The Quarterback

3 Capítulo 2 - Eu sou o cara!


Notas iniciais
Olá amoures, esse capítulo ficou meio muito grande, espero que não se incomodem jkdasjkdas
Quero agradecer por todas essas reviews lindas e pela recomendação perfeita da Annie [u/244448], obrigada por ter colocado fé na minha história, esse capítulo é pra você ♥3
espero que gostem porque dediquei grande tempo a esse capítulo em especial, porque é onde a magia acontece muahahahah
enjoy

Pela primeira vez na vida não acordei mal humorada ou atrasada. Levantei e peguei uma roupa qualquer. Desliguei meu iPod que ainda tocava músicas aleatórias e reparei o quanto eu parecia um daqueles gordos americanos que só comem fast food e assistem jogos na TV. Minha pequena casa estava virada de cabeça para baixo, com milhões de latas de cerveja espalhadas pelo chão e pacotes de batata que iam explodir se pisassem neles. Eu deveria arrumar aquela bagunça, mas apenas deixei tudo de lado e saí. Fui até a cafeteria mais próxima e pedi algo bebível. Enquanto ia em direção da universidade, esbarrei em uma montanha que me fez cair de bunda no chão e derrubar todo o café em cima dele.

– Ei! Você não olha por onde anda? – minha voz estava estridente.

– Por que tenho a impressão de que você está me seguindo?

Quando olhei para cima, aquela montanha de músculos altamente atraente não me era estranha. Era James, o mesmo que eu já odiava antes e agora odiava ainda mais por derrubar meu café intacto.

– Que tal me ajudar a levantar? – já estava quase gritando.

James revirou os olhos, mas fez o que eu disse em minha indireta bem direta.

– Obrigada – falei e já estava seguindo meu caminho quando ele me parou.

– Não vai me pedir desculpas? – ele tinha um sorriso irônico nos lábios bem delineados.

– Acho que talvez em uma próxima vida, não nessa.

Encarei–o como um senhor feudal encararia seu vassalo (acho que eu estava prestando muita atenção nas aulas de história) e segui meu caminho, lamentando não ter dado nem um pequeno gole no meu precioso café. Cheguei até a universidade cantando uma música qualquer mentalmente enquanto procurava Erin. Se qualquer dia você vier visitar essa universidade e achar um sinalizador vermelho sangue no meio da escola, você encontrou Erin. Seu visual de hoje era basicamente um ponto de referência, pois ela se sobressaía onde quer que passasse.

– Aí está você! Que roupa é essa?

– Estou tentando coisas novas, você sabe. A moda anda em constante mudança.

– Erin, você está parecendo um sinalizador.

Erin deu a risada mais forçada inventada pelo homem e saiu desfilando pelo corredor. Às vezes penso que ela tem algum tipo de distúrbio, de verdade. Segui meu caminho até o vestiário masculino, que ficava do outro lado do campus. Sim, o vestiário masculino.

Tentei me camuflar por entre as plantas e árvores, mas isso não dá muito certo quando você pisa em gravetos e tropeça em raízes. Depois do que pareceu uma eternidade, cheguei ao vestiário e me senti uma verdadeira agente 007 ou algo do tipo. Tudo bem que estava praticamente vazio, mas ainda sim tive que me esconder de alguns jogadores que se batiam como animais e o treinador que, bom, estava tendo uma conversinha com a moça da biblioteca com todas as segundas e terceiras intenções.

Prendi a respiração e desejei ser invisível mentalmente umas mil vezes quando passei por um corredor no vestiário e James Parker estava tirando sua camisa suada com seus músculos suados e atraentes nos quais eu poderia repousar minha cabeça depois de uma longa noite de amassos e...

Acordei do transe a tempo de me agachar ao lado do cesto onde ficavam os uniformes do time e sentir o odor mais tóxico de toda a minha vida. Peguei a camisa de número doze, meu número da sorte, juntamente com um capacete e ombreiras. Deixei o vestiário e coloquei todo o material na minha pequena bolsa que agora parecia um esconderijo para uma bola de basquete. Corri até minha casa, mas não antes de quase ser atropelada novamente. Incrível como os carros não pareciam me ver.

Coloquei o uniforme na máquina de lavar roupas enquanto prendia meu nariz com um prendedor de roupa, na tentativa de não respirar o cheiro de estrume que saía daquelas vestimentas. Enquanto esperava que a roupa fosse lavada e seca, aproveitei para dar uma renovada na casa, pois logo meu novo colega de casa chegaria.

Nunca o tinha visto e nem sequer sabia seu nome, mas nos encontraríamos dali a uns vinte minutos e ele provavelmente gostaria de ver a casa. Certifiquei–me de que tudo parecia habitável e fui encontrar o homem que dividiria aquele cubículo comigo pelos próximos cinco anos. Isso se ele me aguentasse.

Fui até a praça que ficava a uns cem metros da faculdade e de minha casa e esperei. Esperei no mínimo por uma hora e já estava quase desistindo de ficar ali quando o homem mais lindo que habitava a Via Láctea parou bem diante dos meus olhos. Ele tinha olhos azuis penetrantes e cabelos pretos que estavam bagunçados ao vento. Sorriu para mim e pensei que ele fosse seguir seu caminho, mas simplesmente se sentou na cadeira ao meu lado enquanto eu tentava segurar meu queixo que estava a ponto de soltar do maxilar e cair no chão.

