The Reason
3 Quando tudo terminar
Helena
Na hora de ir pra escola, percebi que a garota nova na escola morava algumas ruas depois da minha. Fui praticamente o caminho todo atrás dela, parecendo que a perceguia. Chegando na escola, ela entrou, e eu fiquei na porta junto com Ryan e uns amigos dele. Antes que alguém visse, nós fomos para um beco ali por perto, os amigos de Ryan entregaram algumas coisas pra ele e foram embora.
Ele logo me mostrou o que tinha nas mãos, era um pouco de erva e um beck já bolado. Eu sabia que ele usava drogas, mas ele nunca teria usado na minha frente.
–- A gente tem que ir pra escola — eu disse.
–- Desde quando você gosta daquele lugar? Você o odeia tanto quanto eu!
–- Ry, eu acho que a gente...
–- Não! A gente vai ficar aqui! — ele disse, já alterando a voz.
Eu não insisti, e ele pegou o esqueiro e acendeu o beck.
–- Traga aí! — ele disse.
–- Não.
–- Anda, vai ser legal — ele disse, sorrindo. Seu sorriso abria as portas para qualquer coisa, de tão lindo que era.
–- Tudo bem, mas eu não levo jeito pra isso.
Logo alguns amigos do Ryan chegaram com bebidas e gente já tinha fumado tudo. Eu não sentia meu corpo direito, era como se eu não conseguisse controlá-lo. Eu ria, ria muito e não conseguia parar, talvez pelas pequenas alucinações. Mas era bom, era como se tudo tivesse mais calmo, e nem podia lembrar dos meu problemas.
Zoe
No dia seguinte foi tudo a memsa coisa, levei Nico na escola e passei a tarde toda com ele. A tal da Len morava próximo a minha casa. Eu queria falar com ela, mas ela parecia que ia pular em mim se eu falasse algo. Na hora do intervalo eu andava distraída pelo pátio com um livro, quando um menina tão distraída quanto eu esbarrou em mim e derramou suco de laranja em mim.
–- Me desculpe!
Olhei para o livro pra ver se o tinha molhado, e sim tinha o molhado. Então virei-me e sai, era meu segundo dia nessa cidade e eu ainda não havia passado um dia sequer sem levar uma bolada, conhecer uma pessoa estranha e sair da escola molhada. A menina correu atrás de mim, ela fazia o tipo nerd, usava óculos de grau ray ban, blusa de mangas compridas listrada de preto e branco, jeans um pouco folgado e tinha um piercing no lábio. E parecia que se eu desse atenção a ela, ela me seguiria até a morte.
–- Sério me desculpa, eu te dou outro livro.
–- Não precisa!
–- Eu faço questão.
Eu dei de ombros.
–- Meu nome é Jully.
–- Zoe. — falei séria
Nós conversamos por um tempo, ela até que era legalzinha, ela me disse que era da sala do Ryan e que Len e ele eram namorados, disse-me que eles era um casal estranho e me avisou pra ficar um pouco longe, porque Len era ciumenta.
Cheguei em casa e meu pai ainda estava acordado, eu o cumprimentei de longe e subi, dei um beijo em Nico e fiquei deitada pensando, amanhã era meu aniversário e a vida estava sendo injusta comigo, me tirando minha mãe, em seguida da cidade onde eu cresci e me colocado nesse lugar estranho. Eu queria ir embora, queria soluções, queria minha vida de volta. Resolvi sair, peguei um casaco e meu celular e saí. Meu pai apenas ficou me olhando, não disse nada.
Eu não sabia pra onde ir, ja estava tarde também. Fiquei andando e passei por uma rua escura na qual tinha alguma agitação, haviam umas cinco pessoas sentadas no meio fio rodeadas de bebidas e alguns estavam visívelmente drogados. Demorei um tempo pra reconhecer algumas pessoas, vi Ryan, Len e um menino que andava com eles, os outros eu nunca tinha visto. Um dos meninos que estava com uma garrafa de vodka na mão tropeçou e caiu, ficou no chão rindo. Len era a única menina e ela pulava e fazia alguns movimentos sensuais para Ryan que parecia ver gnomos por todo lugar. Eu os observei de longe algum tempo e resolvi sair dali.
No dia seguinte passei a manhã caminhando pela praia, não queria voltar pra casa então decidi que ficaria por lá um bom tempo. Fui até um quiosque e comprei um cachorro-quente, sentei-me no pier e fiquei olhando a água por algum tempo até que alguem sentou-se ao meu lado.
–- Você sempre vem à praia de jeans? -pergunta Jeremy
–- E você sempre aparece do nada pra ficar enxando o saco das pessoas?
–- Eu adoro seu jeito sabia?
–- Você é estranho...
Ele sorri e fica me encarando.
–- Qual a graça? — pergunto
–- De que?
–- De ficar olhando pra minha cara!
–- Gosto do seu jeito, ja disse.
Ficamos em silêncio algum tempo.
–- Não conhece muita coisa por aqui certo?
–- Acabei de me mudar, então acho que não. — respondo
–- Capa Charles é pequena mais tem mais o que fazer do que ficar olhando pro mar o dia inteiro. Vem comigo!
Ele se levantou e meu deu a mão, bem que mal podia fazer eu conhecer um pouco a cidade?
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