The Quarterback
2 Capítulo 1 - Come Together
Notas iniciais
Minha vida anda meio bagunçada então não sei datas fixas para postagem, mas vou tentar atualizar em 4 ou 5 dias.
Se quiserem mandar sugestões ou músicas que lembrem algum dos personagens me chamem no twitter @beatlesfckr, spoilers as vezes são bem vindos kjdakjdas
É isso, espero que gostem
Era mais um dia de aula em que eu acordo desesperada, porque é assim que as coisas funcionam: pegar a primeira camiseta jogada no chão, engolir alguma coisa não identificável para o café e sair antes mesmo de respirar.
Assim que abri a porta, me arrependi amargamente de estar usando uma camiseta sem mangas, pois típico frio londrino fazia meu nariz congelar. Peguei um casaco que não parecia ser meu em cima do sofá e saí o mais rápido possível. Olhei para a universidade que ficava exatamente em frente a minha casa e praguejei sobre como conseguia me atrasar nessas condições. Com isso eu quero dizer, que tipo de pessoa consegue acordar atrasada e morar em frente ao campus?
Tentei atravessar a rua, mas quase fui atropelada, como sempre acontecia por ser desajeitada demais para andar pelas ruas. Como posso falar? Noah Collins não era a raça mais equilibrada e decente de ser humano. Atravessei o grande portão de metal que suportava o peso de um urso panda gordo, símbolo do time de futebol americano que representava a universidade. Sempre achei isso altamente cômico.
Caminhei pelo meio de todo o time de jogadores acéfalos e suas líderes de torcida siliconadas sobre carros luxuosos que tocavam músicas de má qualidade, tudo isso porque o pátio estava interditado por aquela sociedade com deficiência nos neurônios. Arrastei-me enquanto reclamava da vida em geral. Subi a escada ofegante, como um fumante em uma maratona, passando por entre grupinhos de cantores universitários e roqueiros alternativos. Em geral, eu não me encaixava em nada, e nem estava a fim disso. Entrei na sala de número duzentos, procurando Erin, minha melhor amiga. Corri os olhos por todos na sala e não vi rostos conhecidos. Antes que pudesse fechar a porta e sair como se nada tivesse acontecido, meu celular tocou ao som de Come Together, dos Beatles, chamando a atenção de todos ali presentes. Nunca xinguei tanto mentalmente.
– Com licença, senhorita, o que deseja? – uma velha com uma verruga que mais parecia um semáforo no canto da boca veio sorrindo em minha direção com seus dentes manchados de café.
– Onde está o professor Richards? – fiz a pergunta sem pausa para respiração.
– Essa é a sala de número duzentos, o senhor Richards não dá aulas aqui.
Tentei não morrer de vergonha enquanto me desculpava e saía da sala. Entrei na sala ao lado orando para todos que pudessem me ouvir que fosse a sala certa. Abri a porta com todo cuidado do mundo, coloquei metade do meu rosto para dentro e espiei. Passei por punks com lápis de olho e cabelos coloridos, ‘’it girls’’ discutindo sobre maquiagem, um asiático rindo com uma conta de matemática do tamanho da muralha do seu país, aquele tal de China, o lindo Cory Pitters, nerds tirando meleca de seus narizes e uma garota de olhos absurdamente pretos e cabelos vermelhos incandescentes. Sorri ao localizar Erin em todo o seu mau humor matinal e me dirigi em direção a ela.
– O que aconteceu? Você está péssima. – minha amiga tinha uma enorme habilidade para me fazer sentir melhor.
– Me. Atrasei. Depois. Explico. – disse fazendo longas pausas para criar certo drama.
Ela riu como sempre fazia quando eu me metia em encrencas. O professor entrou na aula cinco segundos depois de eu conseguir me controlar, sorrindo como se tivesse tido uma boa noite de sono. Ou de sexo.
– Bom dia queridos alunos. – ele sorria como se tivesse ganhado na loteria.
Sexo.
– O assunto a ser tratado hoje em nossas aulas é... Noah, você está bem?
