The Reason Is You

9 Capítulo 9 - Calmaria (Momentos Felizes De Murphy E Kara Leigh)


Notas iniciais
Oie povo! Pois é, sei que demorei pra caramba. Eu estava ocupada e sem tempo pra escrever, desculpem :( Esse é mais um capítulo de transição sabem... uma folguinha de uma tragédia antes de acontecer outra. Mas então, bora lá ler o capítulo fresquinho dessa novela mexicana! Boa Leitura!

And your heart's against my chest
Your lips pressed to my neck
I'm falling for your eyes
But they don't know me yet
And with a feeling I'll forget
I'm in love now

Ed Sheeran — Kiss Me

Murphy não conseguiu pregar o olho nem por duas horas. Sua cabeça estava a mil com todas as emoções que estava sentindo naquele momento. Estava com ódio dos terrestres que não o deixavam em paz, estava com raiva de seu próprio povo por terem torturado Kara Leigh, mas acima de tudo, o que ele sentia por aquela menina era o que o estava mantendo quieto.

O dia já estava claro. Ele perdeu a noção de quanto tempo estava observando Kara Leigh dormir. Ela ainda estava pálida, porém menos do que estava na noite passada. Seus cabelos estavam sujos por dormir na terra, mas mesmo assim, aquela era uma visão linda para ele. É claro, poderia ser melhor se não existisse uma jaula entre os dois.

Ele subiu o braço com o qual a enlaçava até a mão alcançar o rosto dela e começou a acariciar o cabelo dela. Ele fez isso até ela abrir os olhos, lentamente. Assim que ela o viu, deu um de seus típicos sorrisos tímidos.

—O que faz acordado? – Ela perguntou, sussurrando.

—Perdi o sono. – Ele respondeu. – Além de estar apreciando uma visão que eu não teria nem sonhando.

Ela não pôde deixar de corar igual a uma pimenta. Mas afinal, quando é que ela não corava perto de John Murphy?

—Eu vou ter que sair um pouquinho. Preciso ver a líder e buscar suprimentos antes que você piore. – Ela disse, se levantando.

Murphy a encarou com um olhar desconfiado e a segurou pelo braço. Depois de tudo o que ambos passaram no dia anterior, será que era mesmo uma boa ideia ela sair novamente? Mesmo que ambos estejam precisando dos suprimentos, ele não queria deixá-la ir.

—Eu já vi isso antes. – Ele disse, segurando o braço dela. – Alguma coisa ruim vai acontecer, é melhor você não ir.

—Vai acontecer algo ruim é se eu não for! – Ela respondeu, em um tom de bronca. – Os seus ferimentos vão piorar e nós dois vamos morrer de fome e sede, isso se a líder não me matar antes por não ter me reportado.

—Hm, ok. – Ele respondeu, desconfiado. – Mas por favor, não seja capturada de novo.

Murphy deixou Kara Leigh ir, mas não sem segurar a mão dela até o último centímetro aonde seu braço conseguia alcançar. Primeiro, ela iria fazer o mais difícil, que seria ir até a tenda de Anya para terminar o relatório de Lincoln. Ela se preocupava com o que Lincoln havia contado, pois e se por algum descuido ela contasse algo que Lincoln não contaria? Aquilo era uma situação muito complicada.

Por incrível que pareça, seu encontro com Anya não foi tão assustador quanto ela achava que seria. A líder havia dividido o relatório de Lincoln com a menina, e a fez forçar a memória para acrescentar alguma coisa sobre o que ela havia visto no acampamento do céu. Kara Leigh respirou fundo e pensou muito sobre o que iria falar. Ela não queria dar muitas informações, apenas por causa de Octavia. Em pouco tempo, ela havia se apegado a aquela garota do céu. Porém, se omitisse informações demais, sua vida, a de Lincoln e a de Murphy estariam em risco.

A loira explicou com alguns detalhes o que havia visto no acampamento do céu. Contou que não viu muita coisa porque seu cabelo atrapalhava a visão, mas o que viu foi uma enorme nave protegida por um muro cercado de guardas. Ela também disse que ficou a maioria do tempo presa no piso superior da nave, onde foi torturada. O lugar era forte, e seria difícil dominá-lo. A líder iria precisar de centenas de guerreiros se pretendia fazer algo.

