The Reason Is You
18 Capítulo 18 - Dilema (Kara Leigh Dá Uma Escolha a Murphy)
Notas iniciais
Don't Complicate It
Don't Let The Past Dictate
I have been patient
But Slowely, I'm Losing Faith
So please... I Know You Baby
Skylar Grey — I Know You
Octavia saiu do acampamento completamente nervosa. Ela não demonstrava, é claro, mas por dentro, tremia tanto que parecia que ia vomitar. A sensação da possibilidade de rever Lincoln estava deixando-a inquieta. Ela nem sabia se Lincoln sequer queria vê-la outra vez, depois de ter se recusado a ir embora com ele.
Mas agora a situação era diferente. Murphy estava armado, trancado dentro da nave com Bellamy e disposto a atirar a qualquer momento. Octavia precisava achar Kara Leigh, a única que podia colocar algum senso de juízo na cabeça de Murphy. E para isso, o primeiro lugar aonde iria era a caverna de Lincoln.
Após andar muito, Octavia chegou lá e encontrou a caverna completamente vazia, sem sequer nenhum vestígio de Kara Leigh ou Lincoln. Será que já tinham ido embora? Essa não. Se realmente tinham ido embora, significava que Bellamy estava por conta própria, caso Raven não conseguisse abrir a nave.
Não, não podia ser o fim. Octavia vasculharia a floresta toda e iria até o mar, se fosse necessário. Mas iria encontrar essa garota.
*~*
Enquanto isso, Kara Leigh ainda vagava pela floresta, procurando Lincoln. A cada barulhinho que ela ouvia, segurava a espada com mais força. Ela já estava procurando há horas, e estava perdendo as esperanças. Porém, algo inesperado surgiu do lugar mais inesperado possível. Ela estava em frente à mina dos Ceifadores, quando Lincoln saiu correndo e deu de cara com ela.
—Lincoln?! – Ela o chamou, surpresa. – Mas o que diabos você estava fazendo aí dentro? Não sabe o que tem aí?!
—Eu explico depois, agora corra! – Lincoln respondeu, puxando-a pelo braço.
Ela brevemente olhou para trás e viu um único Ceifador os perseguindo. Ela já estava louca pela adrenalina, então o que fez a seguir, jamais faria em seu juízo perfeito.
—Espere um pouco. – Ela disse, tirando a espada da bainha e correndo em direção ao Ceifador.
Com um movimento, Kara Leigh cravou a espada diretamente no coração do Ceifador, fazendo-o cair fatalmente. Lincoln olhou para aquilo preocupado. Foi a primeira vez que ele a viu matar alguém. Kara Leigh nunca, nunquinha mesmo, havia matado alguém por vontade própria. Aquilo não era do feitio dela. O que aconteceu durante essas horas em que os dois estavam separados? Lincoln foi ajudar Clarke e Finn a escaparem de Anya, mas o que Kara Leigh estava fazendo?
—Mas o que é isso, ficou doida?! – Lincoln perguntou, enérgico. – Você não faria mal a uma mosca. E agora deu para matar Ceifadores?
—Eu cansei, Lincoln. – Kara Leigh respondeu. – Cansei de ser a menininha indefesa que senta e chora por tudo. Ser contra violência só me trouxe problemas. Todo mundo na aldeia abusava de mim! Porque eles sabiam que eu não iria revidar. Eu não estou dizendo que vou sair por aí matando todo mundo. Mas as pessoas que eu amo estão em perigo e eu vou protegê-las a qualquer custo!
Lincoln a encarou, orgulhoso. Bem, pelo menos uma parte dele estava orgulhoso. Agora, pelo menos, Kara Leigh iria conseguir se defender sozinha. Mas outra parte dele estava triste por perder aquela doce menina inocente.
—Não precisa se preocupar. – Kara Leigh disse, voltando a andar. – Ainda prefiro minhas ervas do que a espada. E só para constar, ele era um Ceifador e estava atrás de você. Eu jamais faria isso com um inocente.
Lincoln precisou de um tempo para processar o fato de que sua “irmãzinha” tinha usado uma espada e matou alguém em sua frente. Aquilo era novidade para ele. Mas afinal, ele deu lições de espada para ela, não deu? Esperava que ela nunca fosse usar? Uma parte dele esperava que não.
—Lincoln, você ainda não disse o que estava fazendo dentro da mina. – Kara Leigh indagou. – Ninguém em sã consciência entra lá.
—Estava ajudando dois do povo do céu a escaparem das garras de Anya. – Lincoln respondeu. – O exército dela vai atacar o acampamento do céu ao anoitecer.
