fundo, e com a colher, a mexia, para diminuir a temperatura, enquanto me dirigia até a sala e encontrando o homem, ainda lá, do mesmo jeito que eu o deixei.
Eu me sentei na mesinha de centro que ficava bem na frente do sofá, e mexia a sopa no prato, tentando esfria-la um pouco, mas ainda assim, também olhava para o Tommy. Ele era extremamente lindo, um típico americano, como vemos nos filmes, loiro, alto, musculoso, e um sorriso que selaria a paz de países em guerra. Ele era perfeito, pelo menos, aparentemente. Mulherengo toda vida, nunca se firmou com ninguém, no final das contas eu era a única mulher que sempre esteve com ele, e ele sabia disso, por isso era tão apegado a mim, como um irmão.

Eu balancei a cabeça de leve, afastando meus pensamentos, e logo comecei a chama-lo bem alto, para que acordasse, e a cutuca-lo várias vezes:
– Acorda, logo. Anda José, levanta daí.
Ele resmungava algo.
– Huuuum... Me deixa, Ashley, vai embora...

– Quem é Ashley, José? Acorda, sou eu, Anastácia!

– Ana? É você? Como você entrou aqui?

– Eu te trouxe aqui, e você está bêbedo.
– Você me trouxe aqui? Aqui onde? Onde eu estou?

Eu comecei a me irritar.

– Cala a boca e levanta de uma vez, eu fiz sopa.
Com muito esforço ele se sentou, com uma cara de derrotado, mas pelo menos, estava acordado. Eu me sentei do seu lado, e assoprava a colher suavemente, para dar a comida em sua boca.
Ele comia, lentamente, mas comia. E eu comecei a me perguntar se ele já não estava muito grandinho para aquilo tudo.
– Você sabe que perdeu a formatura da Kate, não é?

– Que se dane a Kate!

– Não, José. Você sabe como isso é importante, e eu te pedi tanto pra não fazer nenhuma besteira, você podia cooperar, pelo menos hoje.

– Ela não foi? Então ta ótimo, a formatura era dela e não minha.

– Não seja estúpido. Nos estávamos lá quando você se formou, custava fazer isso por ela?
– Ta, ta! Me desculpa, eu prometo que dou um beijinho de consolação nela.
– Você está sendo idiota!

Ele me olhou fixamente, aparentemente melhorando da ressaca.

– Me desculpe por fazer você perder a festa.

– Não precisa pedir. Agora come logo isso aqui!

Ele comeu tudo em silêncio, como uma criança que se encolhe todo depois de uma bronca. Na verdade, como uma criança de 27 anos, que ainda toma sopa na boca.
Depois que comeu, ele parecia bem melhor, mais disposto, mas ainda meio tonto. Ficou lá com a cabeça encostada no sofá, olhando pra cima, sem falar nada. Talvez refletindo sobre o que tinha feito.
– Eu acho que vou embora agora!

– Não! Fica aqui, Ana!

–Não posso, José. Mais tarde a Kate chega, e eu quero está lá, comprei um presente e quero dar à ela.

– Fica só mais um pouco, por favor.

– Não. Você já roubou minha atenção por bastante tempo hoje.

Eu disse já me ajeitando para me levantar.
– Está preparada pra voltar?

– Mas...o quê?

– Não adianta disfarçar, você não sabe mentir, muito menos pra mim.
– Mas eu não falei nada.
– Exatamente. Você não tocou no assunto desde que soube que vai trabalhar na Califórnia.
–Mas do que você está falando, José? É claro que eu falei, eu fiquei feliz e...

Ele se virou, de frente pra mim, e me encarou, sério.

– A minha pergunta é: Você está pronta para voltar pra casa?

Eu engoli seco. Todos esses anos evitando falar sobre isso, e agora ele me vinha com essas perguntas.

–Porque ta falando isso, José? – eu ri, nervosa.

– Porque eu sei como você fica quando fala nisso. Eu vejo no seu olhar, você muda, Ana. Fica nervosa, e tenta escapar do assunto.

– Claro que não. Vocês já sabem de tudo, porque ficar toda hora falando a mesma coisa?

