The Reason Is You
19 Capítulo 19 - Batalha (Kara Leigh Vai Para a Guerra)
Notas iniciais
I Won't Just Survive
Oh, You Will See Me Thrive
Can Write My Story
I'm Beyond The Archetype
Katy Perry — Rise
Kara Leigh congelou quando viu Anya se aproximando. As pernas dela começaram a tremer de modo que ela não conseguia nem se mexer. Murphy notou o quanto ela estava tensa e a pegou pela cintura, trazendo-a para trás.
—Parem de andar, ou cortaremos suas pernas! – Anya ordenou, empunhando sua espada.
Aquilo estava indo longe demais. Kara Leigh não seria mais assim. Ela não abaixaria a cabeça para qualquer um que fosse maior que ela. O sangue da loira ferveu e, em um ato insano, ela encarou Murphy com a mão no cabo de sua espada.
—Fique atrás de mim. – Kara Leigh disse, com o tom de voz baixo, empunhando sua espada. Aquilo fez Anya soltar uma risada sarcástica.
—Não estou acreditando! A bonequinha está segurando uma espada! Cuidado, pode se cortar. – Anya zombou de Kara Leigh.
—Você e eu, aqui e agora, Anya! – Kara Leigh respondeu, em um tom ameaçador. Ela não estava para brincadeira, mas mesmo assim, parecia uma piada aos olhos da líder.
—E eu pensando que não tinha como você ser mais patética. – Anya respondeu. – Eu devia ter te matado quando assumi a liderança de Trikru. Você não é criança, não é idosa e não é uma guerreira. Não acrescenta nada ao nosso povo. É apenas um peso morto!
—Antes de mais nada, eu sou uma fisa*, ou você se esqueceu disso? – Kara Leigh rebateu, afiada. – E pelo que eu sei, não há muitos outros na aldeia. Quem vai curar seus soldados feridos, se não eu?
—Fisas são uma farsa! Confiei em uma fisa skaikru para salvar Tris, e agora ela está morta! – Anya respondeu, nervosa.
Fisa skaikru? Ela estaria falando de Clarke? Possívelmente, afinal, Clarke era a única do povo do céu com conhecimentos médicos que Kara Leigh conhecia. E Lincoln havia dito que havia ajudado Clarke e Finn a escaparem de Anya, então devia ser verdade.
—Se Tris morreu, não foi pela falha de uma fisa, e sim porque você levou uma criança para a linha de frente! – Kara Leigh rebateu. Ela estava sendo ácida demais com as palavras. Até parecia que não era ela quem estava falando. – Sei que ela era sua segunda, mas ainda sim era uma criança. Lugar de criança não é em batalhas.
—Para que fiquem moles e inúteis como você? – Anya retrucou. – Não. As crianças precisam saber como o mundo funciona. Diferente de você, que acha que gentileza é a resposta para tudo! Estou até impressionada em ver você com essa espada na mão. Pelo menos um pouco de coragem antes de morrer!
—Você realmente acha que pode me matar? – Kara Leigh perguntou, desafiando Anya. – Apenas tente!
Kara Leigh não sabia de onde aquela coragem repentina estava vindo. Ela mesma não estava se reconhecendo. Ela sempre abaixava a cabeça para Anya, não importava o que ela fizesse. E agora, estava enfrentando-a, com uma espada na mão. Até mesmo Murphy estava impressionado. Onde estava aquela menina doce que ele conheceu na aldeia terrestre? Provavelmente cresceu quando dormiu com ele no bunker, ele pensou.
Anya não perdeu tempo em atacar a mais jovem com toda sua fúria reprimida. Kara Leigh se defendeu, com dificuldade, pois ainda não tinha controle absoluto da espada, e seu braço tremia quando as espadas se chocavam. O que aconteceu a seguir foi um compilado de golpes vindos de Anya, sobre Kara Leigh completamente na defensiva. Ela não atacou a líder sequer uma vez. Ela apenas parou quando ouviu um barulho atrás de si, olhou para trás, e viu Murphy sendo segurado por um dos soldados de Anya, com uma faca em seu pescoço.
—Traidora, abaixe a espada! Ou eu mato esse lixo skaikru! – O soldado disse.
Ela ficou completamente sem reação. Ela se viu em um dilema interno fortíssimo. Um lado queria largar a espada imediatamente, qualquer coisa para que Murphy não saísse machucado. Porém, por outro lado... ela queria derrotar Anya, para se libertar de anos de abuso sofridos.