—Entendo. – Disse Anya. – Você se lembraria do lugar se visse um mapa?

—Acho que sim. Por que a pergunta, senhora? – Perguntou Kara Leigh.

—Lincoln desenhou o acampamento deles. – Respondeu Anya, retirando do bolso uma folha (provavelmente arrancada do caderno de Lincoln) com o desenho do acampamento.

O desenho estava bastante detalhado para quem havia tido apenas um olhar do lado de fora do acampamento antes de ser espancado. Kara Leigh observou o desenho por alguns minutos e reconheceu os lugares onde esteve. O portão principal, a nave, e até onde eles armazenavam a comida. Fora isso, a jovem terrestre deu informações sobre o próprio povo do céu. Ao que parecia, todos eram muito jovens. Entre eles, haviam os que tinham habilidades de luta, os que tinham habilidades médicas e os que entendiam muito de tecnologia, que era algo que os terrestres não tinham. Ela disse aquilo pensando nas pessoas que havia conhecido. Bellamy tinha habilidades de luta, Clarke tinha habilidades médicas, e Raven entendia de tecnologia.

Quando Kara Leigh terminou, Anya estava com uma expressão surpresa no rosto. Provavelmente ela havia pensado que a garota havia ficado tão assustada que não notaria os detalhes. Sim, ela ficou assustada de um jeito que nunca havia ficado na vida, mas ainda sim não era cega.

—Isso é tudo o que eu me lembro. – Disse Kara Leigh.

—Ótimo. Com isso, os batedores já podem fazer uma varredura visual da área para bolarmos uma estratégia de ataque. – Disse Anya.

—Senhora, eles tem armas de fogo! – Exclamou Kara Leigh. – Não é arriscado enviar os batedores? Além disso, as informações que Lincoln e eu demos não são suficientes para uma estratégia? Nós dois já tomamos a liberdade de fazer a varredura visual.

—Vocês dois foram torturados! – Respondeu Anya, em seu tom firme. – É sim necessária outra varredura visual, caso vocês dois tenham perdido alguma coisa! Precisamos de um bom plano caso pretendemos vingar você e Lincoln.

Kara Leigh parou para pensar um minuto. Como assim “caso pretendemos vingar você e Lincoln”? Vingá-la? Vingar a terrestre que Anya mais odiava? Tecnicamente, o que o povo do céu fez com Kara Leigh deveria ter sido um favor para Anya. Tinha alguma coisa errada. E também tinha Murphy. O que iriam fazer com ele agora que já tinham praticamente todas as informações possíveis sobre o povo do céu?

—Senhora, se me permite perguntar... o que vai acontecer com o prisioneiro? – Perguntou Kara Leigh. – Eu tenho permissão de libertá-lo?

—Eu sei que deixei que você ficasse responsável por ele, mas nem por isso tem autoridade para fazer isso! – Exclamou Anya. – Não, o prisioneiro não será solto. Ele ainda é útil.

—Sim, senhora... – Disse Kara Leigh, cabisbaixa. – Mas eu continuo responsável por ele, não é? Quero dizer, os soldados não vão mais torturá-lo, não é mesmo?

—Não, torturas não são mais necessárias. – Respondeu Anya. – Ele irá ser útil de outra maneira.

Puxa, ainda bem que acabaram as torturas! Pensou Kara Leigh. Mesmo assim, algo ainda estava errado. Kara Leigh estava com um pressentimento ruim. Essa história de atacar o povo do céu não estava certa. Tudo o que ela queria era o fim dessa guerra. E ainda tinha Murphy. Não... se quisessem fazer mal a Murphy novamente, teriam que se livrar dela primeiro!

—Senhora, por favor, não inicie uma guerra com o povo do céu... – Pediu Kara Leigh. – Eles estão tão ameaçados conosco quanto nós estamos com eles.

—Eles já iniciaram a guerra! – Retrucou Anya, no tom firme. – Mas é claro, você é um caso perdido o suficiente para não entender isso! Tudo o que faço é para defender nosso território! Nosso povo! Agora vá embora antes que eu decida exterminar você junto com os vermes do céu!

