Notas iniciais
Me desculpem caso encontrem algum erro. Espero que gostem..

– noite três -

– Não precisava ter feito isso, Chad. – Protestei.

– Já fiz. E não tem porque você ficar reclamando. – Ele rebateu enquanto entrávamos no apartamento, com algumas sacolas nas mãos, encharcados pela chuva que castigava o exterior do prédio.

Era um daqueles finais de semanas em que podia ser considerado pecado ter que ir trabalhar, fazer trabalhos de faculdade ou ir a festas de fraternidades. O tempo estava enfurecido, por assim dizer. O céu completamente escuro não emitia sinal algum de que deixaria o sol aparecer por aqueles dois dias, ou mais.

– Mas tudo bem se não me quiser por aqui... – Ele falou enquanto tirava alguns DVD’s da gaveta abaixo da TV.

– Não é isso. Você sabe muito bem... – Sai da cozinha ao terminar de retirar os mantimentos das sacolas e os guardar em seus devidos lugares. Indo até a sala em seguida. Sentei-me no sofá, observando-o revirar os DVD’s.

– Então o que é, Emm’s?

– Não precisava ter trocado os turnos por minha causa.

– Não queria que ficasse sozinha, apenas. – Chad dispôs uma fileira de DVD’s na mesinha de centro entre os sofás e a TV. – E além do mais, esse tempo é ótimo para ficarmos juntos, não?

Fiz que sim com a cabeça, e sorri.

Meus olhos percorreram a mesa de centro, analisando as opções de filmes. Comédias românticas, dramas e...

– Terror? É sério isso? – Encarei-o com uma das sobrancelhas arqueadas. – Você só pode ter perdido o resto de juízo que lhe restava, claro.

Levantei-me, indo em direção ao quarto, tentando fingir que não vi aqueles filmes sobre a mesa.

Calafrios torturavam meu corpo só de pensar que o que quer que estivesse naquele apartamento talvez não fosse só fruto da minha imaginação mesclada com minha covardia infantil.

– Vou tirar essa roupa molhada e tomar um banho quente... Enquanto isso tenta recuperar o juízo ta? Ta.

Ao entrar no quarto me deparo com Chad largado sobre a cama, encarando a tela da TV e o filme pausado ainda no início.

– E aí? – Falei ao desenrolar a toalha do cabelo. Chad lançou um sorriso abobalhado em minha direção. – O que foi?

Ele estendeu os braços, me convidando para se juntar a ele. E assim o fiz.

– O que estamos vendo mesmo?

– Zumbis, Emm’s. Achei alguns filmes ali na gaveta...

Fiz uma careta.

– De todos os males, o menor.

Ele riu e enroscou os braços à minha volta.

A chuva ainda castigava o lado de fora com seus relâmpagos e trovões, quase abafando por completo o som da TV.

Emilly acabou pegando no sono entre o segundo e o terceiro DVD. Agradeci em silêncio por aquilo. Suas olheiras já estavam chamando mais atenção que seus olhos azuis; Sabe-se lá quando fora a última vez em que ela dormira de verdade.

Fiquei acordado por mais um tempo, só para ter certeza de que nenhuma maluquice estava acontecendo por ali.

Ao final do quinto filme me levantei e conferi mais uma vez se as janelas e porta estavam fechadas mesmo. Ozzy me seguiu pela casa enquanto eu fazia a checagem. Voltei para a cama e como de costume a pequena bola de pelos se aconchegou ao pé da mesma no chão.

Acho que não dormi mais do que dez minutos – ou talvez quarenta, mas pareceu-me dez – ao que Ozzy resolveu me acordar com seus latidos agudos, ecoando-os pela casa. Ergui-me um pouco, apoiando-me sobre os cotovelos pressionados contra o colchão. A porta entreaberta deixava uma boa quantidade de luz invadir o quarto, luz essa que vinha do corredor. Pude ver o pequeno Ozzy parado um pouco antes da porta, montando guarda, rosnando ferozmente para o que quer que fosse que estivesse dentro do quarto.

Nisso Emilly acabou acordando. Quando ela ergueu a cabeça, procurando avistar Ozzy, pude ouvi-la arfar e senti-la retrair rapidamente os pés do fim da cama, num movimento desesperado quase me derrubando da mesma. Em seguida seus braços se enroscaram em mim, agarrando-me. Esperei que ela dissesse algo, mas nenhuma palavra se atreveu a sair de sua boca.

Quando meus olhos se acostumaram ao escuro pude ver o que lhe causara tal reação. Ele estava agachado um pouco antes do pé da cama, camuflando-se nas sombras que a porta entreaberta produzia dentro do quarto, nos encarando.

Era possível ouvir o piso ranger com o peso do seu corpo sendo posicionado um passo adiante. Dois passos. Três passos...

– Ch-Chad... – Emilly choramingou baixinho.

O facho de luz bateu sobre ele e sua aparência fez com que meu corpo estremecesse do pior jeito possível. Seus olhos negros estavam fixos em mim. Pude ver sua feição mudar em segundos, como se um sorriso satisfeito tomasse lugar em seu rosto.

Ele se aproximou mais alguns passos, ficando a poucos centímetros da Emilly; Senti-la tremer.

O que quer que fosse aquilo, não parecia ser real.

Ele estendeu um dos braços raquíticos – que mal parecia ter força para qualquer coisa – a fim de tocar a perna dela. Levantei-me num pulo, como se pudesse o impedir e ele começou a rir enquanto corria corredor a fora, como um animal sobre quatro patas. Ozzy latiu algumas vezes para a criatura, mas logo fora interrompido e seu latido se transformara num choramingo cruciante.

Por mais rápido que eu fosse, o corredor parecia estar milhas a minha frente; Quando, finalmente, cheguei ao mesmo me deparei com um pequeno rastro de sangue que ia de encontro à porta da frente, que estava aberta. Em um último instante meus olhos conseguiram ver o vulto da criatura deixando o apartamento, carregando consigo o pequeno Ozzy.

Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos :)