The Score
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Comentem!
Cap. 4
-Gail, can you leave us alone? ( Gail, pode nos deixar sozinhos?)
-Sure.(Com certeza.)
A mulher pegou uma bandeja de café que estava em cima da pia e saiu do nada. Talvez o Taylor tenha pedido para ela sair.
-Ele é o dono dessa casa? Esse tal de Christian?
-Senhor Grey. Os criados não se dirigem a ele como Christian. E sim, ele é o dono da casa e também é um dos homens mais ricos do mundo. Ele tem apenas 23 anos, mas apesar de novo, é o único herdeiro da fortuna da família. E acredite o império Grey é imenso. Eles estão em tudo, desde a cama que você deita até o papel higiênico que você usa. Eles têm dinheiro investido em tudo.
-Império? Família? Não, esse homem é um criminoso. Ele matou o meu pai hoje de manhã, na minha frente...
-Assuntos do trabalho do patrão não são discutidos, muito menos pelos empregados.
-Como assim? – eu comecei a me exaltar. – Ele matou o meu pai. Me trouxe pra cá... Aliás, onde eu to
- Califórnia, Estados Unidos. Você vai morar aqui, provavelmente.
-Como assim? Eu não posso morar aqui. Eu vou morar com quem
-Como o senhor Grey.
-O quê? – eu fiquei perplexa. — Eu vou morar com o homem que matou meu pai? Quantas garotas moram aqui? Ele é algum cafetão americano?
-Não. – ele diminuiu o tom da voz. – Normalmente ele não deixa nenhum rastro. Nenhum. Se é que você me entende.
Eu pensei comigo, e se ele mata as pessoas e não deixa testemunhas pra trás, porque eu ainda estava viva?
-Então o que eu estou fazendo aqui, senhor Taylor?
-Eu tenho pra mim, que você é a escolhida.
-Escolhida? Mas pra quê?
-Pra ser a esposa dele!
Eu paralisei por um instante. Olhei para aquele homem de cabelos grisalhos e pelo enrugada enojada com o que ele acabara de dizer. Mas logo eu relaxei, e soltei uma grande e alta risada. Espontânea, como se ele tivesse me contado uma piada. Eu não podia controlar quanto mais eu tentava parar, mais alto eu gargalhava.
— Acha engraçado, mocinha?
-Claro que sim. – Eu respirava, para tomar fôlego.
-Mas é a verdade. O que o patrão faz não nos diz respeito, ainda mais quando se trata de assuntos extracurriculares... Se é que você me entende. Ele nunca, jamais trouxe uma garota como... – ele me olhou dos pés a cabeça. – Você.
Eu o acompanhei e também olhei para as minhas roupas. Que estavam sujas. A calça estava imunda e rasgada. Minhas mãos ainda estavam sujas de terras, e minhas unhas desapareceram de tão pretas. Eu parecia uma menina de rua, toda suja e desgrenhada.
-Ele não trás trabalho pra casa, e quando trás significa que terá que se casar, é isso que está me dizendo? — perguntei seriamente.
Ele me olhava com piedade. Por mais que isso fosse uma hipótese, ele parecia já ter certeza do que viria a acontecer. Ele pediu que me juntasse a ele, e me sentasse numa cadeira. E eu não relutei me sentei e ele puxou uma das minhas mãos, me olhando fixamente.
-Eu compreendo o que você está sentindo, querida. Mas não lute contra isso, é pior. Aceite o que tiver que aceitar. E faça tudo o que ele lhe pedir, sem questionar.
Eu puxei minha mão de volta, e o encarei com desprezo. Quem era ele? Quem ele era pra me mandar casar com um maníaco? Talvez também fizesse parte da gangue.
-Meu senhor, eu tenho 19 anos. Quando eu acordei hoje, eu dei um beijo no meu pai, e o chamei para fazer compras de natal. Agora, eu estou nos Estados unidos, meu pai está morto e eu vou ser obrigada a me casar? Eu vou matar esse homem,
— eu me levantei, puxei minha mochila e o encarei. – eu vou caçar esse homem até o inferno.
Caminhei sem olhar para trás, de volta para a entrada da casa. Eu não ia achar o tal do Grey facilmente, mas eu tinha que começar por algum lugar. Eu parei novamente diante da escadaria e comecei a gritar:
-GREY SEU DESGRAÇADO, ME TIRA DAQUI. CADÊ VOCÊ SEU FRACASSADO? ASSASSINO, SEU PSICOPATA, EU VOU MANDAR VOCÊ PRA CADEIA.