Kara Leigh foi embora carregando o pressentimento ruim com ela. Anya estava tramando alguma coisa, algo que não seria nada bom. A garota passou em casa e pegou os últimos restos de remédios que tinha para levá-los a Murphy. Foi um pouco difícil limpar os machucados com todo aquele sangue seco e feridas quase cicatrizadas, mas ela conseguiu. As horas passavam e aquele pressentimento ruim não a deixava em paz. Murphy percebeu que havia algo de errado com a terrestre.

—O que foi? – Perguntou Murphy. – Você está viajando desde que voltou.

—Eu estou preocupada. – Respondeu Kara Leigh. – Minha líder quer atacar o seu povo, e já sabe como. E agora que ela está furiosa porque eu e meu amigo fomos capturados e torturados por eles, não se sabe a qual nível de crueldade ela pode chegar.

—Espere aí, você está preocupada com o povo que te torturou? – Murphy perguntou, perplexo com a inocência da menina.

—Sim, com o povo todo. E isso inclui você. – Kara Leigh respondeu, encarando Murphy com um olhar triste. – Agora que ela já tem a informação necessária para atacá-los, eu não sei o que ela vai fazer com você. Mas eu juro que se ela quiser fazer algo de ruim com você, terá que se livrar de mim primeiro!

Murphy não conseguiu se conter e tomou a menina nos braços. Ele a abraçava tão forte que as grades da jaula estavam o apertando. Mas ele não estava nem aí para a dor. O fato de ela estar retribuindo com a mesma intensidade o faziam se importar menos ainda. Aquela deveria ser a milésima vez que ele amaldiçoava a jaula.

—Se ela quiser me espancar, me torturar, me matar, o que for... eu não estou nem aí. – Sussurrou Murphy. – Minha vida já valeu a pena só por você ter entrado nela.

—E eu... eu não me importo mais de ser humilhada, de apanhar ou até se eu for morta pela pena dos mil cortes. – Sussurrou Kara Leigh, o abraçando ainda mais forte. – Eu sempre vou te guardar no meu coração. É uma das melhores coisas da minha vida.

Ele não aguentou mais. Ele afrouxou o abraço apenas para dar espaço de beijá-la. Novamente, aquela sensação ótima que fazia Kara Leigh corar e sentir borboletas no estômago. Dessa vez, o beijo era mais intenso, cheio de desejo e paixão. Era quase uma urgência. Murphy precisava daquilo. Ele havia levado patadas durante sua vida toda e agora, aquela garota estava ali, dizendo que ele era uma das melhores coisas da vida dela. Estar apaixonado era uma sensação completamente nova para ele. Nova, porém prazerosa.

Durante os próximos dias, por incrível que pareça, as coisas se acalmaram um pouco. Anya não mandava torturarem Murphy, não se aborrecia com Kara Leigh e ainda não tinha atacado o povo do céu. Os machucados de Murphy pareciam finalmente estar sarando, e tudo o que Kara Leigh precisava fazer agora era alimentá-lo. Já que ela não saia mais da aldeia, ela podia alimentá-lo mais do que apenas uma vez por dia.

Lincoln foi visitá-la algumas vezes para levar remédios, comida e para ver como sua “irmãzinha” estava. Já que ele não deixava mais ela sair da aldeia sozinha, o mínimo que podia fazer era cuidar dela lá mesmo. Fora isso, ele estava se encontrando secretamente com Octavia quase todos os dias. Nesse tempo, ele havia trocado alguns segredos de povos com ela, e até estava ensinando a garota do céu a como atacar sorrateiramente, coisa que ela não conseguia aprender de jeito nenhum. Além de, é claro, ter um relacionamento amoroso com ela, muito mais avançado do que o relacionamento de Kara Leigh e Murphy. Isto é, já faziam coisas que Kara Leigh ficava envergonhada só de ouvir o nome.

Um dia, Lincoln acompanhou Kara Leigh até sua caverna, para que a terrestre pudesse conhecer Octavia melhor. Como já era de se esperar, as duas se deram muito bem. Octavia poderia dizer que gostava mais de Kara Leigh do que das garotas do próprio povo. A loira apenas se afastou da morena para que ela pudesse treinar luta com Lincoln. Kara Leigh se contentou em assistir. Não seria aquele o dia em que ela começaria a lutar.

—Venha, Kara Leigh! – Chamou Octavia. – Me mostre o espírito de luta das garotas terrestres!

—É, digamos que o meu espírito de luta fugiu... – Respondeu Kara Leigh, em tom de recusa.