—Mas o que? Caramba, eles tem que sair de lá agora! Preciso falar com a Octavia! – Kara Leigh disse, se apressando, mas Lincoln segurou seu braço.
—Eles já estão avisados. Os dois que eu ajudei a passar pela mina eram Clarke e Finn. – Lincoln respondeu. – Eu disse para eles irem para o mar. Para o clã da Luna.
—Então... se eles estão indo para lá... nós também estamos? – Kara Leigh perguntou.
—Talvez. – Lincoln respondeu, hesitante. – Mas preciso fazer uma última coisa antes de irmos. Enquanto isso, eu quero que você me espere na caverna, e não saia de lá até eu voltar, entendeu?
Kara Leigh assentiu. Lincoln a beijou na testa e seguiu por uma direção oposta. Ela se perguntou onde ele iria e o que iria fazer. Mais que isso, se preocupou pelo fato de ele estar na lista de morte de Anya. Se ela o visse, com certeza ele estaria morto.
Por outro lado, ela se preocupou com Murphy. Ele ainda estava no acampamento do céu, que estava prestes a sofrer um ataque. Se todos estavam indo para o mesmo lugar, para o clã do mar, ainda havia uma remota chance de ela vê-lo outra vez. Mas caso não houvesse... será que ela deveria dar uma passada no acampamento do céu uma última vez? Ou deveria seguir as ordens de Lincoln e esperar na caverna?
Kara Leigh estava andando com essa dúvida na cabeça, quando deu de cara com Octavia, completamente suada e ofegante. Ela parecia estar correndo.
—Kara Leigh, ainda bem que te achei. – Octavia disse, pegando-a pelo braço. – Você tem que vir comigo agora, eu explico no caminho!
—Octavia, espere! – Kara Leigh disse, tentando acompanhar o ritmo da morena. – O que houve? Meu povo já chegou no seu acampamento?
—O que? Não, ainda não! – Octavia respondeu, ainda segurando o braço da terrestre. – Kara Leigh, é o Murphy. Ele está trancado dentro da nave, armado, fazendo meu irmão de refém!
—O que? Não, ele não faria isso! – Kara Leigh respondeu, pasma. Ela não acreditou que o garoto com quem passou todos aqueles momentos lindos no dia anterior, pudesse estar fazendo algo desse tipo.
—É claro que faria, é o Murphy... Confiar nele foi um erro. Kara Leigh, você é a única que pode fazê-lo parar com isso! – Octavia respondeu. – Por favor, é o meu irmão lá dentro!
—O que o Bellamy fez para o John fazer uma coisa dessas?! – Kara Leigh perguntou.
—Acho que ele quer vingança. Daquela vez que ele quase morreu enforcado. – Octavia respondeu. – Ele estava com o Jasper lá dentro, até o Bellamy se oferecer para ficar no lugar dele.
—Jasper? Ele ameaçou o Jasper só porque ele falou comigo? – Kara Leigh perguntou. – O que está acontecendo? Ele não é assim!
—Agora você entendeu o porquê de eu não morrer de amores por vocês dois estarem juntos? Você não é garota para ele. – Octavia respondeu. – Espere um pouco. Quando foi que você falou com o Jasper?
—Ontem, quando eu fui até o seu acampamento. Eu estava esperando o John aparecer, mas o Jasper me viu e eu pedi para ele não contar a ninguém sobre mim. Mas aí, o John nos viu e... acho que ele não gostou de me ver conversando com outro garoto. – Kara Leigh respondeu.
—É, isso explica muita coisa... agora vamos, meu irmão está em perigo e não tem muito tempo! – Octavia disse, apertando o passo.
*~*
Murphy ainda estava dentro da nave, apontando a arma para Bellamy. Ele estava aproveitando cada pedacinho de sua vingança, agora com o prato principal. Quase todos os responsáveis por seu enforcamento tinham pagado, restava apenas um. E ele iria pagar de um jeito quase poético.
Murphy estava obrigando Bellamy a amarrar pedaços dos cintos, uns nos outros. Ele iria fazer uma forca... e no fim de tudo, Bellamy passaria pela mesma experiência que ele.
—O que você quer que eu diga? – Bellamy perguntou, quase esgotando suas ideias de como iria sair dessa situação. – Quer que eu peça desculpas? Ok, me desculpe!
—Você entendeu tudo errado, Bellamy... – Murphy respondeu, ainda apontando a arma para ele. – Eu não quero que você peça desculpas. Eu quero que você sinta o que eu senti, e então... eu quero que você morra.
