The Royalty
18 The Ball
Notas iniciais

O vestido claro da Rainha encontrava-se a centímetros de tocar o chão, enquanto mexia-se levemente ao ritmo das notas tocadas pela orquestra. Sentada no trono ela observava toda a decoração meticulosamente preparada em branco e dourado para combinar com as cores originais do salão.
A rainha balançava a cabeça suavemente, ouvindo a música. Aos poucos seus olhos se fecharam, deixando-se levar pela melodia. Ela não notou, mas o marido vinha em sua direção.
Philip abriu um sorriso, havia muito tempo que não via a esposa tão relaxada e entretida com algo que não fosse trabalho, mesmo que aquele baile fosse de certa forma trabalho.
O rei abraçou Eleonor por trás, tirando-a do transe. Por um momento ele achou que ela ia ficar brava por acabar com seu sossego, mas a rainha apenas abriu um sorriso e os dois ficaram se olhando, aproveitando esses pequenos momentos de calmaria no meio de suas rotinas cheias.
Permaneceram assim por um tempo, sem dizer nada até que o som de risadas e cadeiras sendo arrastadas foi ouvido. A Rainha arrumou a postura e desviou o olhar do marido.
— Lara, desce dessa cadeira, você vai cair e se machucar.
A princesa ignorou a mãe e pediu para que a irmã continuasse a empurrar a cadeira com ela em cima.
— Eu desisto, se ela se machucar o problema é dela. – Disse a rainha.
O rei abriu um sorriso fraco.
— Lara, Lizzie, por que vocês não vêm aqui me mostrar esses lindos vestidos? – Sugeriu o rei, fazendo as duas largarem a cadeira e correrem na direção dos pais.
Eleonor fez uma careta discreta para o marido e depois chamou uma criada para arrumar a cadeira. Lara mostrou seu vestido preto com desenhos em dourado. A pequena normalmente não gostava de vestidos, mas ela parecia bem à vontade com o traje.
O vestido de Lizzie era de tecido claro, incrustado com diversas pedras preciosas e detalhes também em dourado.
Dave chegou pouco tempo depois, acompanhado de Serena.
— Jackson ainda está se arrumando e creio que vai se atrasar – avisa a princesa dinamarquesa.
— Como sempre...
— Bem, então acho que estamos todos prontos e podemos iniciar o baile. – Disse o rei.
Aos poucos os convidados foram chegando. Aquele era um baile pequeno, pelo menos para os padrões da família real. Apesar disso contou com a presença de monarcas e diplomatas estrangeiros, já que precisavam acertar alguns acordos, aproveitaram a oportunidade.
— Lara, por que você não vai cumprimentar seu amigo? – Diz a rainha.
— Ele não é meu amigo – protesta a princesa. – A gente só dançou naquele último baile.
Eleonor suspira e coloca a mão no ombro da filha.
— Vou reformular a frase, vá cumprimentar o filho do embaixador da Federação Alemã para ser educada e por que sua mãe está mandando.
— Se eu for lá, ele vai ficar no meu pé o baile inteiro e eu não quero isso!
— Talvez ele goste de você – responde a rainha em um tom estranhamente doce, mas logo completa com seu tom habitual – Lara, estou perdendo a paciência, vá logo.
A princesa foi em direção ao alemão, sentindo-se contrariada.
— Oi Derek.
— Hallo Lara! – Ele respondeu animado – Recebi sua carta, foi difícil convencer meu pai de me trazer, mas eu consegui vir já que era importante para você.
— Não é importante para mim, eu só achei que seria legal. – Alegou a princesa dando de ombros. – Vem conhecer minha irmã, se não ela vai ficar com ciúmes.
— Ciúmes de quê?
— Eu ter um amigo e ela não.
***
Quando as selecionadas entraram no salão depararam-se com uma cena digna de contos de fada. Centenas de convidados já haviam chegado, algumas pessoas dançavam no centro do salão, vários jornalistas e fotógrafos perambulavam pela festa, capturando cada momento.
Alice não sabia muito bem o que fazer, as palavras de Martha repercutiam em sua cabeça.
— Não preciso lembra-las da importância desse evento. Vamos receber centenas de convidados importantes, inclusive algumas famílias reais de países aliados de Illéa. – Avisara a instrutora.