– Você deve ser Noah, certo? Eu sou Cory Pitters.

Respirei por cinco segundos, pois sabia que se falasse algo começaria a gaguejar e balbuciar, pois Noah não sabe fazer nada direito.

– Sim, sou eu. É você quem está procurando uma nova casa?

– Eu mesmo. Poderia dar uma olhada antes?

Conversamos no pequeno trecho que se estendeu até minha casa, em breve nossa. Estava perplexa demais para puxar qualquer assunto, então geralmente assentia ou respondia com palavras curtas.

– Então Noah, do que você está fazendo faculdade?

– Estou no primeiro período de medicina, e você? – eu sabia claramente que faculdade Cory Pitters estava cursando, mas ele me acharia assustadora se respondesse por ele.

– Também faço medicina.

– E desse jeito você vai acabar matando suas pacientes.

Não sei qual tipo de distúrbio mental eu tenho para soltar um tipo de frase/cantada dessas para aquele deus grego. Estava prestes a colocar minha cabeça no bueiro que pairava aberto a poucos metros de nós, mas Cory apenas riu e chacoalhou o cabelo com as mãos.

– Bom, esta é minha casa. Não repare na bagunça – disse assim que entramos. Achei que tudo estivesse arrumado com minha faxina, mas a casa continuava uma bagunça. Ele sorriu de aprovação, como se gostasse de todo aquele caos. Deu uma olhada no que seria seu quarto e também nas áreas comuns, e quando chegamos ao banheiro agradeci mentalmente por ter me lembrado de colocar os absorventes no armário.

– Me parece uma boa casa – ele dizia enquanto olhava para o aquário que costumava estar cheio de peixinhos coloridos antes de acidentalmente eu matar todos, um por vez.

– É um pouco bagunçada, mas acho que você consegue se acostumar ao caos.

– Gosto de caos – ele disse sorrindo e olhando bem no fundo dos meus olhos, e por uma fração de segundo pensei que ele pudesse estar flertando comigo.

– Quando posso me mudar para cá? Vai ser ótimo morarmos juntos.

“Vai ser ótimo você na minha cama”, pensei, mas rapidamente afastei esse pensamento de minha cabeça.

– Amanhã é quarta feira e a faculdade para de funcionar às duas da tarde por conta das reformas, posso ajudar você a partir daí.

– Ótimo, te encontro às duas aqui na frente, certo?

Assenti e lhe entreguei uma cópia de minhas chaves. Ele deixou a residência com um breve aceno de mão, e antes que pudesse me deitar em minha cama e enroscar-me como um caracol enquanto pensava na beleza de Cory, lembrei-me do meu compromisso.

Tirei o uniforme da máquina, e milagrosamente ele estava seco. Voltei para a faculdade com um ar confiante e disposta a conseguir minha pontuação no curso. Fui ao banheiro mais próximo e apressei-me em colocar o uniforme que não roubei, que isso fique bem claro, apenas peguei emprestado sem prazo de devolução. Saí do banheiro e me achei bem convincente quando somente garotas olharam para mim. Talvez eu fosse gostoso na minha forma masculina. Entrei no campo de futebol americano pisando forte, capacete firme na cabeça.

–Ei cara, o que está fazendo de uniforme? As camisas são apenas para quem é do time! – a recepção que tive foi calorosa, observe.

– Gosto sempre de usar todo o equipamento, cara. Para proteção. Cara. – tentava soar como um homem, mas minha voz saía mais como a de um garoto afeminado.

Quando o garoto estava prestes a me obrigar a tirar o uniforme, o treinador entrou no campo e pediu para os candidatos a novos jogadores se alinhassem. Fiquei entre dois homens de tirar o fôlego, e ambos olhavam para mim como se fosse uma alienígena. Digo, um alienígena. Macho.

– Hoje escolheremos apenas dois de vocês para fazer parte do nosso time. Para ser um panda, é necessário força, determinação e um pouco de beleza também. – todos os jogadores deram uma risada como se fizessem parte de uma novela de galãs.

O treinamento começou e logo na primeira jogada todos os jogadores caíram em cima de mim por estar com a bola. Queria gritar como uma menininha pedindo para que saíssem de cima do meu peito, mas me contentei com um “sai, porra”. Driblava facilmente todos os jogadores por ser menor que eles e mais ágil, enquanto corria com a bola e fazia inúmeros pontos.

Minha habilidade estava visível a olhos nus. Todos os jogadores aplaudiam meus touchdows e minha facilidade de me deslocar por entre aquelas montanhas. De vez em quando, reparava James Parker me olhando fixamente, como se pudesse me paralisar com o olhar.

Depois do que pareceu uma eternidade, o treinador pediu que parássemos, pois ele já tinha decidido quem entraria no time. Meu coração disparava e minha respiração estava ofegante, pois apesar do jogo cansativo, estava me arriscando.