Bellamy olhou para a forca e viu sua vida passando diante de seus olhos. Se Raven não conseguisse abrir a porta, era o fim. Bellamy iria morrer sem ao menos saber se Clarke estava viva... sem vê-la uma última vez.
—Agora suba aí. – Murphy ordenou, apontando para o caixote sob a forca.
—Pense bem no que está fazendo. – Bellamy respondeu, hesitante, subindo no caixote. – Já sabe o que vai acontecer se sua namorada terrestre descobre sobre isso?
Essa não. Agora Bellamy tinha tocado na ferida de Murphy. Especialmente depois do dia anterior.
—Ela vai ficar feliz em saber que eu fui vingado. – Murphy respondeu, segurando a ponta da corda que agora estava no pescoço de Bellamy. – Não é tão corajoso agora, é?
Murphy estava começando a puxar a corda, começando a sufocar Bellamy.
—Você deveria me agradecer por isso. Afinal, sua querida princesa está morta, e você irá revê-la em breve. – Murphy disse, puxando um pouco mais. – Na próxima vida... pense bem antes de chutar o caixote debaixo de alguém.
*~*
Octavia e Kara Leigh passaram pelo túnel, entrando no acampamento. Kara Leigh ficou receosa em se mostrar na frente de toda aquela gente, e ficou com ainda mais medo de algum deles a machucar. Mas Octavia garantiu que não deixaria.
Porém, foi inevitável. As duas apareceram e foram recebidas com pessoas gritando “terrestre” e apontando as armas para Kara Leigh. Apesar de sua recente façanha de matar um Ceifador, Kara Leigh ainda não se sentia corajosa o suficiente para enfrentar uma centena de pessoas do céu com armas de fogo, então ela se escondeu atrás de Octavia.
—Ei, ei! Abaixem essas armas agora, ela está aqui para ajudar! – Octavia gritou, fazendo metade abaixar as armas. – Se alguém atirar nessa garota, vai se ver comigo!
—Como vamos saber se ela não trouxe os outros terrestres para nos atacar agora? – Um dos garotos armados perguntou.
—Você quer procurar em volta do acampamento? Fique à vontade, mas agora eu preciso salvar meu irmão! – Octavia respondeu, puxando Kara Leigh para perto da nave. Jasper estava lá, segurando o walkie-talkie.
—Kara Leigh? – Jasper a chamou, chegando perto dela e a abraçando. Ela estranhou a atitude, mas retribuiu por dois segundos, antes de ele a soltar. – Que bom que está aqui. O Murphy enlouqueceu, ele está lá dentro com o Bellamy e já deu uns dois tiros falsos!
—Mas o que? – Octavia perguntou, nervosa, tomando o walkie talkie da mão de Jasper. – Murphy, se você machucou o meu irmão, você está muito ferrado! Já parou para pensar no que a Kara Leigh vai fazer se ela souber disso?
—Continue falando e eu coloco uma na perna do Bellamy. — Murphy respondeu, pelo walkie-talkie.
Kara Leigh arregalou os olhos. Aquele não era o Murphy que ela conhecia. Tudo bem que ele estava fazendo isso para obter justiça. Jus drein jus daun, sangue se paga com sangue. Ele tinha todo o direito de matar Bellamy, se quisesse. Mas de certa forma, parecia tão... errado. Ela não podia deixá-lo continuar com isso.
—Faça ele parar. – Octavia disse, colocando o walkie-talkie na frente de Kara Leigh. Ela nem sabia por onde começar.
*~*
—John? — A voz de Kara Leigh saiu do walkie-talkie, fazendo Murphy tremer por dentro. Ela estava ali? Mas como?
—É ela? – Bellamy perguntou, com dificuldade, devido à corda apertada em seu pescoço. Murphy, não respondeu, apenas pegou o walkie-talkie.
—O que está fazendo aqui, Kara Leigh? – Ele perguntou, sem encarar Bellamy. A resposta dela demorou um pouco.
—Eu sei que você quer matar o Bellamy. Eu mais do que ninguém sei disso. Até eu tenho motivos para matá-lo. Ou esqueceu que ele me torturou? Mas eu não vou fazer isso, e você também não deveria. — Kara Leigh respondeu, através do walkie-talkie.
—Se você sabe o quanto eu quero isso, não estaria me pedindo para parar! – Murphy respondeu, nervoso. – Ele me enforcou! Não é essa a lei do seu povo? Algo sobre sangue ser pago com sangue?
