The Scene After Kiss and Tell
2 Secrets you just can't keep, promises that you made me, you twisted it to suit yourself, but now I know, I know!
Notas iniciais
— Alô? – repetiu Gustavo, ainda com uma voz sonolenta – Pê?
Maldito registro de chamadas do celular! Pedro ficou sem saber o que dizer. Tinha ligado no impulso e agora que a história tinha se processado na sua mente não sabia como contar.
— Pedro – a voz de Gustavo tinha ficado mais firme, com toques de preocupação – aconteceu alguma coisa?
— Ééé... Bem...
— Olha, – começou Gus, esfregando um dos olhos com a mão livre – fica tranquilo, eu não tô morrendo nem nada... Só tô meio mal do estômago e minha mãe me deixou faltar... Fica de boas...
Pedro ficou com ainda menos palavras, estava até um pouco vermelho. Nunca que iria ligar só porque não viu o amigo na escola. Alguém faz isso? Gus devia estar acostumado com coisas assim, respondeu tão naturalmente...
Ué?! Mas ninguém que ele conhecia que Gustavo conhecia tinha grau de intimidade pra tanto... Estranho...
Como se o dia inteiro já não estivesse sendo né?
— Pê? – chamou, de novo – Ainda tá aí?
Se Pedro era a Regina George, Gustavo era uma das Patricinhas de Beverly Hills. O cabelo meio loiro picotado dele e os olhos meio esverdeados eram charmosos. Não ter todo aquele porte atlético de esportista parecia deixa-lo mais acessível e gente fina que seus colegas de time, mesmo tendo todo o jeito fresco de quem nunca sofrera muito na vida, cheia de privilégios... Era tão carismático! Tão legal! Não tinha como não gostar dele. Alguns diziam, inclusive, que era por causa da presença dele que muita gente tolerava Pedro. Afinal, se eles eram amigos, o estrelinha não poderia ser tão ruim assim, né?
Era essa pessoa que Pedro tinha receio que todos fossem começar a ignorar. Será que devia contar mesmo pra ele? E se não fosse nada que o afetasse?
Não! Que besteira, Pedro! Claro que ele tá envolvido no rolê também!
— Então... – começou, tomando coragem.
— Aleluia! Achei que tava me sacaneando!
— Que nada... – respondeu, automaticamente – Mas então, presta atenção que tá acontecendo um negócio muito esquisito aqui na escola hoje...
— O quê?
E então Pedro respirou fundo e contou o que aconteceu do jeito que entendeu que Ana Bia tinha lhe contado:
— A Isa falou pra todo mundo que a gente terminou porque eu tô tendo um caso com você.
— O QUÊÊÊ?!
— Não faz o menor sentido né? – disse, completamente sem graça, para tentar acalmar o amigo – Nem sei como todo mundo caiu nessa... Não é como se essa possibilidade pudesse existir algum dia...
Gustavo, que tinha acabado de se assustar, assustou–se de novo. Não podia acreditar que aquele assunto ia sair assim, daquele jeito, pelo telefone, enquanto tinha uma crise de diarreia. Droga! O estômago tinha começado a revirar de novo... Era o quê, a quarta vez naquela manhã?
— Então... Na verdade – começou ele – tem um negócio que não te contei...
— Ah – retrucou Pedro, brincando – não vai me dizer que virou viado do nada...
Não era o tipo de reação que ele estava esperando, mas não tinha muito tempo até o chamado do banheiro se tornar inadiável... Tinha de dançar conforme a música:
— Bem, "virar" não é bem a palavra – podia imaginar a reação de Pedro do outro lado do telefone – Mas não é só isso, olha...
— O QUE VOCÊ TÁ FALANDO, GUS?! – ele gritou e, depois, percebendo alguém poderia estar voltando para a sala por causa do final do intervalo, diminuiu o tom de voz: – Você não é gay...
— Não é tão simples assim... – o estômago de Gus deu uma apunhalada violenta... Era isso. Precisava ir ao banheiro – E isso nem vem ao caso agora...
— COMO ASSIM NÃO VEM AO CASO?!
Droga! Droga! Tinha que falar rápido!
— Euconteidavezque agenteficounaquelafesta desculpamastenhoqueirnobanheiro falousdepoistemandomensagem – e desligou.
Era muita coisa para pensar em uma simples ida ao banheiro. Gustavo saiu correndo de seu quarto, atravessou o corredor e chegou ao banheiro quase tropeçando na porta. Iria resolver tudo aquilo depois. Quando explicasse direitinho porque contou e para quem, Pedro ia entender.
A sensação de alívio que percorreu Gustavo quando finalmente fechou a porta do banheiro foi a última que ele teria por um bom tempo...
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