Notas iniciais
Gente finalmente consegui escrever o cap 8, então boa leitura e não se esqueçam de comentar

Depois de um tempo lendo algumas páginas do grimoire dos Collins, eu e Brandon fomos até o pier no outro lado do acampamento e ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto eu encostava minha cabeça em seu ombro. Estava tudo muito quieto e só podíamos ouvir nossos pés batendo na água do lago, eu ficava imaginando no que ele estaria pensando enquanto reposicionava o óculos em seus olhos com o dedo mindinho, aquela era uma das manias fofas dele que eu gostava. Brandon era tímido e não falava muito então resolvi quebrar o silêncio:

— Você acha que pode ser um dragão? — Perguntei.

— Eu não sei, talvez não. Sou muito covarde para ser um dragão. — Ele disse enquanto balançava seus pés no lago.

— Por que covarde?

— Eu continuo pensando sobre aquele metamorfo do dia da festa na cabana, eu poderia ter ido atrás dele e impedido-o de ter te machucado.

— Mas você nem ao menos o viu.

— Eu o vi... — Houve uma longa pausa — Mas eu achei que estava delirando.

— Não importa agora, eu estou bem e isso não te faz um covarde. — Falei olhando em seus olhos — Você ainda pode ser um dragão.

— Por que quer tanto que eu seja um dragão?

— Eu gosto da ideia de voar em suas costas enquanto você solta fogo pela boca. — Respondi rindo.

Brandon sorriu e me olhou. Por alguns instantes eu pensei em como poderia ser se ele fosse mais que meu amigo, e depois disso não me importei com outras coisas que haviam acontecido e sim com o que poderia acontecer. Eu estava lá parada e sozinha com uma das pessoas que eu mais gostava no acampamento.

Senti um leve arrepio em meu corpo quando percebi que sua mão estava na parte de trás do meu pescoço, e reparei em minha respiração ofegante quando ele trouxe sua boca para perto da minha. Então eu finalmente percebi que seu beijo era o fogo que eu precisava para esquentar...

— Minha blusa! — Exclamei.

— O que aconteceu?

— Tá pegando fogo! — Falei tirando minha blusa e jogando no lago — Brandon para de olhar, vira pro outro lado!

Ele riu

— Calma, toma aqui meu casaco. — Disse entregando seu casaco em minhas mãos ainda olhando para o lado oposto.

— Pode virar.

Ouvimos um barulho na floresta e fomos ver o que era, à medida em que nos aproximávamos o barulho aumentava. Resolvi pegar uma pedra e jogar atrás de uma das árvores, e lá estava um lobo se alimentando de um coelho. Me perguntei se aquele era Jeremy, mas em minha mente os homens só se transformavam em lobos na lua cheia, talvez eu estivesse errada:

— Esse é o Jeremy?

— Acho que sim, ele é um lobo parecido com esses. — Brandon concluiu.

Ficamos alguns segundos encarando o animal, quando finalmente eu consegui ver a coisa mais extraordinária que meu olhos poderiam alcançar. O lobo nos olhou fixamente e sua pele estava rasgando como se algo de dentro estivesse querendo sair, unhas estavam rasgando aquela pele animal e dali saíam braços humanos ensanguentados, ele estava uivando muito provavelmente de dor, pois o que estava saindo do animal também gritava. Então foi a vez da cabeça e tronco, pude ver a cabeça de Jeremy saindo pela boca da criatura, as presas ralavam levemente em sua cabeça, fiquei assustada com o que presenciei então dei alguns passos para trás. Brandon o ajudava a sair de sua pele animal puxando-o pelo braço. Depois de quase todo para fora, era vez das pernas e pés. Ele gritava tanto que eu pude sentir sua dor, estava completamente nu e seus joelhos estalavam de acordo com a lentidão que ele estava se levantando, as unhas pontudas do animal se transformaram em unhas humanas e suas patas foram desaparecendo na medida em que os pés humanos apareciam. Jeremy estava nos braços de Brandon coberto de sangue, então Brandon deu sua blusa para ele cobrir suas partes íntimas e fomos em direção ao centro do acampamento onde todos estavam localizados.