—Você tem razão. É um direito seu querer justiça. Mas você pode optar por ser superior, e deixá-lo viver. Para lembrá-lo de que, mesmo ele tendo tentado te matar, você o deixou viver. Isso vai deixar uma marca que ele nunca mais vai esquecer. — Kara Leigh respondeu, pelo walkie-talkie.
Murphy parou para pensar por um momento. O que Kara Leigh havia dito parecia interessante. Mas matar Bellamy ainda parecia mais interessante.
—Vá para casa, Kara Leigh. – Murphy simplesmente respondeu, cortando o contato com o outro walkie-talkie.
Nessa hora, um grito feminino foi ouvido debaixo da nave. Murphy ficou enfurecido.
—O que é isso? Sua irmã trouxe a Kara Leigh até aqui para me distrair para que ela fosse tentar entrar por debaixo da nave? – Murphy perguntou, furioso, apontando a arma para o chão e atirando repetidas vezes até suas balas acabarem.
Bellamy aproveitou a oportunidade para se soltar. Porém, antes que conseguisse, Murphy chutou o caixote debaixo dele, enforcando-o. Bellamy continuou tentando se soltar, mas quando Murphy foi tentar amarrar as mãos dele, acabou levando um soco e caindo no chão. Segundos depois, a porta da nave se abriu. Murphy não tinha outra saída senão fugir. E o único lugar que ele tinha para correr era o nível superior da nave.
*~*
Assim que a porta da nave se abriu, Kara Leigh foi a primeira a entrar, apesar dos protestos de Jasper. Ela entrou correndo e viu Bellamy sendo enforcado, e Murphy subindo as escadas. Sem pensar muito, ela usou sua espada para cortar a corda, fazendo Bellamy cair no chão. Mas ela não ficou para tirar a corda do pescoço dele, pois subiu as escadas atrás de Murphy.
Foi só depois que ela subiu que Murphy viu que ela tinha entrado na nave. Ele usou uma barra de ferro para trancar a porta antes de ter que lidar com ela.
—Por que você fez isso?! – Ela perguntou, nervosa. – Agora seu povo nunca vai te perdoar!
—Não preciso que eles me perdoem. – Murphy respondeu, procurando balas para carregar na arma. – Você disse que estava disposta a fugir comigo, se ainda estiver, agora é a hora.
Murphy continuava procurando balas, sem sucesso, até que achou uma que funcionasse.
—Murphy, acabou! – A voz de Bellamy gritou, enérgica, lá em baixo. – Não tem saída!
Bem nessa hora, Murphy avistou a lata de pólvora perto de uma das paredes. Era uma sorte daquelas.
—Quer apostar? – Murphy perguntou, sarcástico. – Kara Leigh, fique atrás de mim e tape os ouvidos.
Segundos depois, uma explosão gigantesca tomou conta do acampamento. Uma explosão que pode ser vista de longe. Após muito tossir e recuperar os sentidos, Murphy puxou Kara Leigh pelo braço e os dois pularam da nave, correndo pela floresta afora.
Bellamy conseguiu abrir a porta, mais furioso do que nunca. Ele e Jasper entraram, engasgados com a fumaça, que quando se dissipou, mostrou Murphy e Kara Leigh fugindo pelos fundos.
—O que vai acontecer agora? – Jasper perguntou.
—Os outros terrestres vão encontrá-los. – Bellamy respondeu. – Apenas sinto por ela. Eu a torturei e ela cortou a corda que me enforcava. Ela tinha razão, isso deixa uma marca.
—Então não vamos atrás deles? – Jasper perguntou. Na verdade, ele estava mais interessado em ir atrás dela.
—Não. Nós vamos atrás de Clarke, Finn e Monty. – Bellamy respondeu. – Não podemos deixá-los para trás.
Não muito tempo depois disso, alguém avisou que havia movimento perto do acampamento. Bellamy e Jasper desceram para verificar, mas abaixaram as armas após o guarda do portão avisar que eram Clarke e Finn. Bellamy acabou de tirar um enorme peso do peito. Clarke estava viva. Agora chega. Era a última vez que ele passaria por essa dúvida sem falar com ela.
—Ouvimos uma explosão, o que houve? – Clarke perguntou, ofegante de tanto correr.
—Murphy aconteceu. Ele causou a maior confusão aqui dentro. – Bellamy respondeu.
—Clarke! – Jasper a chamou. – Cadê o Monty?
—O Monty sumiu? – Clarke perguntou, preocupada.
