Notas iniciais
Me desculpem caso encontrem algum erro. Espero que gostem..

– noite quatro -

Ainda estava atordoada pelo o que ocorrera na outra noite. Chad só podia ser louco por conseguir passar os dias naquele apartamento. O quanto mais longe eu pudesse ficar de lá, eu ficaria. E no momento as provas eram uma ótima desculpa...

Foram três longas provas. Sai dá faculdade pouco mais que 19h30 da noite.

Por mais que eu quisesse ficar zanzando pela rua até não aguentar mais, forcei-me a ir para casa. Chad estava lá e sabe-se lá Deus que loucura poderia acontecer.

Durante o percurso de volta para casa minha mente imperativa fez o favor de embriagar-se com os piores filmes de terror que eu sequer lembrava que existia, mesclando-os com os fatos ocorridos nas últimas semanas.

Certamente eu estava prestes a provar que, de fato, alguém poderia morrer de medo.

Ao que eu ia me aproximando do bairro em que eu morava pude avistar algumas sirenes agitadas, sem contar os dois carros de polícias que passaram por mim quase atropelando tudo que estava pelo caminho.

Senti um arrepio gélido subir pela nuca fazendo com que meu corpo congelasse no mesmo instante, porém ao mesmo tempo meu pé afundou no acelerador como se soubesse que não chegaria a tempo.

Oh Chad...

Saltei para fora do carro no mesmo instante em que o estacionei de qualquer jeito no meio da rua. Meus olhos tentavam acompanhar a cena que parecia se mover rápido demais diante de mim.

Aproximei-me do senhorio, que despejava palavras enquanto um cara de uniforme tentava anotar tudo em um bloco de papel. Assim que seus olhos me encontraram, pude ver um desespero atravessar o mesmo.

– Senhorita Emilly... – Disse ele e sua voz falhou.

– O que está acontecendo aqui, Senhor Wallace? – Perguntei, segurando o choro que estava prestes a sair.

Ele abriu a boca para dizer algo, mas não o fez.

Pisquei algumas vezes, as vistas meio turvas, senti algo quente escorrer pelas bochechas.

– Tinham tantos gritos... E quando entraram...- A voz dele sumiu por completo e eu saberia que não voltaria.

Quando dei por mim as lágrimas estavam jorrando pelo meu rosto e minhas pernas ameaçavam ceder a qualquer instante.

Senti alguém me tomar em seus braços, mas não eram braços familiares. Não eram os braços do Chad.

Oh Chad...

ALGUMAS HORAS ANTES...

Depois da péssima noite que tivemos no outro dia, eu não tinha a mínima vontade se sair da cama... Ou de casa tão cedo. Ao contrário da Emilly, que sempre saia o mais rápido que podia.

O rosto inchado como efeito colateral por ter chorado quase toda noite. A cabeleira preta desgrenhada que ela não fizera questão de pentear. E uma sobreposição de roupas, apressada.

– Emilly?

– Lembra-se das provas? Não posso perder...

– O.k.

– Volto mais tarde, vai ficar bem?

– Claro! Boa sorte, garota... – E essa foi à deixa para que ela fosse embora outra vez.

Minha mente estava à beira da loucura revivendo tudo o que acontecera na outra noite, diversas vezes seguidas. Era difícil acreditar que tudo aquilo era real. Como poderia ser?

Chamei pelo Ozzy algumas vezes – demorei um pouco para perceber que estava gritando –, mas mesmo assim a pequena bola de pelos não deu indícios de que iria aparecer. E nunca mais apareceria.

෴

Fiquei largado no sofá o dia todo, por assim dizer.

Algumas estrelas já pontilhavam o céu que ia escurecendo os poucos.

Minhas pálpebras cansadas pediam para baixo de segundos em segundos, mas uma sensação medonha não me deixava dormir. Medo? Era isso? Mas até a alguns dias eu não acreditava naquela baboseira toda, até tirei sarro da Emm’s por isso.

– Me perdoa, Emilly... – Supliquei baixinho, ainda que estivesse sozinho no apartamento.

