The Reason Is You

20 Capítulo 20 - Estilhaçados (Murphy e Kara Leigh Encaram a Morte)


Notas iniciais
Alô alô graças a Deus! Olha só quem voltou começando a segunda temporada com todo mundo cagado e precisando de ajuda! Mas o que é The 100 sem todo mundo cagado e precisando de ajuda né gente... Mas enfim, depois da finale da 4° temporada que ME DESTRUIU sem dó nem piedade, eu simplesmente tive que postar outro capítulo. E vocês gente, a finale destruiu vocês também? Sério, eu não sei se eu tenho estrutura pra aguentar até 2018 não viu... Mas agora vamos dar uma olhadinha em como nosso casal 20 Murpheigh está né. Boa Leitura!

I don't wanna lie to you

But I'm chasing shadows too... in the dark

You are the reason why I can't let this fire die

In my heart

Sons Of Midnight — The Fire

O dia amanheceu. Horas e horas se passaram, e nada dela voltar. Murphy estava perdendo as esperanças outra vez. Ele estava à beira da morte, com sua perna sangrando, com o torniquete feito por ela começando a falhar. Naquela noite, ele estava meio dormindo quando ouviu um barulho ensurdecedor de uma explosão. Porém, ele estava tão cansado que nem prestou muita atenção. Agora, naquela manhã, o terrestre que havia ficado de guarda com ele, o mandou caminhar. Mesmo machucado, mesmo com dor, ele caminhou.

O destino? A nave de seu povo. Porém, não como ele esperava. O acampamento havia virado um aglomerado de cinzas. Provavelmente foi a explosão que ele ouviu noite passada. E havia até alguns corpos que não foram totalmente incinerados. Ele se lembrou dela. A expressão no rosto de Kara Leigh antes de ela ser forçada a marchar com o exército terrestre, em direção a uma guerra que ela queria distância. Ele sentiu um calafrio na espinha, e uma leve náusea ao imaginar que algum daqueles corpos ou até mesmo, algumas daquelas cinzas, pudessem ser dela.

O guarda mandou que ele ficasse do lado de fora, enquanto examinava a parte de dentro da nave. A verdade era que Murphy estava tão cansado que sequer cogitaria a possibilidade de fugir. Porém, dois segundos depois do guarda entrar na nave, um barulho de tiro foi ouvido. Aos olhos dele, o acampamento estava vazio. Nem seu povo e nem os terrestres estavam ali. Então, quem disparou aquele tiro? Sua curiosidade falou mais alto e ele foi, mancando, até a nave. Assim que entrou, viu uma fraca Raven, caída no chão, apontando uma arma para ele.

—Raven, espere, não atire em mim! – Murphy implorou, com todas as forças que ainda lhe restavam.

—Por que não? Você atirou em mim... – Raven respondeu, com desdém, puxando o gatilho.

Contudo, para a sorte de Murphy, não havia mais balas na arma. Raven sentiu medo, ao perceber o que tinha feito, e o que Murphy poderia fazer com ela, agora que ela estava indefesa. Mas ele apenas sentou em outro canto da nave, com um olhar desapontado.

—É, eu teria atirado em mim também... – Murphy disse, sarcasticamente. Por mais que ele parecesse o mesmo por fora, ele estava magoado. No fundo, ele sabia que merecia aquele tiro.

Ele não tinha a intenção de atirar em Raven. Ela apenas estava no lugar errado, na hora errada. Infelizmente, quando Murphy deixa seu lado enérgico falar mais alto... ai de quem ficar no caminho dele. E quando ele fez aquilo, o único que ele realmente tinha intenção de machucar era Bellamy. E depois dessa explosão, ele nem sabia se Bellamy estava vivo ou morto. Ele não sabia se ninguém estava vivo ou morto. Principalmente ela. Era ela quem mais mexia com ele.

—O que você está fazendo aqui, Murphy? – Raven perguntou, fraca. Ele respirou fundo antes de responder.