—Nós precisamos sair daqui agora! Os terrestres estão se preparando para atacar, e eles são extremamente numerosos! – Finn disse. – Precisamos pegar nossas coisas e ir embora agora mesmo.
—De jeito nenhum! Era isso o que estávamos esperando, não era? Vamos ficar aqui e defender nosso território! – Bellamy respondeu. – Se sairmos daqui, para onde iríamos?
—Para o leste, tem um clã no mar que vai nos acolher. – Finn respondeu.
—Vocês viram o Lincoln? – Octavia perguntou. Ela estava tão preocupada com Bellamy que quando achou Kara Leigh, nem perguntou a ela sobre Lincoln.
—E vocês esperam que confiemos em um terrestre? – Bellamy perguntou. Na verdade, ser um terrestre não era o problema. Ser o namorado de Octavia é que era.
—Se me lembro bem, foi uma terrestre que cortou a corda que estava enforcando você, Bellamy! – Octavia o repreendeu.
—Corda que o namorado psicopata dela usou para me enforcar! – Bellamy completou. – E essa é nossa casa agora! Nós a construímos com nossas mãos! Os terrestres acham que porque viemos do céu, esse não é o nosso lugar! Mas eles estão ao ponto de perceberem algo. Nos estamos na Terra agora, o que significa que nós somos terrestres!
—Bellamy está certo. – Clarke o apoiou. Bellamy a encarou enquanto ela continuava a falar. – Se nós sairmos é provável que nunca encontremos um lugar tão seguro quanto esse. Mas se ficarmos aqui, morreremos esta noite! Então, peguem suas coisas. Nós vamos embora agora mesmo!
A multidão começou a se dispersar. Bellamy aproveitou a oportunidade e puxou Clarke pela mão, para um canto mais afastado. Nenhum dos dois disse nada. Bellamy encarou Clarke por cinco segundos antes de segurar seu rosto com a mão e unir seus lábios aos dela. Clarke já estava esperando por isso, pois ela correspondeu na hora. O coração dos dois batia disparado.
—Passei um dia inteiro achando que você estava morta. – Bellamy disse, após terminar o beijo. – Não vou passar por isso outra vez sem que você saiba o que eu sinto.
—Hoje mais cedo... Finn disse que estava apaixonado por mim. Eu o rejeitei... disse que estava apaixonada por outro... por você, Bellamy. – Clarke respondeu, fazendo Bellamy a beijar novamente.
Eles não tinham muito tempo para isso agora, afinal, estavam fugindo de terrestres assassinos. Então, depois disso, foram arrumar suas coisas. Mas agora, as coisas mudaram. O Rei e a Princesa finalmente admitiram o que sentiam um pelo outro e finalmente poderiam ficar juntos.
—Onde ele está? – Octavia perguntou, para Finn. Ele não respondeu nada. Apenas deu a ela a espada que Lincoln lhe entregou antes de correr dos Ceifadores.
Não muito tempo depois disso, Raven apareceu em um dos lados do muro, ferida. Os vários tiros que Murphy deu, em direção ao chão da nave, pelo menos um a acertou. Finn não perdeu tempo em ir até ela e socorre-la. Os outros continuaram a pegar suas coisas para partirem do acampamento antes que os terrestres chegassem.
*~*
Kara Leigh e Murphy correram até ficarem longe o suficiente do acampamento. Os dois pararam em uma árvore para tomar fôlego. A terrestre ainda estava pasma com tudo o que tinha visto.
—Para onde vamos agora? Não podemos mais ir para o mar, é para onde o seu povo vai! – Ela disse, ofegante. – E era o único lugar seguro.
—Não é possível. Tem que haver outros lugares. – Murphy respondeu, também ofegante.
—Não, não há. Não podemos nem passar perto do território de Azgeda. E eu nunca fui ao deserto, nem sei como é lá. Dizem que quem vai até o deserto, até a zona morta, nunca mais é visto. – Kara Leigh respondeu.
—Parece ser nossa melhor opção. – Murphy disse, segurando o rosto dela com as duas mãos. – Vamos nos esconder no deserto. Pelo menos até essa guerra toda acabar.
Ele a puxou para um beijo delicado. Porém, não durou muito tempo, pois foram interrompidos por uma flecha na árvore onde estavam recostados. Ambos levaram um susto com aquilo.
—Olhem só, se não são os pombinhos! A inútil e o saco de lixo. Patéticos como sempre. – Anya apareceu por trás das outras árvores, acompanhada por seu exército. – Vocês dois vem conosco!
Continua
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