Eu gritava e olhava em volta, mas nada acontecia. Ninguém aparecia, nenhuma alma viva. Meu deus do céu, o que eu vou fazer da minha vida? – pensei comigo. Como eu posso acordar feliz da vida e ir dormir com meu pai assassinado? Como eu posso morar nos Estados Unidos com um monstro se eu nem sei falar inglês? Isso tudo era surreal.
Eu me deixei levar pelas emoções do momento e desabei, literalmente. Deixei meu corpo desmoronar no chão e lá eu fiquei como um corpo que acabará de desmaiar.
Eu não tinha a menor noção do que fazer ou pra onde ir. Eu não tinha dinheiro, nem documentos, só uma mochila e a roupa do corpo... Até que o sotaque, aquele maldito sotaque americano, ecoou por todo o hall.
- Levante-se, Miss Steel!
Eu não me movi, absorvi cada momento daquele som que saia da boca dele. Eu queria me lembrar pelo o resto da minha vida dele. Safado, imbecil.
-Levante-se.
Ele ordenou e pelo o som ele não parecia estar muito distante de mim.
Eu levantei lentamente minha cabeça pra frente, a procura da imagem daquele crápula. E lá ele estava, no meio da escada, parado, com as mãos do bolso do terno. Como eu bem me lembrava, desde a última vez que o vi que não faz tanto tempo assim, talvez meia hora.
E como Taylor tinha falado, ele era jovem. 23 anos. Devia saber melhor do que ninguém o que é ser sozinho no mundo, mas não.
Eu o olhei ainda no chão, com ódio e sede de vingança. Ele não pareceu ligar, e lançava seus olhos para mim, na espera que eu fizesse o que foi mandado e me levantasse:
-Seu desgraçado. – sussurrei.
-Miss. Steel desculpe-me pelo imprevisto de hoje. Não estava nos meus planos. Mas a vida é cheia de surpresas, não é?
Ele dizia enquanto descia as escadas, num tom neutro, como se tivesse me falando sobre o cardápio do café da manhã.
Ele caminhou até o centro do hall, a uns quatro passos de distancia de mim. E eu olhei para o chão:
- O que vai fazer comigo, Sr. Grey?
-Por hoje, nada!
-E amanhã? E depois? Vai me matar como fez com o meu pai?
- Imprevistos minha cara, apenas imprevistos. Mas respondendo sua pergunta: Eu já providenciei um pessoal para lhe atender. Garanto que não terá complicações, é claro, se fizer tudo devidamente correto.
-Eu vou embora daqui. Eu não vou morar com você, seu desgraçado.
Minha voz aumentava a cada palavra e com ela, o meu corpo. Eu me erguia lentamente, observando de baixo para cima todo o corpo do mau-caráter, até finalmente estar de pé e encara-lo, cara a cara.
-E vai para onde Miss. Steel? Você mora aqui agora, e deveria me agradecer por isso.
-Te agradecer por entrar na minha casa e matar meu pai?
-Não, me agradecer por ainda estar viva!
Com sua rigidez impecável, ele me encarava ainda com as mãos no bolso. E me afastei um passo e lhe dei as costas, caminhando até a porta frontal:
-Eu vou chamar a polícia. Vou denunciar você, seu maluco.
-Eu sou a policia desse lugar. Minha casa, minhas regras.
Falou em alto e bom som, me fazendo parar. O ódio me consumia, eu queria me matar, queria sumir do mundo, queria acabar com tudo. E então eu comecei a sussurrar:
-Desgraçado, seu filho da puta desgraçado. Eu vou mandar você pro quinto dos infernos...
Eu dei meia volta e sem pensar demais, sai correndo em direção a ele, pronta pra encher a cara daquele viado de socos:
-Ele deu a palavra dele, Miss. Steel.
Eu parei subitamente, antes que eu pudesse ataca-lo.
-O meu pai? Ele nem te conhecia, você é maluco, psicopata.
-Tudo se trata de negócios, minha querida. Agora suba, e vá se trocar, — ele me olhou de cima a baixo e esboçou uma careta — você está deplorável.
Ele se virou e subiu as escadas, lentamente. E o observei até que ele sumisse da minha visão. Eu tentei imaginar uma saída, uma fuga, sei lá. Eu poderia ir até a policia e explicar tudo, pedir que ligassem para a embaixada do Brasil e verificassem a autenticidade da minha situação. Era o plano perfeito, a não ser por um fato: Eu não falava inglês. Que ótimo!
Olhei em volta e eu estava sozinha, e por um momento tive a sensação de que seria assim por muito e muito tempo.
