The Reason Is You

5 Capítulo 5 - Apreensão (Kara Leigh Implora Pela Vida De Murphy)


Notas iniciais
Oiee gente! Feliz ano novo pra todos! Primeiro capítulo do ano, no primeiro dia do ano hehee!! Tentei fazer algo fofo, espero que gostem! Boa Leitura!

Cause all I know is we said hello
And your eyes look like coming home
All I know is a simple name, everything has changed
All I know is we held the door
You'll be mine and I'll be yours
All I know since yesterday is everything has changed

Taylor Swift Ft. Ed Sheeran — Everything Has Changed

Kara Leigh deixou Murphy descansar e se dirigiu até a tenda de Anya. Porém, não antes de ameaçar os guardas com a história do veneno para eles não fazerem nada de ruim com Murphy. Ela andou lentamente até a tenda, não muito ansiosa para encontrar a líder. Ela sabia perfeitamente que Anya a odiava e não iria atender qualquer pedido seu, mas já estava preparada com as informações para lidar com essa possibilidade.

Assim que entrou, viu Tris, a segunda de Anya, carregando algumas armas. Tris era uma garotinha de doze anos, e ótima guerreira. Kara Leigh se sentia inferior perto de Tris. Uma garotinha tinha coragem suficiente para lutar com uma espada, sendo incrivelmente boa, e Kara Leigh não conseguia sequer segurar uma espada sem tremer. Mesmo assim, ela achava que todo aquele ambiente violento não iria fazer bem para Tris.

—Oi, Tris. – Kara Leigh cumprimentou. – Anya já voltou?

—Já sim. – Tris respondeu. – Ela está lá fora reunindo o exército. Tivemos que enfrentar o povo do céu de novo hoje.

—Vocês mataram eles? – Kara Leigh perguntou, chocada.

—Alguns sim. – Tris respondeu na maior naturalidade. – Eles estavam invadindo nosso território. Eles mereceram.

Ouvir isso de uma menina daquela idade deixou Kara Leigh em estado de choque. Realmente, ser a segunda de Anya não estava fazendo bem a ela. Na verdade, quase todos os jovens daquela idade já sabiam lutar. Kara Leigh foi a única que não se adaptou às espadas.

—Tudo bem, eu vou esperar ela voltar. – Disse Kara Leigh. – Quer ajuda para carregar as espadas?

—Achei que não gostasse de armas. – Respondeu Tris, franzindo a testa. – Anya disse que você é uma medrosa que não consegue segurar uma espada sem tremer.

Kara Leigh abaixou o olhar, envergonhada. Tris tinha razão, ela tinha medo. E quase tinha certeza de que nunca iria superar aquele medo. Porém, não demonstraria isso na frente da garotinha.

—Ora, se não for pra lutar, acho que não vai ser problema. – Disse Kara Leigh, sorrindo para a menor.

Tris concordou e cedeu metade das espadas para Kara Leigh. No início, Kara Leigh sentiu aquele medo característico que sempre sentia quando pegava em uma arma. Mas ela se controlou dizendo para si mesma que não iria atacar ninguém com aquilo. As duas ainda não tinham terminado quando Anya entrou na tenda. Obviamente, ela não ficou nada feliz quando viu Kara Leigh.

—O que foi agora, inútil? – Perguntou Anya.

—É sobre aquele assunto, senhora. – Respondeu Kara Leigh, olhando alternadamente para a líder e a garotinha. Anya pareceu ter entendido o recado.

—Tris, você pode ir. – Disse Anya.

Tris guardou o resto das espadas e saiu, deixando as duas sozinhas. Agora sim Kara Leigh estava realmente assustada. Estava pronta para pedir que sua líder parasse de torturar Murphy em troca das informações que conseguiu, contudo, aquilo ainda era um desafio.

—Senhora, já faz dois dias que estão torturando aquele garoto. E não são torturas leves, como a senhora mandou, são torturas muito pesadas. Hoje, quando eu passei pela frente da jaula, os guardas estavam arrancando as unhas dele! – Kara Leigh exclamou.

—Isso não é nada! Eu já ia sugerir aos guardas para marcar a pele dele com pedras em brasas! – Respondeu Anya.

—Por favor, não façam mais isso! Ele já me deu informações suficientes. Não precisam mais torturá-lo. – Disse Kara Leigh.

Anya encarou a loira como se ela fosse um lanche prestes a ser jogado na cova do leão. Ela não estava apenas curando os ferimentos do rapaz. Não, tinha mais alguma coisa acontecendo entre eles.