—Morrendo. Igual a você. – Murphy respondeu, tentando manter seu tom sarcástico, mesmo em uma hora dessas.

—Fale por você. – Raven respondeu, rudemente. – Quantos mais estão lá fora?

—Nenhum. Você fritou todos eles. – Murphy respondeu. – Esse aí só sobreviveu porque ele ficou de guarda comigo.

Raven começou a passar mal e tossir sangue. O ferimento estava muito profundo e ficaria pior se a bala em sua cintura não fosse removida logo. Murphy se lembrou do incidente com a febre hemorrágica. Mais ainda, de quando ele ainda estava trancado na jaula, e Kara Leigh estava na jaula com ele, doente. Também de quando a febre invadiu o acampamento e ele ficou ajudando os doentes dentro da nave. Por um momento, ele deixou o orgulho de lado e se propôs a ajudar Raven. Era o que ela faria.

—Raven, deite de lado. – Murphy disse, se levantando e indo até ela. Porém, ela rejeitou sua ajuda de uma maneira brusca. – Tudo bem, só role para o lado sozinha. Você vai ficar bem.

—Por que é que você está me ajudando? – Raven perguntou, após deitar de lado.

Murphy desviou o olhar. Ele ainda conseguia vê-la. Seu olhar meigo e sorriso tímido. A maneira como ela não cultivava ódio. E então, ele lembrou da noite anterior. O quanto ambos estavam apavorados, amarrados naquela árvore. E quando ela encostou sua cabeça nele. Não me deixe morrer sozinha. Aquelas palavras ecoavam na mente dele. E agora ele nem sabia onde ela estava, se estava viva ou morta... de novo.

—Eu não quero morrer sozinho. – Murphy respondeu.

*~*

Enquanto isso, Lincoln ainda andava pela floresta, carregando Octavia, que poderia desmaiar a qualquer momento. O efeito do veneno estava se espalhando cada vez mais, e se ela não tomasse o antídoto logo, poderia até morrer. Para mantê-la ocupada, ele estava ensinando a língua dos terrestres para ela.

Porém, ela parecia não estar muito interessada, pois não parava de perguntar para onde eles estavam indo. Lincoln estava tentando enrolá-la, dizendo que iam para o mar, para o clã de Luna, mas na verdade, estavam voltando para a aldeia dele. Era o único lugar onde ele iria conseguir o antídoto a tempo, e onde iria ter pistas de onde Kara Leigh poderia estar.

—Lincoln... – Octavia começou a falar, fraca. – Você me trouxe para a sua aldeia?

É, ela reconheceu o lugar. Mas agora era tarde para voltar atrás.

—Não vou deixar você morrer, Octavia. – Lincoln respondeu, colocando-a no chão, deitada. – Você precisa do antídoto imediatamente.

—Eles vão te matar... – Octavia tentou protestar, mas Lincoln a impediu.

—Só se conseguirem me pegar. Fique aqui e tente dormir um pouco, eu volto mais tarde. – Lincoln disse, dando um beijo rápido nela e indo em direção à aldeia.

Ele sabia que era arriscado, mas precisava fazer isso. Ele tentaria entrar escondido na pequena casa de Kara Leigh e pegar todos os remédios que encontrasse ali. Sua “irmãzinha” era uma curandeira nata, e ele sabia que ela guardava remédios em todo lugar. Ele só esperava que achasse o antídoto do veneno ali. Agora eram três coisas que ele precisava fazer. Pegar o antídoto, salvar Octavia e ir atrás de Kara Leigh. Nada complicado... ou não.

Como se entrar e procurar o remédio não fosse complicado o suficiente, ainda precisava dar um jeito de sair. Mas como iria fazer isso? Bem, Octavia estava esperando, e ele não tinha muito tempo. Apenas esperou tempo suficiente para os guardas se afastarem e tentou uma saída sorrateira. Contudo, surgiu um imprevisto.

—Lincoln? – Uma voz masculina o chamou. Ele se virou e viu quem era. Felizmente, não era nenhuma ameaça. Pelo contrário, era seu outro irmão.