– O primeiro a integrar nosso time é Dan Morgans, parabéns. – Dan sorriu e começou a pular com seus amigos enquanto batiam o peito uns nos outros, parecendo animais.

– O segundo é o... – ele tinha dificuldade de ler – é o numero doze, Nooh?

– É Noah, treinador. – estava ficando boa em fazer voz masculina.

– É, sim, Noah. Parabéns.

Agradeci à minha mãe mentalmente por ter me dado um nome unissex. Nunca pensei que precisaria utilizá-lo como nome de homem. Fizeram comigo o mesmo que com Dan, mas eu desviava um pouco de seus peitorais malhados pelo fato de ter seios que doíam um pouco demais.

– O treino começa amanhã, às sete e meia da manhã. Não se atrasem.

Com essa frase primordial o treinador deixou o campo, e eu já estava fazendo o mesmo quando James me gritou e eu congelei.

– Ei, Noah! NOAH! – ele veio correndo em minha direção e achei que tinha sido descoberta, pois sua expressão não era a das mais agradáveis. – Ei cara, não está a fim de comemorar? Vamos ao Boom esta noite.

– O que é Boom? – perguntei como uma anta.

– Como assim cara, você é novo na cidade? Boom é o melhor ponto de garotas fáceis e bebidas baratas de toda Londres.

Se fosse bom mesmo eu já teria ouvido falar, mas não me sujeitaria a ir numa espelunca dessas, ainda mais porque tinha ovários!

– Ah não vai dar... cara. – tinha de aprender os macetes de como falar como homem. – Tenho um compromisso mais tarde, fica para a próxima.

– Tudo bem então, até amanhã.

Eu deixei o campo o mais rápido que minhas pernas aguentavam correr e troquei de roupa no vestiário, deixando o uniforme dentro da minha bolsa e aproveitando que todos os outros jogadores ainda estavam no campo.

Passei o resto do dia esperando para dar essa notícia a Erin e Nicholas, meus grandes confidentes.

– Vocês não vão acreditar! – cheguei ao refeitório com minha bandeja lotada de comida nojenta e por pouco não comestível. – Consegui a vaga no time de futebol americano, não é o máximo?

– Como é que é? – Erin e Nicholas perguntaram ao mesmo tempo, se certificando de que estavam ouvindo bem mesmo ou estavam delirando.

– Vocês já podem começar a fingir que eu tenho um pênis – me exaltei e comecei a contar tudo que havia ocorrido e todo o plano que eu havia planejado.

Passamos todo o intervalo conversando sobre o time e meus dois amigos fizeram uma aposta sobre quanto tempo eu resistiria no time, considerando o fator sexual, físico e disposição. Consideramos sair para comemorar à noite, e voltamos para as aulas com tédio expressado nos olhos.

Ao final do dia, fui até meu armário pegar uns livros e o uniforme do time de futebol, que não poderia deixar ali em hipótese alguma. Enquanto revirava minha pequena bagunça, James Parker veio caminhando em minha direção com seus dois comparsas do mal, quer dizer, amigos, e abriu seu armário, que numa infeliz coincidência, ficava exatamente ao lado do meu.

– ... no Boom, então eu chamei o Noah...

– O que? – meu sangue congelou e prendi a respiração no momento em que ouvi meu nome da boca sensual daquele cara. Imediatamente, os garotos me encararam como se eu estivesse ficando louca, e eu provavelmente estava, pois James não sabia meu nome até o atual momento.

Estava pegando o último livro e escondendo o uniforme por baixo de casacos e cacarecos quando aquela linda montanha musculosa fechou seu próprio armário e se voltou para mim. Droga, eu havia chamado atenção! Ele me olhou e franziu a testa, parecendo confuso. Ele foi se aproximando, fechando a porta do meu armário com sua mão para dar espaço para seu corpo bem perto do meu. James chegou o mais perto que pode se chegar de uma pessoa sem acidentalmente beijá-la, e ficou analisando cada pedaço do meu rosto. Meu coração estava disparado, ele não podia me reconhecer, isso era impossível, eu estava de capacete. Passei a língua pelos lábios, nervosa. Respirei fundo e criei coragem para fazer uma pergunta que provavelmente me renderia um baita arrependimento.

– O que foi? – minhas mãos estavam trêmulas.

– Nada, só te achei um pouco familiar – ele tinha um sorriso convencido no rosto, seu cartão postal – Fora as patadas que você me deu nos últimos dois dias, já nos vimos em outro lugar?

– Nos seus sonhos eróticos? – terminei de fechar a porta do armário e pisquei de modo inconveniente para que ele percebesse que não me incomodava com sua presença. A verdade é que me incomodava muito.

Oqueixo de James caiu, seus comparsas morderam os lábios e aplaudiram minha audácia. Ele tomou uma expressão de confusão no rosto, tentado dizer alguma coisa, mas eu preferi não escutar, me esquivei e saí da universidade o mais rápido possível, voltei correndo para casa.

Notas finais
E ai, gostaram? Qual é a do Cory? E do James? hmmmmm
Espero muitas reviews lindas, a gente se vê em breve ♥
Capítulo betado por Reet.