The Sages
9 09 - Destino
Notas iniciais
– Não estou garantindo nada – continua Dustin. – Nem dizendo que é a solução de nossos problemas. Mas pode ser um começo.
– Com o que você sonhou? – Pergunto?
– Acho melhor contar para todo mundo de uma vez.
Nós estamos atravessando juntos o paredão verde entre o parque e nosso esconderijo. Saber que pelo menos alguém tem uma dica do que temos que fazer agora é consolador.
Atravessamos o resto do parque ainda caminhando. Quando nos aproximamos da entrada, Paco aponta para nós e Kora vem correndo em nossa direção. Ela abraça Dustin com tanta força que eu não sei como ele continua respirando.
– Nunca mais me dê um susto desses, ouviu? – Ela diz. – Nunca mais...
– Não vou. – Dustin retribui o abraço. – Eu preciso te contar uma coisa.
Ele me lança um olhar por sobre o ombro da tia e eu pego o recado. Me afasto dos dois e vou me juntar aos meus irmãos.
– O Água pode achar que a tia é rabugenta – começo Paco –, mas eu acho que ela só é triste. Quero dizer, seu irmão e sua cunhada morreram ao mesmo tempo. Ter Dustin em casa deve ser como viver com um fantasma.
Tenho que concordar com ele.
Nós quatro ficamos observando enquanto Dustin explica tudo para Kora. Em certo momento, ele aponta para nós e sua tia mostra uma expressão de surpresa. Em nenhum momento Dustin solta as mãos dela.
Kora está chorando ao final da explicação. Vê-la assim me dá certa agonia, e percebo que o mesmo acontece com os outros. Dustin também chora e se desculpa por tudo. Sei os motivos de suas desculpas. Ele se desculpa por não ter contado antes. Por ter sido um sobrinho ruim. Por ter matado o irmão dela. Sua tia leva a cabeça do garoto ao seu ombro e a afaga. Sussurra algo em seu ouvido que faz Dustin chorar mais ainda.
Nunca pensei que o veria dessa forma.
– Eu vou esperar no carro – diz Sohan.
Ele se afasta com as mãos nos bolsos da calça e a cabeça baixa. Abre a porta de trás do carro e afunda no banco.
– Acho que ele ainda não se recuperou dessa coisa de “humanização” – Michele palpita. – Deve ser difícil para ele.
Concordo um gesto lento de cabeça.
– Eu devia falar com meus pais também – Paco pensa alto.
– Eu devia escrever uma carta para os meus – diz Michele. – Isso parece tão insensível... Me arrependo de não ter contado para eles antes de vir para cá.
– Eles vão entender – eu falo. – É difícil contar.
– Pois é. Eu não imaginei que um dia seria tão difícil assim.
Tenho que concordar com ela. Nenhum de nós jamais pensou que isso aconteceria.
Dustin e Kora voltam para cá, a tia abraçando o sobrinho de lado. Dustin olha para nós, e sua expressão me faz pensar que ele está se esforçando muito para não chorar de novo. Ele para os olhos em mim. Dou o sorriso mais consolador que consigo e ele retribui com um sorriso pequeno e rápido. Dustin me encara por mais um tempo antes de desviar o olhar.
– Você pode me levar para casa? – Paco pede à Kora. – Chegou a minha vez de contar.
Kora assente com a cabeça.
– E eu posso ir para sua casa, para escrever uma carta aos meus pais? – Pede Michele.
– Claro. – A mulher olha para mim. – Pode ficar lá até sua partida também, se quiser.
– Obrigada.
Eu olho para o Água. O Dustin que eu conheço diria que Michele parece uma velha escrevendo cartas até hoje, e que a onda dos humanos agora é mandar mensagens pelo celular. Mas ele não diz nada.
Nós quatro seguimos Kora até seu carro. Dustin afunda no banco da frente, e o resto de nós acompanha Sohan.
. . .
Assim que chegamos na casa dos Collins, depois de deixarmos Paco em sua casa, Dustin vai direto para seu quarto sem dizer uma palavra. Ninguém o chama.
Kora nos mostra o quarto de hóspedes. Tem duas camas: uma para mim e uma para Michele. Sohan diz que pode dormir no sofá da sala.
Michele continua no quarto para escrever sua carta. Quando ela volta para a sala, Vento resmunga alguma coisa e sobe as escadas. Nós duas achamos que ele também tem uma carta para escrever, então Terra decide esperar ele terminar antes de colocar a sua no correio.
Na hora do almoço, eu vou até o quarto do Dustin e o chamo para descer. O chamo três vezes e ele não responde. Decido colocar a comida numa bandeja e deixá-la na frente da porta. Repito isso no lanche e no jantar. Entendo que ele fique triste com a situação, mas seu silêncio total me deixa preocupada. Não parece com o mesmo Dustin. Está se parecendo mais com o Gregory.