Kara Leigh encarou a espada por dois segundos antes de soltá-la. Ali se ia sua única chance de conquistar respeito entre seu povo. Porém, salvar seu amor era mais importante do que conquistar respeito de um povo que tinha muito mais dívidas com ela do que ela com eles. Anya a encarou com o olhar monótono de sempre.
—Amarrem os dois e faça-os andar. Esta noite, skaikru sucumbirá ao poder do nosso povo! — Anya disse, no idioma terrestre. – E quanto a você... sei que seu povo está nos esperando. Quero todas as fraquezas deles. Ou, matamos você e sua amiguinha sem pensar duas vezes.
Anya apontou a espada para Murphy quando disse isso. Ele e Kara Leigh foram amarrados nas mãos, ligados pela mesma corda, e forçados a andar com Anya e seu exército. Um guerreiro mantinha uma espada no pescoço de Murphy enquanto ele falava sobre as fraquezas do acampamento do céu.
Os dois foram obrigados a andar até chegarem nas proximidades do acampamento do céu. Depois, foram amarrados a uma árvore, enquanto Anya organizava o exército.
—Me desculpe... – Kara Leigh sussurrou, com um olhar triste. – Eu quis bancar a valente e meti nós dois nessa...
—Eu devia ter escutado você... na nave, quando me disse para não matar o Bellamy. Fui eu quem meteu nós dois nessa. – Murphy respondeu, sussurrando. – Mas eu estava com tanta raiva...
—O que há de errado com esse mundo? Se eu me abaixo, eu apanho. E se eu me levanto, também apanho... mas dessa vez eu apanhei para não levantar mais. – Kara Leigh respondeu, sussurrando. – Talvez... talvez haja um lugar melhor depois da morte. Só me prometa uma coisa...
Kara Leigh se esforçou ao máximo para se aproximar de Murphy. O que era difícil, considerando que os dois estavam amarrados a uma árvore. Por fim, ela conseguiu repousar sua cabeça no ombro dele.
—Não me deixe morrer sozinha. – Ela pediu, sussurrando.
—E quem disse que você vai morrer? – Murphy perguntou, sussurrando. – Escute só... nós dois vamos sobreviver, sair daqui, ir para longe dessa porcaria toda entre nossos povos e quem sabe até, ter um pouco de felicidade sem ninguém para encher nossa paciência.
Murphy dizia aquilo, mas no fundo ele sabia a verdade. As chances de ele e Kara Leigh saírem vivos dali eram mínimas. Porém, ao menos ele estaria tranquilizando-a de tudo que estava por vir. E se morressem, ao menos estariam juntos.
—Ai hod yu in... — Kara Leigh sussurrou, no idioma terrestre. – Quer dizer “eu te amo”.
Murphy olhou discretamente para a garota. Ela realmente disse o que ele acabou de ouvir? Aquelas três palavras mágicas que ele não ouvia há anos? Com os dois ao ponto de serem mortos, ele achou que era ilusão de sua cabeça. Mesmo se fosse, ouvir aquelas palavras depois de tanto tempo... ele não sabia explicar a sensação. A única coisa que queria fazer era tomar essa garota nos braços e beijá-la até não aguentar mais.
—Eu também te amo. – Ele respondeu, emocionado. Há quanto tempo ele não dizia tais palavras... aquilo estava mexendo com ele. – Você foi a melhor coisa que aconteceu comigo.
—Parem de falar, os dois! – Anya exclamou, se aproximando do casal amarrado. – Verme do céu, você disse que fabricaram mais pólvora para fazer mais balas para suas armas de fogo. Quantas balas eles tem agora?
—Não sei o número exato, mas são muitas. – Murphy respondeu, calmamente, como se não estivesse sendo ameaçado de morte. – Muitas mesmo. O bastante para dar conta do seu exército.
—Entendi... Tristan, nova estratégia! – Anya respondeu, indo se reunir com seu exército para discutir a tal “nova estratégia”.
—Eles vão se matar... meu povo e seu povo vão se matar e não vai sobrar ninguém. – Kara Leigh disse, encarando a frente com um olhar assustado. – E nós dois estamos no meio do fogo cruzado...
—Eu sei, também estou assustado. A líder da sua aldeia é meio... doida. – Murphy respondeu.