Olhei para trás furtivamente e Erin sorriu para mim como se não ouvisse a conversa.
– Estou sim, professor. Por que a pergunta?
– Vejo que a senhorita se atrasou um pouco para a aula. – ele deu uma gargalhada que seria gostosa e cativante se ele não estivesse rindo de mim.
– O que quer dizer? – tentei manter a voz firme.
– Olhe para a sua blusa, senhorita Collins. Vá se endireitar no banheiro.
Havia colocado minha blusa ao contrário. Onde deveria estar escrito ‘’sex pistols’’, lia-se algo como ‘’slotsip xes’’. Dei uma risada e pedi licença. Dirigi-me ao banheiro e arrumei a blusa, sem deixar de olhar para meus seios avantajados. Sou hétero, mas seios bonitos, principalmente os meus, me chamam a atenção. Quando me olhei no espelho percebi o quão precioso é olhar para si mesma por pelo menos dois segundos antes de sair de casa. Meu cabelo estava emaranhado, com pequenos fios arrepiados que foram apelidados carinhosamente por Erin de ‘’pentelhos’’. Ajeitei-me o mais precisamente possível e deixei o banheiro em passos lentos.
– Infelizmente nossa aula já está concluída, pois tenho que ir ao hospital ver minha esposa... – dizia o professor quando entrei.
Ele esbarrou o braço em mim numa atitude que considerei proposital e desnecessária e deixou a sala.
– O que temos agora? – perguntei em um bocejo.
– Gostaria de dizer festa, mas infelizmente não. – Nicholas surgiu me fazendo dar um pulo da cadeira.
Nicholas era um grande amigo. Quero dizer, realmente grande. O cara era muito alto, cerca de dois metros, bonito e forte, com grandes olhos castanhos e cabelos tão pretos que eram quase azuis. Ele poderia ser uma pessoa que eu desejaria, se descontasse o fato de que ele é gay.
– Noah, querida, o que houve com seus cabelos? Estão desidratados e cheios de pontas duplas.
– Pare de viadagem, Nick. – queria parecer brava, mas não consegui deixar de sorrir. – Você está super atrasado, o que aconteceu?
– Uma princesa nunca está atrasada, seus súditos é que chegam cedo demais. – Ele sorriu e acenou como uma miss. Estava cada vez mais difícil de esconder seus hormônios.
Dei uma gargalhada longa que só foi interrompida pelo alarme que indicava o fim da primeira aula. Despedi-me brevemente dos meus amigos e me dirigi ao quadro de avisos que ficava no primeiro andar, logo ao lado da secretaria. Olhei para o quadro atenciosamente enquanto lia as opções de atividades curriculares. Passei o dedo por diversas atividades que não me causavam um pingo de interesse. Peguei um papel que dizia ‘’marcenaria’’ e outro com ‘’futebol americano’’. Não me entendam mal, eu sou uma mulher, mas fui criada por um pai que me levava a jogos e me ensinava a fazer casas para pássaros. Eu só não sei agir como mulher, e isso talvez explique meu interesse por seios e cerveja.
Fui até a sala de marcenaria, onde me dirigiram um olhar solidário ao dizer que todas as vagas já haviam sido preenchidas. Agradeci e fui até o ginásio. Assim que pisei no gramado, cerca de vinte pares de olhos me encararam como se eu fosse um prato suculento de hambúrguer. Eram fortes e estavam suados, mas isso não os deixava menos atraentes. Eles tirariam o fôlego de qualquer menina. Eram praticamente deuses gregos, mas apenas quando estavam de boca fechada, eu conhecia bem daquele tipo. Andei em direção a eles sem vacilar, embora minhas pernas desengonçadas cismassem em querer me fazer tropeçar.
– Com licença, o senhor é o treinador Bass? – dirigi-me ao homem mais velho e severo diante de jovens cheios de anabolizantes e sorrisos maliciosos.
– Sim, sou. Posso lhe ajudar?
– Eu gostaria de saber se há alguma vaga no time de futebol americano.
