The Reason Is You

6 Capítulo 6 - Cativeiro (Kara Leigh No Acampamento Do Céu)


Notas iniciais
Heey gente! Desculpem a demora, eu estava viajando, daí não tinha net e eu passei 3 dias com uma febre de 40 graus... tenso. Em compensação, já tenho 3 capítulos prontos pra postar :) Espero que não se incomodem, eu fiz umas mudancinhas na história da série pra encaixar a Kara Leigh. PS: Divirtam-se com a primeira participação do nosso objeto de consumo favorito dessa série. Ahh, vocês sabem que é o Bellamy. Boa Leitura!

One look and I can't catch my breath
Two souls into one flesh
When you're not next to me
I'm incomplete
Cause I'm on fire like a thousand suns
I couldn't burn it out
Even if I wanted to
These flames tonight
Look into my eyes and say you want me too
Like I want you...

Ross Copperman — Hunger

Durante aquela noite, uma tempestade caiu sobre a aldeia terrestre. Estava tão forte que até os guardas da jaula saíram dali. Murphy acordou com um susto e viu Kara Leigh, adormecida ao lado dele. A água da chuva fez com que a terra do chão grudasse em seu corpo. Ele teve que acordá-la para tirá-la daquela chuva.

—Kara Leigh! – Ele a chamou, sacudindo-a de leve. – Saia dessa chuva, você vai ficar doente!

A menina terrestre abriu os olhos lentamente, mas quando percebeu o que estava acontecendo, entrou em pânico.

—Ah não! Faz quanto tempo que está chovendo assim? – Ela perguntou, se levantando. – Espere um pouco, eu já volto!

Kara Leigh saiu correndo antes que Murphy pudesse respondê-la. No escuro, e no meio da chuva, era difícil de enxergar alguma coisa, então ela caiu algumas vezes, mas nada que a machucasse seriamente. Assim que chegou em casa, pegou praticamente todos os seus cobertores e uma manta gigante. Ela voltou para a jaula já enrolada em um dos cobertores e carregando os outros. Era uma coisa engraçada de se olhar. Ela parecia um filhote de urso, correndo desajeitadamente com as patas traseiras.

—O que está fazendo? – Perguntou Murphy, não sabendo se ria da situação ou se ficava preocupado com ela.

—Você está é maluco se acha que eu vou deixar você tomar chuva a noite inteira! – Respondeu Kara Leigh, estendendo a manta gigante por cima da jaula. – Pode ficar doente, ou pior!

Murphy não havia dito a ela, mas ele ficava doente muito fácil. Qualquer resfriado o deixava passando muito mal. E era a primeira vez, desde quando seu pai roubou remédios na Arca, que alguém se importava com a possibilidade dele ficar doente.

—Vou ter que pegar mais ervas de manhã, só pra prevenir. – Ela disse, terminando de estender a manta e entregando um cobertor a ele. – Tomara que não fique doente.

Ele encarou Kara Leigh e observou o estado em que ela se encontrava. Estava completamente encharcada, a pintura dos olhos havia saído, havia lama nos pés dela e ela tremia de frio.

—Se não sair dessa chuva é você quem vai ficar doente. – Murphy respondeu. – Vá pra algum lugar seco, eu vou ficar bem.

Ela tirou a mão de dentro do cobertor e a levou em direção à jaula, procurando a mão de Murphy. Assim que achou, segurou a mão dele firmemente. Estava morrendo de vergonha, porém aquilo era uma ação necessária. Inclusive, necessária para ambos.

—Mas eu não vou ficar bem se eu te deixar sozinho nessa chuva. – Kara Leigh disse. – Eu não me importo se eu ficar doente. Eu tenho que te manter bem.

Ele segurou a mão dela com mais força e a acariciou com o polegar. Maldita jaula! Ele pensou. Era a única coisa que impedia de puxar aquela garota para seus braços e nunca mais soltá-la.

—Mas eu me importo. – Ele respondeu. Era a primeira vez que dizia algo assim para uma garota.

Os dois se olharam. O desejo era visível nos olhares de ambos. Porém, a situação atual não estava muito agradável para que alguma coisa acontecesse.

Kara Leigh não disse nada. Ela apenas pegou o cobertor extra e o amarrou nas duas pontas da manta, fazendo um abrigo maior. Agora nem ela e nem Murphy se molhariam mais.

—Eu já disse. Eu não vou deixar você sozinho. – Ela disse.

