The Redhead Twin

1 Elizabeth Potter e a Pedra Filosofal


Notas iniciais
Hey, pessoal, essa é a minha primeira fanfiction de Harry Potter, espero que gostem! Se gostarem, deixem um review!

Tudo parecia calmo na Rua dos Alfeneiros naquela noite, exceto pelo sonho de uma garotinha, que se encolhia na pequena cama ao lado de seu irmão sete minutos mais velho.

Elizabeth estava correndo. Estava tudo em um absoluto breu, mas ela não ousava nem por um segundo parar ou olhar pra trás, uma intensa luz verde a seguia, e o que quer que fosse, não poderia ser algo bom. Correu tanto que tropeçou desastrada em seus próprios pés, e caiu. Mas não sentiu impacto algum, apenas a gravidade. Seu pequeno corpo em queda livre sem expectativas de parar, até que…

— ELIZABETH! HARRY! — uma voz estridente gritou.

A ruiva e o moreno sentaram-se na cama simultaneamente, gemendo de desgosto.

— Bom dia, Lizie. — seu irmão deixou-se sorrir ao ver os cabelos desgrenhados de sua irmã.

— Bom dia, Harry. — ela lhe deu um beijo na bochecha.

Os dois se levantaram para se trocar e começar mais um dia na casa dos Dursley.

Elizabeth e Harry eram gêmeos, filhos de James e Lilian Potter, que haviam morrido em um acidente de carro — supostamente -, fazendo com que os jovens tivessem que ir morar com seus tios ainda muito crianças.

Eles odiavam aquela família, que deixava explícito a reciprocidade de sentimento pelos Potter. Sempre foram tratados com indiferença pelos Dursley, até mesmo com desprezo notável.

Tinham que dividir um quarto minúsculo e uma cama de casal, mas os gêmeos realmente não ligavam para isso. Eram as únicas pessoas que tinham em suas vidas, Harry só tinha Elizabeth e vice-versa, dormiam abraçados e compartilhavam qualquer segredo um com o outro. Era o único amor que eles conheciam, o de irmão.

— O que foi? — Harry perguntou quando ouviu sua irmã soltar um gemido de tédio.

— Hoje é o aniversário de Duda. — falou revirando os olhos.

— Argh. — ele bufou. — Não queria ter que me encontrar com a Sra. Figg tão cedo.

— Nem eu… — ela disse quando se lembrou da última vez que os irmãos estiveram na casa da velha vizinha. Ela os fez cuidar de seus gatos. Elizabeth gostava de animais, mas a casa tinha um cheiro tão forte de mofo e de urina, que a deixava enjoada.

— Más notícias, Vernon. — ouviram tia Petúnia falar. — A Sra. Figg fraturou uma perna e não vai poder cuidar dos dois.

Harry e Elizabeth se entreolharam. Estavam com certo medo do que viria a seguir.

E com uma previsão correta, os gêmeos acabaram tendo que ir com os Dursley para o zoológico. Eles preferiram ter ficado apenas na casa, mas tio Vernon havia odiado a ideia.

Com uma forte ameaça, o homem gordo e bruto disse a eles para se comportarem.

E foi o que tentaram.

Duda batia violentamente contra o vidro de um cativeiro de cobra.

— Ela está dormindo. — Elizabeth disse com raiva.

— Que chato. — o primo disse tedioso, e foi ver outros animais.

— Coitada. — a ruiva disse.

Então, a cobra pareceu acordar de seu sono, se levantando vagarosamente até seus olhos baterem com os verdes azulados de Elizabeth, e depois nos de Harry.

— Deve ser horrível ficar aí o dia inteiro. — o gêmeo disse baixinho.

E a cobra concordou com a cabeça.

— Ela… Ela entende você? — Elizabeth perguntou espantada.

— Você veio do Brasil? Como que era lá? — Harry pareceu não ouvir a irmã.

A cabeça miúda apontou para a placa. “Cativeiro”.