Quando chegamos no casarão, Nicole veio correndo em direção à nós três. Sarah, Nathaniel e ela pareciam muito preocupados. Todos que estavam no refeitório se levantaram e ficaram encarando Jeremy, Brandon e eu.

— O que aconteceu? Por que ele está todo coberto de sangue? — Perguntou Nicole.

Antes que eu pudesse responder, Jessica chegou com um olhar aterrorizante e parou para nos ajudar. Ela nos levou até sua sala onde entregou uma calça para o garoto.

— Eu não consigo acreditar nisso. — Ela disse nervosa — Jeremy, quantas vezes eu já te falei para tomar cuidado com esse tipo de coisa?

— Me desculpe Julia — Ele respondeu de cabeça baixa — eu não estou conseguindo controlar minha transformação ultimamente, ela está tomando vontade própria.

— É para isso que serve o treinamento, droga! — Exclamou. Naquele momento eu consegui ver a raiva e preocupação em seus olhos. — Todos ficamos calados até que ela finalmente completou:

— Me desculpem. Esses dias eu não sei mais o que fazer. Os alunos estão começando a desconfiar, e eu estou ficando cada vez mais nervosa com tudo isso.

— Tudo bem Jessica, nós entendemos. — Eu disse apoiando minha mão em seu ombro esquerdo.

— Violet você pode me chamar de Julia ou tia, não tem problema.

Depois que saímos da sala, Nathaniel ficou para acalmar sua mãe. Comecei a pensar se eu estava preparada para assumir tal responsabilidade, me tornar algo que eu não tenho controle sobre é um dos meus piores pesadelos. Eu não estava pronta, percebi que precisava de tempo.

Fui falar com Jeremy a sós:

— Você sempre corre pela floresta? — Questionei.

— Sim, me ajuda a esfriar a cabeça. — Respondeu enquanto sentava em um dos bancos-

— Como foi quando você descobriu tudo?

— Eu gostei da ideia no começo, mas depois que tudo começou a ficar real eu comecei a achar terrível.

— Você já tem o grimoire?

— Essa é aquela entrevista que eu estava te devendo? Pois parece. — Ele disse rindo.

— Talvez. — Sorri.

— Sim eu tenho, Nicole me ajudou a achar o meu. Foi quando eu percebi que gostava dela, passamos muito tempo juntos.

— Calma aí, ela já sabia sobre os grimoires? — Suspirei.

— Sim, é claro.

Nicole havia falado sobre não confiar em Brandon, e foi contra a ideia de conversar com ele. Agora eu sei, ela já sabia sobre os livros mas por que não queria que eu soubesse? -perguntei a mim mesma-

— Nic? — Chamei seu nome por trás da porta do dormitório — Posso entrar?

— Sim.

— Por que não me falou que já sabia sobre os grimoires?

— Eu tenho medo, medo de você acabar achando outro desses. -ela disse chorando- Violet, esses livros são perigosos. Jeremy achou o dele mas isso só trouxe mais problema, e mais para frente trará para Brandon também, eu sei que sim.

— Nic calma. — Falei sentando ao seu lado — Se nem Julia sabe onde está os nossos livros, não iremos achá-los tão cedo.

Consegui esconder um pouco meu medo, mas ela parecia assustada e preocupada. Eu nunca tinha visto ela daquele jeito, tão frágil e indefesa. Sarah entrou no quarto e contei para ela o que havia acontecido, ela logo pensou em uma maneira de acalmar Nicole percebendo que eu estava usando o casaco de Brandon:

— Esse casaco não é seu Violet, e eu sei disso porque já vi todo o seu guarda-roupas. — Observou apontando para a peça de roupa desconhecida.

— É do Brandon, ele me emprestou porque minha blusa pegou fogo.

— O clima ficou tão quente assim? — Disse a loira com uma expressão facial de dúvida.

Nicole riu, e eu também.

— Eu não sei o que aconteceu, ele ia me beijar e pegou fogo do nada.