—E que informações ele deu à você? – Perguntou Anya. – Espero que tenha sido algo útil, porque estamos ficando vulneráveis. Aqueles ratos do céu invadiram nosso território novamente hoje. Precisamos contra atacá-los.

Kara Leigh hesitou por um momento. Ela temia o povo do céu, mas não queria que eles fossem exterminados. Afinal, eles não invadiram o território porque queriam. Apenas caíram ali. Porém, apesar disso, ela contou à Anya o que Murphy havia dito. O povo do céu vive em um acampamento a apenas alguns quilômetros ao norte dali. O acampamento era bem fácil de notar, pois a nave que os trouxe até a terra era bem grande e visível. Só que agora, com os ataques terrestres, havia um muro em volta da nave, com guardas armados nos portões. Eram cem quando chegaram, mas com as baixas, agora eram provavelmente noventa.

—Eles são só noventa? – Perguntou Anya. – Acho que podemos dar conta deles.

—São noventa com armas de fogo, senhora. – Corrigiu Kara Leigh. – Nós não temos essas armas, vai ser muito perigoso e violento.

—Para covardes como você, talvez. – Anya disse com desdém. – Para soldados valentes do exército será apenas outra luta que iremos vencer.

—Eu não contaria com isso... – Sussurrou Kara Leigh, de um modo que Anya não pudesse ouvir.

—O verme do céu disse apenas isso? – A líder perguntou.

—E já é o suficiente, não é? Por favor, não o torturem mais! – Pediu Kara Leigh. – Ele está fraco, não vai aguentar muito tempo!

Anya encarou a jovem terrestre com um olhar rígido. Mais rígido do que o olhar normal da líder.

—Por que se importa tanto com um verme do céu? Por acaso vocês estão... – Anya não terminou a frase.

Kara Leigh entendeu imediatamente o que a líder estava insinuando. Ela sentiu seu rosto arder da vergonha que sentiu naquele momento. Anya estava insinuando que ela e Murphy estavam... juntos. Não era mentira que ela gostava muito daquele garoto do céu. Ele era um dos únicos que não a tratava mal, fora Lincoln e poucos outros. Porém, era o único que intendia o significado de rejeição. E era o único que a entendia perfeitamente. Não a chamava de “caso perdido”, “peso morto” ou “covarde” como os outros. Ele não a julgou, assim como ela também não o julgou pelos seus atos do passado. Contudo, mesmo sentindo isso, ela pensava que ele não sentia o mesmo.

—Não é nada disso que a senhora está pensando! – Exclamou Kara Leigh, com os olhos arregalados e agitando as mãos.

—Você sabe qual é a punição para uma traição desse tipo, não sabe? – Anya perguntou, de um jeito ameaçador.

A loira engoliu seco. Se lembrou na hora de como eram punidos os terrestres do clã da floresta que traíssem seu povo por outro povo, sendo terrestre, ou no caso, o povo do céu. E não era nada bonito de se imaginar.

—Não tem nada acontecendo. – Kara Leigh respondeu. – Estou apenas seguindo suas ordens, senhora. Estou ganhando a confiança dele para que ele me dê as informações, nada mais. Só que ele precisa estar vivo e consciente para que eu possa consegui-las, e o que os guardas estão fazendo com ele... é simplesmente cruel demais.

Anya parou para pensar durante alguns minutos. Tinha algo no olhar da jovem terrestre que a denunciava, e Anya sabia bem como lidar com isso. Após vários olhares controversos da líder, Kara Leigh pensou que estava encrencada. Porém, não foi isso o que aconteceu.

—Tudo bem, acho que podemos tirar uma base dessas informações. – Anya disse. – Vou enviar soldados para reconhecer o acampamento, e depois estaremos preparados para qualquer ataque deles.

—Mas e quanto ao garoto do céu? – Kara Leigh perguntou. – Vocês irão parar de torturá-lo?

—Sim, mas terá uma condição. – Respondeu Anya. – A partir de agora, como você não faz parte do exército, ficará responsável pelo prisioneiro. Você irá alimentá-lo, cuidar dele e continuar tirando informações. Eu sei que você já faz isso, mas agora irá fazer sem riscos. Se quer tanto mantê-lo vivo, é você quem deverá mantê-lo vivo.

Kara Leigh sorriu, pela primeira vez, na presença da líder. Ela não acreditava que algum dia iria presenciar um ato de misericórdia de Anya, mas aconteceu, para a surpresa dela.