— Oh… Também não conheci meus pais…

— OLHA O QUE A COBRA ESTÁ FAZENDO! — a voz chata de Duda gritou alto. — Sai daqui. — empurrou os dois gêmeos, fazendo-os cair no chão.

Elizabeth estava com raiva.

Em cada célula de seu corpo.

Então, sem explicação, o vidro que separava a cobra dos visitantes sumiu. E Duda caiu dentro do viveiro, começando a gritar loucamente de desespero.

— Obrigada. — a cobra disse. Harry pareceu compreender perfeitamente, e Elizabeth só ouvira como num sussurro fanho.

A ruiva estava cheia de perguntas, mas então, olhou para o rosto de seus tios, eles não pareciam nada feliz com o que tinha acontecido.

Tiveram uma viagem bastante inquieta. Pedro parecia determinado em ficar cutucando as costas de Elizabeth e provocando Harry. Quando finalmente chegaram na Rua dos Alfeneiros depois de deixar o amigo chato de Duda em sua casa, os Potter já esperavam ouvir a gritaria enfurecida de seu tio Vernon.

As férias de verão tinham chegado, e isso queria dizer que os Potter não podiam estar mais infelizes, se era possível. Não bastava Pedro, e os outros amigos de Duda o vinham visitar quase todos os dias porque sabiam que podiam implicar a vontade com os gêmeos Potter. E os dois tinham cada vez mais trabalho, pois era sua obrigação limpar toda a bagunça que aquele grupo de meninos deixavam.

Elizabeth e Harry não tinham amigos. Eles não tinham ninguém, exceto poucos professores que simpatizam com a história dos gêmeos e se encantam pela docura da ruiva. Nenhum de seus colegas de classe se aproximavam muito deles, usavam roupas largas, pois eram apenas aquelas foram descartadas por Duda ou tia Petúnia — ou qualquer outra pessoa que fizesse alguma doação -, e no auge da maldade infantil, seguiam os passos de Duda e os tratavam como se fossem absolutamente nada.

— A garota… A ruivinha… — Harry ouviu certa vez uma amiga de sua tia falar. — Ela é linda, Petúnia! — exclamou.

— Você acha?

— Para uma menina de sua idade, ela está bem avançadinha… — falou num tom pensativo. — Você devia levar ela pra alguma agência de modelo.

— Ora, mas a menina nem é tão bonita assim.

— Espere até que ela faça seus quinze ou dezesseis, Petúnia. — a mulher falou convencida. — E você verá.

Elizabeth estava confusa.

Tia Petúnia hoje de manhã havia lhe jogado uma troca de roupas, ela nunca se preocupou nem mesmo se os sobrinhos estavam respirando, e naquele dia, a mulher mais velha a penteou, vestiu, e até mesmo passou uma maquiagem e perfume.

A ruiva nunca imaginou que ela poderia se sentir tão… Linda.

A verdade é que as roupas largas e o descuido escondiam a beleza de Elizabeth. Os cabelos caiam até a metade das costas, brilhantes e com pequenas ondulações no final, o ruivo combinava com seu tom de pele rosado, os olhos verdes azulados se destacavam em seu rosto fino e bonito.

— Mas não é que Marjorie tem razão. — Petúnia resmungou. A sobrinha era tão delicada quanto sua irmã.

— Pra onde vamos? — a ruiva perguntou quando a sua tia lhe puxou até o carro.

— Ora, Elizabeth, isso importa?

— Um pouco. — ela deu os ombros.

Tia Petúnia não voltou a falar, e nem Elizabeth. Ela ficava olhando pra paisagem, elas estavam indo pra cidade. Os Potter não saiam muito da Rua dos Alfeneiros, suas vidas eram bem entediantes.

— Escuta aqui... — a tia segurou com seu braço enquanto elas desciam do carro. — Se você fizer tudo certinho… Eu tiro você e seu irmão do castigo.

