The Scene After Kiss and Tell
3 The dirty deeds will catch up to you! Its crumblin' beneath your feet, but you don't know, you don't!
Notas iniciais
O intervalo acabou pouco depois de Gustavo desligar o celular. Pedro ficou por consideráveis minutos em pé, praticamente no meio da sala, processando aquilo que acabara se ouvir. Não tinha conseguido escutar direito, tinha falado muito rápido, mas, pelo tom de voz dele, Gus estava se desculpando... A questão é: de quê?
Durante as três últimas aulas, Pedro ficou remoendo o que tinha ouvido, tentando decifrar na memória aquela correria impronunciável. Perto do fim da primeira aula de história, decidiu parar de se torturar, não tinha conseguido nenhum avanço, e mandou um whatsapp para Gustavo:
"E aí, man?", não sabia muito o que escrever além disso. Tinha receio de parecer nervoso e o amigo demorar demais para responder, era um costume dele. Decidiu então, enviar um emoji de carinha sorridente, para parecer mais amigável.
O que ele não esperava é que o emoji fez o efeito contrário do pretendido. Quando Gustavo saiu do banheiro, com uma expressão de extrema serenidade no rosto, e viu que Pedro tinha enviado uma mensagem, demorou quase meia hora para tomar coragem para responder e abrir a conversa.
O emoji sorridente deixou-o com a pulga atrás da orelha. Não era do feitio de Pedro mandar emojis isolados, ainda mais agora com a última atualização do whatsapp que os deixava enormes quando enviados assim. Ele deveria estar furioso que contara para alguém sobre eles terem "acidentalmente" se pegado em uma festa. Não pode deixar de lembrar a sensação quente e sexy de quando seus lábios se tocaram e suas mãos varreram sedentas a procura de mais. Ali, no escuro, sem ninguém poder discernir quem era quem, eles estavam sozinhos em um universo só deles, uma dimensão que tinha gosto da pasta de dente dele e cheiro do perfume genérico dele...
Não iria responder. Pelo menos, não agora. Se as coisas estavam realmente esquisitas do jeito que Pedro tinha falado, ele iria descontar em alguém. Não iria ser nele, ainda mais agora que acabara de contar para Pedro que era gay. Era até perigoso.
O gozado era que, apesar de tudo, a história não tinha sentido. Por todos os lados. Isabelle não era de ficar espalhando fofocas ou mentir. Tudo bem que até ele tinha brigado com Pedro sobre as causas que levaram ao término dos dois, mas não via ela como alguém vingativo ao ponto de fazer isto. Na verdade, Isabelle era a típica definição de alguém superior. Nada parecia a atingir e ela sempre era gentil com todo mundo. Será que isto era só uma fachada para o Anjo Vingador que ela de fato era?
Gustavo não sabia, mas se você perguntasse para a própria, nunca que ela se veria como um Anjo Vingador. Na verdade, Isabelle estava se surpreendendo com suas próprias ações. Só tinha certeza de uma coisa: Pedro merecia. Era como se ela fosse a encarnação do carma dele, fazendo-o pagar por suas burradas. Está aí uma descrição que ela daria!
Falando em Pedro, o menino não soube o que fazer enquanto o tempo passava e Gustavo não respondia. Aparecia que ele tinha ficado online em tempo de ver a mensagem, então Pedro só poderia esperar pelo pior. Os olhares de todos na sala permaneceram. Talvez, por ele não ter saído dali no intervalo, tenham até se intensificado...
E o pior de tudo: Pedro estava com fome. Seu café da manhã de verdade era algum salgado que comia no intervalo e, com toda aquela confusão, esqueceu-se de pegar alguma coisa na cantina. Deveria ter trazido uma fruta como a mãe falara! Ódio! Como ela sempre poderia estar certa?! Agora estava encolhido ali no fundo da sala, com receio de seu estômago começar a roncar alto demais e todos ouvirem...
Quando a aula de matemática, que era a última do dia, estava na metade, Pedro não se aguentava mais de receio, curiosidade e fome. Estava de saco cheio! Tinha de tirar aquela situação a limpo com alguém, e se Gustavo não estava disposto a cooperar, ia ter de ser ela!
Abriu sua conversa do whats com Isabelle. A última mensagem que tinha enviado era que "precisavam conversar" há dois dias atrás. Naquele momento, aquilo parecia uma eternidade no passado. Decidiu repetir o que tinha escrito, até por não saber direito o que mandar:
"Isa a gente precisa conversar"
Só depois de enviar percebeu que aquilo não daria em nada. Isabelle não olhava para o celular durante as aulas, principalmente em uma aula como matemática, a única matéria em que não ia super bem. Provavelmente, ela só iria visualizar a caminho de casa e, assim como Gustavo, não havia qualquer garantia que fosse responder. Ficou de olhos vidrados no relógio do celular, contando os minutos infinitos até o sinal tocar e ele poder fazer, de fato, alguma coisa. Neste período, sua mente viajou por inúmeras possibilidades. Não iria simplesmente voltar pra casa e ficar lá esperando um dos dois responder... Não mesmo!
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