—Ela não é doida, ela só faz o que é necessário para sobreviver... e no caso, ela acha que matar o seu povo vai garantir a sobrevivência do meu. – Kara Leigh respondeu, observando Anya discutindo com seus oficiais. – Você tem razão, ela é doida...
Amarrados, sem ter para onde ir, possivelmente feridos, cansados e com fome e sede. Quanto tempo mais os dois aguentariam nessas condições? Claro, fora o fato de estarem com os pescoços na espada. E o fato de Kara Leigh não fazer ideia de onde Lincoln estava, ou até mesmo se ainda estava vivo...
*~*
Anya e seu exército pegaram o povo do céu tentando escapar do acampamento e, escondidos nas árvores, mataram um deles. Aquilo causou um tumulto e fez o povo do céu voltar para o acampamento. Agora sim, a arena da batalha estava formada. Anya agrupou seus soldados em volta do perímetro do acampamento e esperou até anoitecer para começar o ataque. O escuro lhes daria vantagem sobre skaikru.
Murphy e Kara Leigh ainda estavam amarrados, e aquilo estava começando a doer. Eles estavam esperando os resultados da primeira parte da batalha, onde os terrestres correriam de lado pelas árvores para fazer o povo do céu gastar suas balas. A batalha mal havia começado quando pode-se ouvir uma explosão em um dos lados do acampamento. Anya e os outros se assustaram.
—Mas o que é isso? – Anya perguntou.
—É um campo minado... o garoto não disse nada sobre eles terem um campo minado! – Tristan, co-capitão de Anya, respondeu. Irritado, ele foi até a árvore onde Murphy e Kara Leigh estavam amarrados.
Tristan cortou a corda com sua espada, soltando os dois. Kara Leigh caiu igual a uma fruta madura, antes de olhar para o lado e ver Tristan esfaqueando Murphy na perna. O grito que o garoto soltou foi tão alto que foi semelhante aos gritos que ela ouvia quando ele estava sendo torturado na jaula. Ela quase gritou junto, mas estava tão paralisada pelo medo, que tudo o que conseguiu fazer foi arregalar os olhos junto da respiração agitada.
—Isso é por não ter contado sobre o campo minado! – Tristan exclamou, guardando a adaga.
—O que faremos agora? – Anya perguntou, em um tom monótono. Ela encarava os dois com a mesma expressão de sempre. Como se fossem pedaços de lixo inúteis.
—Agora atacamos. – Tristan respondeu, reunindo o exército.
Kara Leigh teve um surto de adrenalina e conseguiu se mexer. Ela foi até Murphy, que estava encostado na árvore, agonizando de dor. A ferida era profunda, se não fosse estancada logo, ele morreria.
—Eu vou cuidar disso, não se preocupe. – Kara Leigh sussurrou, rasgando sua própria blusa para fazer um torniquete com o tecido. Ela não tinha água, não tinha como limpar o corte. Mas parar o sangramento era fundamental.
Porém, antes de ela conseguir fazer um nó direito, foi puxada pelos cabelos por Anya, que a jogou para trás com violência.
—Você! – Ela apontou para um dos soldados. – Fique de olho no verme até ele sangrar até morrer. E quanto a você, sua insetinha miserável... você ousou me desafiar com uma espada hoje mais cedo... vamos ver se consegue ser útil uma vez antes de morrer. Você vai para a batalha conosco!
—Está querendo que eu lute contra skaikru? – Kara Leigh perguntou, completamente pasma. Como se ser prisioneira de Anya não fosse ruim o bastante. – Eu não farei isso!
Alguns do céu eram amigos dela. Certo, apenas Octavia era amiga dela... e talvez Jasper. Mas mesmo assim, ela não queria matar ninguém do povo do céu. Um desejo pulsante surgiu dentro dela. Algo que ela nunca havia sentido. Ela estava com sede de sangue. Não por defesa, não pelo povo do céu e nem por Ceifadores. Ela queria matar Anya. Fazê-la sangrar até perder os sentidos. Pela primeira vez, Kara Leigh quis matar alguém.
—Fará sim. – Anya respondeu, olhando com desprezo para a loira. – Já sabe o que vai acontecer com seu amiguinho se não lutar...
—Ele morrerá de qualquer maneira... vocês já se asseguraram disso, seus monstros! – Kara Leigh cuspiu as palavras com ódio. – E se fosse a Tris, sangrando naquela árvore... e eu estivesse ameaçando-a para usar você? O que faria no meu lugar, Anya?