A oferta era tentadora. Desde o episódio do aniversário de Duda, os Potter estavam sendo privados de sair de seu quarto e de jantarem.

— Pode ao menos me dizer o que estamos fazendo aqui? — perguntou baixinho.

— Vamos tirar umas fotos. — falou simplesmente e a puxou para dentro de um prédio grande.

Elizabeth ainda pensava no que sua tia queria dizer com isso, mas já tinha ficado satisfeita em saber que ela e seu irmão finalmente poderiam ter uma refeição decente.

— Oh não. — a ruiva murmurou quando viu que se tratava de uma sessão de fotos.

— Isso é apenas uma apresentação. — sua tia lhe disse. — E se você se sair bem, você poderá ganhar o trabalho.

Bufou. Por quê aquilo não lhe surpreendia tanto?

Passaram-se alguns minutos até que finalmente fora chamada.

— Elizabeth Dursley. — a ruiva sentiu uma enrolação em seu estômago ao ver seu nome sendo usado com aquele sobrenome.

— Quantos anos que você tem, querida? — a mulher disse docemente.

— Doze.

— Okay… Então, vamos lá.

Sob o olhar rigoroso de tia Petúnia, Elizabeth começou a posar para as fotos, não pôde esconder que ficou satisfeita em ouvir tantos elogios da mulher.

— Todas perfeitas! — ela exclamou. — Você realmente só tem doze anos?

— Vou fazer treze esse mês.

— Linda, Elizabeth. — ela disse com um sorriso satisfeito. — Que linda filha você tem. — olhou para Petúnia.

— Ela não é minha filha. — tentou esconder o ultraje. — É minha sobrinha.

— Oh… — a mulher pareceu sem graça. — Me desculpe. De qualquer forma, Elizabeth, você tem um futuro promissor.

— É? — a ruiva não sabia se queria voltar ali tão cedo.

— Claro! — falou entusiasmada. — Eu até a imagino com seus dezesseis ou dezoito anos… Vai ficar lindíssima.

— Bem… Obrigada.

— Ela conseguiu? — tia Petúnia perguntou rispidamente.

— Oh, ela com certeza é a minha primeira opção. — a mulher disse feliz. — Mas eu tenho outras candidatas. Eu entro em contato.

As mulheres se despediram.

O sorriso satisfeito de tia Petúnia não trouxe dúvidas para Elizabeth, a ruiva faria aquilo outras vezes.

— Onde você estava? — Harry perguntou ao se levantar rapidamente para abraçar sua irmã.

Ela contou rapidamente tudo o que tinha acontecido naquela tarde.

— Você, modelo? — ele ergueu as sobrancelhas.

— Pelo jeito. — ela deu os ombros.

— Não que você não seja linda, Lizie… — ele falou baixinho. — Mas… Modelo?

— Não estou nada feliz, se quer saber. — ela pontuou. — A senhora Donovan disse que estou tocando perfeitamente…

— Isso é ótimo! — ele exclamou feliz. — Você deve ser uma pianista, e não uma modelo.

Harry não ficaria nada feliz em ver sua irmã posando para alguma capa de revista ou parecido.

— Não é como se tia Petúnia me tivesse dado qualquer opção, Harry…

— Mas…

— De qualquer forma, ela disse que nos tirou do castigo. — disse com o nariz empinado. — Isso deve ser bom, não é?

— Sim, mas…

— Então, está decidido. — falou com veemência. — Irei fazer isso.

Harry apenas crispou os lábios, não tiraria aquela ideia da cabeça de sua irmã agora.

Na hora do jantar, os Potter pareceram não existir para a família Dursley, até a hora de arrumar a cozinha, tio Vernon ordenou explicitamente para que eles lavassem e guardassem toda a louça.

— Sim, tio Vernon. — falaram juntos.

— E parem de falar juntos! — resmungou.

— É. — Duda riu maldoso. — Parecem dois esquisitões…

Ouviram um baque no lado de fora. Elizabeth esgueirou-se para olhar pela janela, mas não viu nada.