— Ah meu Deus! — Exclamou Sarah — eu e Nathan lemos algo sobre isso no grimoire dos Collins.

— Isso o que? — Nicole indagou.

— Alguns poderes desenvolvem precocemente de acordo com os sentimentos da pessoa, como se fossem sinais.

— Então o que você está dizendo é que...ele queimou minha blusa?

Sarah balançou a cabeça fazendo sinal de ''sim'', e eu sai correndo do quarto para ir falar com Brandon. Tudo estava começando a fazer sentido, Brandon poderia ser um dragão. Perguntei para todos no acampamento onde ele estava mas ninguém sabia me responder, quando finalmente encontrei Tommy:

— Tommy, você viu o Brandon em algum lugar? — Perguntei desesperada-

— Sim eu vi, ele foi para o treinamento com o Sr. James.

Achei que estava louca quando ouvi a palavra ''treinamento'' sair da boca de Tommy. Não era possível ele saber sobre isso, a menos que ele também participasse do treinamento:

— O que?! — Exclamei — Você sabe?

— É claro que sei. Alex me contou, e antes disso eu meio que desconfiava que acontecia algo estranho no acampamento.

— Tommy, vamos comigo encontrar Brandon.

''Ah meu deus Alex, o que você fez? Julia vai te matar'' perguntei a mim mesma.

— Tudo bem então. — Respondeu.

Tommy e eu ficamos correndo pela floresta, e em nenhum lugar conseguimos achar o local de treinamento. Eu estava cansada e desidratada assim como o garoto que me acompanhava. Olhei para Tommy e ele estava tocando em todas as árvores quando percebeu que já estávamos rodando por aquele local por horas e não achamos nada, de algum modo ele conseguia sentir a natureza, pelo menos de acordo com ele, pois sentia ligação com a fazenda em que vivia antes de chegar ao acampamento.

— Precisamos voltar. — Conclui.

— Siga-me. — Ele ordenou.

Eu o segui. Encontramos o treinamento mas não era exatamente o que eu esperava, era vasto e do outro lado do lago onde se localizava o pier. Era longe o bastante para eu não ter percebido quando fui ao local antes, era coberto por árvores altas. Lá estavam algumas pessoas mais velhas ensinando os mais jovens a praticar seus poderes e habilidades, talvez antigos alunos do acampamento. O número de criaturas era imenso e entre elas estava Brandon, eu poderia reconhecer aqueles olhos em qualquer lugar. O local era repleto de cores, e naquela parte da floresta haviam animais e flores, nem parecia ser úmido como o resto do acampamento.

— Eu não imaginava que fosse tão bonito. — Tommy disse enquanto admirava a paisagem.

— Nem eu. — Quando vi que Brandon estava ocupado lendo seu grimoire com o Sr. James, desisti de ir até ele. — Vamos embora.

Recuamos para o centro do acampamento e no caminho encontramos alguém correndo de capuz novamente pela floresta, tive uma lembrança do dia que meu colar quebrou a pedra. Era a mesma pessoa eu tinha certeza. Resolvi segui-lo e quando finalmente o alcancei tirei seu capuz e lá estava Jeremy:

— Você tá louca?! — Perguntou com raiva.

— Jeremy? Era você que estava nos vigiando no dia em que meu colar caiu na pedra?

— Sim, achei que já soubesse. Julia me pediu para fazer isso, ela começou a perceber que você estava desconfiando de tudo.

— Eram vocês dois na frente do meu dormitório sussurrando no mesmo dia? — Questionei curiosa.

— Sussurrando o que?

''Você fez o que eu pedi?'' ''Sim'' ''Ótimo''. — Repeti.

— Sim, mas nós estávamos no local de treinamento e não na frente de seu dormitório. — Ele admitiu confuso — Sua audição parece estar melhor que o normal, não acha?

Por sorte Tommy não conseguiu ouvir a conversa, mas eu estava começando a perceber o que estava acontecendo comigo e não era coisa boa. Já estava escuro e em algumas horas era meu 16º aniversário e o momento de descobrir a verdade sobre quem eu sou.