Murphy não a respondeu com palavras. Ele pegou as pontas de seus dois cobertores e as amarrou, formando um cobertor só. Em seguida, ele tomou a menina em seus braços e a trouxe para perto. A jaula atrapalhava, então não dava para apertá-la muito. Mesmo assim, aquilo lhe trouxe ótimas sensações. Em algum momento, ele levou a mão até a cabeça dela e começou a acariciar seus cabelos. Em resposta, ela fechou os olhos e enterrou a cabeça mais fundo no peito dele.

—Você é a única que se importa comigo... – Ele sussurrou tão baixo que mal deu para ouvir.

Ele não tinha mais dúvidas de que estava sentindo algo forte por Kara Leigh. As diferenças entre os povos não importavam mais. Ele a queria. Mas ela não iria querê-lo, pensava. Alguém tão pura e inocente quanto aquela garota não iria querer nada com alguém como ele. Porém, mesmo assim, ele precisava dela.

*~*

Naquela manhã, Kara Leigh acordou devido à uma vontade de espirrar. Essa não! Pensou. Espirros significam resfriados que significam uma coisa nada boa. Ela odiou a ideia, porém, precisava deixar Murphy sozinho por algumas horas para apanhar ervas. Ele também havia pegado bastante chuva, então provavelmente estaria resfriado também. Ainda chovia um pouco, então ela precisou passar em casa primeiro para pegar uma roupa mais grossa.

As ervas contra resfriados ficavam longe da aldeia. Na verdade, ficavam perto da caverna de Lincoln. Kara Leigh podia aproveitar para visitá-lo e ver se Octavia ainda estava lá. Andar sozinha na floresta era sempre um desafio, mas o caminho que Lincoln havia mostrado a ela era muito mais seguro e reconfortante.

Ela chegou sem problemas, apanhou todas as ervas necessárias e foi até a caverna de Lincoln. Teve uma surpresa quando entrou. O lugar estava vazio e revirado. Não havia sequer vestígios de Lincoln ou de Octavia. A única coisa que denunciava que coisas ruins haviam acontecido ali era uma poça de sangue no chão. Será que havia acontecido algo ruim a Lincoln?

Ela ficou tão preocupada com Lincoln que se esqueceu das ervas em suas mãos. Começou a andar sem rumo, com esperanças de encontrar Lincoln. Estava tão distraída que nem percebeu que estava entrando no território do céu. Não demorou muito até que ouvisse vozes e um grito.

—Terrestre! – Gritou uma voz masculina. – Atirem nela!

Kara Leigh entrou em desespero e correu o mais rápido que pôde. Ela conseguia ouvir os passos de pessoas atrás dela, e pior, barulhos de tiros. Um dos tiros pegou de raspão em sua perna esquerda, fazendo-a cair. Aquilo doeu mais do que qualquer machucado que ela já teve na vida. Mesmo sem a bala alojada na perna, ela não conseguiu se levantar. Logo, os garotos do céu já a cercavam.

—Cara, ela está viva. – Disse um deles.

—Claro que está, você não sabe atirar direito, imbecil! – Respondeu outro.

—Esperem aí. Bellamy começou a capturar terrestres, não é? Aquele na nave é muito durão, não vamos conseguir nada dele. Vamos levar essa aí, quem sabe ela fale alguma coisa. – Disse um terceiro, apontando para Kara Leigh.

Kara Leigh estava com muita dor, mas não chegou a ficar inconsciente. Um garoto do céu a carregou como se ela fosse um saco de batatas até o acampamento deles. Ela soube que haviam chegado quando viu a nave. Não disse nada o caminho todo. E nem iria dizer nada, não importa o que fizessem com ela.

—Chamem o Bellamy! Temos uma surpresa para ele. – Disse um garoto.

O garoto que carregava Kara Leigh a largou no chão assim que viu Bellamy chegando. Ela se lembrou na hora do que Murphy havia dito sobre Bellamy. Ficou apavorada, pois pelo o que Murphy disse, Bellamy deveria ser perigoso, mas mesmo assim, tentou parecer calma. No chão, mesmo com alguns fios de cabelo no rosto, a terrestre conseguiu dar uma boa primeira olhada em Bellamy. Ele era alto, forte e moreno. Se ela não estivesse morrendo de medo, teria notado também a beleza dele.

Bellamy foi seguido por duas garotas. Uma ela já conhecia, era Octavia, que estava bem melhor do que no dia anterior. A outra era loira de cabelos ondulados, e encarava Bellamy com desaprovação.

—O que é isso? Nós estamos tentando parar com essa guerra e vocês capturam outra terrestre? Francamente... – Disse a loira, em um tom furioso, voltando para a nave.

