The Reason

1 Daqui pra frente



Helena


A cidade onde moro, Capa Charles é tranquila, ao contrário da minha vida, que ultimamente em passado por certas confusões. Meu melhor amigo, Oliver, acho que único de verdade que tenho, nós nos conhecíamos desde pirralhos até agora, no segundo ano do ensino médio, sempre vivemos juntos, e agora não mais, porque os pais dele se mudaram pra outra cidade. Ele era como um irmão pra mim, tinhámos a mesma idade, ele era mais alto que eu, com cabelos castanhos e a franja caindo sobre seus olhos castanhos esverdeados, até que ele era bonito. Mas a coisa que eu mais gostava nele, com certeza, eram nossos gostos parecidos, a nossa banda preferida era Avenged Sevenfold, que no verão passado, nós tínhamos tido a sorte de ir no show.

Oliver era meu porto seguro, eu desabafava, com ele, todos meu problemas em casa e com meu namorado, o Ryan. Este era mais velho, com um corpo mais definido, e muito bonito por sinal. Ele tinha cabelo preto, arrepiado e olhos castanhos penetrantes. Nosso namoro não tinha muito tempo, apenas dois meses, mas esses foram os meses mais conturbados em toda a minha vida.
Meus pais brigavam quase todos os dias, eles ainda eram casados apenas por aparência, pois não se suportavam mais. E a mais prejudicada seria eu, já que eu não podia ficar do lado de um só, mas aquelas discussões me desgastavam. Todas as brigas começavam por coisas pequenas, até chegar o momento que a minha mãe jogava na cara as traições do meu pai. Nada se resolvia.

Eu andava pelas ruas da cidade, e as pessoas me olhavam com certo espanto pelo meu cabelo azul. Andei até chegar no bar em que eu me encontraria com Ryan. Ele estava parado em frente, com sua moto.

–- E aí, gatinha! — ele disse, e me deu um beijo.

–- Vamos entrar? — eu o puxei pela mão.

Entramos, e eu fui logo pedindo um drink.

–- Hey, vai com calma! — Ryan diz.

–- E desde de quando você se importa com isso? Você prefere que eu fique bêbada logo, porque assim fico mais fácil... Eu sei que você pensa isso — eu disse, mas na verdade eu bebia pra tentar distrair minha mente.

–- Okay, mas não abuse.

Depois, quando eu estava bem alterada, fomos pra casa dele.


Zoe


No meio de outubro fui obrigada a morar com meu pai, após morar três anos com minha tia Carolin. Eu e meu irmão Nico ficamos com ela desde o acidente que nos tirou nossa mãe. Minha tia não era uma pessoa ruim, ela até se esforçava para cuidar de nós mais ela tinha apenas vinte e cinco anos e iria se casar, ela disse que nós iriamos a atrapalhar dali pra frente, e decidiu nos mandar para meu pai.

Ele morava sozinho em Cape Charles, na Virgínia, nós não nos damos muito bem, meus pais se divorciaram logo depois que Nico nasceu e nesses oito anos que se passaram eu evitei o máximo de aproximação com ele. Sempre que nos falávamos por telefone ele sempre me criticava por algo, seja pelas músicas que ouço, os livros que leio ou até mesmo a cor do meu cabelo e um ano antes de mamãe morrer ele disse que eu era um desgosto para ele e desde então não falei mais ele. Eu realmente não queria morar com ele, eu adorava Los Angeles, eu ia sair da escola no meio do ano, deixar os meus amigos pra morar com meu pai eu mal podia acreditar nisso.

Carolin e minha melhor amiga, Thalia, me levaram ao aeroporto.

–- Zoe, vê se não vai conhecer muitos gatinhos por lá e esquecer da amiga aqui ta?! — disse Thalia me abraçando.

Demos um sorriso descontraído, mas mão pude conter as lágrimas ao ver tudo o que eu iria deixar para trás.

–- Até parece! Gatinhos? Naquele fim de mundo.

–- Ah deixe de ser pessimista, não deve ser tão ruim assim!

–- Bem é o meu vôo. — abracei as duas novamente — Vamos Nico.

Nico estava eufórico para ver o papai e eu estava completamente fechada, mas tinha que dar um desconto para ele, afinal ele só tinha oito anos e aquele pequeno era tudo oque eu realmente tinha. Eu o abracei forte.

–- Aaaai os meus olhos vão saltar pra fora!

–- Ah pirralho como você é chato. — respondi alisando seus cabelos.