Não. Ele nunca existiu. Gregory e Angélica nunca existiram.
Nós dois começamos tudo. O nosso erro foi o primeiro daquele século. Se eu não me esquecer que ele aconteceu, aquele dia, aquele momento de fraqueza vai me assombrar para sempre.
Não aconteceu.
– Só não se esqueça de contar qual foi seu sonho – digo para Dustin por trás da porta. – Sei que está triste, mas ainda precisamos de você.
. . .
– Hailey? Está acordada?
Estou. Não consigo dormir.
Deitada na cama, me viro para Michele.
– O que foi?
– Nada. Eu só queria conversar. Te acordei?
– Não. – Me sento. – Conversar é uma boa ideia.
Michele se levanta e vem se sentar ao meu lado. Ela encosta as costas à parede e abraça os joelhos. Pela primeira vez, a vejo como uma irmã mais nova.
– Nunca pensei que ficaria com medo antes de uma missão – ela confessa. – Fico pensando se os monstros vão atacar minha família enquanto eu estiver fora. E se falharmos e a Terra ficar imersa nas trevas? O que vai ser dos meus pais, dos meus tios, dos meus primos...?
– Não vamos falhar. Nunca falhamos e nunca falharemos.
– Como você pode ter tanta certeza? – A de Michele treme. Seu medo me deixa agoniada.
– Confie em mim – respondo. – Ou melhor, confie em nós. Nós vamos proteger a todos.
Michele assente de leve. Se aproxima mais de mim e deita sua cabeça no meu ombro.
– Sabe – sussurra –, é por essas e outras que você foi declarada nossa irmã mais velha.
– Quando eu ganhei esse título?
Michele pensa um pouco.
– Ontem, depois de você ir dormir. Nós quatro comentamos sobre isso antes de nos deitarmos.
Eu nunca te me imaginado como a mais velha também. Na verdade, sempre imaginei que todos se considerassem na mesma faixa; todos temos a mesma idade espiritual, afinal de contas. Realmente a atitude dos corpos a cada século pode direcionar nossa confiança para um Sábio em específico, e é exatamente por isso que eu não esperava tanta valorização. O Vento parece o mais maduro nesse século, tanto por sua idade humana quanto por sua mudança após seu erro no século passado. É difícil imaginá-lo dizendo que eu estou ajo como a irmã mais velha de todos.
– Ah! – Michele dá um pulo e quase bate a cabeça em meu queixo. – Não era para ter te contado isso. Nós achamos que isso só aumentaria o peso em seus ombros e combinamos de manter esse título em segredo. Desculpe.
– Tudo bem. É legal saber que eu tenho esse significado para vocês – eu a conforto, sorrindo. – Mas é melhor dormirmos agora, irmãzinha. Temos um longo dia pela frente.
O dia da nossa partida, o dia do início da missão. Começo a ficar com um pouco de medo também.
Michele me dá um abraço e volta para sua cama. Nós nos deitamos, desejamos boa noite uma para a outra e apagamos.
. . .
Dustin nos convoca para um sonho.
Quando abro os olhos e me vejo no salão branco, todos já estão presentes e olhando em minha direção. Devo ter chegado por último, mas como eu ia saber?
– Agora que estamos todos aqui – começa Dustin –, vou direto ao assunto: tive um sonho ontem que acredito que possa ser a chave para entendermos qual é nossa origem.
– Por que você sonhou com algo assim? – Sohan indaga. – O certo não seria isso acontecer com a Luz?
– Acredito que quem enviou o sonho foi a Mackenzie, e ela devia estar procurando alguém com a cabeça mais resfriada – supõe Dustin. Ele dá de ombros. – Isso não importa agora. O que importa é que, no meu sonho, eu estava aqui. E vocês sabem que lugar é esse, certo?
– Uma parte de nosso mundo – responde Paco. – É aqui que repousamos entre os séculos.
Ele diz “uma parte” porque não visualizamos nosso mundo inteiro. Isso aqui é só uma imagem. No nosso mundo original, o espaço é maior e o teto transparente dá para a uma vista privilegiada da Via Láctea: os astros, os planetas e os satélites.
– Exatamente – Dustin fala. – Eu me movi automaticamente no meu sonho e fui levado a uma coisa muito intrigante. Venham comigo.
Ele caminha até a parede e o seguimos. O Sábio empurra o paredão branco com força, e eu já estou prestes a perguntar o que ele está tentando fazer quando ouço um clique e vejo uma fresta se abrindo ali.
– Ok, agora é melhor vocês se prepararem. Vai ficar muito estranho depois que passarmos dessa porta.
Então, Dustin empurra a porta para o lado e ela desliza pelo lado de fora. Nós o seguimos para o lado externo e desconhecido da nossa casa.