Até que repentinamente duas cartas caíram na frente dos gêmeos Potter.

Eles se olharam confusos.

“Hogwarts?”, Elizabeth pensou enquanto analisava o lindo brasão vermelho.

“Prezada Srta. Potter,

Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola…”.

Brutalmente, os papéis grossos foram arrancados de suas mãos pelo seu primo.

— Pai, Elizabeth e Harry receberam cartas! — gritou como se fosse o maior absurdo do mundo. E para os Dursley, era.

— Ora, quem iria escrever pra vocês? — tio Vernon disse enquanto lia a carta, com tia Petúnia olhando por cima de seu pescoço. E do nada, seus olhares se tornaram completamente assustados.

— É NOSSA! — Elizabeth gritou de raiva quando viu seu tio rasgar suas cartas em vários pedaços.

— OLHA COMO FALA COMIGO! — o homem falou enquanto agarrava o braço fino em sua mão gorda.

— Ei! — Harry disse. — Solta ela! — e puxou sua irmã para seus braços.

— Já para o quarto! — esbravejou.

Harry e Elizabeth subiram furiosos.

— Como… Como eles ousam? — ela disse entredentes. Harry não disse nada, apenas sentou-se na cama até que Liz ficou ao seu lado, deixou sua cabeça ruiva cair no ombro magro do irmão. — Por que nossos pais tiveram de morrer? — perguntou enquanto já sentia as lágrimas salgadas caírem até sua boca.

— Lizie… — Harry os deitou na cama, fazendo carinho no cabelo de sua irmã. Mas ele também não entendia. Por que seus pais tiveram que morrer? Por que tiveram que vir morar com os Dursley? E o garoto também deixou-se chorar quando ouviu um soluço vindo de Elizabeth.

— Eu queria… Queria… — ela tentou dizer entre pequenas fungadas.

— Eu também queria. — ele a apertou mais forte contra seu corpo.

Eles deixaram seus sentimentos se misturar. Nunca ninguém iria saber como eles se sentiam, só eles se entendiam.

E na pequena cama do minúsculo quarto, dormiram os gêmeos Potter.

Alguns dias se passaram desde que Harry e Elizabeth receberam a carta misteriosa. Desde então, tio Vernon parecia bem ocupado em fazer com que eles nunca a recebessem. Todo dia chegava uma, às vezes mais de uma, dez, vinte ou trinta. Elizabeth não acreditou quando uma enxurrada de cartas desceram pela lareira da sala de estar dos Dursley.

— Peguei uma! — eles falaram felizes.

E isso foi por pouco tempo. Tio Vernon chegou aos extremos.

Alugou uma casa no meio do nada, literalmente. Elizabeth ficou enjoada só de ver aquelas ondas balançando pela janela meio quebrada. Ninguém estava gostando daquela pequena viagem de última hora, mas o homem gordo parecia bem satisfeito consigo mesmo.

A noite estava fria, e ventava muito. O cobertor fino e surrado não aquecia os gêmeos de jeito algum, mesmo que eles se abraçassem com toda sua força.

Então, resolveram ficar acordados. Conversaram baixinho porque seria um saco lidar com o Duda se ele acordasse.

Elizabeth escreveu “Feliz Aniversário” com o pó em excesso do chão quando viu que já havia dado meia noite.

— Já? — Harry perguntou com um sorriso.

— Feliz aniversário, Harry. — Elizabeth beijou a bochecha de seu irmão.

— Feliz aniversário, Lizie. — ele fez o mesmo.

Numa trovejada, a porta de madeira já desgastada fora derrubada em um estrondo. Elizabeth soltou um gritinho de susto e se escondeu em Harry, que prontamente envolveu seus braços na irmã, a protegendo.

— Quem está aí? — tio Vernon desceu com uma espingarda e uma tia Petúnia assustada em sua camisola. — Eu exijo que saia imediatamente!

