Eu havia me esquecido completamente do cinema com o Caio. Quando cheguei em casa, já era duas horas da madrugada. Caio me esperava do lado de fora. E pelo jeito não estava muito contente. Meu coração disparou mais uma vez, só que desta vez, de medo.

— Duas horas da manhã, Breandán! Duas da manhã! – gritou ele se aproximando de mim. – Você me deixou plantado na porcaria daquele cinema e não atendeu uma ligação minha! – nunca tinha visto ele tão bravo daquele jeito.

— Eu posso explicar, Caio. – tentei ser pacífico.

Caio não queria minhas explicações.

— Não pode não. Pensei que você fosse diferente dos outros. Até que durou bastante tempo.

— Caio...?

Ele me deu as costas e entrou em casa.

E foi esta a primeira vez que chorei por um namorado. E eu fiquei arrasado, destruído, completamente acabado.

E depois de tanto tempo, com noites bem dormidas, eu teria que me acostumar novamente com a insônia. Nós não tínhamos voltado no tempo, mas eu estava naquele dilema da vergonha de ligar para ele. Queria muito ouvir sua voz. E o pior de tudo: estávamos separados apenas por uma árvore.

Passei aquela noite em claro e resultou em... olheiras! E só de pensar que seria o primeiro sábado em quase quatro meses que eu ia ficar sozinho novamente.

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O mês acabou e quando nos víamos, raramente dizíamos ‘oi’. A sensação de vazio era muito ruim. Pelo menos eu tinha a Anna novamente. E quando ela soube eu havia terminado com o Caio, tentou falar com ele, mas não adiantou. Ele estava muito decepcionado comigo. Ele nunca se abriu comigo e nunca falou das suas experiências anteriores, por isso não consegui decifrar se já havia passado por alguma decepção amorosa antes de vir para a Irlanda.

Era o dia de tirar o bracelete eletrônico e o Caio havia combinado comigo de irmos juntos para tirar. Como a gente tinha brigado, a Anna acabou indo comigo. E como sempre gostam de me dar sermões, o policial da delegacia não perdeu a chance. “Espero que lhe sirva de lição e pense bem antes de agredir um inocente na rua”.

Quando cheguei perto de casa, vi o Caio colocando algumas malas em um carro. E nessa hora senti que devia ir falar com ele. Cheguei mais perto, com medo de ser rejeitado.

— Oi. – cumprimentei.

— E aí? – ele me respondeu, com aquele olhar fixo em mim. – Parabéns. Está livre do seu companheiro de perna.

— É! Estou achando que vou até sentir falta. Brincadeira. – olhei para as bagagens. – E essas malas?

Caio olhou distante.

— Eu vou passar um tempo na Inglaterra na casa de um primo.

Eu ia desmoronar de vez. Como ele podia fazer isso comigo?

— Mas assim do nada? Você não me avisou que ia – se eu fiquei furioso...

— Te avisar? Eu não te devo mais satisfações de nada do que eu fizer – ele ficou ainda mais. A gente nem está namorando mais!

— Ah, é assim, então? Beleza! Vai embora. Mas lembra que quando você voltar, talvez eu já esteja com outra pessoa.

— Se você não se esquecer de ir ao cinema com o próximo otário que conhecer. Agora se me dá licença, eu preciso terminar de colocar as malas no carro.

Foi doloroso ver o Caio partir sem nem sequer me dar um beijo ou até mesmo um abraço de despedida. E com poucas horas que ele havia ido, eu já me perguntava muitas coisas. Será que ele volta? Será que ele vai se esquecer de mim? Será que nunca mais vou vê-lo?

Quando soube que ele havia chegado à Inglaterra, fiquei esperando por uma mensagem falando que tinha chegado bem, ou que estava com saudades. Eu levava meu celular para todos os cantos.

Eu não podia deixar que isso terminasse dessa forma. Precisava conseguir um jeito de resgatar meu príncipe de um cativeiro muito grande chamado INGLATERRA.