—Nyko. Você voltou. – Lincoln disse, se recuperando do susto.

—Sim, voltei logo depois da grande explosão. Você sabe que não pode ficar aqui, não sabe. Nosso povo está te caçando por ter se envolvido com o povo do céu. – Nyko respondeu.

—É por isso que estou aqui. – Lincoln mostrou o antídoto. – Preciso entregar isso para alguém, ou ela irá morrer.

—É a tal garota que estão comentando? – Nyko perguntou. – Eles dizem que você se apaixonou por uma garota do céu. É verdade?

—Sim, é verdade. – Lincoln respondeu, seguro de que podia confiar nele. – Mas ela foi envenenada e precisa do antídoto rápido. Antes que eu vá, mais uma coisa. Você viu a Kara Leigh por aí?

—Não, ninguém a viu. Ela estava no exército, Lincoln. O exército que atacou o povo do céu... – Nyko respondeu, com pesar. – Ela, Anya e todos os outros... morreram ou estão desaparecidos. Eu sinto muito, mesmo.

Não podia ser. Kara Leigh no exército? Ele achava que ela estava com o garoto. Como ela foi parar no exército? Pior ainda, estava morta ou desaparecida... morta. Lincoln perdeu o ar por dois segundos pensando nisso. A garota que ele criou desde criança... morta. Sua irmãzinha que amava com todo o coração... morta.

É o traidor! Prendam-no! — Um guarda gritou, no idioma terrestre. Droga, eles viram Lincoln. E agora, o que ele faria?

Rapidamente, Lincoln deu o antídoto para Nyko.

—Nos arredores da aldeia, perto da estátua. Por favor, faça-a tomar o antídoto. – Lincoln pediu. – Eu tenho algo a resolver.

Por mais que ele quisesse salvar Octavia, a notícia de que Kara Leigh pudesse estar morta despertou um sentimento misturado dentro dele. Uma mistura de sofrimento e ódio. Como Anya teve coragem de colocar aquela menina no exército? Mas havia uma possibilidade. Ela poderia não estar perto do anel de fogo. Tinha que ter uma esperança. E era isso que ele iria fazer.

Lincoln foi preso e levado até a nova líder do clã Trikru, Indra. Ela tinha fama de ser uma guerreira muito habilidosa e impiedosa. Sua cara de poucos amigos confirmava isso.

—Então você é o traidor que vem se aliando com o povo do céu? — Indra perguntou, no idioma terrestre.

Não vim causar mal. Só vim procurar minha irmã. — Lincoln respondeu, tentando disfarçar o motivo de estar ali. — Está desaparecida desde o anel de fogo. Ela é loira, mais baixa que a maioria de vocês e sempre anda com remédios. Alguém a viu?

—Sei quem é, ele está falando da garota que dormia com o prisioneiro do céu.
— Um guarda disse. – Se ela não morreu no anel de fogo, Anya a trucidou com certeza.

—Você o ouviu.
— Indra disse. — Agora vamos tratar do que interessa, traidor. Levem-no para dentro da tenda e mostrem o que acontece com traidores!

Lincoln sabia o que estava por vir, e não seria fácil. Porém, por mais dolorosa que a punição fosse, não doeria mais do que pensar que Kara Leigh poderia estar morta.

*~*

Na nave, Raven estava se recuperando da recente tosse hemorrágica, mas a perda de sangue ainda a incomodava. Ela estava ficando cada vez mais fraca, e não conseguia mais nem ficar sentada. Ao contrário de Murphy, que podia fazer qualquer coisa, menos mexer sua perna machucada. Ele tentava estancar o sangue de qualquer maneira, com cintos e cordas, mas nada dava certo, então ele os lançava longe com fúria. Menos o torniquete improvisado por Kara Leigh. Aquilo ele nem ousou tirar do lugar.

—Como foi que você ficou tão babaca, Murphy? – Raven perguntou, fazendo-o se aborrecer.