A primeira coisa em que reparo é na cor viva da grama. É muito brilhante, como se estivesse logo abaixo do sol. Mas não tem nenhum sol aqui. O céu é composto apenas por bilhares de pequenas estrelas.
Também posso ouvir algumas vozes. Não consigo distinguir o que eles falam, mas fica claro que são várias pessoas. O que não faz o menor sentido. Não devíamos estar sozinhos nesse mundo?
Me viro para dizer isso a Dustin, mas me assusto. Dustin não está mais aqui. Em seu lugar está um homem de cabelos e olhos negros, alto, de pele clara e barba, todo vestido de branco. Olho para os outros. Todos estão diferentes e com as mesmas roupas. Eu também estou? Minhas mãos não parecem muito diferentes, apenas um pouco maiores. E me sinto estranha também.
O que está acontecendo?
– Eu sei, eu também fiquei assustado – diz o homem que deveria ser o Dustin. – Mas fiquem tranquilos, nós ainda somos nós. Esses corpos... Eu acredito que sejam as nossas primeiras formas.
Olho para baixo, mas ainda não vejo muita diferença além da calça e os sapatos brancos. Aqui não tem nenhum espelho?
– E se vocês mexerem nos seus pescoços, vão perceber que tem uma coisa neles.
O barbudo, então, tira de dentro de sua camisa uma cruz de madeira pendurava num cordão. Faço o mesmo e descubro que tenha o mesmo acessório. Todos temos.
– É o símbolo do catolicismo. Isso me leva a acreditar que nossa origem tenha a ver com essa religião. Eu fiquei um dia inteiro pensando em algum lugar que tenha ligação com o catolicismo e que pudesse ser nossa terra natal. Até cheguei a pensar no Vaticano, mas nós vimos ele se formar no século XIX, então não faria sentido. Mas aí eu me lembrei de Jerusalém.
– Centro do cristianismo, judaísmo e islamismo – completa o Vento. – Estabelecida antes do nascimento de Cristo.
– Exatamente! – Exclama o Água. – E sua conquista foi o motivo das Cruzadas. E se tivermos surgido naquela época, para interferir nas guerras? E se aquela tiver sido nossa primeira missão?
Ele olha para mim. Não sei o que dizer.
– Então, segundo sua teoria – diz a Terra –, devemos ir para Jerusalém?
– O mais rápido possível – conclui o barbudo. Ele torna a olhar para mim. – O que acha, Luz?
– É a única pista que temos – consigo dizer. – Mas como vamos para Jerusalém?
– Daremos um jeito. Sempre damos.
Na verdade, quem sempre dá um jeito é a Mackenzie. Ela arranja nossas identidades e nossas passagens, e entramos no avião, navio, ou o que for. Nós nunca estivemos sem ela antes. Como vamos dar um jeito estando nessas condições?
Não tenho tempo para dizer isso. Minha visão fica embaçada e os dez minutos acabam.
. . .
Acordo com os primeiros raios de sol do dia. Michele também está acordada.
– E então? – Ela diz.
Dou de ombros.
– É o que temos. Vamos seguir isso.
Ela assente com a cabeça.
Alguém bate na porta e a abre antes de ter permissão para isso. Dustin. O Dustin de verdade.
– Ganhamos um presente.
Ele estende as mãos e mostra cinco passaportes em uma e cinco passagens em outra.
– Incrível, não? Calma, não acabou.
Ele se senta aos pés da minha cama e deixa tudo no colchão. Abre um passaporte e tira de dentro dele um envelope, que me entrega. Michele vem correndo para ler comigo.
Eu o abro. Nele tem apenas uma pequena carta, escrita à uma letra bonita e formal:
“Meus filhos,
Parabéns por terem descoberto seu destino! Agora, desejo-lhes sorte para desvendarem todo o resto da história.
Com amor, Lady Crystal.”
Olho para meus irmãos. Michele parece surpresa. Já Dustin... Sua animação exala de sua aura.
– Preparem-se, manas. Nós vamos para Jerusalém!
Ele fala como se fôssemos crianças indo para o Disney World pela primeira vez. Acho bom que tenhamos um lugar para onde ir e finalizar nossa missão, mas não consigo ficar tão empolgada assim.
Dustin diz que vai dar mostrar à Sohan e depois ir à casa de Paco. Michele diz que vai se trocar para ir com ele. Eu digo que vou ao hospital para me despedir de minhas irmãs. Terra se oferece para me acompanhar, mas prefiro ir sozinha. Pela última vez, quero viver um momento em que somos só nós três, irmãs humanas perfeitamente normais. E quero que esse momento dure o máximo possível.
O dia de nossa partida chegou. E acho que ainda não estou pronta para isso.
. . .