Eu caminhei até a escadaria e a subi, vagarosamente. Apreciando um pouco da minha solidão, derrota, fracasso, pesadelo, seja lá o que fosse.
Ele falou sobre subir e tomar um banho, mas ao chegar ao andar superior, eu só via portas e mais portas. Não contei mais tinha mais de 10 portas, tudo impecavelmente branco e limpo.
Eu caminhei fragilizada até a última porta do corredor, rezando para que eu não abrisse a porta em que o tal Sr. Grey estava.
O clarão e o cheiro suave, porém intenso invadiram meus sentidos. O interior do quarto conseguia ser mais belo do que a casa inteira e por sorte, estava vazio. Eu entrei e logo fechei a porta atrás de mim, olhando atentamente cada centímetro daquele lugar. As janelas eram imensas, iam do chão até o teto, cobertas por uma cortina longa e branca, impecavelmente limpa, como tudo ali, aparentemente. O tapete no chão era branco e mais parecia um urso polar deitado, de tão macio. A cama, como já era de se esperar, também era branca, de casal, com muitas almofadas, como a cama de uma princesa.
E o quarto era decorado com grandes espelhos, uma televisão de plasma na parede, e perto dela, próxima à janela, tinha uma espécie de camarim, ou sei lá. Era uma cadeira giratória, bem confortável, frente a uma cômoda cheia de cosméticos e frente a um grande espelho. Talvez fosse o quarto de maquiagem de alguma mulher, pensei. Mas não tirava o fato de que o quarto era deslumbrante.
Eu caminhei até o grande espelho e puxei a cadeira, me sentando nela.
No espelho, eu via uma pessoa, mas eu não fazia à mínima ideia de quem era de onde veio e muito menos pra onde ia. Tudo o que eu via era uma alma, sozinha do mundo, sem rumo na vida e sem explicações para os últimos acontecimentos. Eu tentava explicar para mim mesmo tudo aquilo, para me convencer de que era real e não um sonho, mas eu não sabia nem por onde começar. Era tudo louco.
Eu só sentia raiva, raiva daquele homem, raiva da vida, raiva de quem eu era e o que eu me tornara, uma nada. Era isso sim, eu era uma nada na vida.
Bruscamente eu me levantei e joguei todos aqueles cosméticos pra fora da cômoda, e com eles eu soltei um grito libertador, que era o Papa escutaria.
De pé mesmo, eu comecei a chorar enquanto me olhava naquele espelho, e eu gritava também, o xingava, chamando-o de desgraçado, para que ele escutasse, seja lá em qual quarto estivesse. Viado, imundo, assassino, cretino, eu falava tudo, na verdade eu gritava, e nada era suficiente, nada tirava minha dor.
Eu me olhava no espelho, acabada, com o rosto inchado e vermelho. Os cabelos longos e escuros que eu tinha, estavam sujos e desgrenhados. Os olhos azuis eram imperceptíveis em meio ao ódio. A pele clara era escondida pelo fogo quente que corria nas minhas veias naquele momento.
Eu sentia pena de mim mesma, por estar naquela situação, e quanto mais eu gritava, eu olhava mais fixamente para os meus olhos. Sentindo minhas cordas vocais queimarem, minhas veias estufarem no meu pescoço, sentindo tudo o que era, acabando, como um simples apagar de velas.
E por impulso, com medo do que eu ia me tornar, uma possível Grey, uma possível cobra da corja dele, eu enfiei o punho espelho adentro.
E o impacto foi tão intenso que eu senti alguns cacos entrarem na minha pele, mas eu não parei, eu gritava mais alto ainda, e com a palma da mão aberta eu continuava a quebrar o espelho, esfolando minha mão, sujando aquele quarto branco de vermelho, sujando aquela casa com o meu sangue.
Eu gritava mais e mais e mais, sabia que ele podia me escutar. Eu chamava o nome dele, mas ele e ninguém apareciam. Eu resolvi começar a tomar minhas decisões e acabar com tudo aquilo. Peguei um pedaço grande de vidro e caminhei até a porta desesperadamente.
Do lado de fora eu batia em todas as portas do corredor, as sujando de sangue e chamando por ele:
-CADÊ VOCÊ, SEU CRETINO? NÃO É SANGUE QUE VOCÊ GOSTA DE VER? ENTAO EU VOU TE DAR. EU VOU ME CORTAR ATÉ NÃO SOBRAR NADA. EU MESMA ME MATO, MAS EU NÃO VOU FICAR AQUI NESSA MALDITA, MALDITA, MALDITA CASA!
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