—Você já estaria morta. Não sou frágil como você! Além do mais, skaikru já a matou. – Anya respondeu. – Você pode dar algumas horas a mais para seu amiguinho, ou morrer com ele agora. Claro, você vai morrer naquele campo de batalha com certeza, mas ao menos não vai ter que passar pela dor de vê-lo morrer.
Ela encarou Murphy. Ele ainda estava agonizando, mas estava mais quieto. Por um momento, todas as suas memórias com ele passaram diante de seus olhos. E algo lhe chamou a atenção. Ele sempre dizia coisas como “você está proibida de morrer” ou “você não vai morrer hoje”. E era exatamente isso o que ela iria fazer. Olharia fundo nos olhos do deus da morte e diria “hoje não”.
—Não, Anya. Eu não vou morrer hoje. – Kara Leigh respondeu, encarando Anya. – Vou lutar com seu exército e sairei viva. E voltarei por ele, e nós dois iremos para longe da sua loucura!
Anya estava ao ponto de dizer algo, mas antes que pudesse revidar, os membros do exército vestiram Kara Leigh com trajes de batalha e lhe deram uma tinta para que ela pudesse usar sua identidade terrestre estampada em seu rosto. Por último, lhe devolveram sua espada. Tristan gritou para os guerreiros entrarem em formação, e Anya deu uma última alfinetada em Kara Leigh, segurando forte em seu ombro.
—Você fica na linha de frente. – Foi a última vez que Anya falou com ela antes da batalha.
Eles não deixaram que ela se despedisse de Murphy, mas ele estava olhando para ela. Seu olhar estava fraco, e ele parecia que iria desmaiar de dor a qualquer momento. Mas ele já passou por coisas muito piores para morrer por um corte na perna. Ela o encarou com um olhar triste e apaixonado. Antes de partir com o exército, ela sussurrou quatro palavras, de forma que ele pudesse ler os lábios dela: eu voltarei por você.
E foi a última vez que ele a viu.
*~*
O exército estava posicionado e a batalha estava prestes a começar para valer. E começou. Alguns terrestres da linha de frente conseguiram penetrar nos muros do acampamento, outros foram mortos por tiros. Kara Leigh enrolou muito para entrar no acampamento. Ela estava receosa, aquele lugar a acolheu como aliada. Bom, aliada através da palavra de Octavia... ela apenas queria ver sua amiga agora. A batalha estava prestes a ficar intensa, quando um barulho de gritos e grunhidos foi ouvido. Essa não. Ela sabia o que isso significava. Ceifadores.
Porém, para a surpresa dela, Lincoln e Finn estavam correndo na frente deles. Lincoln estava vivo e estava bem! Ela ficou aliviada por isso. Contudo, ele pareceu não tê-la visto no meio da batalha. Ele está vivo, isso é o que importa. Aquilo não estava certo, ela não deveria estar lutando, devia estar com sua família. Ela era uma curandeira, não uma guerreira.
As coisas começaram a ficar estranhas quando o povo do céu começou a correr para dentro da nave. Agora mesmo que a coisa iria ficar feia. Aquilo foi demais para uma jovem terrestre que nunca esteve em uma batalha antes. Ela se escondeu em um arbusto onde torcia para não ser vista. Ela avistou Anya entrando pelo portão da frente, correndo desesperada para a porta da nave fechando. Ela conseguiu entrar antes que a porta fechasse. Ela iria morrer com certeza. Ela era uma, e eles eram... vários. E tinham armas de fogo... Anya estava perdida.
Ela pensou que agora era uma boa hora para fugir e voltar para Murphy. Mas também pensou em Lincoln e Octavia, e se deveria procurá-los primeiro para ter certeza de que estavam bem. Entretanto, Kara Leigh deu três passos para fora do acampamento e foi atingida por algo flamejante. O impacto a jogou para frente e a fez bater a cabeça em uma árvore.
Sua visão ficou turva e ela sentiu algo quente escorrendo por sua testa. Provavelmente estava sangrando. Tudo o que ela conseguiu ver foi muita luz, como se fossem chamas. E alguns gritos. Aquilo era um incêndio? O que diabos aconteceu ali? Ela não teve tempo de pensar nisso, pois desmaiou logo em seguida.
*~*
—Lincoln, acho que o acampamento pegou fogo. – Octavia disse, sendo carregada por Lincoln. – Deve ter sido o tal anel de fogo que o Jasper mencionou...