—Me desculpe por ter atirado em você. – Murphy respondeu de uma forma sarcástica. – Era isso o que você queria ouvir?

—Deixe eu adivinhar... – Raven continuou, ignorando-o. – Mamãe e papai não te amavam?

Agora ela havia tocado em um assunto super delicado. Ele havia contado aquela história apenas uma vez em sua vida, quando estava com Kara Leigh doente, dentro da jaula. E não tinha certeza se queria contar para Raven. Ainda mais com ela o atacando com palavras daquele jeito. Tudo bem que Murphy não era santo, pelo contrário, ele tinha muita culpa no cartório. Mas o que Raven estava fazendo agora era maldade.

—Eles me amavam... – Murphy respondeu, em um tom de voz baixo. Doía muito para ele lembrar disso. Ele lutava contra as lágrimas que se formavam. Ele não queria chorar na frente de Raven.

—Você vai chorar, Murphy? – Raven perguntou, estranhando. Mas tinha um certo toque cômico em sua voz. Aquilo deixou Murphy super irritado.

—Vá se ferrar, Raven. – Murphy respondeu, rudemente.

—Não, me conte. Eu quero saber. – Raven continuou. – Como é que uma criança amada pelos pais se torna um assassino psicopata?

Ok, se era para contar, ele contaria. E ao contrário de como foi quando contou a Kara Leigh, ele não tinha interesse nenhum em amenizar a história.

—Ele ficou gripado. O pai dele rouba remédios que, de qualquer maneira, não adiantariam. É executado por isso. A mãe dele começa a beber muito depois disso. E as últimas palavras que ela disse para ele antes que ele a encontrasse morta em uma poça de seu próprio vômito foram que ele matou o pai dele. – Murphy disse, com os olhos lacrimejados.

Raven pareceu ter se sensibilizado um pouco, pois a expressão dela mudou. Por mais que ela tenha tido uma infância difícil, com uma mãe negligente, ela não era a única a passar por maus bocados. Ela percebeu que Murphy estava prestes a chorar, mas estava lutando fortemente contra as lágrimas. Ver Murphy chorando era algo inusitado para ela. Doze horas atrás ele estava tentando matar Bellamy, e ela não tinha uma bala em sua cintura. Agora, ambos estavam feridos, tanto fisicamente quanto emocionalmente.

Após alguns minutos em silêncio, se recuperando do recente drama emocional, Murphy notou que Raven estava começando a desmaiar pela perda de sangue. Por mais que a situação entre os dois não fosse das melhores, ele ainda se sentia culpado por ter atirado nela. Se ela morresse, a culpa seria dele. Ele não sabia se conseguiria viver sabendo que acidentalmente matou alguém.

—Raven, não durma! – Murphy ordenou, com as forças que lhe restava. – Você precisa ficar acordada, me fale alguma coisa, qualquer coisa. Me fale sobre o Finn.

Ele não pensou muito antes de falar isso. Em sua cabeça, Raven ainda gostava de Finn. Mas ele se lembrou de todo o problema com Clarke e se arrependeu de ter perguntado.

—Ele não estava na nave... pode estar em qualquer lugar... isso se estiver vivo... – Raven falava cansada, com um tom de dor.

Ela estava na mesma situação de Murphy. Ele também não sabia onde Kara Leigh estava, se estivesse viva, o que era quase improvável.

—Me distraia dessa dor, me fale da sua namorada terrestre... Bellamy disse que ela veio até aqui... por que ela não está com você? – Raven perguntou, ainda fraca.

—Ela estava comigo... nós dois estávamos fugindo quando fomos capturados pelos outros terrestres. Ela foi forçada a se juntar ao exército e... provavelmente morreu na explosão. – Murphy respondeu, com pesar.

Raven se sentiu um pouco culpada. Afinal, foi ela quem causou a explosão, de certa maneira. Bem, ela fez o trabalho maior e Jasper emendou os fios, mas dava na mesma. Tudo bem que era uma guerra, mas aquela menina e guerra eram duas coisas que pareciam não combinar. Se Raven realmente a matou, ela se sentiria culpada pelo resto da vida.