— Oh, cale a boca, Dursley. — a voz era grossa e alta. Harry e Elizabeth ergueram seu olhar para ver quem falava, era um completo grandalhão. Muito maior do que qualquer homem que já viram, de altura e dos lados, tinha uma barba espessa e longa.

— Esta é minha propriedade. SAIA! — tio Vernon falou enquanto apontava a arma para o rosto do homem desconhecido, que não fez esforço algum em entortar o metal, fazendo com que um tiro atingisse o teto.

— Oh, Harry e Elizabeth, aí estão vocês… — a voz era amável, doce. — Me lembro de vocês bebezinhos…

— Como você…? — Elizabeth começou a perguntar, mas foi interrompida.

— Feliz aniversário, aliás. — ele disse num sorriso adorável. — Não é o melhor, mas… Aqui. — lhes mostrou uma pequena caixa, com um bolo coberto de glacê rosa e verde torto.

— Oh, você sabe que hoje é nosso aniversário! — a ruiva disse tão feliz que lacrimejou um pouco.

— Liz… — Harry disse ainda olhando desconfiado para o gigante. — Quem é você?

— Ora, me desculpa, Harry. — disse num tom alto. — Meu nome é Hagrid.

— Olá, Hagrid. — eles disseram juntos.

— Vocês estão tão crescidos, olha só! — disse sem controlar a emoção. — Elizabeth, você parece tanto sua mãe… E Harry! Você é seu pai inteirinho, exceto pelos seus olhos…

— Você conhece nossos pais? — a garota perguntou com brilho nos olhos. Harry também pareceu relaxar com isso.

— Mas é claro! Éramos bons amigos. Hogwarts é um ótimo lugar para cultivar amizades.

— Hogwarts? — perguntaram confusos.

— Ora, não vão me dizer que não sabem? — perguntou espantado.

— Sinto muito… — eles falaram tristes.

— Não sintam. — disse docemente. — Eu sabia que vocês não estavam recebendo as cartas, mas eu não poderia imaginar que eles não lhes contaram nada! — olhou furioso para os Dursley, que estavam encolhidos de medo.

Hagrid resmungou com raiva, ele estava inconformado como os gêmeos Potter poderiam saber nada sobre a realidade de seu mundo.

— Que mundo? — Elizabeth perguntou confusa.

Harry tinha certeza que o grandalhão daria um belo chute na bunda de tio Vernon a qualquer segundo.

— Vocês são bruxos. — ele disse simplesmente enquanto entregavam as cartas para os dois.

— Quê? — Elizabeth ouviu Harry perguntar, mas ela se concentrou na carta.

“Prezada Srta. Potter,

Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.”.

— Ai. Meu. Deus. — disse ofegante. — Isso é sério?

— Mais do que qualquer coisa. — Hagrid piscou.

— Vocês sabiam? — Harry perguntou para os tios. — Vocês sabiam e não nos contaram?

— É CLARO QUE NÃO! — tio Vernon berrou. — Não queríamos duas aberrações em nossa casa!

Elizabeth se encolheu.

— Oh, cale-se. — Hagrid falou num rosnado.

— EU NÃO PERMITO!

— Quero ver se um trouxa como você pode impedir os dois de irem para Hogwarts.

— Um o quê? — Elizabeth perguntou.

— Trouxa. É como chamamos seres não mágicos.

— Oh! — eles disseram. Parecia um bom nome pra família Dursley.

— Levarei vocês amanhã mesmo para comprar o material. — Hagrid disse. — Vamos?

Elizabeth mordeu os lábios. Tudo parecia melhor do que ficar com aquela família. Surpreendendo a si mesma, os dois gêmeos caminharam para fora daquela casa horrenda com o grandalhão desconhecido.

A pequena ruiva sentia-se completamente feliz.

Hagrid era uma pessoa maravilhosa. Por trás de todo aquele corpo forte, alto e gordo escondia uma alma muito sincera e bondosa. Não levou muito tempo para que os Potter se sentissem muito à vontade com o homem.