Por um instante o pequeno apartamento ficara completamente em silêncio.

Olhei em volta e era possível ouvir ao longe latidos fantasmas da pequena bola de pelo que costumava ficar correndo por ali. Um calafrio percorreu pelo meu corpo, fazendo-me tremer.

Ouvi a madeira ranger de leve. O barulho parecia vir do quarto, o que não era possível, pois não tinha ninguém ali além de mim.

Desviei minha atenção para a TV em minha frente, que estava ligada num canal qualquer e o volume perto do mínimo. Forcei-me a não pensar em nada que pudesse me fazer enlouquecer de medo; Meus olhos acompanhavam as imagens que se moviam em minha frente, mas minha mente não estava prestando muita atenção naquilo.

Novamente escutei o piso ranger atraindo minha total atenção para o quarto, que estava com a porta entre aberta. Meus olhos fixos no vão negro que dava para o quarto.

Tentei levantar do sofá e ver o que era aquilo, talvez fosse apenas minha imaginação perturbada. Mas não, eu não tinha coragem.

Outra vez o piso acusou que havia movimento dentro do quarto vazio. E era como se alguém corresse de um lado para o outro, o piso rangendo sob seus pés produzindo um barulho realmente assustador.

– Quem está aí? – Gritei. O corpo quase congelado de medo.

Em resposta uma risada sinistra, quase infantil, rodopiou quarto a fora me atingindo de tal forma que me deixou sem fôlego.

Juntei o resto de força e coragem que eu tinha – se é que tinha me sobrado alguma coisa – e levantei do sofá, indo em direção à porta da frente em meio a alguns tropeços. Dessa vez uma risada debochada ecoou do quarto como se zombasse de mim.

– Chad, Chad... Chad.

Senti minhas pernas vacilarem, como se não tivessem mais força para me manterem em pé. Para me levar para longe dali.

Aquela voz.

Minha mão trêmula tentava abrir a porta, mas a maçaneta parecia ter vontade própria e com certeza não estava a fim de ser aberta naquele instante.

– Droga... – Murmurei. – Qual é, vamos lá, maldita porta.

O pisou voltou a ranger... Um, dois, três passos para fora do quarto.

Meu coração parecia querer entrar em colapso, mas eu não tinha tanta sorte assim.

– Um, dois... O Rake vai te pegar. – Cantarolou com aquela voz que parecia rasgar sua garganta a fora. – Três, quatro... Está chegando sua vez de brincar.

Meu corpo estremeceu e eu já estava quase para derrubar aquela maldita porta. Bati algumas vezes contra a mesma e gritei por ajuda, mas ninguém apareceu. E ele apenas ria, parecendo se divertir com o show protagonizado por mim.

– Um, dois... O Rake gosta do que vê. – Novamente a voz perturbadora produzia sua própria cantiga. – Três, quatro... O Rake está perto de você.

O apartamento estava escuro, e era difícil ver qualquer coisa ali. Eu não o via e isso era agoniante.

Vez ou outra o piso rangia e eu sabia que ele vinha em minha direção.

A TV ainda estava ligada, mas sua luz não era suficiente para iluminar o cômodo todo. Droga.

– Um, dois... Se eu fosse você começaria a gritar. – Sua voz rodopiava pela minha mente e senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Queria ao menos dizer a Emilly que ela estava certa, e que eu fora um idiota por não ter acreditado nela desde o começo. – Três, quatro... Não adianta, eu vou te matar!

Antes que eu pudesse gritar senti seu corpo contra o meu – que para alguém raquítico era até forte demais – e então...

Gritei de dor, que mais poderia fazer? Gritei, gritei, gritei...

O ser até então desconhecido tinha certeza do que fazia, pois pulará em Chad num bote perfeito, cravando-lhe os dentes e arrancando-lhe alguns pedaços, retalhado o pobre garoto sem dó.

– Chad, Chad... Chad! – Falou em meio a risos e o rosto lambuzado de sangue, satisfeito pelo feito.

Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!