The Reason
2 O vazio
Zoe
Voltei pra casa. Meu pai me disse que tinha me matriculado em um escola próxima de casa, que eu começaria hoje mesmo. Ele só podia estar brincando, eu acabei de chegar e já tenho que me preocupar com escola? Pelo ao menos ele tinha me colocado no período noturno. Mais tarde me arrumei para enfrentar meu primeiro dia de aula em um escola nova, coloquei uma camiseta do Metallica, calça jeans escura, coturno e o crucifixo que era da minha mãe, e estava sempre comigo.
Ao chegar na Cape Charles High School, fui na recepção perguntar onde seria a minha sala, a recepcionista estava com um bom humor de dar medo, disse apenas que eu era do 2º ano G. Então tive que me virar, fui andando pelos corredores, procurando pela sala até que bateu o sinal, e já não havia mais ninguém nos corredores, exceto por uma menina com cabelos azuis presos em um rabo de cavalo, deixando a mostra seus alargadores, não muito mais alta que eu, perto dos armários e ao me aproximar vi que ela tinha um piercing no septo.
-- Oi, eu tô procurando o 2ºG. — digo.
-- Hã, legal!
Eu fiquei olhando pra ela um tempo, incrédula com o que ela tinha dito.
-- Você poderia me dizer qual a sala?
-- 13. — respondeu ela secamente.
E antes que eu pudesse agradecer ela sumiu. Enquanto eu procurava a sala ainda trombei com um menino que vinha correndo, ele parecia atrasado, ele não olhava pra onde ia e bateu em mim.
-- Ah, me desculpe. — disse sem nem ao menos olhar para mim e continuou andando.
Ele era alto, forte, com cabelos pretos e olhos castanhos. Bem como Thalia disse até que não estava sendo tão ruim em relação à garotos até agora.
Do nada ele olhou pra trás.
-- Você é nova aqui?
-- Sim e estou completamente perdida! — disse rindo.
-- Ta procurando qual sala?
-- 13.
-- Ah, eu sou da 15, fica logo nesse corredor.
Eu o segui e ele me deixou na sala, quando bati na porta já tinha um professor lá. Eu entrei e vi que o único lugar vago era bem ao lado da menina estranha do corredor dos armários.
As pessoas não conversavam muito durante as aulas, e ninguém puxou assunto comigo então fiquei na minha também, vai que todos fossem como a esquisita de cabelo azul. Na hora do intervalo, fui até a cantina e avistei o menino que esbarrou em mim sozinho.
-- Oi, bem nós não nos apresentamos... prazer Zoe! — estendi minha mão e ele me cumprimentou.
-- Sou Ryan! Aê, legal mais uma pessoa com bom gosto por aqui — diz ele ao olhar minha camiseta.
E antes que pudéssemos falar mais alguma coisa, a menina de cabelo azul apareceu entrelasçando seus braços.
-- Ah, Len, vocês são da mesma sala não é mesmo?! — disse Ryan.
-- É, ah sei lá. — respondeu ela e foi o puxando para uma mesa.
Agora eu poderia parar de chamá-la de menina estranha do cabelo azul, seu apelido pelo menos eu sabia. Mais ela não parecia muito amigável. Avistei um menino loiro de olhos castanhos se aproximando e quase não o reconheci vestido.
-- Oi! — disse o garoto
-- Ah! Espera, você vai jogar uma bola em mim de novo?
-- Não! Nada de bolas está bem? — nós rimos — Sou Jeremy.
-- Tá legal, Jeremy atacador de moças indefesas.
-- Você não parece ser muito indefesa.
Eu não disse nada e ele ficou me encarando.
-- Não vai me dizer seu nome?
-- Não. — disse rindo
-- Ah, aposto que você deve ter um daqueles nomes bem estranhos. Deixa eu adivinhar, Trisha? Earnestine? Marylou?...
-- Oh não! Pare com isso. — ele não me deixava parar de rir com seu jeito bobo.
-- Então me diz seu nome!
-- Ah, você venceu! Me chamo Zoe.
-- Hum, bonito nome.
