The Prophecy
9 Capítulo 9
Notas iniciais
– Nico! Nos tire daqui! – Annabeth gritou
– Não sei se tenho energia o suficiente pra transportar todos nós! — ele gritou de novo
– Você disse que nos tiraria de situações perigosas! – Clarisse esbravejou
Nessa noite não tínhamos encontrado nenhum lugar para acampar como na noite anterior, decidimos encostar o carro no acostamento e dormir ali mesmo. Mas durante a madrugada fomos surpreendidos por um grupo de Nascidos da Terra. Devia ter uns doze ali, estava escuro demais para contar.
Clarisse arrancou com o carro tentando escapar, apesar de não serem inteligentes, nossos perseguidores eram rápidos e mais numerosos. Nos cercavam e já teríamos sido esmagados umas três vezes se a filha de Ares não tivesse sido mais rápida.
– Eu odeio essas criaturas! – Annabeth gritou
Olhei pela janela a tempo de ver um dos Nascidos da Terra correndo em nossa direção.
– Clarisse! – gritei e ela conseguiu desviar o carro
Nico e Thalia estavam concentrados, Nico tentando reunir energia para nos tirar dali e Thalia tentando invocar alguns raios para torrar as criaturas, mas os céus não estavam obedecendo ela.
– Você consegue. Vai Thalia, se concentra. – pedi enquanto segurava a mão dela, o que era difícil porque estava no banco da frente e ela no banco traseiro
Eu não tinha o charme que Piper tinha na voz, esperava que eu estivesse ajudando.
– Di Angelo! Nos tire daqui agora! – Clarisse gritou, bem a tempo de virar o volante
O carro girou nos asfalto, e começamos voltar da direção que tínhamos vindo, os Nascidos da terra tinham criado uma barreira impedindo de seguirmos para onde queríamos.
Thalia soltou um suspiro frustrado e sua expressão ficou tomada por uma de concentração. Ela soltou um grito, e ao mesmo tempo um raio cortou os céus, acertando uma das criaturas.
Percebi que ela estava cansada, não sei o que estava bloqueando os poderes dela, mas a fez lutar muito.
– Se ela invocar mais um desses vai se exaurir. – sussurrei para os outros – Thalia, para. – pedi quando vi que ela tinha voltado a se concentrar.
Algo bateu no teto do carro, todos gritamos, e o meio do teto tinha amassado para baixo, possivelmente uma das criaturas tinha jogado o porrete ali.
– Clarisse! Nos tire daqui, eu não quero morrer agora! – Annabeth gritou
Clarisse olhou para Nico pelo retrovisor, ela se viu num momento de liderança e tinha que tomar uma decisão para o bem de todos nós.
– Você consegue fazer um salto nas sombras? – perguntou
– Acho que sim, mas só a gente, o carro fica. – ele murmurou
– Você atravessou o oceano com uma estátua gigante como não consegue levar um carro?! – a filha de Ares rugiu de volta
– Você prefere morrer esmagada por um desses monstros? É o que vai acontecer se não sairmos daqui agora. – ele resmungou e todos nós encaramos Clarisse, ela assentiu relutante
Nico deu uma das mãos para Thalia e encostou no meu ombro com a outra.
– Fiquem todos juntos, assim não corremos o risco de um acabar indo para outro lugar. – ele disse com a voz tranquila
Apoiei minha mão no ombro de Clarisse e Thalia desentrelaçou nossas mãos e segurou o braço de Annabeth. Lembrei da última viagem nas sombras, que só consegui ficar consciente porque Thalia me abraçava, não queria nem imaginar como era viajar assim sem a presença de alguém.
– Vamos lá. – Nico sussurrou e Clarisse largou o volante
A escuridão nos engoliu, lembrei o pesadelo que tive e o pânico tomou conta de mim. Tinha consciência que Nico e Clarisse estavam ao meu lado, mas eles não eram Thalia. Um mal estar me atingiu, senti minha cabeça pesar e meu estômago se embrulhar.
A escuridão não tinha fim, olhei para baixo e não consegui ver o meu corpo, era tudo escuro, como se eu fizesse parte daquela imensidão negra agora.
Aos poucos fomos voltando para realidade, caímos em pé num piso cheio de cascalho, mas eu ainda sentia aquele mal estar, cambaleei para frente e meus joelhos cederam, caí no chão, sentindo as pedras pequenas cravando no meu braço.
– Rachel. – alguém me segurou e me virou
Era Thalia, ela estava agachada ao meu lado, o rosto parcialmente iluminado pela luz do poste. Não fazia a mínima idéia de onde estava. Sabia que os outros estavam ali, mas não conseguia vê-los.