—Isso não é sério, é? – Perguntou Octavia, pasma.

—É melhor não insistir. – Disse Lincoln, intervindo. – Kara Leigh é contra violência e qualquer tipo de luta. Ela não gosta nem de segurar uma espada.

—É uma longa história... – Disse Kara Leigh, abaixando o olhar.

Octavia olhou para aquela garota e praticamente viu sua alma refletida. Ela se lembrou de que odiava ser forçada a fazer alguma coisa. Como se esconder debaixo do chão de sua casa na Arca, por exemplo. Provavelmente Kara Leigh tinha seus motivos para não ser uma guerreira.

—Tudo bem, então. – Disse Octavia, voltando-se para Lincoln. – Preciso ir, está ficando tarde. Por mais que eu esteja brava com meu irmão, se ele notar que eu sumi, não vai ser nada bom.

Lincoln assentiu e deu um beijo em Octavia antes de deixá-la ir. Quando ela já tinha saído, Lincoln se voltou para Kara Leigh e disse que era melhor que ela também voltasse para a aldeia, já que estava ficando tarde. Ele se ofereceu para acompanhá-la.

Lincoln já estava sabendo da história sobre Kara Leigh e Murphy. Sobre ele ter correspondido os sentimentos dela e os dois estarem em uma espécie de “lua de mel” desde o ocorrido, porque nada de ruim tinha acontecido nesse período. É claro, Lincoln a mandou tomar cuidado diversas vezes, pois a calmaria de Anya era algo extremamente suspeito.

Kara Leigh passava todas as noites ao lado de Murphy, chovendo ou não. Ela não se importava de dormir no chão duro, de terra, desde que ela estivesse com ele. Cada dia que passava, os dois se apaixonavam cada vez mais, um pelo outro. Mal sabiam que essa alegria toda não duraria muito tempo.

*~*

Anya estava com um soldado em sua tenda. Ele havia visto Kara Leigh com Murphy , em seus momentos, e veio denunciá-la por traição. Anya não fez nenhuma expressão de surpresa quando ouviu isso.

—Ela é uma traidora, com certeza vai ser punida! – Exclamou Anya.

—Com a pena dos mil cortes? – Perguntou o soldado. – Posso ir buscá-la agora mesmo.

—Não! Não com a pena dos mil cortes. – Respondeu Anya. – Matá-la agora não vai ajudar na guerra contra os vermes do céu.

—Mas qual a diferença? A garota nem sabe segurar uma espada direito! – Disse o soldado.

—Ela tem outra utilidade para nós. – Disse Anya. – Com a pena que tenho em mente, irei matar dois coelhos com uma só cajadada: ela e o maldito povo do céu.

Anya já estava planejando fazer isso havia dias. Ela já sabia que Kara Leigh iria ter algo com o prisioneiro desde o começo. E como Anya não a suportava, agora seria a hora perfeita. E o peso morto ainda teria uma utilidade!

—Eu quero que você e mais dois soldados vão buscar... o vírus. – Ordenou Anya, em um tom macabro.

O soldado deu um sorriso sádico e saiu da tenda. O vírus ao qual Anya se referiu, era um poderoso vírus usado em guerras biológicas, para devastar o inimigo ao ponto de deixá-lo fraco o suficiente para não conseguir lutar. Os sintomas eram hemorragia pelos orifícios e febre alta. Em alguns casos, o infectado poderia até morrer. Ela pretendia usar esse vírus contra o povo do céu. Porém, antes disso, a primeira infectada seria... Kara Leigh.

Continua.

Notas finais
Aix, agora ferrou-se tudo. Eu avisei que era só uma folguinha de uma tragédia antes de acontecer outra! Vocês lembram daquele episódio que o Murphy volta pro acampamento todo arrebentado e com o vírus, né? Pois é, e se o vírus desse uma voltinha pelo corpo da Kara Leigh antes? Só digo uma coisa: vai dar treta! Ah, ela e a Octavia ainda não são besties, elas tão só começando a se tornar besties. Não digo que essa fic tá uma novela mexicana? Sério, eu até tive que escutar músicas do RBD pra escrever esse capítulo... sem mentira nenhuma. Bom, hoje tem episódio novooooo!!! Bora todo mundo ficar acordado até 1 da manhã assistindo??? Kisses :3