Mais alguns minutos se passaram. Raven estava começando a perder a consciência outra vez. Só que antes que Murphy pudesse ajudá-la, alguém entrou na nave. Por sorte, eram pessoas conhecidas. Eles finalmente desceram. O resto do povo do céu. A Dra. Abby Griffin, mãe de Clarke, veio na frente, acompanhada por alguns guardas.

—Ajudem-na. – Murphy disse, apontando para Raven, que estava quase completamente inconsciente.

Abby foi atender Raven enquanto os guardas improvisavam uma maca para ela. É claro que ela perguntou sobre Clarke, mas ninguém sabia onde ninguém estava, então a resposta foi indiferente. Após cuidarem de Raven, Marcus Kane, conselheiro da Arca, também entrou na nave e se pôs a ajudar Murphy.

Claro que Murphy iria omitir as últimas doze horas, onde havia tentado matar Bellamy, e fazer de conta que ele estava ali na hora da explosão. Enquanto Kane o carregava para fora da nave, ele teve uma surpresa. Um zangado Bellamy caminhava em sua direção.

—Bellamy, você... você está vivo. – Murphy disse, quase sarcasticamente. E foi seguido de um soco certeiro de Bellamy, que o arremessou no chão. Ele não aguentava mais essas sessões de pancadaria com Bellamy.

—Seu assassino filho da mãe! – Bellamy gritou enquanto o socava. Murphy estava fraco demais para revidar. Porém, antes que aquilo pudesse ficar mais feio, um dos guardas deu um choque em Bellamy com uma arma elétrica, fazendo-o cair para o lado.

—Prendam-no. – Kane ordenou.

—Espere um pouco, você não entende. Murphy matou dois dos nossos, atirou em outro e tentou enforcar o Bellamy! – Finn disse, tentando explicar.

—Não interessa, vocês não são animais. – Kane respondeu. – E não estão mais no comando.

Realmente, com os “adultos” na Terra, eles não estavam mais no comando. As coisas iriam ficar complicadas agora. As leis ficariam mais restritas. Principalmente nesse novo lugar, onde a Arca pousou, que seria bem mais rigoroso que a nave. Enquanto seguiam caminho, também colocaram Murphy em uma maca. Ele podia estar consciente, mas também não conseguia andar. E com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, ele só conseguia pensar em uma coisa. Ele queria sua garota.

*~*

DOIS DIAS DEPOIS

Picada, drenada e trancada, picada, drenada e trancada. Essa era a rotina de Kara Leigh nos últimos três dias. Os Homens da Montanha eram monstros. Trancada em uma minúscula jaula, com o corpo todo marcado por picadas de agulha, ela desejava estar morta. Estava com dor e com muita fome. Mas a transfusão de sangue também causava enjoo. Por isso, quando os Homens da Montanha, nas raras vezes que lhe davam de comer, ela não conseguia manter tudo no estômago.

Após outra transfusão, ela estava encolhida em sua jaula, chorando silenciosamente. Todos os terrestres nas jaulas aos lados dela eram de outros clãs, e estavam tão atordoados quanto ela. Ela não tinha com quem conversar. Claro, sozinha esse tempo todo, seus pensamentos vagavam nas pessoas lá fora. Como Lincoln estava, como Octavia estava e... como Murphy estava. Ele estava ferido na última vez que ela o viu, e sentiu seu coração apertar em pensar em como ele poderia estar agora. Porém, enquanto estava encolhida, perdida em pensamentos, sentiu alguém a tocar na jaula ao lado. Ela levantou os olhos aos poucos e viu quem a tocou.

Anya... — Ela reconheceu sua líder. Sua voz estava realmente fraca, e quase soava como um sussurro. – Eles também te capturaram...