– Se o seu irmão mais velho tiver um pouco de prática, ele entra no time, caso contrário, ele pode ser o cara das toalhas. – até mesmo o treinador tinha aquele ar de viciado em anabolizantes.
– Não senhor, é para mim. – sorri da forma mais doce possível e coloquei as mãos na cintura, fazendo pose de “mamãe, sou forte”.
O time inteiro gargalhou. James, o mais cheio de músculos e menos inteligente de todos se aproximou de mim. Digo, ele ficou tão próximo de mim que sua respiração balançava meu cabelo de leve. Encarei aqueles olhos verdes que não diziam nada e segurei o olhar pesado que ele exercia sobre mim.
– Eu sei que você quer ficar bem perto da gente, mas campo de futebol não é lugar para mulherzinha. – ele sorriu e deu mais um passo em minha direção, encurtando a distância entre nós para menos de dois centímetros.
Quando achei que ele estava prestes a me dar um beijo e eu lhe devolveria um soco, o treinador o interrompeu e soltou uma pequena risada nervosa.
– Sinto muito senhorita, mas não temos vagas para mulheres por aqui. A não ser que queira lavar toalhas. – ele riu e todos os acéfalos riram juntos. Era como um jogo de ‘’o mestre mandou’’.
Sorri sarcasticamente, o que era a minha especialidade. Soltei um ‘’não, obrigada’’ e me dirigi à porta de saída. Enquanto andava ouvia assobios e cantadas que me deram vontade de me jogar da ponte mais próxima. Sério, eu não mereço ouvir isso.
Encontrei Erin a cem metros de distância, comendo uma barra de cereal de sua nova dieta de baixas calorias.
– Pelo visto eles não curtem seios no campo. – suspirei dramaticamente.
–Eles são gays? – Erin estava calculando quantas gramas engordaria com aquela barra, grunhiu, dizendo coisas que não condizem com a realidade.
– Erin – chamei atenção dela e fiz uma careta para ela se tocar do que ela estava falando.
– O que você está dizendo?
– Fui ao campo de futebol americano perguntar se me aceitariam no time e aqueles animais comedores de barras de proteínas riram da minha cara.
Erin riu e saiu andando com sua barra, fazendo a contagem de calorias com os dedos. Fiquei encarando o espaço onde antes estava minha melhor amiga por um tempo, tentando achar uma solução. Eu precisava de uma atividade extracurricular ou não me deixariam concluir a faculdade.
Fui novamente ao quadro de avisos e olhei, olhei e olhei. Todas as oficinas eram chatas demais, paradas demais, sem graças demais. Assisti ao resto das aulas sem dar a mínima para o que o professor falava. O alarme soou e todos se levantaram. Continuei naquele estado vegetativo, pois a posição estava boa demais e não queria me levantar. Erin e Nick se aproximaram me sacudindo e dizendo que era hora de irmos para casa.
Atravessei a rua que parecia uma estrada de milhões de quilômetros enquanto os garotos do time de futebol americano riam da minha cara. Ignorei-os enquanto tentava não morrer congelada. Entrei em casa e conectei meu iPod nas caixas de som. Enquanto ouvia uma música qualquer no último volume, peguei um saco de batatas fritas e me deitei no sofá. Não sei quanto tempo fiquei nesse estado, mas só levantei para pegar uma lata de cerveja e outro pacote de batatas.
Comecei a pensar na atividade extracurricular e aquilo me deixou realmente estressada. Pensei no quanto seria bom ter um pênis, a vida seria bem mais fácil. Talvez eu pudesse fazer uma troca de sexo. Estava refletindo em como seria chato ter que cortar todo o meu cabelo quando uma ideia surgiu na minha mente e me fez ajoelhar e agradecer a Zeus por ser tão maravilhoso na minha vida. As casas de passarinho e os jogos de futebol nas tardes de domingo tinham que servir para alguma coisa, afinal.
Notas finais
O que será que vai acontecer? Será que a Noah vai conseguir entrar no time? hmmmmmmmmmmmmm
Não deixem de mandar reviews, eu amo tipo demais jkdasjdah
Capítulo betado por Reet, obrigada juslea ♥
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