—Bellamy, essa é a menina que me ajudou. Ela limpou meus ferimentos, salvou minha vida. – Disse Octavia.

—Ela é uma terrestre. – Respondeu Bellamy, com rigidez. Sua voz era grossa e grave. – Você viu o que eles fizeram com nosso povo. Mataram três ontem, furaram o Jasper com uma lança e agora o Finn está morrendo por causa deles. Eles não nos salvam, eles nos matam!

Agora o medo de Kara Leigh era real. Mas ela conseguia dar um pouco de razão a Bellamy. Afinal, seu povo não foi exatamente hospitaleiro com o povo do céu. Mesmo assim, estava com medo do que eles iriam fazer com ela.

—Levem ela para a nave, junto com o outro! – Ordenou Bellamy, e Kara Leigh sentiu mãos a carregarem para dentro da nave.

Aquela nave era diferente de tudo que Kara Leigh já tinha visto. Era como um sonho. Era cheia de tecnologias, muito mais avançadas que as de seu povo. Através dos fios de cabelo, ela conseguiu ver uma pequena aglomeração de pessoas em volta de uma mesa cheia de equipamentos. Uma menina morena, usando um casaco vermelho, trabalhava ativamente nessa mesa. No outro lado, estava a garota loira de antes, tomando conta de um garoto ferido, que estava deitado em uma maca.

Os garotos subiram uma escada, carregando Kara Leigh nos ombros. A perna dela estava sangrando muito agora, e não sabia se iria ficar acordada muito tempo. O coração da terrestre acelerou quando viu Lincoln, amarrado pelos dois braços e machucado. Aparentemente, estava sendo torturado. Ela arregalou os olhos e se segurou para não chorar, mas a força das lágrimas foi mais forte. Lincoln também a viu, porém não fez nada a não ser abaixar a cabeça, em sinal de derrota. No fundo, ela sabia que Lincoln estava irritado. Ele sempre ficava irritado quando alguém a maltratava. Independente do povo.

Kara Leigh foi presa com uma única amarra levantando os dois braços. Os pés dela foram presos ao chão. Aquela posição a machucava ainda mais, pois forçava seu ferimento da perna a abrir. Ela escondeu a cabeça atrás de um dos braços para poder chorar. Havia perdido as ervas, havia deixado Murphy sozinho, possivelmente doente e com fome, e agora estava ali, ferida e presa pelo povo do céu.

Alguns minutos depois, Bellamy apareceu, acompanhado de Octavia. Kara Leigh continuou a esconder o rosto. Não queria ver o que iria acontecer. Seu recente choro havia entregado que ela estava com medo, pois ainda fungava e tremia.

—Bell, ela não é uma ameaça, eu juro! – Disse Octavia. – Olhe pra ela, ela está chorando com medo!

—Isso é um truque. – Respondeu Bellamy. – Ela quer parecer inocente para que nós a soltemos e ela possa voltar com o povo dela e matar todos nós.

Octavia encarou Kara Leigh. Por algum motivo, ela não conseguia odiar aquela terrestre. Tudo bem, ela a atacou com um sonífero, mas isso não foi por mal. Estava apenas tentando salvá-la. Se não fosse por aqueles dois terrestres, provavelmente estaria morta agora.

—Clarke! – Chamou Octavia.

A garota loira apareceu, na escada. Então ela é a Clarke. Pensou Kara Leigh. Ela sabia que Clarke foi quem decidiu poupar a vida de Murphy e bani-lo ao invés de matá-lo. Porém, não sabia se podia confiar nela.

—O que foi? Descobriram como eu posso salvar o Finn? – Perguntou Clarke.

—Ainda não. Acho que a garota pode falar alguma coisa, mas preciso que você trate da perna dela. – Respondeu Octavia. Antes que Clarke pudesse responder, Octavia a cortou. – Vamos salvar o Finn, não se preocupe.

Clarke, relutante, desceu as escadas e voltou com alguns panos e água. Ela levantou a calça da terrestre até o joelho e viu o ferimento. Não era grave, mas também não era leve. Estava sangrando muito e estava forçado a ficar aberto.

—Isso vai doer. – Disse Clarke, aplicando o pano molhado na perna dela.