Ele me lembrava muito papai, Nico até que era bem alto pra sua idade, seus cabelos eram lisos e pretos, tinha olhos profundos verdes iguais os de minha mãe. Sempre que eu olhava para seus olhos me lembrava dela, ela era uma mulher incrível, sempre bem humorada e até hoje não sei exatamente no que foi que ela viu em alguém como meu pai. Eu tinha quatorze anos quando ela partira, dois dias antes do meu aniversário, bem hoje fazem três anos que ela se foi. Depois de amanhã farei desessete anos, todos dizem que eu sou muito parecida com minha mãe não só fisicamente mas também no jeito, tenho cabelos compridos e pretos, olhos cor de mel e os dentes separados iguais os de minha mãe.

Meu pai foi nos buscar no aeroporto e assim que nos viu abriu um grande sorriso. Nico foi correndo em sua direção o abraçar. Eu fiquei mais distante e logo ele veio até mim.

–- Oi Zoe! — disse ele

–- Hãn, como vai Adam? — eu não o chamava de pai a muito tempo.

–- Bem, deixa que eu te ajudo com as malas.

No carro eu coloquei meus fones e fiquei calada o trajeto inteiro.

–- E então queria como vão as aulas?

–- Ela não vai responder papai ela esta com fones de ouvido é melhor você desistir! — disse Nico

Eles riram e Nico contava a ele sobre suas proezas na escola e tudo mais e papai ouvia atentamente a tudo fingindo entender. Sua casa era linda e enorme, por um instante fiquei imaginando como ele conseguiu viver naquela casa sozinho por tanto tempo, depois de mamãe ele não teve mais ninguém. A casa era azul bebê, com portas e janelas brancas e ficava a um quarteirão da praia. Nós entramos e ele começou uma espécie de tour pela casa, nos mostrando sua imensa sala com dois ambientes, a cozinha, o salão de jogos, e logo em seguinda indicou onde seriam nossos quartos. Eu não quis ver o resto da casa, queria apenas me instalar logo, meu quarto era rosa e ao ver aquilo fiquei com uma expressão de "eu não acredito nisso", tinha uma suíte, e os móveis eram todos brancos. Arrumei minhas coisas no guarda roupa, e coloquei ao lado da cama o meu baixo. Nico adentrou meu quarto correndo.

–- O papai tem uma quadra de tênis lá atrás. Cara isso é demais!

–- Hãn, legal!

–- Seu quarto é rosa? Nossa é a sua cara. — disse ele rindo.

–- Nico, cai fora daqui agora!

–- Vai com calma com seu irmão, querida. — disse meu pai parado na porta.

Eu o ignorei.

–- Posso entrar? — ele insistiu.

E eu continuei o ignorando.

–- Eu não sabia muito bem o seus gostos, bem arrumei como pude mais se algo não estiver de acordo com seu gosto é só falar.

–- Tipo tudo? Os móveis brancos? A parede rosa?

–- Você quer trocar tudo?

–- Sim! Quero os móveis escuros e as paredes roxas.

Ele me olhou com um olhar de desaprovação, mas apenas assentiu. Bem em outros tempos ele começaria a falar um monte de coisas sem sentido, eu estava estranhando o fato de até agora ela não ter reclamado do meu piercing (no nariz) ou reclamado por eu ter pintado o meu cabelo de preto, bem nem das minhas roupas e da maquiagem carregada ele reclamou. Tá parou com a palhaçada! Quem foi que abduziu meu pai?

Assim que terminei de arrumar as minhas coisas resolvi sair pra dar uma olhada na cidade. Fui até a praia e tudo o que eu via era gostosonas de biquini, se exibindo para uns garotos musculosos que jogavam vôlei de praia.

Me sentei no pier próximo dali e fiquei olhando pra água, tudo o que eu me lembro é de ter visto uma bola em minha direção, e de acordar na areia com um cara loiro, com olhos castanhos e todo suado me olhando com ar de preocupação.

–- Ah, ainda bem que você acordou! Você ta legal? — perguntou o bonitão.

–- O que você acha? Acha que eu to com a cabeça doendo e to aqui jogada no chão porque eu quis?

–- Olha, eu sinto muito pela bola ter pego em você.
Eu me levantei, limpei a areia da roupa e sai batendo os pés.

–- Jeremy! Volta pro jogo cara! — alguém mais atrás gritou enquanto eu estava indo embora

Notas finais
Eu espero que tenham gostado, comentem o que acharam ;3