Octavia foi atingida por uma flecha envenenada e Lincoln estava correndo para salvá-la. Depois de ter ido com Finn buscar os Ceifadores para distrair seu povo, ele aproveitou para se redimir com Octavia e ter sua garota de volta, mas primeiro, precisava salvá-la. Claro, ele também estava pensando em sua irmã. Onde ela estava?
—Está preocupado com a Kara Leigh, não está? – Octavia perguntou. – Com certeza uma hora dessas ela deve estar no maior amasso com o Murphy por aí... o garoto é doido, mas a única pessoa que ele nunca machucaria é ela... não há motivos para se preocupar. Ela não quer nem chegar perto dessa guerra, você a conhece...
—Mandei ela ficar na caverna e ela me desobedeceu outra vez. Quando eu a encontrar, se ela estiver com o garoto, será o menor dos males. – Lincoln respondeu, apertando o passo. – Eu realmente espero que ela esteja bem longe do seu acampamento... quando eu cuidar de você, vamos atrás dela.
—Nós dois vamos atrás dela. – Octavia respondeu. – Ela meio que é minha irmã também...
Lincoln continuou andando, o mais rápido que podia. Ele queria tratar de Octavia rápido para poder procurar Kara Leigh. A verdadeira preocupação dele era se ela não estivesse com Murphy, mas sim, se tivesse sido capturada por Anya. Se fosse o caso, ela não tinha muito tempo.
*~*
Kara Leigh acordou com o nascer do sol e deu de cara com uma cena assustadora. Vários corpos carbonizados no chão, bem na sua frente. Dessa vez, o medo não a impediu de soltar um grito estridente. Aqueles eram membros do exército de Anya, seu povo. Mesmo assim, era algo aterrorizante de se olhar.
A porta da nave se abriu e o povo do céu começou a sair. Eles fizeram Anya de refém, sem matá-la. Contudo, mal deram três passos para fora da nave e foram surpreendidos por uma fumaça vermelha enlatada. Ah, não. Alerta vermelho. Aquilo era muito pior que Ceifadores. Kara Leigh tentou correr, mas uma fumaça vermelha veio em sua direção e ela não pode fazer nada, além de desmaiar outra vez. Ela acabou de ser capturada pela pior coisa que vivia nessa terra. Homens da Montanha.
Quando Kara Leigh acordou novamente, estava em um ambiente totalmente diferente. Estava em uma sala mal iluminada, e parecia estar... dentro de uma minúscula jaula. Suas roupas foram arrancadas e ela estava vestida em uma saia e um top brancos, extremamente reveladores. Ela se sentia mal, com vontade de vomitar. Também notou que algumas partes de seu corpo estavam com marcas de sangue, cobertas com curativos, como se tivesse sido furada.
E ela não estava sozinha. Havia muitas outras jaulas, minúsculas como a dela, naquele lugar terrível. Nessas jaulas, havia outros terrestres. Não apenas Trikru, mas de todos os clãs. Ela estava assustada. Ficou ainda mais assustada quando a porta da sala se abriu, e duas pessoas entraram, vestidas com uma roupa estranha que cobria o corpo todo. Atrás deles, uma mulher morena veio, com uma expressão sádica no rosto. Ela parou bem na frente da jaula de Kara Leigh.
—Essa aí. – Ela disse, apontando para a terrestre encolhida na jaula. – Preparem-na para a colheita.
—Mas ela já foi usada duas horas atrás! – Um dos misteriosos disse.
—Ela é jovem e bem forte. Ela aguenta outro procedimento. – A mulher disse, dando espaço para os dois abrirem a jaula e injetarem Kara Leigh com algo que ela não sabia o que era.
A garota, completamente assustada, tentou lutar, mas foi inútil. Assim que a seringa e o líquido penetraram sua pele, ela ficou zonza outra vez. Tudo o que ela viu antes de apagar, foi seu corpo sendo carregado a força e sendo pendurado de cabeça para baixo. E a última coisa que sentiu foram várias e várias agulhas penetrando seu corpo ao mesmo tempo.
—Ma...mãe... – Ela choramingou antes de apagar de vez.
Aquilo não tinha duração certa de tempo. Podia ser rápido, ou demorar décadas. Mas ela tinha certeza de uma coisa. Era extremamente desagradável. E seria forçada a fazer isso por não sabia quanto tempo. Kara Leigh estava abandonada à própria sorte.
Continua
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