Doeu muito, e Kara Leigh não conseguiu segurar o grito. Clarke não se importou, apenas continuou a limpar. Ela parecia querer acabar logo com aquilo. Pelo que Kara Leigh viu, a prioridade de Clarke era o garoto da maca. Não a culpava, o garoto era do povo deles e estava em estado mais grave. Ela olhou para o lado e viu Bellamy e Octavia falando com Lincoln. Bellamy estava muito agressivo e ela teve medo por Lincoln. Por sorte, Octavia estava lá para conter o irmão. Clarke amarrou um pano na perna de Kara Leigh para estancar o sangramento e ia embora.

—Pronto. – Disse Clarke. – Agora me ajudem a salvar o Finn.

Assim que ela disse isso, Bellamy se dirigiu para a terrestre quase que imediatamente. Octavia foi atrás para impedir o irmão de fazer alguma besteira. A morena sabia que Bellamy estava com raiva dos terrestres, mas não iria permitir que ele descontasse em inocentes. Principalmente em inocentes que salvaram sua vida.

—Você! Sabemos que conhece muitas ervas, nossos batedores a viram com ervas na mão, então diga, — Bellamy levantou uma pequena faca. – Qual o antídoto para este veneno?

—Bellamy, ela não entende! – Disse Octavia. – Eu só falei aquilo para a Clarke tratar a perna dela!

Bellamy ignorou a irmã e continuou a apontar a faca para Kara Leigh. Ele encarou bem a terrestre. Era da mesma idade, talvez mais nova que Octavia. Era pequena e seu físico não indicava treinamento. Seus olhos demonstravam mais medo do que outra coisa. Ele olhou fundo naqueles olhos e viu que o medo que ela sentia dele era real. Ela estava apavorada por dentro.

—Qual o antídoto para este veneno? – Ele perguntou novamente, mais calmo desta vez.

Kara Leigh estava prestes a falar. Ela apenas abriu a boca quando Lincoln começou a se debater nas amarras, chamando a atenção de Bellamy. Lincoln havia feito aquilo para proteger Kara Leigh, e ela sabia disso. Bellamy foi até Lincoln e deu um tapa em seu rosto, o mandando ficar quieto. Kara Leigh não suportou a cena e soltou um grunhido de raiva, se debatendo na amarra também. Ela atraiu a atenção do rapaz novamente. Só que desta vez ele não foi até ela furioso. Foi até ela calmo. Chegando perto do ouvido, ele sussurrou algo.

—Eu sei que você consegue me entender. Sei que está apavorada, mas não precisa ter medo. É só dizer qual é o antídoto para o veneno e eu solto você. – Sussurrou Bellamy.

Bellamy desceu para dar uma olhada em Finn e chamou Octavia para ir junto. Porém, ela se recusou. Ele reclamou, mas foi mesmo assim. Octavia sabia que ele queria dar uma olhada mesmo era em Clarke. E, na verdade, queria ficar sozinha com os dois terrestres que salvaram sua vida.

Ela encarou Lincoln durante um tempão antes de se dirigir à Kara Leigh. A terrestre notou um conflito de emoções nos olhares de Octavia e Lincoln, mas fingiu que não viu nada.

—Eu sinto muito por tudo isso. – Disse Octavia. – Meu irmão perdeu a cabeça depois que eu fui capturada. Mas ele não entende que vocês salvaram a minha vida.

Kara Leigh apenas olhou para ela, como se dissesse “tudo bem, não tem problema”. Aquilo fez com que Octavia se lembrasse de ter ouvido Kara Leigh falar algo antes de desmaiar com o sonífero.

—Você disse alguma coisa na caverna, ontem. Por favor, se você me entende, diga alguma coisa! – Disse Octavia.

Aquilo demorou um tempinho, e Octavia estava quase desistindo quando ouviu a terrestre falar alguma coisa.

—Octavia... – Sussurrou Kara Leigh. – Me ajude, por favor...

Octavia encarou Kara Leigh com um olhar assustado. A voz da terrestre saiu tão baixinho que ela quase achou que foi um delírio da sua mente. Porém, o olhar da loira dizia que aquilo havia acontecido mesmo. Então era verdade. Os terrestres podiam entender o povo do céu. Ou, pelo menos, uma podia.

Continua.

Notas finais
E aí? Gostaram? Não fiquem bravos com o Bellamy ou com a Clarke, eles vão ser legais, eu juro! Todo mundo lembra o jeito que eles trataram o Lincoln quando ele foi capturado, né? Pois é, não foi um mar de rosas, então... Tirando isso, o que acharam da cena do Murphy com a Kara Leigh no começo? E a Sra. badass Octavia sendo Octavia? Alerta de Bellarke e (muito) Linctavia nos próximos caps. E Murpheigh, é claro. Kisses :3