—Obrigada. – A menina disse, com um sorriso largo. – Irei fazer o meu melhor!

—No fim das contas, acho que você não é tão peso morto quanto eu pensava. – Disse Anya, fazendo Kara Leigh sorrir ainda mais.

Kara Leigh saiu da tenda de Anya feliz, pela primeira vez em muito tempo. Agora, ninguém estava autorizado a fazer mal a Murphy, pois ele era responsabilidade dela. E ela não iria deixar ninguém machucar aquele garoto.

Se ao menos ela soubesse que Anya a estava enganando. Não, ela não iria deixar um prisioneiro em uma situação tão confortável. Não, apenas precisava tirar Kara Leigh do caminho. E sabia exatamente como fazer isso. Iria matar dois coelhos com uma cajadada.

*~*

Kara Leigh ainda precisava alimentar Murphy. Fazia dias que ele não comia nada além de frutas, então ela quis fazer algo diferente para ele. Ela foi até o armazém onde ficava guardada toda a carne que a aldeia consumia e retirou um pedaço de carne de uma ave pequena. Lá fora, ela acendeu uma fogueira e cozinhou a carne do melhor jeito que pôde. Espetou a carne em um graveto e a temperou com algumas ervas comestíveis. Ela não cozinhava maravilhosamente, mas ainda sim, não era um desastre.

Quando a carne ficou pronta, Kara Leigh foi até o riacho, encheu o cantil com água e levou a comida para Murphy. Os guardas ainda a desafiavam, mas agora ela não tinha tanto medo. A própria líder disse que Murphy era responsabilidade dela. Então, eles não lhe fariam mal algum.

O cheiro da comida pareceu ter despertado Murphy, que levantou quase imediatamente quando ela parou em frente à jaula. Ele a olhou e viu que ela estava sorrindo, segurando um espeto com um pedaço de carne.

—Eu quis fazer algo diferente, só pra ajudar você a se sentir melhor. – Ela disse, entregando a comida a ele.

Ela riu timidamente enquanto observava ele praticamente devorar a carne. Devia estar desesperadamente faminto. Porém, ele ainda estava seriamente ferido e precisava saber disso.

—Vá mais devagar, você está ferido e pode desmaiar! – Ela disse, o segurando pelos ombros, para que ele não caísse.

—Você sabe quanto tempo faz desde a última vez que eu comi carne? – Ele perguntou, com a boca cheia. – Quase duas semanas!

—De nada... – Ela respondeu, rindo novamente.

Ele realmente gostava do sorriso dela. De todas as meninas que conheceu, Kara Leigh era a mais tímida e inocente. Fazia muito tempo que não encontrava uma menina que não fosse durona, ou cheia de atitude, ou simplesmente oferecida. A maioria das meninas da Arca era assim. Era exatamente por isso que ninguém jamais fez o tipo dele. Sim, ele já havia ficado com várias meninas. Mas nunca havia se apaixonado por uma.

—Eu falei com a líder. – Ela continuou. – Eles não vão mais te torturar, eu prometo. Ela disse que agora você é responsabilidade minha. E dependendo de mim, ninguém nunca mais vai machucar você.

Aquela garota não existia. Ela tinha que ser apenas um sonho. Lhe fazia muito bem para ser verdade.

—Sério? O que você teve que fazer para ela parar de praticar sadismo em mim? – Ele perguntou, ironicamente.

—Eu... eu tive que... – Ela estava com dificuldades de terminar a frase, de tanta vergonha que estava sentindo naquele momento. – Eu implorei pela sua vida.

Murphy a encarou. Ela estava com o rosto corado e os olhos vermelhos, como se estivesse prestes a chorar. A pintura dos olhos dela já estava borrando com as primeiras lágrimas. Ela estava realmente... chorando por ele. Ela havia implorado pela vida dele. Agora não tinha mais como negar. Ele estava gostando dela. Não estava nem aí pro fato dela ser uma terrestre. Ele a queria.

—Kara Leigh. – Ele a chamou. Ela estremeceu ao ouvi-lo chamar seu nome pela primeira vez. – Venha aqui.

Ela se aproximou mais da jaula e ele fez o mesmo. Ele estava fraco, mas ainda tinha forças para se mexer. Quando estava muito próximo dela, colocou as mãos para fora da jaula e segurou o rosto dela com as duas mãos. Ele teve que segurar com cuidado, pois suas mãos estavam muito machucadas. Em seguida, ele fez uma coisa que não era nem um pouco típica de John Murphy. Ele aproximou mais os rostos e a beijou de leve, na testa.