No dia seguinte, eles fizeram uma viagem até o Beco Diagonal, onde deveriam comprar todos os materiais anexados em sua carta.

— Oh não! — Elizabeth lamentou.

— O que foi, minha querida? — Hagrid perguntou preocupado.

— Não poderemos ir pra Hogwarts. — fez um bico. — Não temos dinheiro algum pra pagar isso.

Harry também baixou os ombros.

— Realmente. — falou triste. — Tio Vernon nunca gastaria um centavo conosco.

— Oh! — Hagrid disse com um sorriso. — Não acharam mesmo que seus pais os deixariam sem nada, não é?

— Oh, eles deixaram? — os gêmeos falaram juntos entusiasmados.

— Mas é claro! — ele gritou com euforia. — Vamos!

Os dois jovens soltaram uma leve risada, felizes.

O dia foi uma mistura de surpresas, todos pareciam saber quem eram Harry e Elizabeth Potter, por quase todo o lugar que passavam. Nada foi comparado quando eles descobriram que possuíam uma gorda conta bancária em Gringotes, pilhas e mais pilhas de galeões, o que ela descobriu ser o maior valor de moeda no mundo dos bruxos. Ficou super curiosa para saber o que Hagrid havia pegado no outro cofre, mas ele não lhes disse nenhuma palavra sobre aquilo.

Compraram livros para o ano letivo, uniformes e tudo mais que havia na lista. O mais difícil fora a escolha de uma varinha que melhor servia os dois. Elizabeth ficou interessada ao ouvir o senhor Olivaras falar que a única varinha igual a de Harry foi destinada ao mesmo quem fizera a cicatriz nos gêmeos. Os dois se entreolharam confusos quando o homem disse que a varinha de Elizabeth era única, e ele pareceu bem surpreso quando esta fora a que lhe serviu, mas no fundo, a garota ficou satisfeita.

Não pouparam agradecimentos quando Hagrid lhes deu uma coruja para cada.

Arriscariam dizer que foi o melhor dia que já tiveram em sua vida.

— Hagrid. — Elizabeth o chamou.

— Sim, Liz?

— Pode nos contar um pouco mais sobre nossos pais?

— Por que todos sabem quem nós somos? — Harry perguntou também.

— Erm… Bem… Há muito tempo… Um bruxo realmente perigoso chamado… Vold… Vo… Voldmort. — disse numa rapidez.

— Voldmort? — Elizabeth disse confusa.

— Sim… — ele disse baixinho, como pedia para que ela se calasse. — Nós não falamos esse nome. Então, Agora-Vocês-Sabem-Quem era um bruxo muito poderoso, um bruxo das trevas. Todo mundo temia ele, foram tempos difíceis…

— Ele matou nossos pais? — Elizabeth disse num fio de voz.

— Sim. — Hagrid disse docemente. — O feitiço da morte. Ninguém sobrevive a ele. Exceto vocês. — olhou para os dois. — Alguns dizem que Você-Sabe-Quem morreu. Eu não acredito nisso. Ele está por aí, esperando voltar…

Harry e Elizabeth tremeram um pouco.

— Por isso que vocês têm essa cicatriz. — disse fazendo com que os gêmeos tocassem suas marcas. Harry tinha uma na testa, escondida por detrás de seus cabelos pretos. Elizabeth tinha uma no ombro.

— E sobre Hogwarts? — perguntou Harry.

— Bem… São quatro casas. Grifnória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal.

— Nossos pais eram…?

— Grifnória. — Hagrid respondeu. — Enfim, quando um bruxo faz treze anos, ele recebe uma carta de admissão, assim como aconteceu com vocês.

— Nós escolhemos? — Elizabeth perguntou. — A casa?

— De certa forma, sim.

Então, Hagrid encerrou a conversa, dizendo que eles deveriam ir.

Notas finais
Primeiro capítulo ;) Até o próximo?