Alice não queria cometer nenhum deslize, mas o fato era que não tinha a menor ideia de como agir naquela festa. Ficou apenas admirando a bela decoração e os mais diferentes vestidos.
Seu vestido era verde bem claro do tipo tomara que caia e de certa forma era bem simples se comparado com os outros.
— Senhorita Alice, me daria a honra de uma dança? – Perguntou o príncipe aproximando-se da Selecionada.
— Eu não danço muito bem, mas se você quiser arriscar... – ela responde já acompanhando o príncipe até a pista de dança e no fundo sentindo-se lisonjeada por ter sido o primeiro par de Dave para a dança.
— Vou correr o risco – brincou o príncipe.
A música começou lenta e logo foi tomando um ritmo mais rápido, rápido o suficiente para que Alice se atrapalhasse e pisasse diversas vezes no pé do príncipe, além de bater em alguns outros convidados.
— Sinto muito que ainda não pudemos passar muito tempo juntos. – Desculpou-se o príncipe.
— Não tem problema nenhum, entendo que a sua vida de príncipe deve ser muito atarefada.
— Está gostando da sua experiência no palácio por enquanto?
— Hum, sim, está sendo ótimo. Suas irmãs são uma gracinha, mas acho que a Lara não gosta muito de mim.
— Estranho, ela parecia animada com as Selecionadas. – Diz Dave.
Alice ia responder alguma coisa, quando a música chegou ao fim e Clair rapidamente puxou Dave para um canto.
— Com licença.
A francesa puxou Dave para longe da pista de dança e apontou para um casal próximo.
— Você reparou que o príncipe da Itália está um pouquinho próximo demais daquela selecionada? – Provocou Clair, apontando para Queen que conversava próxima de Matteo, o príncipe italiano.
— Ele só está sendo amigável, os italianos são assim mesmo – esclareceu Dave.
— Tem certeza? Eu não gostaria de te ver punindo nenhuma selecionada por traição.
— Clair, isso não vai acontecer. Você está se preocupando de mais com um assunto que, com todo respeito, não te faz juízo.
— Muito bem então, se você não vê problema.... Mas depois não fique chateado se alguém roubar uma das suas selecionadas
Clair pegou uma taça de champagne e saiu andando para o meio de uma multidão. Dave olhou mais uma vez para os dois, reparando no belo vestido dourado que Queen usava, antes de se distanciar.
Olívia permaneceu sentada próxima a pista de dança durante todo o baile, esperando que o príncipe a chamasse para dançar. Várias garotas tiveram essa oportunidade, enquanto Olívia esperava ansiosamente a sua vez em uma prece silenciosa. A primeira a ser chamada foi Alice, quando a dança acabou o príncipe chamou Cecília, depois Alyssa. Agora ele dançava com Alá. Queen teve a sorte de dançar não apenas com Dave, mas também com o príncipe italiano.
Algumas selecionadas como Madelyne saíram para dançar com alguns guardas. Até a princesa Lara dançava com um garoto estrangeiro.
— Você acredita que estamos em um baile no palácio? – Pergunta para Rosie que estava sentada ao seu lado. Ela usava um vestido bege com detalhes que se assemelhavam a folhas na cor azul.
— Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginei estar aqui – respondeu a Selecionada. – Tudo parece tão perfeito que eu nem posso acreditar. Você não vai dançar com alguém?
— Hum, eu acho que vou esperar mais um pouco.
Ana sentava-se perto e saboreava um dos deliciosos pratos servidos na festa. Parecia que todos no baile dançavam menos ela. A selecionada procurou por Dave no meio da pista de dança, mas não o avistou.
— Daria a honra de uma dança? – Perguntou o príncipe chegando por trás.
Só agora ela percebera que a música havia acabado e em pouco tempo outra começaria.
— É claro – respondeu tentando esconder a empolgação.
Os dois seguiram para a pista de dança, Ana tentou lembrar-se de todos os passos. Já nos primeiros acordes da música, a selecionada já se encontrava em transe, aproveitando bem o seu momento com o príncipe.
Quando o primeiro tiro foi disparado, Ana pensou que fosse parte da música ou talvez fogos de artifício sendo lançados. No segundo disparo, pessoas começaram a correr, os guardas largaram suas posições e empunhalaram as armas.