Se antes Kara Leigh estava corada, agora mais ainda. O que foi aquilo? Ele havia feito aquilo mesmo? Ela arregalou os olhos e começou a tremer, pois ainda não acreditava que aquilo havia acontecido. Nenhum garoto a havia beijado antes. Bom, nenhum além de Lincoln, porém Lincoln não contava, pois ele era quase o irmão mais velho dela.

—Eu sempre trato as pessoas do jeito que elas me tratam. – Disse Murphy. – Você sempre me tratou bem. Aliás, foi a única que me tratou bem. Eu não vou me esquecer disso.

Ela sorriu novamente, apesar da vergonha e das lágrimas ainda estarem estampadas em seu rosto. Não tinha vontade nenhuma de ir embora e deixá-lo sozinho. Não, ela iria ficar com ele.

—Eu não vou mais te deixar sozinho. – Disse Kara Leigh. – Você me faz bem, e eu quero ficar com você. Mas só... se você quiser.

Ele não a respondeu com palavras. Simplesmente a enlaçou em seus braços. Kara Leigh já havia abraçado Murphy, mas era a primeira vez que ele a abraçava. Ela não teve outra reação se não, retribuir, porém com cuidado, para não machucá-lo.

Depois disso, eles passaram algumas horas conversando. Tudo estava bem até a hora em que Kara Leigh mencionou que havia conhecido uma garota do céu. Porém, não disse que ela estava desmaiada na caverna de Lincoln.

—Conheci uma garota do seu povo. – Ela disse. – Ela estava machucada e eu a ajudei. Se chama Octavia. Você a conhece?

Murphy paralisou. Octavia era a irmã de Bellamy, um de seus maiores inimigos no momento. Ele abaixou a cabeça, sem graça pelo assunto.

—Octavia é a irmã de Bellamy. – Murphy respondeu. – Bellamy foi o cara que tentou me matar.

Kara Leigh percebeu que havia deixado Murphy constrangido. Ela não sabia que Octavia era irmã de Bellamy. Se soubesse, nunca teria contado, para não ferir seus sentimentos. Afinal, uma tentativa de assassinato não é uma coisa que é facilmente esquecida.

—Desculpe, eu não sabia... – Ela lamentou. – É que ela parecia precisar de ajuda, e eu não consigo negar ajuda a alguém.

—Não tem problema. – Ele respondeu, fazendo a menina se sentir mais confortável. – Você não viu Bellamy, viu?

—Não. – Ela respondeu. – Apenas ela.

Murphy respirou aliviado. A ideia de Bellamy fazendo mal à Kara Leigh o fez odiá-lo ainda mais. Como Murphy havia dito à Kara Leigh antes, ele sempre tratava as pessoas como elas o tratam. Se ele encontrasse Bellamy outra vez, não seria nada agradável.

—Eu fiquei quieta. – Kara Leigh continuou. – Ela não sabe que eu posso entendê-la.

—Isso é bom. – Disse Murphy. – Se você mostrasse que podia entendê-la, ela iria voltar com um grupo armado para capturar você e torturar, em busca de informações.

—Eu não sei... ela não me pareceu má. – Disse Kara Leigh. – Acho que não faria isso.

—Ela não, mas o irmão dela sim. – Murphy respondeu. – Se for andar na floresta, tome muito cuidado para não ser capturada.

Kara Leigh acenou positivamente com a cabeça. Após conversarem por mais um tempinho, os dois ficaram cansados e resolveram dormir. Kara Leigh pensou muito no que Murphy disse sobre eles a capturarem para conseguir informações, assim como seu povo estava fazendo com ele. Teria que voltar à caverna de Lincoln no outro dia para avisá-lo disso. Porém, ela mal sabia que Lincoln já estava correndo perigo nas mãos do povo do céu.

Continua.

Notas finais
E então? Ficou fofo ou muito melodramático? Quando eu começo a escrever eu perco a noção do limite kkk. Pra quem não se lembra, Tris era a segunda da Anya antes da Lexa. Ela morreu por causa da explosão da ponte enquanto a Clarke tenta salvá-la (pra salvar a vida do Finn, porque se a pirralha morresse, o Finn ia perguntar se no céu tinha pão.) Tem várias primeiras participações chegando por aí hehehee :) Mas não vou contar (até porque todo mundo já sabe quem são). Também teremos muito mais Murpheigh, já que agora eu acendi o pavio, tem que explodir a bomba né kkk. Até o próximo! Kisses