– Meu amor... – ela chamou novamente, mas ela não estava mais em meu campo de visão
Eu encarava o céu escuro da noite, iluminado pelas estrelas.
Então eu apaguei nos braços dela.
–x---
Eu estava deitada no colo de alguém, que acariciava os meus cabelos. Esse alguém era Thalia, ela murmurava uma canção que não pude discernir os significados das palavras. Era uma canção em grego, então puxei na minha memória lembrando que era a mesma canção que eu havia cantado para ela adormecer na nossa última noite no Acampamento. A voz dela era mil vezes melhor que a minha, poderia ficar ouvindo aquela música pelo resto da minha vida.
Mas tive que abrir os olhos, encarando aquela imensidão azul que olhava para mim, dei um sorriso tímido e ela parou de cantar.
– Se eu soubesse que ia parar eu continuaria de olhos fechados. – sussurrei e ela não respondeu
Então percebi que não fazia a mínima idéia de onde estava, desviei o meu olhar do dela e olhei para o teto branco e cheio de infiltração. A luz do sol entrava pela janela no minúsculo cômodo, só tinha uma cama de solteiro que era onde estávamos, o quarto não devia ser pintado há anos. Se Clarisse já estava reclamando daquele último apartamento ele deve ter tido convulsões quando viu esse quarto.
– Por quanto tempo eu apaguei? – perguntei
– Não muito, chegamos aqui eram quatro da manhã, você acordou quando o dia estava amanhecendo, mas dormiu de novo. – ela sorriu e acariciou meu rosto – Achei que estava cansada e deixei você dormir, deve ser nove horas agora.
– Você dormiu? – perguntei quando percebi as olheiras embaixo dos olhos, fora que seu olhar estava cansado
– Eu tinha dormido no carro, dormi um pouco quando conseguimos esses quartos, mas... – ela hesitou – Pesadelos.
– Quer conversar sobre isso? – ela apenas negou com a cabeça – Mesmo?
– Estou bem. – entendi que ela preferia ficar acordada a ter pesadelos, seja lá o que for deveria ser horrível
– Onde estão os outros?
– Cada um pegou um quarto, mas acho que o único que conseguiu descansar foi Nico, o salto nas sombras o deixou mal. Mas não sei onde estão agora.
Ergui meu tronco deixando o meu rosto próximo ao dela, uni nossas testas deixando nossas respirações se misturarem. Eu precisava daquele tempo sozinha com ela.
Ela zerou a distância que faltava entre nossos lábios e me beijou. Me entorpeci com aquela sensação, uma coisa que nuca me cansaria era de beijá-la.
Fui descendo os beijos para o queixo e mandíbula dela, por fim, escondi o rosto no pescoço dela e deixei que me abraçasse.
– Estou com medo. – admiti pela primeira vez desde que essa confusão começou
– Vai ficar tudo bem. – ela sussurrou, mas eu sabia que ela tentava se convencer a respeito disso
Afastei do pescoço dela e enlacei seus pescoço com os braços.
– Me beija. – pedi
Perdi a noção de quanto tempo ficamos ali nos beijando. Era assim quando estava com ela, o mundo parava e só existia eu e ela em nossa pequena bolha de felicidade.
Não passamos do limite dos beijos, embora eu sentisse suas mãos explorando meu corpo.
– Acho que temos que procurar os outros. – disse, mas não queria sair dali, ela assentiu
– Ali naquela porta é o banheiro, pode tomar um banho se quiser...
– Se o quarto é assim. – a cortei – Não quero nem ver o banheiro. Vamos logo ver os outros.
Levantei da cama e a puxei junto, pegamos nossas mochilas e saímos de mãos dadas.
Batemos nas portas onde os outros estavam hospedados, mas não tinha ninguém ali. Pedimos informação na recepção e a mulher que trabalhava ali disse que eles tinha ido ao restaurante que tinha ali em frente. Ela lançou um olhar desconfiado para mim e Thalia, a expressão da mulher se fechou mais ainda ao ver nossas mãos entrelaçadas. Puxei Thalia dali antes que ela percebesse algo e acabasse se irritando.
Saímos do hotel, a visão que tive não foi muito animadora, era uma rua feia, como aqueles bairros de parada para viajantes.
– Nós caímos na arte feia da cidade. – Thalia explicou e me olhou como se pedisse desculpas por isso – Dois quilômetros naquela direção as coisas começam a melhorar.