Você é a primeira Trikru que vejo aqui... — Anya respondeu, sua voz também fraca. Provavelmente mudaram Anya de jaula, por isso elas não tinham se visto ali antes. – O exército está morto... sobraram somente nós duas.

Como é que vamos sair daqui? Eles nos picam com tudo... — Kara Leigh disse. — Alguém precisa saber disso...

A porta abriu e as duas tremeram. Outra vez não. Chega, elas não aguentavam mais. Contudo, o que elas viram foi menos ameaçador. Quase até um alívio. Kara Leigh viu pés descalços primeiro. Depois subiu o olhar e viu quem era. Era Clarke.

Já sei como nos tirar daqui. — Kara Leigh sussurrou para Anya, voltando para a frente da jaula e agarrando o pé de Clarke.

A skaikru, com o susto do toque, se abaixou para tirar a mão e viu quem a tinha tocado. Clarke a encarou, completamente surpresa.

—Kara Leigh? – Clarke perguntou, reconhecendo o rosto machucado da garota terrestre. Quase como uma reação imediata, ela tentou abrir a jaula, forçando o cadeado com uma barra. – Vou tirar você daqui.

Quando Clarke finalmente conseguiu abrir a jaula, e Kara Leigh estava saindo, a porta abriu outra vez.

—Entre de novo. – Clarke disse, empurrando Kara Leigh para dentro e entrando na jaula com ela.

A mulher morena que sempre coordenava as transfusões entrou na sala. Ela parecia estar procurando algo, mas quando não achou, deu meia volta e saiu. Kara Leigh estava com tanto medo de ser escolhida de novo que estava agarrada com força à Clarke.

—Ok, temos que ir agora. – Clarke disse, abrindo a jaula outra vez, e tirando Kara Leigh.

—Espere. – Kara Leigh disse, tomando a barra das mãos de Clarke e abrindo a jaula de Anya. A líder, certa de que Kara Leigh iria fugir e a abandonar ali, a olhou surpresa.

—Anya? – Clarke perguntou. – Que lugar doente... precisamos sair daqui agora mesmo!

As três procuraram uma saída, e conseguiram abrir uma porta. Porém, não era exatamente aquilo que estavam procurando. Quando entraram na sala, um alarme alto soou.

—O que é isso? – Anya perguntou, nervosa. As três se olhavam, sem entender o que estava acontecendo.

Sem perceber, o chão debaixo das três sumiu e elas caíram em um poço profundo. Kara Leigh sentiu o coração pular pela boca. Ela tinha certeza de que tinha caído para a morte.

Continua

Notas finais
OLHA ELAAAA! Clarke sua linda, tem horas que eu te amo e horas que eu quero dar na sua cara. Mas lá foi essa skaikru maravilhosa salvar a nossa Pitanguinha preferida (e levou a Anya de brinde). Deve estar todo mundo pensando "mas quando que ela vai reencontrar o Murphy caramba?". Muita calma nessa hora gente, não quero dar spoilers nem nada mas só pra saciar um pouco essa curiosidade eu vou liberar 3 palavrinhas: Finn ficou doidão. Já sacaram qual é a cena que eu tô me referindo né? Mas enfim, eu não curto muito ficar transcrevendo as cenas dos episódios na íntegra, mas eu vou ter que transcrever as mais importantes (e vou mudar algumas coisas, tipo a cena na aldeia com o Lincoln). As cenas lá dentro de Mount Weather eu não vou transcrever, até porque... a Pitanguinha nem tá mais lá né. Pois então gente, eu queria saber uma coisa de vocês... ceis tão ligados que na 4° temporada a Emori ainda tá viva né... isso complica E MUITO nosso shipp favorito Murpheigh. Então eu queria saber se por acaso vocês gostariam que eu simplesmente matasse ela... e aí, pode ser? PS: Galerinha, fiz outro crack de The 100, dessa vez com mais cenas da 4° temporada com uma compilação de hate ao Jaha e zuação de humor negro ao Jasper. Quem quiser ver: https://www.youtube.com/watch?v=gGR-eb9aGX4 Kisses ♥