Eu agradeci e logo bateu o sinal, na sala eu não falei com mais ninguém, as aulas pareciam durar o dobro do tempo que eram pra durarem e finalmente meu primeiro dia de aula praticamente fracassado chegou ao fim.
Quando cheguei em casa liguei pra Thalia pra saber como estavam as coisas por lá.
-- Ah, todo mundo ta sentindo sua falta, sua feia!
-- Também estou sentindo falta de vocês, esse lugar é um saco e você não vai acreditar!
-- O que? Muitos gatos?
-- Meu quarto é rosa.
Ela caiu na gargalhada do outro lado.
-- Tá, mas e aí? Eu quero saber, e os gatos?
-- Ah, um atacou uma bola de vôlei em mim na praia, e o outro quase me jogou no chão no corredor da escola.
-- Huum, gatos selvagens por aí — nós rimos e conversamos mais um pouco, logo fui me deitar.
No dia seguinte meu pai veio me acordar.
-- Querida! Vamos comprar móveis novos para seu quarto?
-- De madrugada Adam?
-- São duas da tarde.
Depois de ele insistir muito, tive que me levantar e nós fomos juntos escolher novos móveis e comprar a tinta pra parede do meu quarto. Chegando em casa eu mesma pintei as paredes e assim que secou coloquei meus posters. Claro que meu pai ficou louco com aquilo, mas eu nem liguei.
Helena
Voltei pra casa, e fiquei o dia todo trancada no meu quarto. Às vezes eu achava que Ryan não ligava muito pra mim, em como eu me sentia. Isso por um lado era bom, assim ele não ficava no meu pé.
No fim da tarde fui me arrumar pra ir pra escola, eu odiava pentear minhas madeixas azuis, então prendi num rabo de cavalo.
Cheguei na escola, esperava por Ryan, mas aquele viado quase sempre chegava atrasado. Estava sentindo falta do Oliver, a gente estudava juntos desde a quinta série. Eu o conheci na escola, ele era um magrelo esquisito, eu era gordinha e estranha. Um dia, no meio da aula, ele jogou uma bola de papel em mim, acidentalmente. Eu levantei da minha carteira e fui tirar satisfação com ele. A gente saiu no tapa, fomos para a diretoria, e enquanto esperávamos nossos pais chegarem na escola, conversamos sobre música e bandas que gostávamos, desde então ele se tornou o amigo mais próximo que eu tinha.
Então uma garota me destraiu de meus pensamentos, até que ela tinha estilo, como poucas daquele lugar. Ela era novata, usava uma camisa do Metallica, e tinha cabelos longos e negros como a escuridão da noite.Na hora do intervalo, fui procurar por Ryan, e ele falava com a novata. O puxei para a mesa.
-- Eu vi que você acompanhou ela até a porta da sala, e agora estava falando com ela — eu disse — Você não é bom em fazer amizades com meninas...
-- Sei lá, eu fui com a cara dela, ela tem bom gosto, ao contrário das patricinhas daqui.
-- Hum.
-- Está com ciúmes, Helena? Você sabe que odeio isso.
-- Não, não estou — sorri pra ele. Parecia idiota, mas eu fazia tudo o que ele queria, eu tinha medo de perder a única pessoa que tinha do meu lado.
Cheguei da escola, peguei uns cereais e fui pro quarto. Comi e fiquei assistindo séries, até que decidi dormir. Eu me virava de um lado pro outro na cama, mas não consiguia dormir, liguei pro Oli.
-- Porra, Len! Essa hora da madrugada?! — ele falava com voz de sono, eu ria.
-- Ah, seu vadio, ta difícil as coisas aqui sem você, eu só tenho a porra do Ryan!
-- Oh, minha smurf — ele me chamava carinhosamente assim, apesar de smurfs não terem cabelo azul, e sim a pele — Eu também to sentindo sua falta, eu vou te visitar um dia.
-- Venha logo, se não eu vou até aí, e te trago no chute!! — ele riu.
Ficamos conversando um bom tempo, logo ele adormeceu do outro lado e eu desliguei. No outro dia eu acordei já era tarde, fui dar uma volta na orla da praia.
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