Caminhamos alguns metros e atravessamos a rua, entramos no tal restaurante, e fiz uma anotação mental para não comer nada dali.
O local era claro, mas algumas mesas ainda tinham pratos com restos de comida. Alguns homens mal encarados bebiam em um canto, Thalia passou o braço ao redor da minha cintura e me empurrou para onde nossos amigos estavam.
Clarisse e Annabeth traçavam um plano e Nico apenas observava as duas, encarando a rua pela janela.
Me sentei no lugar vago ao lado de Nico e Thalia na ponta da mesa.
– Estamos aqui. – Annabeth apontou um ponto no mapa – E a base abandonada é aqui. – apontou outro ponto – Acho que dá duas horas e meia de viagem.
– Economizamos quarenta quilômetros com esse salto. – Nico sussurrou
– Mas perdemos mais tempo. – Clarisse finalizou
Eles pararam de explicar pois uma garçonete veio trazer o pedido que haviam feito, incluindo para mim e Thalia. Ela serviu as latas de refrigerante, que eram as únicas coisas ali seguras para provar sem ter uma infecção alimentar, a garçonete lançava sorrisos para Nico que ignorava mantendo os olhos no mapa.
– Então vamos para a base e destruímos o Receptáculo. – disse – Não parece tão difícil.
– Estive pensando sobre isso, já ouvi falar sobre o Receptáculo. Hécate o fabricou nos tempos antigos, é o amuleto mais poderoso que a deusa produziu, quem tiver a posse dele vai ter magia o suficiente para invocar ou controlar qualquer coisa. Por isso atrai monstros para ele, o poder do Receptáculo os deixa hipnotizados. – Annabeth explicou
– Isso significa que vai ter um Exército de monstros protegendo ele. – Clarisse finalizou
De relance, vi Thalia estremecer, tudo levava em direção do sonho que tive há meses atrás.
– A base é enorme, como vamos encontrá-lo? – Thalia perguntou
– Você e Nico vão antes, pelas sombras para a avaliar a quantidade de monstros e se temos alguma chance, retornam e então todos nós vamos. – Clarisse respondeu
– Vamos nos dividir em equipes. Nico vai sozinho, Thalia e Clarisse, Rachel e eu. – Annabeth começou – Vamos procurar o Receptáculo, quem encontrar primeiro vai destruí-lo.
– Não é um plano tão bom, mas é o melhor que conseguimos. Não vamos nos preocupar com o Traidor agora, ele deve estar atrás do receptáculo então os monstros estarão contra ele também. – Clarisse continuou
– Só preciso que todos tomem cuidado, vamos praticamente num ninho de monstros.
– Mas vamos conseguir, se todos cumprirem sua parte no plano e se nenhum imprevisto acontecer.
Clarisse finalizou e ela e Annabeth sorriram uma para outra. Elas haviam traçado o plano juntas, duas estrategistas. Finalmente as duas tinham se entendido de vez. Annabeth desviou o olhar da Filha de Ares e encarou as próprias mão, onde estava a aliança dela com Percy, de repente o sorriso desapareceu.
– Como vamos chegar até base já que estamos sem carro agora? – perguntei
– Sra. O’Leary. – Nico respondeu e eu fiz uma careta
– Vê se não passa mal dessa vez, não temos mais tempo pra isso. – Clarisse disse, mas o tom que usava era descontraído
Por baixo da mesa, senti a mão de Thalia apertando meu joelho. Coloquei a minha mão sobre a dela e a encarei.
– Eu preciso mesmo ficar longe dela? – Thalia perguntou
– Rachel sabe se cuida, e ela vai estar com Annabeth. – Nico respondeu
– Mas...
– Thalia, o plano já foi traçado. Todos concordam com ele. – Clarisse me encarou – Você concorda?
Hesitei um pouco, mas por fim respondi.
– Concordo, é um bom plano. – disse e era verdade, se Thalia ficasse comigo ela ficaria condicionada em somente me proteger
– Então acho que não devemos mais discutir isso, só vamos colocá-lo em prática. – Clarisse deu o decreto final
Thalia me encarou com uma expressão triste... Como se tivesse sido traída.
– Desculpa. – sussurrei para somente ela ouvir
Ela tirou a mão de debaixo da minha e se levantou.
– Preciso tomar um ar. – disse e saiu do restaurante, Nico se levantou e a seguiu
Eu permaneci no meu lugar, sem dizer nada. Não adiantava em nada ir atrás dela, ela não me ouviria. Apenas torci pra que Nico a convencesse que aquilo era o melhor a se fazer, e lutei contra o medo que inundava meu peito.
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