The Pure And Fragile Gold
5 Pure
Esse foi o dia que eu menos tive paciência de ficar no trabalho. Eu contava as horas para o expediente acabar. E o relógio parecia estar parado. Então meu celular vibrou. Era uma mensagem do Caio:
“♥
Me desculpe por não retornar sua ligação ontem. Estava ajudando minha mãe a desempacotar algumas coisas.”
A mensagem de texto mais linda que eu já recebi.
Já estava dando meu horário de ir embora. Coloquei uma blusa preta, arrumei os cabelos e passei um perfume. Espero que ele goste. Eu não podia esperar um ônibus passar. Ia demorar muito para chegar em casa. “TÁXI!”
Entrei em casa correndo e vi o Caio sentado no sofá da sala. Meu coração, novamente, disparou.
— Oi. – cumprimentei. Ele se levantou e pegou minhas mãos.
— Você está lindo. – ele elogiou. Eu sorri, muito sem graça.
— Você pode me dar só um minuto? – pedi, subindo para o meu quarto. Eu me olhei no espelho, respirei e expirei. “Vai dar tudo certo. Vai dar tudo certo”, sussurrei pra mim mesmo. Tomei coragem e desci novamente.
— Vamos? – perguntei.
Caio abriu a porta pra mim e antes que saíssemos da casa, meu pai me advertiu:
— Breandán, não se meta em nenhuma confusão. Não me faça te buscar em uma delegacia de novo, ok? – Ele era demais. Quando o assunto era me constranger na frente dos outros, meus pais eram os melhores.
Andávamos na calçada um pouco afastados. Cada um sorrindo levemente. Então Caio segurou minhas mãos e me deu mais confiança.
— Aonde quer ir? – perguntou ele. Eu o levei a um café que ficava no outro quarteirão.
— Aqui tem os melhores cafés da cidade. – apresentei para ele. – O que vai querer comer?
Não estávamos com tanta fome. Queríamos, na verdade, apenas ficar juntos e curtir aquela noite.
— Sua vez! – apontou ele. – Por favor, me fale um pouco de você. Como conseguiu esse garoto que não sai da sua perna?
— Bom... Eu sempre sofri ataques homofóbicos aqui na cidade e em especial de um imbecil. E na sexta-feira eu passei em um bar para comprar umas cervejas e ele estava perto. Se eu não tivesse achado a barra de ferro, eu com certeza não teria saído vivo.
— Barra de ferro? – perguntou Caio, querendo rir.
— É sério! Tinha uma barra de ferro no porta-malas do carro do meu pai.
— E o que você fez com a barra de ferro?
— Então, essa é a melhor parte. Se liga, ele já ia me bater, e eu acertei a cara dele.
— Meu Deus!
— Ele caiu no chão desmaiado.
— E o que você fez?
— Na hora eu fiquei desesperado, mas agora penso que foi o melhor que eu fiz. Esses caras são uns idiotas. Já aconteceu algo parecido com você?
Caio sorriu pra mim e negou.
— Ah, sempre ouvi aqueles apelidos típicos: gayzinho, bicha. – ele disse. – Fora isso, nada mais.
E depois que tomamos apenas um Irish Coffee, começamos a andar pela cidade, quando vimos uma praça com muitas árvores. Era bastante iluminada com pisca-piscas, mesmo que não estivesse na época de Natal. Caio encostou em uma das árvores e respirou fundo, admirando todo o ambiente.
— Aqui é muito lindo. – disse ele.
— Não se arrepende de ter saído do Brasil?
— De jeito nenhum. Quero dizer, quando minha mãe me contou que viríamos, eu não gostei muito da ideia. Mas agora eu não quero ir embora.
— Posso saber por quê? – perguntei chegando cada vez mais perto dele.
O clima estava esquentando. Caio estava ficando um pouco ofegante e não tirava os olhos de mim. Seu olhar brilhava mais do que as luzes. Sua respiração estava profunda. Ele tocou meu rosto e olhou para os meus lábios.
— Porque eu ainda não sei falar muito bem inglês. – respondeu ele. Eu quase já não estava respondendo por mim. Meu sangue estava quente. Ele passava suas mãos em todo o meu corpo e sentíamos um o cheiro do outro.
— Não tem problema. “Línguas” é algo que eu entendo muito bem e posso te ensinar se quiser. – eu o beijei. Beijei intensamente. Eu não queria que aquela noite acabasse. Ele era realmente o príncipe encantado que eu sempre sonhei em ter.
Estava ficando muito tarde e tivemos que voltar. A cada passo que dávamos pelas ruas, era um beijo e um abraço diferente. Até que chegamos em casa. Meu coração doeu um pouco pelo fato de ter que me despedir dele. Eu estava muito conectado ao Caio e queria poder não me distanciar mesmo que fosse por uma árvore.
Deitei em minha cama e o celular vibrou.
“Amei a nossa noite. De verdade ♥”, Caio mal esperou chegar em casa. É claro que eu não resisti e respondi:
“Você me faz bem. Gosto de você”.
Eu queria que tudo continuasse a acontecer perfeitamente bem como estava. E conforme os dias passavam, nosso romance estava cada vez mais forte. O tempo passava tão rápido que só faltava menos de um mês para que eu cumprisse a pena e retirasse o coleguinha possessivo que estava na minha perna.
Caio já era praticamente um membro da minha família e eu era quase um segundo filho para a mãe dele.
Nosso namoro era tudo o que eu sempre quis. Eu o amava e ele me amava. E nós nunca nos cansávamos de falar isso um para o outro.
Na tarde da penúltima sexta-feira, nós havíamos combinado de irmos ao cinema. Eu já estava saindo do trabalho, quando recebi uma mensagem da Anna:
“Breandán! Meus pais sofreram um acidente de carro. Podemos nos encontrar no Hospital Saint Rose?”
Apesar dos pesares, ela era minha melhor amiga e eu não podia abandoná-la neste momento. Cheguei rapidamente ao hospital e ela me deu um abraço muito forte. Seu choro era desesperador.
— Meus pais vão morrer, Breandán! – disse ela, inconsolável.
— Eles não vão, Anna. Vai ficar tudo bem com eles – eu tentei acalmá-la.
— Muito obrigada por ter vindo.
Esse momento foi um espaço que tivemos para nos desculpar e resolver todas as desavenças que aconteceram no passado. E matei a saudade que sentia de sua companhia.
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