– Olha bem pra mim, Ana. – Eu o olhei fixamente.- Eu te conheço a 6 anos. Eu sei até quando você está com vontade de fazer xixi. Então não minta pra mim, porque eu nunca menti pra você. O que você vai fazer agora?
Eu tremi na base. É claro que Kate e José sabiam que eu era casada, mas eu não falava disso, e eles também não perguntavam. Bom, de vez em quando José me perguntava o porquê do Christian nunca ter ido me visitar, mas eu sempre disfarçava e me esquivava.
Era doloroso ter que lembrar do tempo que eu passei na mansão, eu tinha conquistado uma vida nova em Princeton, uma casa pra viver, uma profissão e uma pequena família. Eu não queria voltar para o escuro, voltar para o lugar onde eu nunca devia ter ido.
Mas era necessário, era uma oportunidade divina, e apesar de relutar muito eu acabei aceitando.
Bom, eu vou explicar a vocês: Quando eu terminei a faculdade de direito, eu não sabia ao certo o que fazer com meu diploma. Não sabia onde começar a procurar emprego e nem onde enviar meus currículos. Porém, como José já era agente policial naquela época ele perguntou se eu também não me interessava, e eu acabei me animando com a idéia.

Passei um ano fazendo diversos cursos e preparatórios para fazer um concurso e entrar na policia, mas o curso mais longo foi o de tiro, que me deu a capacidade de me virar muito bem com uma arma, modéstia parte. Enfim, logo quando eu terminei meus cursos eu fiz a prova para ser detetive criminal, algo extremamente diferente do que o José faz. E após alguns meses de espera eu tive a resposta que fui qualificada para trabalhar no Departamento de Homicídios. Ou seja, o meu trabalho seria investigar crimes que deixaram vítimas e soluciona-los. Um exemplo: Se um crime acontece e uma pessoa morre, eu tenho que descobri quem matou, como e porquê aquela pessoa morreu. Foi uma tremenda festa quando eu descobri que seria detetive,José e Kate quase enfartaram, comemoraram mais do que eu.
Mas logo quando chegou a notícia que eu trabalharia na Homicídios da Califórnia, tudo mudou. Significaria que eu teria que voltar para a mansão, voltar para o escuro, voltar ao pesadelo, voltar para.... o meu marido!
Mas isso era irreversível. Ou eu pegava o emprego, ou seria dispensada. Eu pensei muito, refleti em tudo o que se passou e viria a passar na minha vida, e tinha uma certeza: Eu estava pronta para enfrenta-lo.

– Eu vou voltar pra casa, oras. Retomar minha vida de casada. –Eu ri de lado.

– Porque você nunca fala dele?

– Dele quem?

– Christian Grey, o magnata. O cara é podre de rico, você sabia disso? E ele simplesmente largou a esposa em Princeton. O que acontece realmente no casamento de vocês?

–Que pergunta mais boba, — eu disfarcei, me levantei e caminhei em direção a janela da casa, que dava para a rua, deserta.
Antes que eu pudesse perceber, ele já estava lá também, do meu lado.

– Você nunca comentou nada sobre sua vida, Annie. Não confia na gente?
– Claro que confio. Você e Kate são minha família e sabem disso.

– Então porque esse mistério todo? A única coisa que eu sei sobre você, é que você é naturalmente brasileira e é casada com um dos caras mais ricos do país.

Aquelas perguntas já começavam a me incomodar, e eu logo tratei de desviar o caminho da prosa.

– Como assim a única coisa que você sabe? – Eu ri. – Você convive comigo a anos, eu somos praticamente irmãos, José. E outra, tudo o que você precisa saber sobre mim, você já sabe, não é?
Eu o olhei fixamente, abrindo um largo sorriso, o qual eu sabia que ele não resistiria. Ele olhava para frente, ainda confuso, mas logo cedeu e também sorriu.

– Parabéns, Ana. To feliz por você.
– Obrigada, José. Mas não tenho certeza se você vai se virar bem sem mim.
Ele riu, sabendo que eu adorava demonstrar o quão dependente de mim ele era.
Ele me puxou pra ele, me dando um abraço apertando, fazendo carinho na minha cabeça, e eu sabia que ia sentir falta disso.
– Eu nunca vou me virar bem sem você,Annie.

Eu retribui o abraço, o apertando forte em mim. Aproveitando os minutos restantes que eu tinha com o José, sabendo que talvez nunca mais o veria na vida. Mas um dia eu teria que voltar e consertar o passado. E finalmente eu ia voltar para buscar as respostas das minhas velhas perguntas.
Mas o calafrio que invadia meu corpo só de pensar em olhar o Christian nos olhos era intenso. Tudo voltaria a tona: O assassinato, a fuga, o casamento, o sexo, tudo! Mas é fato, um dia o seu passado volta para o acerto de contas, e o meu tinha acabado de voltar.

Notas finais
Bom, acho que terá mais um capitulo apenas com ela na universidade e aí ela volta arrasando para a casa do Grey, comentem... beijos!