A enfermeira me deixa entrar no quarto de Sophie. Ela sorri quando me vê, mas noto seus olhos vermelhos e inchados. Não pergunto o que aconteceu; ela provavelmente ficou sabendo da situação de suas pernas. Por isso, só o que faço é abraçá-la com força, para tentar tranquilizar nós duas.
– Nós já estamos indo – digo logo. – Vamos terminar nossa missão em Jerusalém.
Silêncio. Tenho a impressão de ouvir Sophie soluçar.
– Mas você vai voltar, né? Me diga que essa não é a última vez que te vejo.
Me afasto para olhar em seus olhos. Sophie ainda tenta parecer firme, a mãe forte que não fraqueja por nada, mas sei que ela está sofrendo por dentro. Gostaria que, pelo menos uma vez, ela tirasse essa armadura materna e agisse apenas como minha irmã.
– Eu prometi. Então eu vou voltar – afirmo. – Não sei quanto tempo terei, mas vai ser o suficiente para ver você e Liz pela última vez.
Ela afasta um fio do meu rosto e me olha do mesmo jeito que mamãe costumava nos olhar quando estávamos doentes ou tristes. Gostaria poder dar-lhe um olhar assim também, só que, mesmo tendo aprendido tanta coisa nesses séculos, eu nunca aprendi a ser mãe.
Meu peito aperta de repente. E nunca aprenderei. Sábios não podem ter filhos. Não sou humana para ter uma experiência assim. Balanço a cabeça. Que tipo de pensamento é esse?
– O que foi? – Sophie pergunta.
– Nada – respondo. – Olha, eu queria dizer que vai ficar tudo bem. Liz vai se recuperar e você vai superar tudo isso.
Ela assente de leve e desvia o olhar.
– Sei que Liz ficará bem. Só que eu... Eu nunca mais vou andar, Hailey.
– Vai sim. Não fala uma coisa dessas. Vocês, humanos, vivem criando tecnologias para esse tipo de coisa. Mesmo que você não consiga andar naturalmente, ainda pode...
– Essas próteses custam caro, Hailey. Não tenho dinheiro o suficiente para isso. E o que eu tenho, é para manter a casa e cuidar de Liz. Aceite isso: minhas pernas são inúteis agora.
Suspiro. É a primeira vez que vejo Sophie tão desolada.
– Vai ficar tudo bem – repito. – Eu juro.
Ela me dá um sorriso bem fraco e me puxa para mais um abraço.
– Meu Deus. O que vou fazer sem você?
Me faço a mesma pergunta.
. . .
Quando entro no quarto de Liz, me surpreendo. Ela está acordada e sentada na cama, falando com uma enfermeira. Dou um sorriso tão grande que quase não cabe no meu rosto.
– Liz!
Ela olha para mim num susto. A enfermeira também se vira para mim, mas seu olhar é de pena. Não gosto disso.
– Você está acordada! Estou tão feliz... – Me sento no banquinho ao lado de sua cama e acaricio seu rosto.
Só que ela continua me olhando como se não soubesse do que estou falando. Ou quem eu sou.
A enfermeira vem até mim e põe a mão em meu ombro.
– Sinto muito. Elizabeth não está com saúde perfeita ainda. É totalmente normal que ela não reaja...
– Para com isso – intervenho. – Me diz logo o que ela tem!
A moça respira fundo e expira lentamente.
– Elizabeth... A pancada foi muito forte. Sua memória foi danificada. Ela pode se confundir com algumas coisas e se esquecer de outras. Não sabemos exatamente do que ela tem consciência, mas parece que você...
Não ouço o resto da frase. Nem preciso.
Olho para Liz. Num instante, meu desespero vai embora; ela está sorrindo para mim. Está sorrindo com aquele sorriso que só ela sabe dar, aquele que deixa tudo melhor. E dessa vez, é só pra mim.
– Ah, eu sei quem ela é! – Ela diz. – Ela é a Luz!
Opa.
A enfermeira olha para mim e para ela, e vice-versa. Por fim, para em mim e diz:
– Eu disse. Ela está confusa...
– Não estou confusa – Liz enfeza. – Ela é a Luz. Eu me lembro bem.
Caramba, caramba...
– Não. Liz, olha para mim – peço. – Eu sou sua irmã. Lembra? Sou eu, Hailey. Você dormiu no meu colo poucos dias atrás. Eu te vi e crescer e te criei...
O rosto dela se ilumina, e por um momento eu fico tranquila.
– Sim, você é minha irmã! Mas você também é a Luz. Eu sei disso.
– Não, querida, eu sou...
– Não mente eu me lembro bem – ela repete. – Vi quando você e seus amigos foram levados por aquela mulher de branco. Mas você estava um pouco diferente naquele dia... – Ela me analisa de cima a baixo enquanto o pulsar do meu coração ecoa em todas as partes do meu corpo. – Ah, já sei. O que aconteceu com sua cruz de madeira?
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