A música parou e Dave puxou a Selecionada para perto da porta.
— Plano de defesa nível 2, os rebeldes passaram o muro e estão nos jardins. Por favor mantenham a calma, temos abrigos para todo mundo – anunciou um guarda.
— Selecionadas, por favor me sigam! – Pediu um outro guarda.
Ana foi em direção a voz, perdendo Dave de vista. Toda aquela confusão lembrou-lhe das histórias de sua avó sobre a guerra na Polônia e sobre como fugira de lá. Seu coração batia forte enquanto seguia para o abrigo junto com as demais selecionadas.
Ouvia-se garotas chorando por cima do som dos saltos batendo no chão de mármore. Alice parecia desesperada, totalmente em choque com a situação. O palácio havia sido invadido, parecia difícil de acreditar. Será que acontecia muito? Seria perigoso? Será que alguém morreria?
Chegando ao abrigo, as Selecionadas encontraram a família real já acomodada no espaço. O rei e a rainha sentavam-se próximos a porta e tentavam demonstrar calma. Eleonor demostrava até uma certa frieza, como se já estivesse acostumada com a situação. Lizzie chorava no colo do pai enquanto Lara conversava com um garoto estrangeiro. Dave estava em pé ajudando a receber as selecionadas.
— Vocês estão bem? – Ele perguntou para o grupo de recém-chegadas.
Algumas responderam que sim, outras, mergulhadas no desespero, apenas choraram e fungaram.
Mais algumas pessoas entraram, Alyssa conseguiu reconhecer a princesa da Dinamarca que chegou junto com Jackson e uma criança, o rei da Itália e é claro, Clair.
— Podemos fechar as portas, alteza? – Perguntou um guarda.
— Espere, está faltando alguém? – Indaga Dave.
— Queen ainda não chegou – disse Madelyne indiferente. Por fora, a selecionada tentava demonstrar confiança, mas por dentro tremia de medo.
— Meu filho, príncipe Matteo também não está aqui – conta o Rei italiano.
— Eles estavam dançando juntos, devem estar juntos em outro abrigo – provoca Clair.
— Pois bem alteza, melhor fecharmos as portas.
Assim que a porta foi fechada o local ficou mais silêncioso e Alyssa conseguiu ouvir uma luta ser travada no andar de cima, mas logo o lugar encheu-se de conversas e lamentos.
Alyssa tentou parecer forte, mas assim que pensou em seu pai e seus irmãos não conseguiu mais segurar as lágrimas. Não podia deixar eles sozinhos. A garota olhou em volta, para as concorrentes sentadas próximas. Quantas delas não estariam lá pela família?
— Você está bem? – Perguntou o príncipe sentando-se ao seu lado no chão.
— Acho que sim, só estava pensando sobre a minha família e nas outras selecionadas. Mas estamos seguros, não estamos?
— Posso lhe garantir que ninguém em Illéa está mais segura do que vocês. – Dave afasta o cabelo do rosto de Alyssa. – Tenho lencinhos se você quiser.
A selecionada agradece e seca as lágrimas.
— Esses ataques acontecem muito aqui no palácio? – Pergunta Alyssa.
— Sinceramente, ocorrem com maior frequência do que gostaríamos de admitir, mas durante outros reinados a situação já foi bem pior. Você já deve ter ouvido falar do rei e da rainha que morreram durante um ataque rebelde. – Responde o príncipe.
— Amberly e Clarkson, não é? Eu lembro de algo assim cair na prova de história.
— Mas você não precisa se preocupar com isso, estamos fazendo de tudo para manter o país seguro. – Diz o príncipe antes de se despedir – Eu tenho que ir ver as outras meninas, com licença.
Alyssa assentiu e Dave foi conversar com Katherine, que chorava incessantemente desde que chegara ali. Megan estava ao seu lado tentando acalma-la, sem sucesso. A selecionada olhou em volta e começou a analisar o comportamento dos nobres. Com exceção das crianças, ninguém chorava, ninguém parecia abalado ou assustado. Eles apenas conversavam calmamente sobre assuntos que pareciam ser importantes.
As horas demoraram a passar, quando finalmente um guarda veio avisar que os rebeldes haviam sido combatidos e todos podiam sair. Meganrespirou fundo. Aquele era um final inesperado para o primeiro baile de sua vida.
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